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Os debates são gêneros que remontam ao Egito antigo, sendo verificado, ainda, na China, no império romano e, sobretudo, na Grécia antiga, tendo Aristóteles. como principal expoente.

Embora com diferentes formatos, esse tipo de debates conta já com uma larga história, que alguns estudiosos remontam inclusive ao antigo Egito, onde há mais de 4000 anos os príncipes egípcios discutiam acerca da política agrícola diante da corte do faraó. Do mesmo modo, durante a dinastia Chou (1122-1255 a.C.), os eruditos chineses levavam a cabo importantes debates de caráter filosófico. Já na Grécia Antiga, os poemas homéricos continham fragmentos legais e deliberativos nos quais advinha - Quintiliano assim observara – um embrião dos modernos debates acadêmicos, que se desenrolaria definitivamente a partir de Aristóteles e sua Retórica (BLAS ARROYO, 2011, p. 47).31

29 Tradução nossa da versão original em espahol: Una característica común a todos estos géneros es su carácter

persuasivo derivado de su objetivo último, que no es otro que el de intentar convencer a una audiencia de la que depende en última instancia el propio futuro de los políticos en el desempeño de su función pública (BLAS ARROYO, 2011, p. 33).

30 Tradução nossa da versão original em espanhol: Esta preminencia de lo contextual en la delimitación de los

géneros del discurso político es la que, eventualmente, nos permite distinguir entre distintos tipos textuales, tales como las manifestaciones diversas de la propaganda política (mítines, cuñas publicitarias en los medios de comunicacción e Internet, chats...), encuentros diplomáticos, ruedas de prensa, entrevistas en medios audiovisuales o prensa escrita, etc. A todos ellos se añaden los debates, que a su vez pueden adoptar diversos formatos, entre los que destacan los talk shows mediáticos (caracterizados por algunos como pseudo-debates), los debates parlamentarios y, los que aqui nos interesan, los debates electorales (BLAS ARROYO, 2011, p. 33).

31 Tradução nossa da versão original em espanhol: Aunque con diferentes formatos, este tipo de debates cuenta ya

con una larga historia, que algunos estudiosos remontan incluso al antiguo Egipto, donde hace más de cuatro mil años los príncipes egípcios discutían acerca de la política agrícola ante la corte del faraón. Del mismo modo, durante la dinastia Chou (1122-1255 a. C.), los eruditos chinos llevaban a cabo importantes debates de carácter filosófico. Y en la Grecia antigua, los poemas homéricos contienen fragmentos legales y deliberativos en los que se advina – Quintiliano así lo vio – un embrión de los modernos debates académicos, que se desarrolaría definitivamente a partir de Aristóteles y su Retórica (BLAS ARROYO, 2011, p. 47).

Segundo Blas Arroyo (2011), há que se observar diversos gêneros de debates: o parlamentar, talk shows, pseudodebates ou as tertúlias televisivas e, ainda, os debates eleitorais. Importa assinalar que Blas Arroyo (2011) distingue os debates em um plano tipológico: há os debates cooperativos e os não cooperativos. Neste estudo, procedemos à análise de um tipo de debate não cooperativo, conforme a tipologia aventada por Blas Arroyo (2011).

Ao longo do tempo, os debates eleitorais face a face se converteram, conforme salienta Blas Arroyo (2011) em uma das peças mais importantes das modernas campanhas eleitorais e sua influência é, nomeadamente, de grande amplitude, se comparada a outros instrumentos de campanha política. Além disso, o imediatismo e o potencial de atração e alcance desse tipo de interação, promovidos pelo principal suporte que o veicula desde seu advento – a televisão – colaboram para a popularidade do debate eleitoral, levando-se em consideração que a informação é propagada, rapidamente, para milhares de eleitores.

