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DISCUSSION

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Agora que fizemos nosso pequeno (ou grande) tour através da história da Paixão, contextualizaremos o programa trazendo alguns fatos conhecidos e gerais para, em seguida, discorrer sobre os tipos de humor utilizados na série e, por último, comentaremos sobre o referido episódio. Lembremos que nosso objetivo não concerne à série como um todo, mas especificamente ao episódio que aborda o filme de Gibson.

      

50 “Um jovem, envolto apenas num lençol de linho, estava seguindo Jesus, e eles o prenderam. Mas

A SÉRIE

A série South Park “é uma sitcom americana criada por Trey Parker e Matt Stone para o canal Comedy Central. E embora seja destinado ao público adulto, o programa tornou-se ‘infame’ por seu humor negro, cruel, surreal e satírico que abrange uma série de assuntos”51 - religiosos, políticos, econômicos, entre outros. A narrativa padrão do desenho gira em torno de quatro crianças — Stan Marsh, Kyle Broflovski, Eric Cartman e Kenny McCormick — e suas aventuras bizarras na cidade de South Park, nas montanhas rochosas do Colorado. Vale lembrar que estes personagens, nas primeiras temporadas, têm oito anos de idade e são alunos da terceira série, mas ao decorrer da série eles fazem aniversário e chegam à quarta série.

Os criadores, Parker e Stone, que se conheceram na universidade, desenvolveram a série a partir de dois curtas de animação criados por eles em 1992 e 1995, ambos inicialmente chamados de “The Spirit of Christmas” e posteriormente, para distinção, “Jesus vs. Frosty” e “Jesus vs. Santa” respectivamente. A segunda produção tornou-se um dos primeiros vídeos virais da internet, o que acabou levando ao desenvolvimento do programa.

South Park estreou em 13 de agosto de 1997 no horário nobre do Comedy Central com o episódio “Cartman gets an anal probe”52, obtendo êxito instantâneo e alcançando posteriormente as maiores audiências da televisão paga nos Estados Unidos. Apesar de inconsistente em seus índices de audiência, o programa permanece como a atração mais aclamada e duradoura do referido canal. Originalmente, o desenho era produzido através de animação de recortes, mas, atualmente, os episódios são realizados em um software que reproduz o estilo característico do programa. Conforme aponta Gruda (2011)53

      

51https://pt.wikipedia.org/wiki/South_Park. Acesso em: 12 out. 2015.

 

52Cartman ganha uma sonda anal.

 

53GRUDA, Mateus P. P. O discurso do impoliticamente correto e do escracho em South Park.

Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis Universidade Estadual Paulista (UNESP) para a obtenção do título de Mestre em Psicologia (Área de Conhecimento: Psicologia e Sociedade) - 2011.

Uma das características mais marcantes, a julgar pelos curtas que originaram tudo, se refere ao traço da animação, inicialmente feita com a sobreposição de inúmeros cartões de papel coloridos. No episódio piloto da série, ‘Cartman Gets an Anal Probe’, foram utilizados cerca de 5000 pedaços de papel e cada cena teve de ser filmada individualmente. Provavelmente, esta concepção de animação simplória, se deu aos recursos inicialmente parcos para a produção. No entanto, diríamos que essa estética ‘tosca’ pode ter sido usada também de maneira deliberada em prol do escracho e do caricato (GRUDA, 2011, p.44).

Gruda prossegue sua explicação afirmando que essa estética do programa faz com que seus “personagens deixem de representar corpos de pessoas reais, estimulando o telespectador a se voltar totalmente para os conteúdos expostos, sobretudo, as teses desenvolvidas” (GRUDA, 2011, p.45). Além disto, ainda conforme o autor,

[...] somado a mobilidade precária em 2D das personagens, algo que limita os seus movimentos – já que andam dando pulos secos – temos a falta de expressões faciais e a similaridade física existente entre todos (os olhos grandes e redondos, mãos e pés idênticos, a cabeça arredondada, os corpos proporcionais – excetuando-se o de Cartman, que é gordo), o que nos permite destacar o quanto os discursos verbal e não-verbal

propalado por cada personagem são de fundamental importância para a constituição e a caracterização de cada um dos habitantes da pequena cidade (GRUDA, 2011, p.45-46, grifo nosso).

