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: DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE IAUE

TITRE IV : DISPOSITIONS APPLICABLES AUX ZONES A URBANISER

CHAPITRE 2 : DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE IAUE

DE 0 A 6 ANOS RESIDENTES EM ÁREAS RURAIS”

O mapeamento da revisão bibliográfica apresentada no relatório da pesquisa nacional (MEC/UFRGS/2012) teve como foco pesquisas que tratam da Educação

Infantil destinada às crianças residentes em área rural e produções concluídas entre os anos de 1996 e 2011.

Os materiais levantados para o mapeamento da revisão bibliográfica priorizaram produções resultantes das universidades, contemplando, principalmente, teses e dissertações no banco de Dissertações e Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, artigos em periódicos, livros, monografias e trabalhos completos apresentados na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação, que tratam da Educação Infantil ofertada às crianças de zero a seis anos em área rural.

Esse mapeamento focalizou a Educação Infantil destinada às crianças moradoras no campo, buscando aproximação com as temáticas pesquisadas e objetivando conhecer as produções e histórias da Educação Infantil e da educação das populações do campo discutidas nas pesquisas. O estudo denota grande importância ao diálogo entre os dois campos (Educação Infantil e Educação do Campo), principalmente no que tange a pensar o atendimento à Educação Infantil do Campo. Considerando que a discussão é recente (SILVA et al., 2012), reunir produções que falam da temática é relevante para o contexto específico da Educação Infantil ofertada no campo.

Segundo estudos (SILVA et al., 2012), a Educação Infantil vem sendo discutida no âmbito acadêmico, com 2.600 títulos no banco da Capes. As autoras nos alertam que, apesar do volume de produções, não se sabe ao certo o seu lugar vinculado à Educação Infantil do campo. Com a crescente expansão da creche e pré-escola devido ao processo de urbanização e industrialização, e o fato de os piores indicadores em termos de cobertura de atendimento estarem no campo, supõe-se uma vinculação das pesquisas aos contextos mais urbanos. Isso aponta a relevância de estudos destinados ao campo na etapa da Educação Infantil. A produção da Educação do Campo, com um número menor de produção, segundo a revisão acadêmica (SILVA et al., 2012) de 536 títulos, também vem movendo discussões. O estudo evidencia que a invisibilidade do campo é enfrentada por movimentos sociais e sindicais ligados à reforma agrária e, a partir dos anos 90, intensifica-se o processo de denúncia das condições de oferta do ensino no contexto do campo. Esse movimento propõe um paradigma que coloca em destaque os sujeitos do campo como protagonistas das ações, políticas e planejamentos relativos ao campo.

Outro tema que tem sido problematizado é a formação dos docentes para atuar nas instituições localizadas no campo. O tema da formação é apontado como problemático e estratégico para a implementação das novas concepções vinculadas à Educação do Campo. As discussões mobilizaram a criação de cursos de licenciatura específicos para atuar no campo, em diferentes universidades do Brasil. Supõe-se que a temática perpassa o campo de discussão das diferentes etapas e modalidades de ensino, embora, na etapa da Educação Infantil ainda pouco apontada quanto a esse aspecto.

O estudo (SILVA et al., 2012) indica que a produção da Educação do Campo é uma construção recente e crescente, que aumenta a partir de 2003. Relaciona esse aumento da produção considerando os debates em torno da criação da legislação, já que, em 2002, foram aprovadas as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica das Escolas do Campo (Resolução CNE/CEB nº 01/2002). No conjunto das discussões, as autoras destacam a necessidade de compreender o lugar da Educação Infantil nessa produção. Assim, fizeram um movimento de aproximação dos dois campos (Educação Infantil e Educação do Campo) e um terceiro já apontando as produções da EIC.

No bojo das discussões que geram e aprovam a legislação, enunciam-se diferentes vozes: dos movimentos sociais, dos professores e das pesquisas. Essa configuração dialógica favorece e potencializa o campo, principalmente no fortalecimento de suas especificidades. Nesse movimento, enfatizamos a importância do diálogo entre as pesquisas, produções em geral e seus contextos.

