8. Formes hermitiennes, espaces hilbertiens et
8.4. Diagonalisation des endomorphismes auto-adjoints et normaux
Uma vez definidas as metas e objectivos de promoção da saúde, a identificação das estratégias de intervenção mais adequadas12 é a etapa seguinte. As actividades de
promoção da saúde são processos em que se pretende envolver os indivíduos/grupos para que se produzam mudanças nos seus comportamentos, ou nos contextos em que vivem, de forma a terem mais saúde ou a preservarem-na. Segundo a OMS, referido por Revuelta & Diaz (2006) existem três tipos de processos dirigidos à saúde: processo de desenvolvimento pessoal, processo de desenvolvimento organizativo e processo de desenvolvimento político.
Ainda neste âmbito, os mesmos autores afirmam que, quando se trata de projectos e programas de promoção da saúde, pode-se adoptar três pontos de partida, ou seja, focos de intervenção: comportamento específico, grupo social e contexto. Em saúde comuni- tária é mais importante basear os projectos e programas de promoção da saúde nos contextos para que se possa desenvolver processos de desenvolvimento organizacional como estratégia-chave.
4.2.1. Teorias e modelos mais utilizados nas intervenções de promoção da saúde
As intervenções devem ser estratégias baseadas em teorias e modelos. Green & col (1994) numa revisão sobre a utilidade das teorias e modelos de educação para a saúde, afirmaram que a função das teorias é desenrolar e simplificar a complexidade da natureza para facilitar a compreensão dos fenómenos, explicando-os ou predizendo-os. McKenzie, Pinger & Kotecki, (2002) referem que existem diversas estratégias de intervenção, limitadas apenas pela imaginação de quem as planeia. Contudo, utilizando a categorização de CDC (2003), caracteriza seis tipos estratégias de intervenção: Comunicação de Saúde, Educação para a Saúde, Políticas de Saúde, Engenharia de Saúde, Serviços Comunitários relacionados com Saúde e Mobilização Comunitária.
Considerando as intervenções de promoção da saúde como processos de desenvolvi- mento pessoal, as estratégias de intervenção serão do tipo Comunicação em Saúde e Educação para a Saúde. Várias teorias podem ser utilizados para explicar a mudança de comportamento: Estimulo-Resposta, Aprendizagem Social, Acção Racional, Comporta- mento Planeado, Crenças em Saúde, Estádios de Mudança e de Conscientização. As teorias, modelos e conceitos relacionados com a Educação para a Saúde serão
12 McKenzie, Pinger & Kotecki, (2002) referem que as estratégias adequadas são as actividades
desenvolvidos com mais detalhe em capítulo próprio, uma vez que a Educação para a Saúde é o cerne desta investigação.
Sob o ponto de vista do desenvolvimento organizativo considera-se como estratégias mais utilizadas os Serviços Comunitários relacionados com Saúde, onde se destaca os Grupos de Ajuda Mútua e a Mobilização Comunitária.
Nas estratégias de desenvolvimento político, que são estratégias de reforço, enquadram- -se a Engenharia de Saúde, as Políticas de Saúde e a Advocacia.
Descreve-se sumariamente algumas das estratégias, referindo algumas teorias ou modelos que lhes estão subjacentes.
Comunicação de Saúde. Quase todos os programas de saúde e, especificamente os de
promoção da saúde, incluem alguma forma de comunicação quer seja uma apresentação formal, um produto multimédia ou uma campanha. São também as estratégias com mais elevada “penetração” nas populações-alvo. Os objectivos da Comunicação de Saúde nos programas de promoção da saúde são: aumentar a consciência sobre os problemas/ /situações, modificar e/ou reforçar atitudes, aumentar conhecimentos, manter e/ou aumentar o interesse, fornecer sugestões e motivação para a acção, demonstrar habilidades simples, aumentar a procura e o apoio dos serviços de saúde, aumentar a sensibilidade para o risco, modificar e/ou reforçar comportamentos, aumentar a percepção de habilidade pessoal para aderir a um comportamento desejável, construir normas sociais.
As teorias mais aplicadas e que, segundo McKenzie, Pinger & Kotecki, (2002) são mais eficientes, são as de Marketing Social, atrás desenvolvidas.
Políticas de Saúde. Incluem-se aqui todas as estratégias de reforço como as normas e
regulamentos, políticas e leis, declarações de posição e regras formais e informais. Segundo Schimd, Pratt & Howze (1995) são desenvolvidas por um administrador, direcção ou grupo legislativo para conduzir comportamentos individuais ou colectivos. São exemplos as normas e procedimentos de segurança, a protecção dos ambientes, os planos de saúde e toda a legislação relacionada com a saúde e apoio social. Este tipo de estratégias pode ser controverso pois podem pôr em causa os direitos individuais, em detrimento do dito “bem comum” pois este está subjacente aos princípios de quem legislou.
