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Centrality of forms of capital and conversion dynamics

PERSPECTIVE ON THE BUSINESS MODELS OF NONPROFIT ORGANIZATIONS

CHAPTER 5. DISCUSSION AND CONCLUSION

1. Centrality of forms of capital and conversion dynamics

que na cidade de Belém e o processo de mobilidade dos imigrantes cessaram temporariamente.

Passado o período crítico da guerra, os colonos viam que não era mais possível recorrer a Companhia (Nantaku). Os residentes na colônia de Tomé-Açu iniciam um movimento de retomada dos direitos administrativos da Cooperativa de Acará, sob controle estadual. Para buscar uma rápida recuperação da colônia, eles sentiam a necessidade de uma organização independente, administrada pelos próprios membros da colônia, razão porque fundavam, em março de 1946, a Associação dos Jovens Lavradores de Acará, composta por 17 membros de jovens e veteranos, tendo Katsushiro Seki como presidente e Shiro Toda como presidente do conselho.

Uma das primeiras providências dessa Associação seria resolver a questão do transporte para Belém, dado o desinteresse do governo estadual (via CETA) pelo transporte de hortaliças, o que se tornara uma obstrução vital para os negócios da colônia (COOPERATIVA..., 1961). Assim, não obstante as precariedades das finanças, eles decidem fazer da construção do navio a sua primeira tarefa. Uma tarefa bastante temerosa para um grupo de amadores da construção naval. A madeira fora trazida da floresta, o motor era de um automóvel Ford usado. Em 7 meses estava construído o navio de 18 toneladas, batizado de Universal I. Relatam que na viagem inaugural, em novembro de 1946, o barco parou para reparos por 17 vezes durante a jornada com destino a Belém. Mas graças a esse navio o transporte entre Belém e Tomé-Açu voltava às mãos dos colonos. (ASSOCIAÇÃO..., 2001, p. 164-165). Como declara Teruo Sawada:

Construímos para transportar a produção agrícola, principalmente arroz e verduras para a feira do Ver-o-Peso, na capital paraense, Belém. Na época, só havia um barco que fazia o trajeto Tomé-Açu – Belém uma vez ao mês e as nossas produções se estragavam. Também, naquele tempo ainda não tinha estrada para a capital e o barco era o único meio de transporte. (KAMADA, 2007, p.3)

Já em 1947, a venda da pimenta-do-reino de Tomé-Açu crescia vertiginosamente, pois as ilhas do Pacífico Sul, até então produtoras mundiais da pimenta, declaravam independência e as plantações de pimenta, em sua maioria pertencente aos chineses, são abandonadas, o que provocou queda brutal da produção. Nessa fase em que o Brasil dependia da importação desse produto, a pimenta produzida em Tomé-Açu passa a abastecer o mercado nacional e mundial, tornando-se conhecida em todo o Brasil. Nesse ano, a Cooperativa de Tomé-Açu exportou

cerca de 40 toneladas de pimenta, alcançando 4.500 contos de réis em venda (ASSOCIAÇÃO..., 2001, p.77).

Por outro lado, as contínuas gestões junto ao governo estadual efetuadas por pessoas que falavam português, como Katsumassa Takahashi e Satoshi Sawada, foram imprescindíveis à recuperação dos direitos de venda dos produtos e aquisição de artigos de primeira necessidade pela Cooperativa. Durante certo tempo, as tarefas ficavam divididas: a Associação de jovens se encarregava do transporte e da rota fluvial e a Cooperativa, das vendas e aquisições. Mas em setembro de 1949, a Associação passava a delegar os seus direitos à Cooperativa Produtora de Acará, quando passou a denominar-se Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu e ressurgia dai como uma cooperativa publicamente reconhecida (ASSOCIAÇÃO..., 2001, p. 165, e Entrevistado nº 8).

6.5 A RESILIÊNCIA DOS VELHOS PIONEIROS

Diferentemente da imigração do Sudeste, em que os japoneses foram trabalhar temporariamente como colonos nas fazendas de café de brasileiros, os colonos do Pará chegaram para plantar em suas próprias terras, orientados e assistidos pela Companhia Nipônica (Nantaku). Esta empresa não era só um agente intermediário, constituída em forma de sociedade anônima, mas era um empreendimento em joint venture de grandes grupos que apostaram no potencial da Amazônia. Tinha tudo para dar certo, pois os planos e projetos pareciam perfeitos na sua abordagem comercial. Entretanto, apesar dos estudos ambientais (clima, solo, vegetação etc) realizados pelos técnicos capacitados, estes foram insuficientes para enfrentar uma adversidade que estava (e ainda está) além da percepção humana. Os colonos e as plantas cultivadas na Amazônia foram atacados pelos micro-organismos como resposta aos invasores do meio-ambiente. Analisando sob a ótica econômica, o resultado do empreendimento imigratório da Nantaku pode ser considerado um verdadeiro desastre ou um tremendo equívoco de planejamento, que deixou sequelas irremediáveis para muitos colonos.

