4.2 Effet de l’interaction-pression (anisotropie fixe)
4.2.3 Comparaison entre les deux ordres
A componente espacial e territorial tem vindo a assumir um papel central no desenvolvimento da inovação e da competitividade como um processo colectivo. A inovação apela às condições específicas de determinadas localizações, associando a lógica da dinâmica territorial com a da abertura à inovação.
O desempenho económico regional está associado a um fenómeno organizacional que gera condições à produção e efeitos externos favoráveis ao desenvolvimento de actividades, bem como sinergias sociais. Não é um espaço de localização indiferenciada de factores materiais e imateriais orientados para a produção de bens e serviços mas um local de organização e de reagrupamento de actores económicos, sociais, culturais e políticos que pelas suas interacções dinâmicas desenvolvem competências e actividades produtivas que poderão conduzir a um crescimento durável.
O desenvolvimento das regiões depende da sua capacidade para promover iniciativas locais e activar a dinâmica territorial da inovação, o que geralmente conduz a um aumento da sua capacidade de atrair empresas do exterior.
A inovação interessa às regiões porque há uma forte correlação entre a inovação e o desempenho económico.
As regiões menos favorecidas investem menos em I&D e têm dificuldade em utilizar políticas nacionais dirigidas à economia do conhecimento, por exemplo, políticas fiscais de apoio à I&D favorecem as regiões já empenhadas em tais actividades.
A falta de bases de I&D e de pessoal com formação elevada inibe a absorção de tecnologias existentes, e logo, da modernização.
As transformações globais repercutem-se nos sistemas locais de produção, requerendo que estes se tornem mais competitivos.
“Quanto maior for o seu grau de integração espacial, maior propensão se espera para um sistema de inovação regional dinâmico que, fazendo uso das complementaridades locais das diferentes regiões, contribui para a afirmação destas na cena competitiva global (Guesnier,
1991)”. 6
A nível nacional, são importantes os sistemas nacionais de inovação. Estes são um conjunto de instituições interactivas que apoiam a inovação e actividades relacionadas com a inovação dentro dos países (Lundvall, 1992; Nelson, 1993).
Capacidade de Inovação Empresarial e Políticas Públicas de Incentivos
Factores específicos de cada país, como estrutura institucional, educação, incentivos públicos à inovação, mecanismos de protecção aos desenvolvimentos tecnológicos, cultura, dimensão, imprimem características próprias às actividades de inovação.
Ao nível regional, no cerne da literatura sobre a inovação está o conceito de meio de inovação, que é definido como uma rede complexa de relações sociais informais dentro de uma área geográfica limitada que permite a melhoria da capacidade inovadora e sinergética colectiva através de processos de aprendizagem (Camagni e Cappello, 1997).
Alguns autores referem dois mecanismos através dos quais o meio social reforça as capacidades inovadoras das empresas. Primeiro, a aglomeração regional porque facilita um processo de aprendizagem colectiva em que a informação, conhecimento e melhores práticas são rapidamente difundidas em toda a esfera local, aumentando assim as capacidades inovadoras das empresas. Em segundo lugar, os custos e riscos da inovação são espalhados por toda a região através de redes entre compradores e fornecedores, agências de transferência de tecnologia, associações e consórcios de formação.
Dados provenientes de estudos sobre as regiões europeias sugerem uma relação positiva entre o desempenho económico regional, medido em termos de PIB per capita, e a inovação, medida pelo número de patentes e gastos em I&D.
Diversos estudos fazem referência, para além do desempenho económico, ao desempenho institucional, tecnológico e político como condicionantes para determinar se uma região é um meio potencialmente favorável às actividades de inovação.
Nesta perspectiva, a política industrial, a diversa legislação existente para os diversos sectores da actividade económica, os centros públicos de investigação, universidades, associações industriais entre outras, contribuem para o comportamento das empresas inovadoras (Avermaete et al., 2003).
