Directions de croissance des structures
3.1 Direction de croissance des dendrites
Na recolha de informação quantitativa recorremos a um questionário sociodemográfico (anexo I) e a quatro escalas: questionário de avaliação do estado de saúde, SF-36 (anexo II), escala de apoio instrumental e expressivo, EISSS (anexo II), perfil
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de estados de humor, POMS (anexo III) e ao inventário de resolução de problemas, IRP (anexo IV), as quais serão descritas a seguir.
A aplicação do questionário e das escalas decorreu no período das 8 às 14 horas, num dos gabinetes do hospital de dia de imunossupressão cedido para o efeito. O contacto com os utentes foi efectuado no decorrer das suas vindas ao hospital e durante esse período de tempo. Os instrumentos foram auto-administrados e tiveram a duração aproximada de 90 minutos. A investigadora permaneceu no gabinete com os utentes até terminarem o preenchimento dos referidos instrumentos. Nesse momento foi-lhes solicitado a participação numa entrevista a realizar posteriormente, visando complementar a informação.
Na abordagem qualitativa recorremos a entrevistas narrativas (Flick, 2005) conduzidas com a ajuda de um guião (apêndice I). A entrevista iniciou-se com uma pergunta generativa, com o objectivo de estimular a narrativa nuclear do entrevistado. Segue-se a fase de exploração da narrativa, na qual são completados fragmentos que não foram exaustivamente explorados. A última fase da entrevista foi a fase de balanço, na qual se tornou a fazer perguntas orientadas para os aspectos teóricos dos factos e para o equilíbrio da história, reduzindo o significado do conjunto ao seu denominador comum.
As entrevistas foram realizadas no hospital, mas na sala de formação do serviço onde a investigadora exercia funções à época, devido a ser um espaço amplo, confortável e privado, evitando-se distrações e interrupções. As entrevistas decorreram entre Outubro e Dezembro de 2012, sendo solicitado aos utentes autorização para gravar as narrativas, o que foi concedido. As entrevistas tiveram uma duração média de 120 minutos. Uma das entrevistas foi realizada no local de trabalho do utente, a seu pedido.
Passamos de seguida a descrever os instrumentos utilizados no estudo.
2.4.1. Questionário Sociodemográfico
A construção deste tipo de instrumento de inquirição permitiu-nos dispor de dados sociológicos sobre a população adulta infectada por VIH que frequenta a Consulta de Imunossupressão do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. O questionário está organizado em dois grandes módulos temáticos:
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Módulo A - Caracterização sociodemográfica e habitacional
Este módulo contém informação para cada participante sobre o género, idade, naturalidade, etnia, estado civil, habilitações académicas, composição do agregado doméstico e condição perante o trabalho.
Módulo B – Características clínicas
Este módulo contém informação para cada participante sobre a história da infecção por VIH, nomeadamente via de transmissão, tipo de infecção, tempo de infecção, marcadores biológicos, avaliados pela carga viral plasmática e contagem de células TCD4+, estadio de infecção determinado pelos valores dos linfócitos TCD4+, presença de comorbidades e/ou de infecções oportunistas, acompanhamento médico recebido e avaliado pela adesão às consultas, tempo de terapêutica anti-retroviral, reacções adversas à terapêutica e pertença, ou não, aos ensaios clínicos. (Anexo I).
2.4.2. Questionário de Avaliação do Estado de Saúde (SF-36)
A história do questionário de avaliação do estado de saúde SF-36 remonta ao início da década de 1970 com a criação do General Health Rating Index, desenvolvido por The
Rand Health Insurance Study com o propósito de avaliar o estado de saúde das pessoas nas
várias vertentes: física, mental, social e a percepção geral de saúde. Seguiu-se o Medical
Outcomes Study (MOS) que criou o Functioning and Well-Being Profile, com 149 itens
que esteve na génese do SF-36. Em 1984 foi tentada a construção de um questionário breve que avaliasse o estado de saúde. Formado por 18 itens, avaliava o Funcionamento Físico, as Limitações Funcionais do Exercício do seu Papel por motivo de uma saúde fraca, a Saúde Mental Geral e a Percepção Geral de Saúde. Em 1986 foram acrescentados dois itens ao instrumento, ao quais mensuravam a Função Social e a Dor Corporal. Esta versão dos 20 itens ficou conhecida por MOS SF-20. Mais tarde foi elaborado o questionário com 36 itens, conhecido como SF-36 (Ribeiro, 2005).
