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Discussion and conclusion

Extended abstract

5. Discussion and conclusion

Depois da Segunda Guerra Mundial, muitos imigrantes das antigas possessões e colônias japonesas (Taiwan, Coréia, Manchúria) - que foram perdidas durante a Segunda Guerra Mundial - repatriaram para o Japão, os quais não encontrando mais espaço no Japão juntaram-se no fluxo migratório do grande contingente de japoneses desempregados e desesperados com a situação de pós-guerra. Entretanto, diferentemente da intenção dos imigrantes de pré-guerra, os novos imigrantes (shin-imin) vieram em sua maioria com o intuito de se fixar de forma permanente no Brasil, Argentina e Paraguai, cujo processo migratório reiniciou em 1952, sendo o apogeu em 1959 e 1960 quando entraram respectivamente 7.041 e 6.832 japoneses no Brasil.

No período entre 1952 a 1986, entraram 53.438 pessoas entre imigrantes, contratados, técnicos para a indústria e comércio e por chamada de parentes, conforme dados do Ministério das Relações Exteriores do Japão (JAPAN..., 1988, p.124). A Kaikyoren (Kaigai Kyokai Rengokai – Federação das Associações Ultramarinas), organização filiada ao governo japonês efetuava recrutamento, seleção e transporte de emigrantes para o exterior.

No Brasil, os agentes intermediários se encarregavam da distribuição dos imigrantes para as colônias agrícolas de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e uma pequena parcela para o nordeste. No norte, os imigrantes foram recebidos inicialmente pelo grupo do Tsuji e distribuídos para as áreas remotas do estado do Amazonas, Pará e aos ex-Territórios Federais do Amapá, Acre, Guaporé (Rondônia) e Rio Branco (Roraima). A partir da década de 1960, os imigrantes passaram ter apoio da JICA (Japan Internacional Cooperation

Agency), que foi fundamental para a fixação desses japoneses no solo brasileiro, pois além de

terem adquirido terras, investiram em infraestrutura (estradas, transporte, hospitais, escolas etc) para suprir as necessidades básicas das colônias agrícolas.

Na década de 1960 e 1970, com a diversificação e expansão industrial do Japão e do milagre econômico brasileiro, empresas japonesas se estabeleceram no Brasil, instalando fábricas e promovendo o intercâmbio tecnológico entre os países. Desde então, houve um novo tipo de migração temporária, caracterizado por contratos de trabalhos técnicos, associados a investimento de capital e tecnologia japonesa para implantação dessas empresas japonesas no Brasil, a exemplo da NEC do Brasil, que desde 1968 vem contribuindo significativamente na montagem da infraestrutura de telecomunicações. Chegaram

engenheiros e técnicos que vinham trabalhar na montagem de indústrias pesadas, em metalurgia, inclusive do corpo administrativo das empresas japonesas que vinham abrir sucursais em São Paulo e em outros estados da federação para incrementar o comércio exterior.

No setor público, por conta dos acordos bilaterais entre o Japão e Brasil, concretizou- se a criação da siderurgia da Usiminas em Minas Gerais, estaleiro Ishibras no Rio de Janeiro, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) em Minas Gerais, Porto de Tubarão no Espírito Santo (KODAMA; SAKURAI, 2008, p. 27).

No Pará, tão logo começou a produção da pimenta-do-reino, nos anos 1950 e 60, grandes empresas do grupo da Mitsui e Takasago vieram competir com a Kanebo, na compra de pimenta-do-reino e na venda de adubos, livros e revistas japonesas, máquinas e motores marítimos entre outras mercadorias. Depois chegaram as empresas madeireiras (grupo da Eidai, Toyomenka) e outros que vieram explorar o setor pesqueiro como o grupo da Nichirei (Amasa) e Tayo nos anos 1970.

Também na década de 1970 foram fechados acordos entre os dois países para implementação de grandes empreendimentos em joint venture com a Companhia Vale do Rio Doce - CVRD, para extração de ferro da Serra dos Carajás, construção da hidrelétrica de Tucuruí, para a implantação da fábrica de alumínio (Albras/Alunorte). De tais empreendimentos, só no ano de 2008, o estado do Pará exportou para o Japão US$ 1.451.795.433,00 e importou US$ FOB 34.408.798,00. Enquanto que em 2009, as exportações caíram para US$ 896.567.927,00 e as importações ficaram em US$ 37.677.154,00 (MDIC, 2010). No nordeste e centro-oeste se destacam os diversos programas japoneses voltados a agricultura de cerrado, transformando o Brasil em grande exportador de soja e frutas tropicais.

No estado do Amazonas grandes grupos da indústria eletrônica, como a National (Panasonic), Sony, Mitsubishi, Toshiba etc, vieram participar do comércio da Zona Franca de Manaus nos anos de 1970, quando o comércio de eletroeletrônicos de som e imagem começou no país. Depois passaram a instalar as suas plantas industriais da década de 1990 em diante, com os benefícios dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, de tal monta que há vários anos a Moto Honda, do setor de duas rodas é a maior empresa da Zona Franca de Manaus, responsável pelo maior faturamento do estado do Amazonas. Além disso, entre as dez empresas de maior faturamento de 2007 da SUFRAMA39, cinco são de origem japonesa

(Moto Honda da Amazônia Ltda, Yamaha Motor da Amazônia Ltda, SEMP Toshiba Amazonas S.A, Honda Componentes da Amazônia Ltda e Sony Brasil Ltda).