Isto quer dizer que além daquilo que os personagens falam, é importante observar o como falam, onde falam, de que forma estão caracterizados (vestidos), etc. Afinal, como observaremos mais adiante no episódio que será analisado, Cartman (o personagem anti-semita), não só se veste de Hitler - e essa não é a única ocasião em que isso ocorre - como também fala em alemão. Mas, antes de chegarmos ao episódio, falemos dos “protagonistas”.

Uma das grandes diferenças de South Park para os outros desenhos que tem uma verve parecida (como Os Simpsons, Family Guy, American Dad) é o fato de que enquanto nestes a produção leva em torno de seis a oito meses, em SouthPark a produção leva em torno de uma semana, o que possibilita aos criadores estarem sempre “antenados” no que está acontecendo. Outra diferença é que enquanto naquelas o eixo central de relação entre o núcleo dos protagonistas é familiar, nesta, o núcleo relaciona-se e é estabelecido por meio da amizade, pois, conforme mencionamos, os “protagonistas” da série são os quatro garotos de oito anos: Stan, Kyle, Eric e Kenny. Contudo, é preciso lembrar que os personagens não vivem só entre si - como que alienados do mundo -, mas interagem com seus

familiares, padres (ou rabinos), professores, cientistas, entre outros. Dito isto, vamos a eles.

OS PERSONAGENS PRINCIPAIS

Stanley Marsh - Inicialmente com 8 anos, Stan - como é chamado por seus amigos - é retratado como uma figura de liderança, exercendo forte influência em seus amigos. Ele mora com seus pais Randy e Sharon; com Shelly, a irmã mais velha; e com seu avô paterno Marvin. É um dos mais “racionais” do grupo, embora seja guiado por suas emoções e caracterizado tendo um bom coração. Tem um forte dever moral e cívico, apesar de se mostrar descrente com o sistema do voto democrático no episódio (Douche and Turd) em que a P.E.T.A (espécie de associação extremista dos direitos dos animais) ataca a escola e os força a mudar o seu mascote (uma vaca), obrigando aos alunos a votarem em um novo. Contudo, Kyle e Cartman decidem adicionar duas novas opções - um grande babaca (Giant Douche54) e um sanduíche de merda (Turd Sandwish) - fazendo com que Stan não queira escolher entre elas. Outra característica desse personagem é ser o único dos garotos que tem uma namorada “fixa” (Wendy Testaburger), embora nas temporadas iniciais ele não consiga falar com ela sem deixar de vomitar em sua face e nas posteriores os dois rompam o relacionamento. É também o melhor amigo de Kyle. Além disso, de acordo com o site oficial de South Park, “Stan é baseado no co-creador Trey Parker, que o dubla, e muitos de seus traços são inspirados diretamente por Trey e suas crenças, comportamentos e sentimentos.”55

Kyle Broflovski - Inicia a série com 8 anos e é o único garoto judeu da cidade. Ele vive com seus pais Gerald e Sheila, além de seu irmão adotivo Ike, que é mais novo e é canadense. É caracterizado como o mais racional do grupo, e possivelmente como o mais inteligente, pois em “The tooth fairy tats 2000”, quando descobre que a fada do dente é uma figura inventada por seus pais, começa a ler diversos livros de filosofia e de física quântica para descobrir o que é (ou não) “real”,       

54A tradução literal deste termo seria algo como uma “Ducha Gigante”, e poderia ser utilizada por

causa daquilo que aparece no desenho, no entanto há uma brincadeira com o vocábulo (Douche/Douchebag) que pode significar tanto “ducha” como “babaca”. (N. do A.) 