No estudo feito por Fernandes et al. (2004) “A Localização e a dinâmica de inovação nas Pequenas e Médias Empresas: O caso de Portugal”concluíram que, é nas regiões economicamente mais desenvolvidas (Centro, Norte e Lisboa/Vale Tejo) que se encontram as PME com um comportamento mais empreendedor de inovação, sobretudo ao nível dos subsectores do comércio a retalho e por grosso, da construção no Centro e dos serviços prestados às empresas em Lisboa/Vale Tejo.
Esta realidade deve-se, segundo os autores, a que nestas regiões as PME têm uma maior capacidade financeira, associada a factores institucionais, políticos, sociais, etc. É nas regiões menos desenvolvidas (Algarve e Alentejo) que se encontram as PME com um comportamento
menos empreendedor, ao nível dos sectores de comércio/reparação automóvel,
alojamento/restauração e comércio por grosso os quais são mais dependentes de inovação externa.
Por outro lado, estudos como os de Sternberg e Arnadt (2001) evidenciam que a influência da região onde a empresa se insere, depende consideravelmente de factores internos à empresa, porque há empresas inovadoras localizadas em regiões com fraco potencial inovador e que o contrário também se verifica, isto é, a existência de empresas que não inovam localizadas em regiões inovadoras.
O conhecimento criado com os próprios recursos é determinante nas actividades de inovação das grandes empresas, a localização parece ser mais determinante no comportamento inovador das pequenas empresas. Os processos de inovação nas pequenas empresas são mais dependentes dos inputs externos. Necessitam captar os fluxos de conhecimentos dos centros de investigação especializados e beneficiar da proximidade das actividades fornecedoras de serviços especializados.
As grandes empresas internalizam os inputs da inovação e são capazes de adquirir activos complementares que facilitam a actividade inovadora. Ao não dispor destes recursos, as pequenas empresas inovadoras parecem beneficiar das infra-estruturas tecnológicas exteriores, de redes integradas e concentradas geograficamente de instituições complementares. Em síntese, as infra-estruturas tecnológicas favorecem o comportamento inovador das pequenas empresas através do acesso a determinados recursos que estão noutros locais, e que de outra forma, só estariam ao alcance das empresas de maior dimensão.
Por outro lado também podemos concluir que o custo da transmissão do conhecimento aumenta com a distância. Neste ponto devemos distinguir entre informação e conhecimento.
A revolução nas telecomunicações tem reduzido significativamente o custo do fluxo de informação que pode ser codificada facilmente, mas o fluxo do conhecimento pode ser ambíguo e de difícil codificação, pelo que o custo de transmitir conhecimento aumenta com a distância. Audretsch e Feldman (1996) referem que, em particular, é o custo da transmissão do conhecimento tácito (conhecimentos não codificados adquiridos pela experiência e vivências),
Capacidade de Inovação Empresarial e Políticas Públicas de Incentivos
O agrupamento geográfico das actividades de inovação tende a ser mais importante nas indústrias onde o conhecimento tem um papel relevante, o que acontece, principalmente, nas primeiras etapas do ciclo de vida de um bem ou serviço.
Para promover o desenvolvimento industrial numa região não é suficiente o aumento de I&D por parte do sector público. Os novos conhecimentos que são uma vantagem comparativa, tendem a localizar-se em centros empresariais regionais, e neste sentido a actuação política mais eficaz será aquela que consiga entender as características e idiossincrasias de cada região.
Podemos sintetizar as seguintes condições como necessárias para a promoção da inovação regional:
• Interacção e conhecimento localizado: ensino de aptidões empresariais no sistema
educativo e o deslocamento de capital humano para localizações produtivas;
• Promoção do contacto entre PME`s na cadeia de fornecimento como forma de serem
influenciadas;
• A transferência de conhecimento através dos intermediários locais para que este seja
melhor adaptado às necessidades.