A inovação e sua contribuição para o crescimento económico têm sido o foco de atenção académico, desde o início da exploração de influentes economistas, tais como Joseph Schumpeter em 1943 e Robert Solow, em 1956. A relação entre inovação e o crescimento foi amplamente debatido e comprovado através muitos trabalhos empíricos. A inovação melhora a vantagem competitiva das nações, indústrias e empresas (OCDE, 2000).
A literatura actual sobre a inovação é numerosa e abrange um grande leque de objectivos, perspectivas e níveis de análise. Hoje a inovação configura-se como das mais importantes componentes da gestão, a par da gestão financeira e da planificação estratégica como uma determinante do sucesso.
Contudo é necessário ter presente que a inovação é um processo de mudança lento em que, a capitalização dos seus benefícios geralmente não chegam no curto prazo.
No estudo desenvolvido por Roberts, P.W., & Amit, R. (2003), no sector bancário australiano (considerado pelos autores como semelhante ao sistema bancário de muitos outros países) ao longo do período de 1981 a 1995, chegam à conclusão que a maioria das actividades inovadoras observadas estavam baseadas em ideias adquiridas fora da empresas e eram rapidamente difundidas entre os bancos concorrentes, até ao ponto que, num determinado período, nenhum dos banco era detentor de nenhum produto ou processo inovador.
As actividades inovadoras susceptíveis de se traduzirem numa melhoria na posição financeira surgem da evolução histórica das actividades de inovação de cada instituição, nomeadamente através das modificações feitas a produtos e serviços, distribuição tecnológica, processos de Back Office, etc.
Os bancos que foram mais consistentes nas actividades de inovação internamente e que procuraram diferenciar-se das práticas normais do mercado concorrente, conseguiram um desempenho financeiro superior.
O que está subjacente deste estudo é que a inovação, em determinados sectores, para se traduzir em desempenho não tem de ser exclusivamente por inovações originais que emergem internamente, mas também pela capacidade da gestão de uma empresa em fazer suas, inovações dos concorrentes.
Conhecimentos actuais podem ser combinados criativamente para gerar novos produtos e processos de produção. Desta forma, as empresas muitas vezes criam vantagem competitiva a partir de produtos e processos que foram desenvolvidos por outras empresas, e que podem ser facilmente adoptados por empresas concorrentes. Isto quer dizer que, o actual desempenho
financeiro de uma empresa é uma função da sua história ímpar de actividades inovadoras, ou seja que actos de imitação podem levar a posições de diferenciação competitiva.
A existência de uma história de actividades de inovação é o que pode conduzir a melhoria sustentável do desempenho da empresa.
Os autores citam expressões similares deste ponto de vista, como as de Hunt e Morgan (1995), que argumentam que "cada empresa é uma entidade única no tempo e no espaço como um resultado da sua história". Essa posição também é apoiada por Rumelt (1984) que assinala que "as empresas diferem devido a diferentes histórias da escolha estratégica e desempenho”.
Por outro lado os autores também fazem implicações ao nível do fomento de vantagens competitivas através da gestão de redes. Novas ideias podem surgir a partir de vários locais do sistema competitivo (concorrentes a montante e a jusante, empresas de outros sectores e mercados).
Presente nesta ideia está que na heterogeneidade entre os vínculos formais e informais entre empresas, também está associada a heterogeneidade nas percepções e acesso a novas estratégias.
Um outro estudo, o de Ferreira et al. (2007), considera a capacidade inovadora da empresa como o resultado do processo de inovação de uma empresa, nomeadamente, a inovação no produto, a inovação no processo, a inovação no mercado e a inovação organizacional.
Neely et al. (2001), identificam algumas condições que estruturam a capacidade para inovar nas empresas, nomeadamente:
• A presença de uma cultura da empresa que incentive e promova a inovação (Cultura da inovação);
• Capacidade de integrar informações de diferentes fontes e incentivar o pessoal de trabalhar em conjunto para gerar inovação (Capacidade de processos internos);
• Capacidade de entender o negócio, as implicações das tendências tecnológicas e do mercado (Capacidade de compreender o ambiente).
Os resultados empíricos do estudo feito por Chen, Y. S. et al. (2009) em “The positive effects of relationship learning and absorptive capacity on innovation performance and competitive advantage in industrial markets” mostraram que a relação aprendizagem e capacidade de absorção tiveram efeitos positivos sobre o desempenho da inovação, e esta sobre a vantagem competitiva da organização.
Capacidade de Inovação Empresarial e Políticas Públicas de Incentivos
Esta pesquisa indicou que, quanto mais investimentos feitos na captura de conhecimentos e na capacidade de aprendizagem e absorção, melhor o desempenho inovador.
Na era da economia baseada no conhecimento, as empresas devem considerar simultaneamente tanto a política externa (abertura ao conhecimento) como determinantes internos (capacidade de absorção).
Para os autores, as empresas não só dependem das informações provenientes das relações externas da aprendizagem, mas também da capacidade de absorver activamente conhecimentos relevantes.
No trabalho desenvolvido por Caloghirou et al. (2004) em “Internal capabilities and external knowledge sources: complements or substitutes for innovative performance?” referem que parte das capacidades dentro das empresas são o resultado de um processo prolongado de investimento e de acumulação de conhecimento. Este conceito já tinha sido abordado como "capacidade de absorção" (Cohen e Levinthal, 1990).