55“Stan is based on series co-creator Trey Parker, who voices him, and many of Stan's character traits

are inspired directly by Trey and his feelings, behaviors and beliefs.” <http://wiki.southpark.cc.com/wiki/Kyle_Broflovski> Acesso em: 13 out. 2015. 

e, ao final, consegue atingir a plena consciência e vira uma “entidade transcendental” em fusão com o universo. Na primeira temporada, Kyle se sente infeliz por ser um judeu no natal, o que o leva a “criar” para si uma representação mítica a partir de um “pedaço de merda”: Mr. Hankey, the Christmas pulp (ou Toletinho, o cocô de natal). Esse personagem, que inicialmente só é visto por Kyle, posteriormente (no mesmo episódio) passa a ser visto por todos e substitui os antigos símbolos natalinos. Além disto, de acordo com o site oficial de South Park,

Kyle é baseado no co-criador da série Matt Stone, que o dubla, e muitos dos traços de seu personagem são inspirados diretamente por Matt em suas crenças, comportamentos e sentimentos - por exemplo, ambos são judeus e tem indomáveis cabelos encaracolados.56

Kenny McCormick - Começa a séria com 9 anos de idade. É retratado como o garoto pobre do grupo e diversas vezes é satirizado por Cartman por causa disto. Este constantemente afirma que aquele é pobre pois seus pais são irlandeses, e por isso “seu pai só sabe beber e não para em emprego nenhum”. Dos garotos, é o que tem mais “experiência” em matéria de sexualidade, apesar de não ter namorada. Ele é sempre apresentado por baixo de sua jaqueta laranja cujo capuz lhe cobre a face e lhe abafa a voz, fazendo com que os espectadores só consigam compreender vagamente a sua fala (ou imputá-la a partir das respostas de seus amigos). Até o final da quinta temporada esse personagem morre das mais variadas formas em praticamente todos os episódios, voltando sempre no seguinte como se nada houvesse acontecido. É apenas no final da quinta temporada que ele morre “definitivamente”. Entre aspas pois ele volta no final da sexta temporada, também como se nada houvesse acontecido. É possível observar a história de sua “imortalidade” (também entre aspas pois, embora ressuscite, ele realmente morre) na tríade de episódios: Coon 2: Hindsight, Mysterion Rises e Coon vs Coon and friends, episódios 11, 12 e 13 da décima quarta temporada.

Eric Cartman - Também começa a série com 8 anos de idade. Mora somente com sua mãe, Liane. Esta é retratada como uma mulher altamente libidinosa, para       

56“Kyle is based on series co-creator Matt Stone, who voices him, and many of Kyle's character traits

are inspired directly by Matt and his feelings, behaviors and beliefs - for example, both are Jewish and had untameable curly hair.” <http://wiki.southpark.cc.com/wiki/Kyle_Broflovski> Acesso em: 13 out. 2015. 

usar de um eufemismo. Mas, para colocar os pingos nos “is”, poder-se-ia dizer em termos chulos que ela é uma “dirty slut”, para utilizar a linguagem dos episódios (e em seus respectivos títulos) “Cartman’s mom is a dirty slut” e “Cartman’s mom still a dirty slut”, entre outros.

Portanto, de certa forma, podemos dizer que, literalmente e metaforicamente, Cartman é um filho da puta. Aliás, conforme aponta Gruda, o personagem:

Conglomera as piores características dos seres humanos, pois é egoísta,

egocêntrico, sacana, manipulador, preconceituoso, intolerante, racista, sexista, machista, xenófobo e entre muitos outros aspectos. Ele odeia

Kyle, principalmente, por este ser judeu. Tira sarro constantemente de Kenny por este ser pobre. Aproveita-se sempre que pode da ingenuidade de Butters. É perspicaz e inteligente o bastante para conseguir praticamente tudo aquilo que quer (GRUDA, 2011, p.52, grifo nosso).

Além disto, conforme aponta Oliveira,57

Eric constantemente acusa Kyle de ser o culpado por quaisquer males que abatam a cidade. [...] Não possui uma figura que lhe preencha a função paterna, lacuna esta sentida em diversos momentos da série. Seu

desprezo pelos judeus estende-se a todas as minorias e é obcecado

pelo poder da autoridade, desde que possa revertê-lo em seu favor.

