Tendo como pressuposto deste estudo uma base teórica construída, o seu planeamento levou à opção por técnicas de recolha de dados de diferentes naturezas que funcionam em complementaridade (inquérito por questionário, observação e análise de documentos) e à conceção de instrumentos de implementação distintos. Recordemos que, no que diz respeito à técnica de inquérito, utilizámos questionários, um destinado aos alunos e outro aos professores. Relativamente à observação, empregámos uma grelha de observação para as reuniões do conselho de turma e uma lista de verificação para as aulas. Finalmente, quanto à análise de documentos, servimo-nos de grelhas. Os procedimentos de análise foram igualmente selecionados tendo em conta a natureza do
estudo, as questões e objetivos de investigação e os instrumentos de recolha de dados utilizados, de modo a facilitar a construção de significados e interpretações.
Tendo em conta todos os aspetos referidos, a escolha natural recaiu na análise de conteúdo. Segundo Cohen et al. (2008), a análise do material qualitativo envolve recolher material, classificar, ordenar, sintetizar, avaliar e interpretar, estando subjacente a todos esses atos o julgamento pessoal – foram estes os passos seguidos e com certeza não estão isentos de marcas do nosso olhar pessoal.
O primeiro passo para a análise foi uma leitura global de todo o material que “permitiu um contacto intencionalmente analítico com os dados e possibilitou uma primeira inventariação de tendências relevantes, quer através da semelhança, quer do contraste de dados disponíveis. Seguidamente, tendo em conta as questões e os objetivos de investigação, procedeu-se à constituição do “corpus de análise” (Vala, 1986), ou seja, procedeu-se à seleção de dados, uma espécie de “funnelling from the wide to the narrow” 21
(Cohen et al., 2008:462), tendo como orientação os critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência (Bardin, 1995).
Nem todo o material considerado valioso para a investigação reuniu as mesmas características, porque diversas foram as técnicas e os instrumentos de recolha. Assim, houve situações em que as categorias e os indicadores tinham sido definidos aquando da preparação dos instrumentos de recolha e outras que emergiram em resultado do trabalho exploratório sobre o material obtido. As categorias, subcategorias e indicadores referentes aos questionários encontravam-se maioritariamente definidos a priori, pois contêm maioritariamente questões de resposta fechada, contudo os itens de resposta aberta ou que permitiam observações exigiram codificação. Relativamente à observação, também se colocaram os dois cenários, uma vez que a grelha destinada às reuniões do conselho de turma só tinha estabelecidas as categorias e subcategorias, ficando os indicadores por definir, segundo os enunciados recolhidos, porém, a lista de verificação para a observação das aulas dispensou qualquer codificação posterior. Finalmente, a grelha de análise dos documentos (projeto educativo, projeto TEIP, que contém um esboço do projeto curricular de agrupamento, e projeto curricular de turma) envolveu um processo misto, pois as categorias congregadoras da informação estavam delimitadas, mas os indicadores dependeriam do teor desses documentos.
Por uma questão de economia, adotamos a perspetiva de Bardin, que considera que a técnica de análise de conteúdo abrange as situações em que as categorias estão pré-definidas ou não, pelo que serão referidas globalmente as etapas seguidas no tratamento de ambas as situações, particularizando-se os casos em que há divergências.
No caso específico do material empírico que exigiu alguma codificação a
posteriori, o trabalho de análise conduziu à formação e delimitação de indicadores (em
todos os casos, já estavam definidas as categorias e subcategorias) que se agregaram nos grupos gerais (subcategorias e categorias), como numa “espécie de gavetas ou rubricas significativas que permitem a classificação dos elementos de significação constitutivos da mensagem” (Bardin, 1995:37).
No processo de revisão de dados, estiveram envolvidas decisões como a fixação das unidades de registo ou significação. A segmentação dos materiais foi orientada pela busca de núcleos de sentido, tendo-se adotado o tema como unidade de registo (unidade de conteúdo mínima), pois assumiu-se uma leitura interpretativa, e as categorias são do tipo semântico (Bardin, 1995; Vala, 1986). Considerando-se como unidade de contexto a resposta no caso das questões abertas, o parágrafo nos documentos e o tópico ou parágrafo nas grelhas relativas à observação das reuniões do conselho de turma, foi realizada, portanto, uma análise categorial que permitiu a clarificação do material coligido, revelando simultaneamente caminhos para a interpretação.
Os indicadores referentes ao material empírico selecionado, depois de agrupados, foram quantificados, analisados e interpretados, tendo em conta que “a importância de uma unidade de registo aumenta com a frequência de aparição” (Bardin, 1995:109) e pode condicionar na fase de interpretação como medida de importância ou ênfase. No caso dos dados provenientes da observação das reuniões dos conselhos de turma e das aulas, adotou-se o critério de medição de unidades de registo, assinalando- se a frequência e tendo em mente o princípio da exaustividade. No caso da informação proveniente dos documentos, procedeu-se a uma listagem, não havendo necessidade de realizar contagens, dado que os documentos analisados (projetos) têm um cariz sintético. No caso dos questionários, a distribuição de cada resposta, expressa em percentagem, encontra-se acompanhada de gráficos de barras (anexo VIII), de modo a tornar visível a dimensão de cada resposta e a evidenciar a informação mais relevante.
Foram, portanto, adotados procedimentos da estatística descritiva, que, como a designação aponta, simplesmente descreve o que mostram os dados (Trochim, 2006), e
serve de possível instrumento de extração de sentidos. Preparou-se, assim, a validade das conclusões, definida pelo mesmo autor como o seu grau de credibilidade ou verosimilhança e conferida pela razoabilidade das relações estabelecidas entre os dados.