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: DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE A

TITRE V : DISPOSITIONS APPLICABLES AUX ZONES AGRICOLES

CHAPITRE 1 : DISPOSITIONS APPLICABLES A LA ZONE A

No movimento de aproximação a trabalhos que focalizam temáticas relativas à docência na Educação Infantil do Campo, próximos de nossa proposta de pesquisa, selecionamos duas dissertações (PINTO, 2009 e SILVA, 2006). Esses estudos não focalizam exatamente o contexto da Educação do Campo, mas, em suas discussões, ajudam-nos a perceber os desafios e demandas na Educação Infantil e também naquela ofertada no campo. Dialogamos ainda com o trabalho de Lima (2008), que traz uma abordagem mais aproximada do cotidiano da escola no campo.

Iniciando por Pinto (2009), a dissertação tem como objeto de estudo o trabalho docente na educação infantil pública, no município de Belo Horizonte. O objetivo dessa pesquisa é apreender como e em que condições se realiza o trabalho docente na educação infantil. O objeto está intimamente ligado à ação docente, especialmente no que tange às relações e condições de trabalho das profissionais que atuam com as crianças.

A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e o seu desenvolvimento se deu por meio de análise documental e da pesquisa de campo em uma UMEI e em uma escola de Educação Infantil. Como instrumentos de coleta de dados, utilizou questionário, observação, entrevista semiestruturada e grupo focal.

As análises efetuadas sobre o trabalho docente basearam-se, principalmente, nos seguintes autores: Apple (1987), Ball (2002), Birgin (2000), Castel (1998), Contreras (2002), Enguita (1991), Fanfani (2005, 2006, 2007), Hargreaves (1994), Mancebo (2007), Oliveira (2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008), Pochmann (1999), Santos (1989, 1992), Tardif e Lessard (2005, 2008), entre outros.

A pesquisa abordou e problematizou questões relativas à remuneração da educadora infantil, à formação em serviço, à jornada de trabalho, às suas atribuições, à precarização e à intensificação do trabalho docente, bem como às formas de resistência e ao adoecimento das professoras e educadoras em frente às novas tarefas e à desvalorização profissional. Segundo Pinto (2009), a jornada de trabalho das trabalhadoras da Educação Infantil ultrapassa a carga horária prevista remunerada. Há uma intensificação do trabalho docente tanto na jornada, quanto nas atribuições destinadas às trabalhadoras. A autora aponta que a jornada de

trabalho não se esgota na escola, e que a especificidade do trabalho na Educação Infantil precisa ser considerada em relação ao exercício do trabalho docente.

A pesquisa (PINTO, 2009) aponta ainda a diversidade das famílias e o atendimento das crianças com deficiência, como elementos da complexidade do trabalho docente no contexto pesquisado.

A autora destaca também, a partir do estudo, que muitas vezes o reconhecimento do direito à Educação Infantil (gerando aumento da oferta de vagas, e a obrigatoriedade de receber a matrícula independente da estrutura organizativa), para as professoras, é percebido como um aumento de responsabilidades, sendo avaliado como um fator que as sobrecarrega e traz dificuldades para a realização do trabalho.

Afirma ainda, que, diante desses desafios, no caso das professoras pesquisadas, elas podem buscar parcerias com outros profissionais da instituição para atender com maior qualidade às crianças. Pontua também a complexidade do trabalho na Educação Infantil ligado a uma disposição física, na postura sempre ativa, respondendo à necessidade de acompanhar o ritmo intenso das crianças, de criar estratégias para viabilizar a atenção e o cuidado de 15 ou mais crianças ao mesmo tempo, entre outras demandas, que trazem uma especificidade a este trabalho. Afirma que há, dessa forma, uma intensificação do trabalho intelectual e afetivo, pois, a cada dia, novas exigências são colocadas aos docentes.

A pesquisa ainda problematiza os impactos da organização do trabalho escolar conceituado por Oliveira (2002), que dizem respeito à divisão do trabalho na escola, isto é, como o trabalho do professor e dos demais trabalhadores é organizado na instituição escolar. Agrega a discussão o questionamento de como vem se efetivando a organização escolar de forma que colabore com as condições propícias para o ensino, refletindo os impactos que essa organização tem sobre o trabalho docente.

Em todos os pontos levantados, as considerações nos ajudam a pensar que a docência no campo precisa ser considerada nas especificidades do trabalho na Educação Infantil, apontadas na pesquisa de Pinto (2009). Além dessas especificidades, precisamos ter um olhar atento às especificidades dos contextos do campo.

Dialogando com o trabalho de Silva (2006), que teve como objetivo investigar, analisar e compreender se as trabalhadoras da Educação Infantil

elaboram uma identidade política, sob que condições e o que reflete suas ações e posições, ampliamos nosso olhar quanto ao pertencimento político das professoras da Educação Infantil do Campo. Segundo o autor (SILVA, 2006), a questão da elaboração de uma identidade política passa pela articulação entre a particularidade do trabalho imediato dessas trabalhadoras e o projeto histórico da classe, podendo ter, como elemento de mediação, a organização político-sindical dos trabalhadores em educação.