Cartman é, de certo modo, o vilão da cidade, um sociopata em potencial. Com o tempo, passa a ser personagem central da maioria das

narrativas. Um dos prazeres da audiência é ver seus planos absurdos

acabarem dando errado. Outra faceta de Cartman é a sua fixação em

ganhar dez milhões de dólares, pelo qual ele está disposto a fazer tudo, desde montar uma boy band até fundar uma seita religiosa (OLIVEIRA, 2012, p.28-29, itálicos do autor, grifos nossos).

Só pra completar a lista, ele odeia hippies, ruivos e não suporta Family Guy. Mas, idolatra Mel Gibson por causa de seu filme A Paixão de Cristo, possuindo um poster de Gibson em seu quarto.

OS TIPOS DE HUMOR EM SOUTH PARK

Dito isto, passemos aos “tipos de humor” utilizados pela série, isto é, as formas que o desenho emprega para expressar suas opiniões. Dentre elas, podemos observar o uso: da ironia; da paródia; da sátira; do sarcasmo; do pastiche;       

57OLIVEIRA, Érico F. de. South Park: (des)construção iconoclasta das celebridades. Dissertação de

mestrado apresentada ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP - Agosto de 2012. 

do impoliticamente correto; do “surrealismo”58, do humor negro; etc. Abordaremos rapidamente alguns desses termos para demonstrar que, embora sejam na maioria das vezes tomados como sinônimos e estejam relacionados, todos eles diferem entre si. Contudo não vamos entrar em detalhes específicos, pois seria necessário muito tempo.

A IRONIA

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que, como a ironia está incorporada tanto à sátira quanto à paródia, deteremo-nos um pouco mais sobre ela do que sobre as outras. De acordo com os estudiosos da área, para falarmos de ironia é preciso levar em conta três fatores: o autor (codificador), o leitor (decodificador) e o contexto. O autor, como sendo o primeiro que observou a possibilidade de mais de uma leitura para um fato e o “codificou” numa linguagem semiótica (verbal ou não); o leitor, enquanto aquele que “decodifica”, isto é, que percebe (ou não) as possibilidades de leitura e que as aceita (ou não); e, por fim, o “contexto”, que pode ser visto como o evento em que se instaurou e/ou possibilitou a leitura/inserção da ironia.

É preciso lembrar, conforme assinala Muecke (1995), que existem dois blocos maiores que englobam os vários tipos de ironias particulares, a saber, a Ironia Verbal (ou Instrumental) e a Ironia Observável (ou Situacional). Segundo o autor,

[...] nem sempre é possível distinguir entre Ironia Instrumental [linguagem como instrumento] e a apresentação da Ironia Observável, mas geralmente a distinção é clara: na Ironia Instrumental o ironista diz alguma coisa para vê-la rejeitada como falsa, mal à propos, unilateral etc.; quando exibe uma

Ironia Observável o ironista apresenta algo irônico - uma situação, uma

seqüência de eventos, uma personagem, uma crença, etc. - que existe ou pensa que existe independentemente da apresentação (MUECKE, 1995, p.77, grifo nosso).

A fim de exemplificar como as duas podem se misturar, o autor aponta a cena da Odisseia em que Ulisses - já em seu lar, mas disfarçado como mendigo - ouve os pretendentes ao seu lugar dizendo que aquele jamais retornaria. Este seria um       

58Surrealismo entre aspas, pois não podemos classificar o desenho como uma obra surrealista, mas

apenas um dos efeitos utilizados e que é obtido pelo uso das colagens e também pelas formas como o tema é abordado. 

exemplo de Ironia Observável, mas que é retratado por meio da Ironia Verbal, que se utiliza da linguagem como instrumento para relatar essa cena, cabendo ao leitor “observar” esta situação em sua mente. No entanto, o que geralmente caracteriza a Ironia Verbal é uma inversão semântica, e nesse caso, a ironia serve-se de uma coisa para dizer outra.