Por isso, quando as políticas visam alterar comportamentos não se trata de estratégias de modificação voluntária de comportamentos mas sim de coersão. Contudo Green & Kreuter (1999) dão exemplos de políticas de saúde que obrigaram os indivíduos a modificarem os seus comportamentos de segurança de forma consistente. É o caso da obrigatoriedade do uso de cinto de segurança e capacete, que permitiu uma adesão
maior do que as medidas de sensibilização, e a proibição de fumar em recintos fechados que levou à cessação voluntária de fumar.
Engenharia de Saúde. São as actividades que visam a modificação da estrutura ou tipo
de serviços de forma a melhorar a prestação de serviços de promoção da saúde: mais bem-estar, mais segurança, prevenção de doença. McKenzie, Pinger & Kotecki, (2002) dão como exemplos o desenho ergonómico dos dispositivos de trabalho, os equipa- mentos de segurança dos automóveis (cintos, cadeiras, airbag, etc.), a colocação de dispositivos para controlo de velocidade do trânsito, dispositivos de detecção de incêndios e portas de segurança, alteração do tipo de alimentos disponíveis nas máquinas de venda automática, etc.
Caracterizam-se por alterarem coisas ou contextos que podem influenciar a tomada de consciência, as atitudes, as capacidades e os comportamentos dos indivíduos/grupos. Algumas destas estratégias implicam uma escolha forçada mas tornam-se mais efectivas se combinadas com estratégias de Comunicação de Saúde ou outras.
Serviços Comunitários relacionados com Saúde. Inclui todos os serviços, testes ou
tratamentos fornecidos a uma comunidade com vista à promoção da sua saúde. São exemplos destas actividades as consultas de vigilância de saúde, os programas de rastreio e a imunização. Como o sucesso destas actividades implica a adesão dos indivíduos/grupos é necessário reduzir as barreiras para obtenção deste tipo de serviços melhorando a acessibilidade. Por isso, frequentemente estas actividades são desenvol- vidas em unidades móveis, em eventos públicos, locais de trabalho, escolas, etc., além da sua disponibilidade nos Centros de Saúde. Os Serviços Comunitários são actividades bem aceites pelas comunidades pois aproximam-nas dos prestadores de cuidados de saúde. Em relação aos programas de rastreio é importante salientar que os testes utilizados devem ser sensíveis e específicos e que só podem ser feitos com a garantia de aferição, assim como de encaminhamento para tratamento das situações de doença detectadas (Chapman, 2003).
Mobilização Comunitária. Trata-se de todas as actividades realizadas para ajudar as
comunidades a identificar os seus problemas de saúde e a agir para a sua resolução, tendo por base a participação e a tomada de decisão partilhada, o que Barnes, Neiger & Thackeray (2003) designam de empowerment comunitário. Estes autores distinguem dois tipos de Mobilização Comunitária: Organização Comunitária, Desenvolvimento Comuni- tário e Advocacia Comunitária.
Organização Comunitária é o processo pelo qual grupos comunitários são ajudados a
identificar problemas ou metas, a mobilizar recursos e a implementar estratégias para solucionar os seus próprios problemas de saúde.
Desenvolvimento Comunitário não é um processo mas uma orientação da comunidade
que enfatiza mais as suas “forças” do que as suas necessidades e que visa a criação/identificação e apoio dos elementos activos dessa comunidade.
Grupos de ajuda mútua são intervenções compreensivas que visam a partilha de experiências e o apoio mútuo. São estruturas voluntárias, de pequena dimensão, que se ajudam mutuamente em relação a um determinado objectivo. Os elementos que integram estes grupos são normalmente de pares que, ao partilharem as suas experiências comuns, obtêm apoio mútuo para satisfazerem uma necessidade ou para superarem uma dificuldade/problema e ainda o intercâmbio social (Katz, 1981). São um exemplo de sucesso os grupos de Alcoólicos Anónimos.
Advocacia Comunitária é o processo pelo qual os indivíduos representativos duma
comunidade se envolvem nas instituições/organizações participando nas decisões com impacte nas suas vidas. Tem o potencial de criar mais apoio, ser um meio de comuni- cação directo, influenciar decisões, activar os não-participantes, melhorar a qualidade dos serviços e tornar as comunidades mais responsáveis. Em muitas situações a advocacia é difícil pois envolve custos e disponibilidade de tempo que não estão contemplados nos orçamentos das instituições/organizações. Depende também da capacidade de gestão democrática e participativa na tomada de decisão por parte da gestão das institui- ções/organizações. Checkoway (1989) descreve várias técnicas de advocacia comunitária: visitas pessoais a indivíduos-chave, reuniões comunitárias, campanhas telefónicas ou mailing para os líderes comunitários, entrevistas nos media, etc.
McKenzie, Pinger & Kotecki, (2002) referem ainda outras estratégias como os programas de modificação de comportamentos, actividades sociais e culturais, acções de incentivos e penalizações e outras, que normalmente são utilizadas como estratégias de treino de competências, de reforço ou de mobilização comunitária.
Considerando que o tema desta dissertação se insere no âmbito da prevenção de doenças infecciosas, mostrou-se pertinente fazer referência às aplicações da epidemio- logia na prevenção das doenças e como instrumento para a definição de medidas e estratégias de controlo da doença, quer de desenvolvimento pessoal, como organiza- cional e político.