A pesquisa (SILVA et al., 2012), ao destacar a Educação Infantil, aponta algumas questões pertinentes aos nossos estudos. A revisão bibliográfica apresentada no relatório da pesquisa evidencia que, na maior parte dos trabalhos encontrados, a Educação Infantil é estudada com outras etapas e modalidades de ensino e poucos trabalhos marcam a presença de crianças de zero a três anos. Ou seja, a Educação Infantil não vem sendo analisada especificamente nos contextos de oferta no campo.

Considerando que, no campo, as escolas se configuram com atendimento de diferentes etapas e modalidades de ensino na mesma instituição, é possível compreender essa dinâmica nas produções. No entanto, não podemos também deixar de refletir que tratar a Educação Infantil de forma generalizada, em torno ou

agrupada a outras etapas e modalidades, diminui ou impossibilita a visibilidade de suas especificidades.

Assim como é importante conhecer os contextos e modos de vida da população do campo ao pensar o atendimento à criança de zero a seis anos, também se torna de fundamental importância pensar as especificidades do atendimento a essa etapa da Educação Infantil. O conceito de infância, criança, sua linguagem, o papel do brincar nos processos educativos, a organização do espaço infantil, infraestrutura (BRASIL, 2009a, 2008a) e tudo que envolve o atendimento à criança de zero a seis anos no campo precisam ser considerados, e também sua relação com a atuação e formação docente.

Outras questões levantadas são os poucos estudos dedicados à pesquisa da docência na Educação Infantil do campo. Em um total de 80 trabalhos selecionados, apenas quatro tratam da docência. Se há uma precariedade de atendimento e oferta da Educação Infantil no Campo (ARTES; ROSEMBERG, 2012), inseridos nesse processo estão os professores e professoras da Educação Infantil que, nos contextos campesinos, se deparam com as especificidades para atuação. Especificidades que nem sempre são discutidas nos cursos e encontros de formação, mas que precisam, em suas práticas, escolher diferentes formas de fazer, a partir de sua autonomia docente, atendendo às crianças de zero a seis anos.

Além das questões apontadas referentes à generalização da Educação Infantil, também foi destacada a apresentação do rural nos trabalhos como genérico, geral, sem trazer a especificação dos contextos. Quando falamos em área rural, referimo-nos às populações do campo, com diferentes contextos históricos, sociais e políticos. A pesquisa bibliográfica mostra que o rural aparece nos trabalhos algumas vezes como comparativo entre rural e urbano. É importante destacar que os contextos e formas de vida das populações dialogam diretamente com as formas de organização das instituições educativas.

Apesar das generalizações, segundo a revisão bibliográfica houve um grupo de trabalhos que se destacou por trazer, em seus objetos, especificidades da Educação Infantil em diálogo com a Educação do Campo. Apresentaram, como objetos de estudo, os processos educativos em assentamentos, o significado da Educação Infantil para as crianças rurais, a função docente realizada por mulheres da comunidade, o professor/homem na Educação Infantil e as trajetórias de vida e formação de professoras da Educação Infantil (SILVA et al., 2012).

Dos trabalhos emergiram problematizações que dialogam com algumas questões que perpassam nosso estudo. Na pesquisa de Ferreira (2008), o tema docência se apresenta indagando a ausência de política que dê visibilidade a docência no campo, principalmente quando falamos de Educação Infantil e suas especificidades. Questões são levantadas sobre o exercício desse trabalho,: a questão dos sentidos que emergem no fato de professoras e professores serem ou não da comunidade a qual irão trabalhar; a necessidade de a formação continuada contemplar as especificidades da Educação do Campo; e os desafios de um currículo contextualizado e que respeite os diferentes povos, modos de vida e infâncias do campo. Esses e outros questionamentos surgem no diálogo com a produção, demonstrando a complexidade, da docência na Educação Infantil do Campo. A produção apresenta assim um panorama ampliado das discussões que vem sendo pautadas nas pesquisas e contribuem e complementam nossos dizeres nessa polifonia (BAKHTIN, 2010a) que se constitui em uma construção conjunta.