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O existencialismo na Análise Existencial de Frankl (2005) enfatiza a relação do sujeito no mundo, em como a tensão existencial do homem está entre ser e dever ser.

O termo “existencial pode ser usado de três maneiras: referindo-se à existência em si mesma, isto é, ao modo especificamente humano de ser; ao sentido da existência; à busca por um sentido concreto na existência pessoal” (FRANKL, 2009, p. 126).

A Logoterapia concebe que o mundo é constituído por valores objetivos do ser humano, possui a missão de encontrar e realizar os valores que estão latentes nas situações. Assim, quanto mais o indivíduo se sente privado de sentido na vida, maiores são as

probabilidades para o desespero existencial. Nesse sentido, o vazio existencial, para Frankl (2005), é descrito como um sentimento que se instala na pessoa ocasionado pela falta de sentido da vida, deixando-a em um profundo tédio e com a sensação de que a vida não possui valor.

O “existencialismo de Frankl coloca o ser humano como único ente que busca significado para a vida, ao contrário dos animais, homens e mulheres se preocupam com o sentido de suas vidas, pois possuem a consciência da finitude da existência” (AQUINO, 2011, p. 53).

A primeira preocupação do homem é com a morte porque ela reflete a finitude da vida abordada por Frankl em sua Análise Existencial. A segunda é a liberdade relacionada à responsabilidade, mas todas estão interligadas, pois, ao considerar a finitude e os limites da liberdade, ao supor riscos e a possibilidade de fracasso, supõe, sobretudo, a responsabilidade (FRANKL, 1994).

A Análise Existencial de Frankl concebe a vida como uma tarefa ou um dever, no qual cada ser humano é confrontado com um valor específico no mundo, em que ele se torna único e insubstituível, e o fato de conceber o indivíduo como um ser consciente e responsável implica reconhecer o “axioma da liberdade da vontade humana, o qual postula que resta na pessoa humana algum resquício de liberdade para escolher e responder às questões da sua própria existência” (AQUINO, 2011, p. 51).

A Logoterapia utiliza a Análise Existencial na busca de autorreflexão do ser humano sobre a sua liberdade, almejando a sua autodeterminação baseada na responsabilidade pessoal no mundo dos valores e sentidos (AQUINO, 2010).

Ao analisarmos a possibilidade de morte, percebemos a transitoriedade da vida a que se refere Frankl:

“[...] a transitoriedade da nossa existência, de forma alguma lhe tira o sentido. No entanto, ela constitui a nossa responsabilidade, porque tudo depende de nos conscientizarmos das possibilidades essencialmente transitórias [...]” (FRANKL, 2009, p. 106).

Dessa maneira, compreende-se que o indivíduo reconhece que a liberdade implica responsabilidade. Na perspectiva da Análise Existencial, o homem não é um ser simplesmente livre, mas um ser que decide livremente pelo que é responsável, pois aquilo pelo que é responsável estabelece a realização de sentido de valores. “Assim, pois, a Análise Existencial considera o homem um ser com orientação de sentido e de valores” (FRANKL, 1995, p. 100).

Importante salientar que “o sentido existencial encontra-se sempre no mundo, isto é, fora do sujeito, como uma pessoa a amar, uma obra a realizar ou uma atitude a tomar, que faz do homem um ser único e irrepetível” (AQUINO, 2010, p. 28)

Frankl (2005) afirma que o sentido é incondicional. Pois, em toda situação o homem pode encontrar sentido, ou seja, o ser humano encontra sentido através da realização de valores criativos, vivenciais e atitudinais. Os valores criativos existem quando o homem se integra em seu meio social e estão relacionados com a capacidade de trabalhar, deixar uma obra no mundo, seja artística ou científica. O homem se integra a seu meio através de suas potencialidades.

Na expressão dos valores vivenciais, o homem se integra com uma pessoa. O caráter finito do homem é um aspecto essencial de sua existência humana, ao invés de anular. Se a vida não fosse finita, o homem não teria razão para realizar os valores e desperdiçaria tempo adiando a realização de seus intentos. A morte ao contrário, a compreensão de sua temporalidade faz do homem um ser responsável (FRANKL, 1987).

Quando uma pessoa vivencia ou recebe algo do mundo vai ao encontro do tu, e emerge a dimensão do homo amans, ou, quando o ser humano comtempla os valores estéticos (natureza e arte), denominam-se valores vivenciais. Nessa categoria valorativa, o ser humano está recebendo algo do mundo. Não apenas na contemplação e no encontro com um tu pessoa encontra sentido, mas quando cria uma obra e a entrega ao mundo; ou seja; a dimensão do homo faber, encontram-se os valores criativos. Toda obra artística ou cientifica, expressa a capacidade especificamente humana de agir sobre o mundo e tranformá-lo (AQUINO, 2013, p. 60).

Mediante valores atitudinais o homem se integra consigo mesmo, com a capacidade humana de transformar um sofrimento inevitável em uma realização humana através da capacidade de suportar o sofrimento com dignidade, ao descobrir um sentido no próprio sofrimento.

A “logoterapia é uma psicoterapia que realiza seu trabalho através da motivação primaria e autentica do ser humano que é a vontade de sentido que representa o princípio básico da logoterapia” (AQUINO, 2010, p. 24).

A teoria motivacional de Frankl apregoa a vontade de sentido como a motivação primária, ou seja, o ser humano possui uma “vontade de encontrar sentido no mundo objetivo, interpretando a sua existência em um contexto de sentido” (AQUINO, 2011, p. 54).

A experiência do vazio existencial é uma forma explícita ou implícita no cotidiano de cada ser humano toda vez que o mesmo se questiona refletir sobre o verdadeiro sentido da vida.

O vazio existencial está presente na vida de todo ser humano, em maior ou menor grau. É sentido e vivenciado em inúmeras circunstâncias da existência humana. Emerge diante de situações peculiares e às vezes estressantes pelas quais a pessoa passa na vida. Está presente em momentos da iminência de morte das pessoas, pode ser observado diante dos vários lutos e perdas vividas ao longo da existência. É explicado através da filosofia nas mais variadas fases e por filósofos, autores e estudiosos.

O sentido da vida é um problema especificamente humano na concepção de Frankl (2005), o homem é um ser em busca de sentido. Entretanto, nessa busca, só a consciência o ajuda. Assim, existe no homem uma vontade de sentido, como, também, um sentido a ser atribuído à vida. A possibilidade de preencher sentido é singular. A cada momento há um sentido novo a realizar e um sentido especial para cada pessoa.

O sentido da vida é um problema caracteristicamente humano e uma indagação que todo homem faz a si mesmo. E fundamenta-se no caráter irreversível da existência humana. “A finitude aparece também dá sentido à vida e à existência” (FRANKL, 2005, p. 174).