O Japão é atualmente uma das maiores economias do mundo, com um Produto Interno Bruto de 4,8 trilhões de dólares. Em 2008, era de 4,4 trilhões de dólares, enquanto o Brasil apresentou um PIB de 1,8 trilhão de dólares, nesse mesmo ano. Dentre as principais atividades industriais estão a engenharia automotiva, a eletrônica, a siderurgia, a metalurgia, a construção naval e a química, com destaque para as indústrias de ponta nestes setores. As exportações japonesas incluem equipamento de transporte, veículos motorizados, produtos eletroeletrônicos, maquinário industrial e produtos químicos. As principais importações do país são máquinas e equipamentos, combustíveis fósseis, produtos alimentícios (carne em particular), químicos, têxteis e matéria-prima para suas indústrias.

O principal parceiro comercial do Japão é a China. Algumas das mais importantes contribuições tecnológicas do Japão são encontradas nos campos da eletrônica, maquinaria, robótica industrial, ótica, química, semicondutores e metalurgia. O Japão é líder no mundo dos robôs industriais, sendo que mais da metade dos robôs existentes no mundo, são usados nas suas indústrias.

Em termos de integração populacional nunca se poderia imaginar que os japoneses alcançassem em tão pouco tempo o grau de miscigenação que se encontra no estágio atual, não só no Brasil como em todos os países americanos. O trabalho de Beltrão, Sugahara e Konta (2008) mostra um crescimento surpreendente da população nikkey40 no Brasil na ordem de 0,4% a 2,6% da população dos Estados (vide Tabela 13). Nesse estudo foram considerados como proxy para a população nikkey, os domicílios nos quais morava pelo menos um indivíduo que se autodeclarou amarelo, ou que nasceu no Japão, ou ainda, que declarou um movimento migratório com origem no Japão.

40 A população nikkey (ou nikkei) é formada pelo nikkey-jin (da etnia japonesa) quer seja imigrante, ou não. Na

categorização, chamamos de issei (que significa primeira geração) para os que nasceram no Japão e que passaram a residir permanentemente no país estrangeiro; de nissei aos descendentes de segunda geração, ou seja, filhos de japoneses que nasceram em terras estrangeiras; de sansei aos descendentes de terceira geração, isto é, netos de japoneses; de yonsei aos descendentes de quarta geração, ou bisnetos de japoneses.

Tabela 13 - População total e população nikkey, segundo áreas consideradas (1960 e 2000) Áreas Consideradas 1960 2000 População Brasileira

População Nikkey População Brasileira

População Nikkey Absoluta Percentual Absoluta Percentual

Total 69.387.691 439.416 0,6% 167.909.995 1.405.685 0,8% Norte (1) 1.380.091 2.341 0,2% 6.715.207 54.161 0,8% Pará 1.526.325 2.592 0,2% 6.195.965 39.353 0,6% Nordeste (2) 16.236.378 629 0,0% 34.696.719 147.112 0,4% Bahia 5.910.429 582 0,0% 13.085.769 78.449 0,6% Sudeste (3) 11.197.675 3.612 0,0% 21.117.838 84.076 0,4% Rio de Janeiro 6.601.038 7.274 0,1% 14.392.105 63.470 0,4% São Paulo 12.775.121 336.338 2,6% 37.035.456 693.495 1,9% Sul (4) 7.479.906 1.261 0,0% 15.545.705 35.862 0,2% Paraná 4.259.610 81.205 1,9% 9.564.642 143.588 1,5% Centro-Oeste (5) 2.021.118 3.582 0,2% 9.560.589 66.119 0,7% Mato Grosso do Sul 568.983 8.896 1,6% 2.078.069 29.805 1,4% Fonte: ―Resistência & Integração: 100 anos de imigração japonesa no Brasil‖ (IBGE, 2008).

Notas:

(1) Considerados os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá e Tocantins.

(2) Considerados os estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.

(3) Considerados os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. (4) Considerados os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

(5) Considerados os estados de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Em 1960, foram realizados os desmembramentos dos estados de Mato Grosso e de Goiás, retirando-se os municípios que vieram compor, respectivamente, os estados de Mato Grosso do Sul, criado em 1977, e de Tocantins, criado em 1988. Em 1980, foi realizado o desmembramento do estado de Goiás.

Pela Tabela 13, verifica-se que a população nikkey: de issei (de primeira geração),

nissei (de segunda geração), sansei (de terceira geração), yonsei (de quarta geração) e os

―nãosei‖ se estende de forma crescente em termos absolutos em todos os Estados da federação. Os descentes de imigrantes de São Paulo já estão na sexta geração e a do Pará e Amazonas na quinta geração. Hoje são muitos jovens que carregam o sobrenome japonês, mas que não tem mais nada a ver com a cultura e identidade japonesa. São totalmente brasileiros como auto se declaram ―de japonês só tenho a cara‖.