A influência dos debates tem sido observada em diferentes esferas. Uma das mais imediatas e reconhecíveis é a atração que gera em milhões de espectadores e potenciais eleitores, em uma medida que não tem paralelo com outros atos das campanhas eleitorais. Em alguns países, como os Estados Unidos, os números são espetaculares.32

Os primeiros debates televisionados se instauraram nos Estados Unidos, em 1960, mais especificamente em setembro desse ano, tendo como marco a campanha eleitoral dos candidatos à presidência Richard Nixon e John F. Kennedy. Sua relevância é, segundo Fernandez García (2017), deveras significativa nos processos eleitorais nas campanhas eleitorais ocidentais:

É sabido que os debates face a face no mais alto nível são consideradas uma peça- chave dos processos eleitorais em boa parte das democracias ocidentais. Existem muitos países com uma longa tradição a esse respeito, após a estréia pioneira dos Estados Unidos (R. Nixon e JF Kennedy inauguraram essa tradição em 1960, embora ela tenha sido interrompida até que G. Ford e J. Carter a retomaram em 1976) , e não são poucos os que foram adicionados nas últimas décadas, como Espanha (desde 1993) ou Grã-Bretanha (desde 2010). Dessa forma, o face a face recebe, um após o outro, audiências milionárias nas democracias [...] (FERNANDEZ GARCÍA, 2017, p. 11).33

32 Tradução nossa do original em espanhol: La influencia de los debates se ha observado en diferentes esferas. Una

de las más inmediatas y reconocibles es la atracción que genera en millones de espectadores y potenciales votantes, en una medida que no tiene parangón con otros actos de las campañas electorales. En algunos países, como Estados Unidos, las cifras son espetaculares (BLAS ARROYO, 2011, p. 60).

33 Tradução nossa do original em espanhol: Es bien sabido que los debates cara a cara al máximo nivel son

considerados una pieza clave de los procesos electorales en buena parte de las democracias occidentales. Son muchos los países con una larga tradición al respecto, tras la estreia pionera de Estados Unidos (R. Nixon y J. F. Kennedy inauguraron esta tradición en 1960, si bien se vio interrumpida hasta que G. Ford y J. Carter la retomaron en 1976), y no pocos los que han ido sumándose en las últimas décadas, como España (desde 1993) o Gran Bretaña

No Brasil, com o crescente processo de redemocratização, realiza-se, em 1982, pela emissora de televisão SBT, o primeiro debate político na televisão brasileira, entre os candidatos Franco Montoro e Reinaldo de Barros, disputando o governo de São Paulo, com a mediação de Ferreira Neto. Desde então, os debates políticos ocupam um papel de suma relevância na cena política, histórica e social do Brasil.

Posto isso, é possível afirmar que o estudo aprofundado do debate eleitoral é passível de promover um melhor entendimento das tomadas de decisão em sociedades democráticas, conforme ressalta Blas Arroyo (2011):

Por outro lado, este modelo para a argumentação e a persuasão representa uma das formas de tomada de decisões mais destacadas das sociedades democráticas (BLAS ARROYO, 2011, p. 43).34

Acerca do debate político-eleitoral, cumpre ressaltar sua relação intrínseca com à mídia e suas possíveis implicações em se tratando da reverberação do embate eleitoral no que tange à sua projeção, em se tratando do eleitor e sua aceitação:

É necessário ter em conta que o debate eleitoral faz parte da agenda política, mas também da agenda mediática. É um evento central para a construção das relações necessariamente complexas entre estas duas esferas de atividade linguística, a política e a mediática (MARQUES, 2017, p.16).

Desse modo, os diferentes desdobramentos do debate eleitoral, tais como os resultados da disputa, os juízos ou opiniões acerca do comportamento de seus participantes, apresentados pelas diferentes mídias, são de suma importância para o processo de avaliação, pelo eleitorado, dos candidatos envolvidos. Com efeito, as pesquisas veiculadas pela televisão, jornais, redes sociais, dentre outros meios de comunicação, relacionadas ao desempenho de cada candidato, afiguram-se como importantes balizadores da opinião pública35.

Atualmente, este veredito é perseguido com afã pelas sondagens de opinião que difundem os meios de informação imediatamente depois da celebração de debates importantes tanto em sede parlamentaria – por exemplo, os debates anuais sobre o (desde 2010). De este modo, los cara a cara obtienen, una vez tras otra, audiencias millonarias en democracias [...] (FERNANDEZ GARCÌA, 2017, p. 11).

34 Tradução nossa do original em espanhol: Por otro lado, este modelo para la argumentación y la persuasión

representa una de las formas de toma de decisiones más destacadas de las sociedades democráticas […] En la actualidad, este veredicto es perseguido con afán por los sondeos de opinión que difunden los médios informativos imediatamente después de la celebración de debates importantes tanto en sede parlamentaria – por ejemplo, los debates anuales sobre el estado de la nación o las mociones de censura o confianza – como electoral (BLAS ARROYO, 2011, p. 43).