O questionário consiste numa medida genérica do estado de saúde. É composto por 36 itens dos quais 35 agrupam-se em oito dimensões que avaliam o estado de saúde no que respeita à funcionalidade e bem-estar do sujeito. Representa oito importantes conceitos de saúde: Função Física (FF), Desempenho Físico (DF), Dor Corporal (DC), Saúde Geral
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(SG), Vitalidade (VT), Função Social (FS), Desempenho Emocional (DE) e Saúde Mental (SM). O item Mudança de Saúde (MS) não é considerado um conceito em saúde. As oito dimensões associam-se em dois grandes componentes: Componente Físico e Componente Mental, cada uma das quais reúne as quatro dimensões supramencionadas. O Componente Físico agrega as dimensões FF, DF, DC, SG e o Componente Mental as dimensões VT, FS, DE, SM.
De acordo com o modelo conceptual, a dimensão ‘vitalidade’ apresenta valores de saturação importantes em ambos os factores, embora seja mais relevante na componente mental (Ferreira, Ferreira & Pereira, 2001).
A dimensão ‘Função Física’ agrupa dez itens, que medem a limitação para concretizar actividades físicas menores até às mais esgotantes, passando por actividades intermédias; a dimensão ‘Desempenho Físico’, junta quatro itens e a dimensão
‘Desempenho Emocional’ reúne três itens, ambas avaliando a limitação em saúde no que
respeita ao tipo e quantidade de trabalho cumprido; a dimensão ‘Dor Corporal’, com dois itens, mensura a intensidade e o desconforto da dor e a sua influência nas actividades diárias; a dimensão ‘Percepção de Saúde em Geral’, que reúne cinco itens medindo o conceito de percepção holística de saúde, que abarca a saúde actual, a resistência à doença e o aspecto saudável; a dimensão ‘Vitalidade’, composta por quatro itens, acolhe os níveis de energia e fadiga que permitem captar melhor as diferenças de bem-estar; a dimensão
‘Função Social’ abriga dois itens que visam captar a quantidade e a qualidade das
actividades sociais, bem como o impacte dos problemas físicos e emocionais nas actividades sociais dos sujeitos; a dimensão ‘Saúde Mental’ congrega cinco itens, que medem a ansiedade, a depressão, a perda de controlo emocional ou comportamental e o
Função Física Desempenho Físico Dor Física Saúde em Geral Saúde mental Desempenho Emocional Função social Vitalidade Componente Física Componente Mental PF RF BP GH MH RE SF VT
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bem-estar psicológico; a dimensão ‘Transição de Saúde’ solicita aos sujeitos que transmitam, com base na sua experiência prévia, reportada ao último ano, a quantidade de mudança na sua saúde em geral.
Em Portugal, o instrumento foi adaptado e validado por Ferreira (2000a, 2000b). A sua aplicação em múltiplos estudos que avaliam o estado de saúde de pessoas saudáveis ou com múltiplas patologias confere ao instrumento robustez psicométrica em termos de validade, fidelidade, sensibilidade e credibilidade.
O estudo e a divulgação das propriedades psicométricas do instrumento na sua versão 1.0 para uma população normal foi realizado por Ribeiro (2005). O estudo de Ferreira (2000a) foi aplicado num contexto de saúde. O nosso estudo adoptou a versão 1.0 (Anexo II).
Relativamente à cotação dos itens, a pontuação varia entre 0 e 100 pontos percentuais, indicando melhor classificação quanto maior for o score obtido. A pontuação está distribuída por 10 níveis, nos quais 0-10, 11-20 e 21-30 representam os níveis inferiores da escala, 31-40, 41-50, 51-60, 61-70, integram os níveis intermédios e os restantes 71-80, 81-90 e 91-100 correspondem aos níveis superiores da escala (Ferreira, 2000).
Os dados obtidos por este questionário foram tratados com a colaboração de Pedro Ferreira, com recurso a aplicativo de correção automática.