A pesquisa dialogou com o referencial teórico da dialética materialista fundamentada principalmente em Marx, Lúkacs, Gramsci, Mészáros, Antunes, Mascarenhas e Frigotto. A investigação articulou o levantamento de dados empíricos por meio das seguintes técnicas: questionários, entrevista semiestruturada, observações no cotidiano das instituições e análise de documentos.

Dialogou também com autores que se aproximam dessa referência no campo da educação e da Educação Infantil, como Gentili, Arroyo, Ribeiro, Rosemberg, Khulmann Jr., Arce, Barbosa e Kramer.

O trabalho aborda, de maneira forte, o fato de não existir um diálogo entre sindicato, docentes e trabalhadoras da Educação Infantil. Analisando esses dados, Silva (2006) aponta que, para a superação de limites existentes para que as trabalhadoras da Educação Infantil elaborem uma identidade política articulada aos interesses do conjunto da classe, é necessário o estabelecimento de laços entre o sindicato e a categoria por ele representada. Alerta que a identidade política é fundamental na posição assumida no exercício do trabalho em frente às condições em que este acontece.

A pesquisa de Lima (2008) tem, como objetivo geral, conhecer o cotidiano escolar de uma escola no campo em uma pequena cidade no interior de Minas Gerais, caracterizando esse lugar rural em relação aos sujeitos que o compõem, gestores, professores, cantineiros, auxiliares de limpeza, comunidade e estudantes. A escola é uma instituição pública mantida pelo Governo Municipal, que atende tanto ao Ensino Fundamental quanto à Educação Infantil. A configuração e localização da escola no campo e as etapas de ensino envolvidos, dialogam com nossa pesquisa, que também focaliza escolas localizadas no campo que atendem às crianças em diferentes configurações.

A pesquisa problematizou a escola rural como espaço de socialização e de saberes, indagando quais seriam as especificidades dessa escola e como elas apareciam nas práticas vivenciadas no cotidiano da escola.

Como metodologia de pesquisa, traz uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva. A autora elegeu a estratégia metodológica do estudo de caso do tipo etnográfico, segundo Ludke e André (1988). A partir dessa metodologia, analisou o cotidiano escolar e definiu, como unidade de análise, os profissionais da educação envolvidos com a escola e a comunidade à qual a instituição pertence. Para atingir os objetivos, outras estratégias de pesquisa foram agregadas. A autora trabalhou com a observação participante, o diário de campo, a entrevista semiestruturada, sempre tentando identificar as particularidades da escola e do local.

A pesquisa de Lima (2008) traz aproximação com o cotidiano escolar de uma escola no campo. Como uma das contribuições, problematiza as dificuldades vividas pelos professores que, apesar de no discurso apresentarem a importância da valorização do local, respeito às diversidades culturais e regionais, na prática pedagógica, essa valorização não se concretiza. Os diálogos entre os estudos das especificidades locais e o que apregoam os documentos e orientações pedagógicas questionam quanto à organização da escola como um lugar de possibilidades. Os professores reconhecem que as particularidades são importantes, mas não sabem como integrá-las no cotidiano, o que nos leva a pensar a formação e suas contribuições no movimento articulado da formação com a vida da escola. A autora ainda aponta a descontinuidade como uma limitação ao aprofundamento dos trabalhos pedagógicos.

Lima (2008), em sua pesquisa, afirma que a maior parte dos cargos são de designação temporária, o que provoca insegurança na produção de qualquer inovação ou criação. Alerta que a mudança de Governo Municipal afeta diretamente os projetos pedagógicos, que sofrem com a ausência de uma política pública que pense as especificidades da escola no campo. A autora destaca, ainda, que a limitação estrutural e institucional da gestão implica uma limitação na construção conceitual para uma Educação do Campo. Além de escola localizada no campo, a instituição que participa da pesquisa se localiza dentro de uma reserva ambiental. Esse fato também não se constitui presente nos diálogos cotidianos e práticas pedagógicas vivenciadas na instituição.

Prosseguindo, Lima (2008) chama a atenção para a importância desse fato e para a necessidade de articulações do Poder Público com a comunidade e a instituição escolar. A pesquisa destaca, em todas as discussões provocadas, a importância de saber e construir a história local, respeitando os valores e identidades da comunidade, não implicando com isso negar o urbano, mas problematizar sua relação com ele. As questões apontadas por Lima (2008) nos ajudam a pensar a importância das especificidades e particularidades de uma comunidade e os sentidos da vida e de suas produções, observando como esses sentidos se relacionam com a ação docente. Assim, como no trabalho de Lima (2008), nossa pesquisa também focaliza escolas localizadas no campo. Essas discussões nos provocam no sentido de termos um olhar atento às vivências que se articulam com a docência na Educação Infantil no Campo, Os trabalhos de Pinto (2009), Silva (2006) e Lima (2008) problematizam questões que nos ajudam a pensar a ação docente na Educação Infantil do Campo nos aspectos políticos, estruturais e conceituais que envolvem a especificidade desta pesquisa. Trazem destaques tanto para as especificidades da docência na Educação Infantil (PINTO, 2009), quanto para as especificidades do campo. Ainda nos instigam a pensar as dimensões políticas no exercício profissional das professoras da Educação Infantil (SILVA, 2006).

Nessa dialogia, seguimos agregando outros diálogos com as produções acadêmicas em diferentes espaços.