A despeito do fracasso da Companhia, as atitudes de Fukuhara foram de uma pessoa preocupada com o sucesso dos imigrantes. Mesmo no auge das dificuldades financeiras pela qual passava a Companhia ele teve uma postura responsável, principalmente em relação à manutenção da escola, hospital e dos meios de transporte até por ocasião da Segunda Guerra Mundial, quando todos os bens patrimoniais da empresa foram confiscados. O

reconhecimento da população local é muito grande a esse cidadão que empreendeu todos os esforços possíveis na busca da prosperidade de Tomé-Açu e para salvar os colonos do surto da malária, que certamente resultaram em graves prejuízos à Kanebo. Inclusive, deve-se a ele as providências para a vinda das primeiras mudas de Cingapura e as diversas tentativas para encontrar culturas adequadas para o mercado internacional daquela época, como cacau, fumo, algodão, guaraná, andiroba, quina, cravo e outras especiarias que foram testadas no centro experimental conforme relatado pelo técnico Jyuichi Ikujima. Portanto, o insucesso da colônia de Tomé-Açu na primeira fase da imigração não pode ser atribuído à falta de assistência ou descaso da Companhia, visto que a empresa possuía recursos e deu toda a assistência aos colonos. Provavelmente, o presidente da Nantaku, Hachiro Fukuhara, nunca imaginou tantas adversidades e o desafio que era conviver na selva amazônica em meio à insalubridade e doenças tropicais que acometeu a todos. Na realidade, existe um custo amazônico que tem levado muitos investidores a bancarrota.

Os mesmos problemas enfrentaram os imigrantes do Baixo Amazonas. A diferença entre as colônias de Maués/Parintins em relação à de Tomé-Açu, notadamente é o quantitativo do contingente de imigrantes que entraram em Tomé-Açu, significativamente bem maior. Por outro lado, as dificuldades do desbravamento da terra virgem, a malária que grassou entre os imigrantes e os percalços que enfrentaram no período da guerra aproximaram mais esses imigrantes, dando margem para o fortalecimento de uma colônia mais coesa nos anos subsequentes. De modo que aqueles que permaneceram na colônia, ainda que residuais, tiveram forças para tocar a produção da pimenta-do-reino que se expandiu com a vinda dos novos colonos na década de 1950 e 1960, quando aconteceu o ―boom‖ da piperacea. De qualquer forma, foi necessário um longo período de tempo, muita paciência e persistência para vencer as dificuldades no processo de amadurecimento e adaptação da cultura da pimenta-do-reino que teve seu tempo e passou, como aconteceu com a cultura da juta. Essa coesão em torno da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, que se mantém há mais de 50 anos, tem proporcionado uma maior confiabilidade e visibilidade dessa comunidade, que parece ser o esteio da resiliência dos velhos pioneiros de Tomé-Açu.

Por outro lado, não significa que todos, ou só os imigrantes de Tomé-Açu, tiveram sucesso em suas empreitadas. Pelo contrário, atualmente as famílias mais bem-sucedidas do Pará não são os descendentes das famílias tradicionais de Tomé-Açu, que fizeram fortunas no auge da pimenta. Eles tiveram grandes oportunidades nos anos cinquenta e sessenta, mas pela vida que levam essas famílias atualmente, tudo indica que não souberam investir. É comum o

comentário dentro da comunidade nikkey sobre os reinvestimentos na monocultura da pimenta-do-reino por longos anos (em um produto de demanda inelástica, sujeita às oscilações do mercado internacional), quando havia oportunidade para a diversificação em outros negócios como a do setor madeireiro e da pecuária. Ou ainda, o desperdício em construção de casarões de luxo no ―meio do mato‖, ou gastos com bens supérfluos ou de luxo, em detrimento ao pouquíssimo investimento em imóveis ou em bens de raiz na capital do Estado que valorizaram com o tempo.

Percebe-se que é uma geração de imigrantes que sofreram muito pelo pioneirismo. Sacrificaram-se permanecendo na lavoura para ajudar os pais, depois para educar os filhos na capital. No final de suas vidas, estão distante dos filhos e netos, levando uma vida solitária nos velhos casarões das fazendas abandonadas pelo tempo. Eles afirmam que simplesmente não querem morar na cidade, mas subjetivamente, interpreta-se que eles não encontram mais espaço social para desfrutar ou enfrentar a vida moderna.