2.4.3. Perfil de Estados de Humor (POMS)
O questionário ‘Perfil Estados de Humor’ (POMS) surge em 1971 na sua versão original. Construído por McNair e Droppleman foi inicialmente usado para avaliar os estados de humor e emocionais das populações psiquiátricas, sendo posteriormente aplicado a outros contextos não clínicos, essencialmente no campo desportivo. Os primeiros trabalhos, em Portugal, com utilização desta escala, sem publicação de trabalho de adaptação, são de Cruz e Viana (1993). O modelo original é constituído por 65 adjectivos, que originaram 6 dimensões do estado de humor: tensão/ansiedade,
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depressão/melancolia, ira/hostilidade, vigor/actividade, fadiga/inércia e confusão/desorientação.
A adaptação da versão reduzida do instrumento para Portugal é da autoria de Viana, Almeida & Santos (2001). É composta por 36 itens que se agrupam em 6 escalas: tensão/ansiedade, depressão/melancolia, ira/hostilidade, vigor/actividade, fadiga/inércia e confusão/desorientação, cada uma das quais contendo 6 itens.
O instrumento é medido numa escala tipo Likert, avaliada em 5 pontos, que varia de nada (0) a muitíssimo (4).
A dimensão ‘Tensão/Ansiedade’ avalia a elevada tensão músculo-esquelética, apresentada pelo indivíduo, através dos adjectivos ‘tenso’, ‘tranquilo’, ‘nervoso’,’ impaciente’, ‘inquieto’ e ‘ansioso’; a ‘Depressão/Melancolia’ avalia um estado de tristeza, solidão, consternação e de desprazer, definido pelos adjectivos ‘triste’, ‘desencorajado’, ‘só’, ‘deprimido’, desanimado’ e ‘infeliz’; a ‘Hostilidade/Ira’ representa um estado de cólera e de repulsão para com os outros, expresso nos adjectivos ‘irritado’, ‘mal- humorado’, ‘aborrecido’, ‘furioso’, mau-feitio’ e ‘enervado’; a ‘Fadiga/Inércia’ retracta um estado de cansaço, esgotamento e letargia, formado pelos adjectivos ‘esgotado’, ‘fatigado’, ‘exausto’, ‘sem energia’, ‘cansado’ e ‘estourado’; contrariamente, a dimensão
‘Vigor/Atividade’ espelha um estado de energia e de vigor físico e psíquico, representado
pelos adjectivos ‘animado’ ‘activo’, ‘enérgico’, ‘alegre’ e ‘cheio de boa-disposição’; por último, a dimensão ‘Confusão/Desorientação’ representa um estado de desorientação e baixa clarividência, constituído pelos adjectivos ‘confuso’, ‘baralhado’, ‘desnorteado’, ‘inseguro’, ‘competente’ e ‘eficaz’.
A escala permite-nos, ainda, obter um índice global de ‘Perturbação Total de
Humor’, que nos é facultado pela soma das cinco subescalas de sinal negativo – Tensão
(T), Depressão (D), Hostilidade (H), Fadiga (F), Confusão (C) – menos a subescala Vigor (V) e adição de uma constante 100, para evitar um resultado global negativo.
Todos os itens da escala são cotados no mesmo sentido, com excepção do item ‘tranquilidade’ da subescala ‘Tensão’ e os itens ‘eficaz’ e ‘competente’ da subescala ‘Confusão’, os quais são de cotação inversa.
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No estudo de Viana & Almeida, (2001) os autores obtiveram para todas as escalas valores de alpha de cronbach acima de 0,7, indicando que o instrumento possui uma boa consistência interna. No estudo actual, analisando as propriedades psicométricas do instrumento, particularmente no que respeita à fiabilidade, verificamos a robustez do instrumento no que respeita à sua consistência interna, como representado no quadro 4.
Quadro4 - Alpha de Cronbach das subescalas e da Perturbação Total de Humor.
