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: DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE IIAU

TITRE IV : DISPOSITIONS APPLICABLES AUX ZONES A URBANISER

CHAPITRE 4 : DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE IIAU

Pensar o que pode a comunicação com a neomonadologia tardeana é pensar o infinitamente pequeno e heterogêneo como oposição à ideia das generalizações ou de que as comunicações ocorrem sob um grande padrão único, se atentando para as inúmeras variações produzidas em seu fazer.

Compostos por partes indivisíveis que Leibniz nomeou como mônadas (TARDE, 2003), os seres em seus modos de existência elaboram uma maneira de proceder em seu dia a dia e na sua vida porque se comunicam, assim como as mônadas que os constituem. A comunicação rompe com a transcendência. Se em nossos modos de existir estabelecemos formas de viver, isso só é possível porque nos comunicamos e não porque haveria um conhecimento transcendente que nos guie.

Desta forma, também demanda se atentar para o fato de que os modos de engendramento das políticas públicas de saúde e educação são compostas por infinitesimais e heterogêneas experiências e que a mudança em um cenário em Serra, por menor que seja, transforma todo um corpo social.

Na neomonadologia tardeana, a eliminação de uma Mônada Superior que transcendentalmente ordenava a vida abre a perspectiva para a variação operada pela comunicação entre as mônadas (SAINT CLAIR, 2012; TARDE, 2003). Isso porque essa ordenação implicava que o transcendental aludindo ao homogêneo operasse da mesma forma em todos os seres, enquanto a variação pela comunicação operaria pela heterogeneidade. Na comunicação, pensada aqui como

mútuo engendramento das mônadas em contato, cada conexão aconteceria de modo singular, diferenciada pelas quantidades únicas de crença e desejo que cada mônada possui, fazendo desses processos comunicativos entre as mônadas processos únicos. O que se repete é a ação de comunicar, mas o modo como isso se faz e os seus efeitos são absolutamente únicos, mesmo portando similitudes.

A repetição aqui não é entendida como repetição do mesmo, mas como a repetição do movimento, da ação ou da atividade que cria variações – existem similitudes, mas nunca são iguais.

Pensar a comunicação pela via da homogeneidade é minimizar ou não levar em conta a variação e a diferença. Ao contrário disso, pensar a comunicação como afirmação da variação e da diferença nas inúmeras e múltiplas relações entre os seres é potencializar as inúmeras formas de criar conexão e fazer com que as diferenças conversem, fazer com que a produção de heterogeneidade seja também produtora de comum, que constitui o social sem homogeneizá-lo.

Desta forma, são as quantidades ou justamente as diferenças que tornam possível a comunicação entre os seres, produzindo similitudes. Todavia, o modo como estas similitudes se produzem podem provocar efeito de estabilização, invisibilizando as diferenças – incorrendo em contágio imitação - ou podem ter efeito de inovação, de mudança, de transformação a partir dessas diferenças conversando – ocorrendo em contágio invenção.

Reunindo 15 a 10 pessoas a cada encontro, quando não menos, o Fórum Cosate ressoa, irradia em Congressos, em fóruns de diretores, produz mudança na SEDU/Serra e no Sindiupes. Mas é o que move ao desviar o fluxo das correntes imitativas que se articulam a princípios individualistas ou inventando outros modos de contágio invenção que afirmam a comunicação e cooperação entre heterogeneidades que de fato exprime sua força comunicativa. As brechas que os movimentos criam na constituição das politicas públicas relacionam-se diretamente com as fissuras e desvios efeitos das ações que realizam. Dito de outra maneira, sua força não está no seu tamanho, mas no potencial de deslocamento que produzem quando empreendem ações em comum, apostando menos na extensividade e mais na força de seus efeitos desviantes e formativos na vida dos sujeitos.

Assim, ao desejo por maior autonomia, cooperação e pela apropriação da gestão do tempo no trabalho (GUATTARI; NEGRI, 1987) corresponderia a sua escala negativa: o desejo de individualidade e de heteronomia suscitados pela lógica capitalista (LAZZARATO, 2006).

No Fórum Cosate o processo formativo ou de produção de subjetividade como efeito dos sujeitos em ação por crenças e desejos comuns - o contágio invenção, que não anula ou impede que outras formas de contágio estabilização também emerjam, é uma nova forma de “ler os signos” ou mapear e “redescobrir” as lutas e o território, nova forma de decifrá-los20 (DELEUZE, 1987) que se contagia. Não se contagia pelos signos pensados como materialidades, eles nem funcionam da mesma forma para todos. O que se contagia é a forma de se apropriar, o exercício de sensibilidade alargada e atenção ao que significa, ao que fala neste campo. O que se contagia são as ações que empreendemos, o modo como nos comunicamos movidos pelo desejo por produção de saúde no trabalho, por autonomia e cooperação, por afirmação da vida.

O contágio invenção no movimento desejante opera não introduzindo um novo desejo, mas intensificando uma necessidade que se encontrava estacionária (SAINT CLAIR, 2012) ou que em alguma quantidade já estava lá. Os trabalhadores que chegam no Fórum e os representantes de instituições que ali estão aproximam-se porque de alguma maneira a questão da saúde do trabalhador já incomodava, já produzia inquietações. Mesmo que muitos chegassem falando de soluções que desconectadas de outras lutas podem lidar somente com o plano individual e adaptativo como ginástica laboral e exercícios de fonoaudiologia, o desejo por transformações nesse cenário de adoecimento aproxima e é nas reuniões, na construção de uma linguagem comum que envolve a elaboração do Projeto de Lei, nas ações transversais que o movimento realiza para por em prática o Projeto Piloto além de buscar a aprovação da Lei na Câmara de Vereadores, nas participações em Fóruns e outros espaços para criar diálogo sobre produção de saúde no trabalho; enfim, nas conexões que vão se estabelecendo que o encontro com os signos ali daquelas reuniões bifurca a ideia das soluções individuais pela ação coletiva, pela ideia de autonomia e pela ideia do trabalhador gestar coletivamente o tempo do seu

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Sobre aprendizado por meio da leitura ou decifração de signos, as páginas seguintes aprofundam melhor o assunto.

fazer. São essas bifurcações que produzem outro sentido para esse desejo, alteram suas quantidades quando transformam necessidade estacionária em desejo movimentando-se, em ação. Isto é: quando invenciona novas formas absolutamente únicas de compor com esse campo por meio da arte e invenção.

As similitudes, pensadas por esta via do contágio, funcionam então para produzir diferenças, para viabilizar e intensificar as variações. A ideia de imitação opera não como produção fabril serializada de mais do mesmo, porque as similitudes não são reproduções perfeitas, antes se atém ao deslocamento que lança de novo e de novo...