CHAPITRE III : LA PENSEE SPECULATIVE
1.3. Le devenir comme « unité réfléchie en soi » du Tout
Os resultados aqui descritos mostram que, epidemiologicamente, os pacientes desse estudo são semelhantes à média de pacientes portadores de câncer de laringe: homens, com idade entre os 50 e 70 anos, corroborando com estudos na literatura (PARKIN et al, 2002; MORENO e LOPES, 2002; KANDOFAN, 2006), também compatíveis com os estudos de Wunsch Filho (2004) e Mourão et al (2006), na proporção de aproximadamente sete homens para cada mulher com este tipo de câncer.
Assim, os domínios com pior pontuação neste estudo foram fala e deglutição, tanto quando considerados todos os pacientes, como separados por sexo e por idade, sendo exatamente estas as principais dificuldades dos pacientes, tanto para adaptação psicossocial, quanto para reabilitação, que pode ser demorada, explicando um intervalo de tempo maior para recuperação da sua qualidade de vida, de acordo com vários autores (BJORDAL et al, 2001; ALI et al, 1987; MORENO E LOPES, 2002; ANTUNES, 2001; BIAZEVIC et al, 2008; PAULA E GAMA, 2009).
A pior pontuação no domínio fala é ainda destaque quanto ao sexo feminino, também mostrado na literatura e está fortemente ligada à qualidade de vida, uma vez que a comunicação é um fator essencial de qualquer relacionamento. (ANTUNES, 2006; MATIAS, 2005; BIAZEVIC et al, 2008).
Em contrapartida aos resultados obtidos, autores estudaram o impacto da comunicação e sua consequente adaptação após uma laringectomia, concluindo não haver correlação entre qualidade de vida e fala (ROGERS et al, 2002; VILASECA, 2006, BARROS et al, 2009).
O presente estudo, porém, constatou que a fala afeta mais as mulheres que os homens, sendo comprovada estatisticamente esta diferença.
Escores mínimos para os domínios deglutição e fala estão também fortemente ligados a qualidade de vida dos pacientes com idade superior aos 60 anos, contrariando os estudos de Andrade (2008), que sugere ser a ansiedade e não os dois domínios anteriormente citados, o pior escore para esta faixa etária.
Outros achados verificaram que além da deglutição, os domínios mastigar, ansiedade e dor foram considerados de pior pontuação (ZABORA et al, 2001; MATIAS, 2005).
A mastigação foi fator para a redução dos escores na qualidade de vida no estudo proposto por autores (BJORDAL et al, 2001; ROGERS, 2002; ANDRADE, 2008), sendo também relevante para este estudo no índice de avaliação da qualidade de vida global nos últimos 7 dias e principalmente em relação ao sexo masculino, corroborando com outros estudos (KUMPUNLAINEN, 2000; BARROS, 2006; LO TIEMPO et al, 2005).
Mesmo não sendo, de acordo com o presente estudo, consideravelmente afetados pelo câncer, os domínios ansiedade, depressão, aparência e atividade, sugerem contribuir para uma dificuldade na reabilitação e retorno aos papéis sociais (HANNICKEL, 2002; KOGA, 2001; BARROS et al, 2006; PICCIRILLO, 2006, ANDRADE, 2008).
Neste trabalho, porém, estes domínios não foram os escores médios menores; inclusive o domínio atividade foi o que obteve o escore médio maior.
Embora não tenha sido um domínio avaliado neste estudo, a depressão é um achado frequente em pacientes com câncer de cabeça e pescoço (HAMMERLID et al; 2001; VICKERY et al, 2003; VARTANIAN et al, 2006; PAULA
e GAMA, 2009) e considera-se que, além de interferir na avaliação da qualidade de vida, a depressão pode afetar o sistema imunológico, favorecendo a recidiva da doença (HUNGRIA, 2000; ALI et al, 1987).
Para Costa et al (2004), a presença de uma traqueostomia, ainda que disfarçada, altera a aparência do laringectomizado, principalmente se este for uma mulher; indo de encontro aos resultados obtidos neste estudo, onde se observa um menor escore nesse domínio para as mulheres.
Deste modo, autores preconizam que a alteração da aparência traz uma profunda dificuldade na adaptação da nova imagem corporal adquirida, principalmente nas mulheres, o que pode justificar também alterações de humor (HANNICKEL et al, 2002; LO TIEMPO et al, 2005).
Em relação ao domínio humor, que neste estudo obteve um escore médio baixo ente as mulheres, Barros et al (2006) determinam que tal alteração é vista freqüentemente no laringetomizado, independente da forma de tratamento e se relaciona com a piora da qualidade de vida.
A atividade e a recreação neste estudo não afetaram a qualidade de vida dos pacientes nos últimos 7 dias, refutando estudos de Coelho e Sawada (1999), que reiteram que a redução da atividade e recreação nos pacientes portadores de câncer laríngeo pelo cansaço físico é evidenciada com uma alta porcentagem. Os mesmos autores ainda afirmam que quando persistente num tempo prolongado, a inatividade torna-se debilitante e interfere no cotidiano do indivíduo, principalmente se este for homem, fato que justifica um menor escore médio para o domínio supracitado.
Em relação ao domínio dor, Pereira e Zago (1998) afirmam que no paciente laringectomizado, o impacto psicológico da dor apresenta-se pelos
comportamentos de ansiedade, medo da cirurgia e medo do desconhecido, alterando de maneira importante a qualidade de vida, contrariando os achados do presente estudo, que apresentou escore médio alto para esse domínio, principalmente em relação aos homens.
Vilaseca et al (2006) demonstram que pacientes laringectomizados têm uma boa qualidade de vida global, também observado neste estudo. Os referidos autores sugerem ainda que o impacto da laringectomia na qualidade de vida é provavelmente menor que o esperado, pois os laringectomizados aprendem a conviver com as sequelas oriundas do tratamento.
Avaliar a qualidade de vida, valorizando os impactos médicos, psicológicos e sociais na vida de cada paciente é tarefa difícil, mas essencial para estabelecer parâmetros de reabilitação e suporte, pois os aspectos considerados importantes para melhorá-la, durante o tratamento oncológico, diferem de pessoa para pessoa (BRAZ et al, 2005; BARROS et al, 2006).
Neste sentido, o UW-QOL versão 4 é considerado um instrumento seguro e prático para a coleta de dados, bem aceito por pacientes e profissionais e de baixo custo para a pesquisa do estado funcional dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço. (MATIAS, 2005).
No presente estudo, o UW-QOL versão 4 possibilitou a identificação de diferentes padrões de qualidade de vida associados a diferentes características apresentadas pelos participantes, indicando-se pertinente a perspectiva de reconhecimento dos mesmos.