Dimensões Alpha de Cronbach
Tensão-Ansiedade (T) 0, 692 Depressão-Melancolia (D) 0, 847 Hostilidade-Ira (H) 0, 795 Fadiga-Inércia (F) 0, 664 Vigor-Energia (V) 0, 843 Confusão-Desorientação (C) 0, 748
Perturbação Total de Humor (PTH) 0, 679
2.4.4. Escala de Apoio Instrumental e Expressivo (EISSS)
A versão original da EISSS data de 1981 e é da autoria de Lin, Dean e Ensel. A primeira versão era constituída por 28 itens e, em 1986, aquando do seu processo de reformulação por Ensel e Woelfel, passou a reunir 26 itens. A versão portuguesa é da lavra de Faria (2000), que após a análise factorial da escala inicial de 28 itens obteve uma versão final de 24 itens, após ter excluído 4 questões (3, 5, 12 e 26). O instrumento tem por objectivo avaliar o apoio instrumental e expressivo percepcionado pela pessoa, facultando uma melhor compreensão da influência de acontecimentos de vida ocorridos nos últimos seis meses. A pessoa avalia retrospectivamente a frequência com que determinados acontecimentos de vida a importunaram nesse período de tempo. A escala está organizada em torno de 8 factores. O Factor I (vínculo afectivo), considerado o mais importante, corresponde ao ‘domínio íntimo e ao domínio social de suporte afectivo. O factor II relaciona-se com a insatisfação das relações íntimas e é o segundo mais importante. Está associado a sentimentos profundos como o amor, afecto, satisfação com a vida sexual e estado civil. O factor III representa o ‘conflito’ e diz respeito à percepção de apoio social expressivo no núcleo familiar e social a que o indivíduo pertence. O factor IV relaciona-se
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com questões monetárias, tais como a falta de dinheiro, e evidencia a importância do apoio instrumental ou material e a sua influência na vida do indivíduo. O factor V remete para o controlo exterior. O factor VI transporta-nos para as questões comunicacionais, nomeadamente os problemas em comunicar com os outros e não estar regularmente com as pessoas significativas. O factor VII aborda a questão da autonomia e o factor VIII relaciona-se a problemas com as crianças.
Trata-se de uma escala de tipo Likert, em que cada item é cotado numa escala de 0 (nunca) a 4 pontos (muito ou a maior parte do tempo). A cotação varia entre 0 e 96 pontos percentuais. Quanto maior for o score obtido maior é a percepção da pessoa de apoio instrumental e expressivo alcançado.
No que diz respeito às propriedades psicométricas do estudo, a autora obteve no seu estudo um alpha de Cronbach de 0,84, enquanto no nosso estudo obtivemos um alpha de
Cronbach de 0,86. Contrariamente ao estudo de Faria, no nosso estudo optamos por uma
avaliação mais genérica do apoio instrumental e expressivo, pelo que recorremos ao valor global da escala e não das subescalas (anexo III).
2.4.5. Inventário de Resolução de Problemas (IRP)
O IRP é uma ferramenta construída e adaptada para a população portuguesa por Vaz Serra (1988). O instrumento proposto pelo autor é constituído por um total de 40 itens considerados aceitáveis para a interpretação e definição de 9 factores: pedido de ajuda; atitude de confronto e resolução activa de problemas; abandono passivo perante a situação; controlo interno/externo da situação; estratégias de controlo das emoções; atitude de não- interferência pelas ocorrências; expressão de agressividade; auto-responsabilização e medo das consequências; confronto com os problemas e planeamento de estratégias de acção.
Segundo Serra (2000), o instrumento confronta o sujeito com três situações diferentes: ameaça (presente), dano (passado) e desafio (futuro), que podem ocorrer quotidianamente e causar consequências projectadas no tempo e envolver aspectos interpessoais. O instrumento avalia as estratégias de coping a que normalmente a pessoa recorre para gerir problemas diários que emergem na sua vida.
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Cada resposta oferece a possibilidade de 5 hipóteses de resposta, que variam entre 1 (não concordo) e 5 (concordo muitíssimo). Quanto mais elevada é a pontuação obtida melhores são os estilos de coping utilizados pela pessoa. Apresenta uma pontuação mínima de 40 pontos e uma pontuação máxima de 200 pontos.
Quanto às propriedades psicométricas, Serra (2000) obteve no seu estudo um alpha
de cronbach de 0,80, revelando uma boa consistência interna, e no nosso estudo obtivemos
um alpha de cronbach de 0,82.
Os resultados de cada questionário foram obtidos com recurso a aplicativo informático cedido pelo autor e posteriormente lançados os totais na nossa base de dados.
Uma vez que no nosso estudo pretendíamos avaliar se a pessoa possuía ou não estilos de coping eficazes para lidar com a doença, optamos por usar o valor global do inventário e não os diferentes factores que o constituem.