Ainda sobre a Ironia Verbal, de acordo com Linda Hutcheon, em seu artigo Ironía, Sátira, Paródia. Una aproximación pragmática a la ironía59 (1981), além desse aspecto semântico, que a faz ser considerada como uma “anti-frase”, isto é, uma sentença “com sentido invertido” que se apresenta como “uma oposição do que se disse e o que se quer fazer entender, inclusive como marca de contraste”60; há ainda um aspecto pragmático (de uso) no que se refere a esse tipo de ironia. Ou seja, além de efetuar uma “inversão semântica”, ela também emprega um juízo de valor, uma avaliação por conta do decodificador. Para a autora, é importante observar o aspecto pragmático da ironia, pois possibilita a trabalhar não só com a Ironia Verbal, como também com a Ironia Observável, tendo, portanto, maior efetividade quando se passa da análise de frases isoladas e se vai trabalhar com uma obra inteira. Ainda segundo a autora, é importante efetuar essa distinção entre as funções, pois é na ausência desta distinção “que se inscreve a confusão taxonômica entre a paródia e sátira”61. Por isto ela assinala a diferença entre as funções, como podemos perceber nesta passagem:

A função pragmática da ironia é um assinalamento avaliativo, quase sempre pejorativo. A zombaria irônica se apresenta geralmente sob a forma de expressões elogiosas que implicam, ao contrário, um juízo negativo. No plano semântico, uma forma elogiosa manifesta serve para dissimular uma censura zombeteira, uma reprovação latente. Ambas funções - de inversão semântica e de avaliação pragmática - estão implícitas na palavra grega

eirôneia, que evoca ao mesmo tempo a dissimulação e a pergunta, e desta

forma, uma falta de correspondência [desfase] entre as significações, mas também um juízo. A ironia é, ao mesmo tempo, estrutura anti-frástica e estratégia avaliativa, a qual implica uma atitude do autor-codificador com respeito ao texto em si mesmo. Atitude que permite e exige, ao leitor- decodificador, interpretar e avaliar o texto que está lendo (HUTCHEON, 1981. p.176-177, tradução nossa).

      

59Artigo publicado em Poétique, Ed. du Seuil, Paris, fevereiro de 1981, n.45, p. 173-193. Tradução

para o espanhol de Pilar Hernández Cobos. Disponível em:

<https://tallerletras.files.wordpress.com/2013/02/ironc3ada-sc3a1tira-y-parodia.pdf>. Acessado em: 18/10/2015. 

60 Idem, p. 176

 

61Ibidem, p. 176.

A SÁTIRA

A sátira geralmente está relacionada a uma posição de determinado autor em relação a outro autor ou sobre os costumes da sociedade. Carvalho (2008), explica em sua dissertação que, na antiguidade grega, a sátira começou em primeiro lugar com um caráter mordaz e sarcástico, e

Se destaca pelos frequentes ataques a figuras conhecidas da sociedade; e pelo tom político. Manifesta-se, também, como a imprensa de oposição, sendo este o sinal marcante, estando presente com tal característica, até nos dias de hoje. Esta comédia ficou conhecida como Comédia Antiga (CARVALHO, 2008, p.45).

No entanto, ainda de acordo com Carvalho, com o passar do tempo o assunto das comédias começou a ser o mito, caracterizando a Comédia Média; e, por fim, atingiu a todas as classes sociais, abordando assuntos corriqueiros e engraçados, o que caracterizou a Comédia Nova. O autor ainda ressalta que, apesar de ter sido “inventada” pelos gregos, a sátira gozou de alto prestígio entre os romanos. Não pretendemos nos alongar muito, mas ele também explica que foi com o romano Lucílio (148 a 102 a.C.) que se fixou, embora com algumas restrições, o conceito que damos à sátira até hoje: “aquela manifestação literária que focaliza a corrupção dos costumes e o luxo excessivo, além de expor o íntimo do homem para depois atingir as mazelas da sociedade” (idem, p. 46).

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