Os autores remetem a capacidade de absorção, não só, para a capacidade das empresas em adquirir e assimilar informação, mas também para explorá-la. A capacidade de absorção assenta em dois elementos importantes: primeiro, na base actual de conhecimentos e segundo, na intensidade dos esforços realizados para o desenvolvimento das capacidades tecnológicas.
A base actual de conhecimentos aumenta a capacidade de pesquisar, reconhecer e representar um problema, bem como assimilar e utilizar novos conhecimentos para os resolver.
A intensidade de esforço e empenho na resolução de problemas refere-se à quantidade de energia que os membros organizacionais dedicam a resolver os problemas. A capacidade de uma empresa para absorver os conhecimentos e as informações de fontes externas é um dos pilares do processo de transformação do conhecimento e da informação em novos conhecimentos e sua conversão em um novo valor.
Assim, a literatura mais recente sobre a perspectiva de criação de conhecimento das empresas centra-se no conhecimento como um dos mais valiosos recursos que proporciona uma vantagem competitiva sustentável e sobre a interacção como um elemento fundamental para o acesso, aquisição e desenvolvimento de novos conhecimentos. A interacção pode ter lugar dentro de uma empresa e entre as empresas e outras organizações. As empresas podem interagir através de várias formas para aceder ao conhecimento externo.
A discussão sobre as várias características organizacionais que correspondem a vários mecanismos que facilitam os fluxos de conhecimento entre os diferentes intervenientes e
permitem a produção e divulgação de novos conhecimentos, também tem sido amplamente tratado pela literatura.
A capacidade de absorção também tem a ver com a forma como as empresas interagem com o ambiente.
Os dados empíricos obtidos partir de um extenso levantamento que foi realizado em sete países europeus (Grécia, Itália, Dinamarca, Reino Unido, França, Alemanha e Países Baixos), forneceu elementos para o estudo da eficácia relativa dos mecanismos específicos de criação e transferência de conhecimentos.
O trabalho, centrou-se em investigar até que ponto as actuais capacidades internas das empresas e sua interacção com fontes externas de conhecimentos, afectam o seu nível de inovação.
A interacção é um conceito chave para criar conhecimento e inovação. A abertura das empresas às fontes de conhecimento externo é outro elemento importante para avaliar seu potencial inovador.
Foi utilizado um quadro de interpretação onde o conhecimento e visão da empresa se destacam como variáveis que identificaram os determinantes do desempenho inovador das empresas.
Os esforços internos na descoberta e desenvolvimento de novas soluções e na aquisição de conhecimento através da formação, na medida em que as empresas procuram obter ideias para a inovação a partir de fontes externas (bases de dados de patentes, publicações, conferências, internet) e na medida em que eles criam laços com outras entidades (empresas e universidades ou centros de investigação).
Uma forte base de conhecimento, incluindo a capacidade de I&D e uma força de trabalho bem formada, é a chave para o sucesso da inovação (Lundvall e Nielsen, 1999). Testes empíricos confirmam e apoiam o argumento de que níveis de esforços mais elevados de I&D melhoram a capacidade da empresa para explorar fontes de conhecimento técnico fora das suas fronteiras (Gambardella, 1992). Outro indicador da capacidade da empresa para desenvolver novas soluções e explorar o conhecimento que se situa fora dos seus limites é a qualificação dos colaboradores. O mesmo acontece com os mecanismos de aprendizagem. Educação e formação reforçam competências de base para introduzir a inovação (Lundvall e Nielsen, 1999).
A utilização da internet como o mais recente meio de informação e comunicação facilita a abertura às fontes externas de conhecimento e quanto mais se desenvolve na procura de
Capacidade de Inovação Empresarial e Políticas Públicas de Incentivos
Os esforços para o estabelecimento de vínculos através da cooperação (formal e / ou informal) com outras empresas ou com as universidades, favorece a aquisição e desenvolvimento de know-how internamente, e pela sua vez são compartilhados dentro subgrupos, redes etc. Neste sentido a literatura económica sobre inovação relaciona positivamente a interacção entre as organizações com inovação.
Um leque de abordagens teóricas sobre a cooperação assenta na ideia de que através da combinação de experiências, novas ideias podem surgir. A colaboração é um veículo através do qual o conhecimento é transferido e permite gerar novas aprendizagens com as experiências dos outros. As estratégias de colaboração permitem às empresas gerar novos conhecimentos, tácito, explícito e know-how. Na sua abordagem das capacidades dinâmicas, Teece et al. (1990) consideram a cooperação como um mecanismo através do qual as empresas acumulam, combinam e difundem conhecimentos e activos complementares.
No contexto da cooperação os indivíduos interagem uns com os outros e com as suas organizações permitindo a aquisição e criação de conhecimento.
Os resultados mostram que ambas as capacidades, internas e abertura para a partilha de conhecimentos, são importantes para a manutenção do desempenho inovador, e que a compreensão dos factores que influenciam o desempenho inovador pode fornecer dados estratégicos tanto para a elaboração de políticas públicas como para a estratégia corporativa.
Acções destinadas a melhorar o potencial I&D e competências dos recursos humanos, podem resultar em uma melhoria global do desempenho inovador das empresas europeias. O mesmo vale para as medidas de política que visam a promoção de ligações entre empresas.