35 Em seu estudo acerca da “personalização” nos debates políticos portugueses, Marques (2017) faz as seguintes

considerações no que tange ao papel da mídia: “No que concerne ao género debate político-eleitoral, este é quase privativo da televisão. De facto não tem havido outro lugar institucional para a construção deste tipo de interação que, no entanto, tem lugar central nas grelhas de programação televisivas. O debate é um momento alto da campanha eleitoral” (MARQUES, 2017, p.16).

estado da nação ou as noções de censura ou confiança – como a eleitoral (BLAS ARROYO, 2011, p.43).36

É, sobretudo, mediante o exame dos resultados de cada evento comunicativo que se pode depreender a dimensão dos efeitos de persuasão promovidos pela disputa entre os candidatos: trata-se de observar os efeitos perlocutórios do contrato interlocutório.

A contribuição do discurso político ao que hoje se configura como Idade Mídia (Rubim, 1993) fez-se notar a partir das eleições de 1989, quando assistimos à criação do horário eleitoral gratuito, dos debate televisivos, da pesquisa de intenção de votos, todos a serviço do que se consagrou, no quadro recente das eleições presidenciais, como marketing político. De fato, assistimos a uma frequente tensão não apenas entre os políticos, mas principalmente entre a política e a mídia, passível de ser detectada pela interface com o discurso. Assim, o momento eleitoral apresenta-se como espaço privilegiado para o estudo das atividades linguístico-discursivas, permitindo que se observe como interagem os discursos político e midiático (AQUINO, 2003, p.198).

Ao longo dos anos, os debates têm ganhado espaço na mídia, uma vez que é crescente o interesse do público pelo que alguns autores têm denominado de “espetacularização do dissenso” em interações polêmicas (Brenes Peña, 2008; Blas Arroyo, 2011; Charaudeau, 2016; Marques, 2012; 2017)

Nos tempos atuais da revolução da mídia, a agressão e o conflito tornaram-se uma realidade cada vez mais difundida no discurso político, mesmo em gêneros discursivos nos quais os dois aspectos eram tradicionalmente proibidos. Contudo, esta agressividade alcança uma dimensão essencialmente destacada no debate, uma manifestação clara de discurso agonal na qual o disensso e o enfrentamento entre os protagonistas representam um dos principais sinais de identidade (BLAS ARROYO, 2011, p. 40). 37

No entanto, essa agressividade atinge uma dimensão particularmente proeminente no debate, uma manifestação clara do discurso agonal em que a dissensão e o confronto entre os protagonistas representam um de seus principais sinais de identidade. Nesse sentido, a análise de corpora calcados em relações polêmicas, apresenta-se de suma relevância para uma melhor compreensão, inclusive, de como a sociedade concebe a política, bem como as relações antagônicas entre seus protagonistas e seus desdobramentos em termos de persuasão. Em outras

36Tradução nossa do original em espanhol: En la actualidad, este veredicto es perseguido con afán por los sondeos

de opinión que difunden los medios informativos inmediatamente después de la celebración de debates importantes tanto en sede parlamentaria – por ejemplo, los debates anuales sobre el estado de la nación o las mociones de censura o confianza – como electoral (BLAS ARROYO, 2011, p. 43).

37 Tradução nossa do original em espanhol: En los actuales tiempos de revolución mediática, la agresividad y el

conflito se han convertido en una realidad cada vez más extendida en el discurso político, incluso en géneros discursivos en los que ambos rasgos habían estado tradicionalmente vedados. Con todo, esta agresividad alcanza una dimensión especialmente destacada en el debate, una manifestación clara de discurso agonal en la que la disensión y el enfrentamento entre los protagonistas representan una de sus principales señas de indentidad (BLAS ARROYO, 2011, p. 40).

palavras, a observação do comportamento linguístico-discursivo marcadamente agressivo dos atores do embate eleitoral, assim como das possíveis reações do público, que se apresentam diante desse tipo de enfrentamento, no que tange à assertividade do eleitorado e sua adesão diante de atos de agressão verbal evidencia a recorrência de uma forma bastante específica de violência verbal como instrumento de persuasão: a descortesia institucionalizada (Blas Arroyo, 2011; Culpeper; 1996; 2011).

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