“Nos últimos tempos tem-se vindo a defender que o professor deve assumir um papel dinamizador e de facilitador da aprendizagem do aluno”.
(Ciências Viva, s.d., p. 1)
Ao contrário do que acontecia na pedagogia tradicional passiva, no qual o professor era visto como um transmissor de conhecimentos em que raramente esclarecia ou demonstrava os conceitos teóricos através das atividades práticas experimentais, atualmente, e segundo Miguéns (1999), citado em Valongo (2012, p. 37) “o papel do professor é decisivo na introdução de novas formas de ver e falar sobre os fenómenos científicos, garantindo mais tempo para manipular ideias e focalizar discussões”, isto é, nos tempos de hoje o professor é visto como um orientador e guia da aprendizagem. Em que muitas das vezes estabelece uma negociação com os alunos, entendendo quais as preferências dos mesmos. De modo a justificar a afirmação anteriormente apresentada, verifiquei que os autores Watts & Zofili (1998), citados em Valongo (2012, p. 37) referem que “o professor é visto como um: diretor teatral que dirige o pensamento dos alunos; guia de viagem que acompanha os alunos ao longo do seu percurso escolar; colocador de andaimes, pois fornece estruturas e suporte para a construção de conhecimento; provocador, na medida de que lança desafios aos alunos; negociador, pois age como intermédio entre o conhecimento científico e o aluno; e como mediador, uma vez que dá forma ao conhecimento dos alunos”. Oliveira (1991, p.26) refere ainda, que o professor tem de ter não só “conhecimentos pluridisciplinares actualizados dos assuntos particulares da sua disciplina, mas também de epistemologia, ciência cognitiva, psicologia do desenvolvimento – cognitiva e relacional – e do papel social da sua função” (Oliveira, 1991, p. 26).
No âmbito da Educação em Ciência, o professor desempenha um papel muito importante na transmissão dos seus conhecimentos/conteúdos aos alunos. Para que estes tenham sucesso nas suas aprendizagens, o professor tem de ter o cuidado de selecionar as estratégias “(…) mais adequadas à construção de conhecimentos e ao desenvolvimento de capacidades e atitudes (…)” (Oliveira, 1991, p. 38). O professor, como instrutor das aprendizagens, para além de transmitir os conteúdos e de selecionar as atividades, deve fornecer e disponibilizar materiais de apoio uniformizados para toda a turma. Estes materiais devem ser selecionados tendo por base os conteúdos em estudo. Neste sentido, e tal como referem Vasconcelos & Almeida (2012, p. 23) “o controlo da aprendizagem
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está no professor, realçando-se a passividade dos alunos e uma avaliação centrada apenas na consecução de objectivos cognitivos baseados na replicação dos conteúdos”.
O professor desempenha um papel de tutor e facilitador da aprendizagem, tendo de saber envolver os alunos nas atividades, promovendo o questionamento e motivá-los para a investigação, de forma a desenvolver o pensamento crítico, bem como a capacidade de argumentação na descoberta da solução do problema proposto (Vasconcelos & Almeida, 2012).
Neste mesmo sentido de raciocínio, Bárrios (2001, p. 74) afirma que “(…) o professor é um profissional de desenvolvimento humano, indutor do desenvolvimento integral do aluno; um agente de cultura e de construção do saber; um promotor de auto – construção do seu próprio saber; um promotor de auto – desenvolvimento pessoal e profissional”. O professor deve ter a capacidade de resolver os problemas pedagógicos, deve ser também controlador das aprendizagens do aluno, de forma a estimular a curiosidade e a motivação do aluno. Tal como refere o mesmo autor (2001, p. 75), o professor deve “(...) promover e utilizar recursos e meios de aprendizagem diversificados, clarificar e definir valores e ajudar ao desenvolvimento dos valores próprios dos alunos”. Sabendo que os professores são uma das chaves mais importantes para o sucesso educativo, estes desempenham um papel fundamental no ensino. Assim, cabe aos professores serem responsáveis, motivadores, comunicativos, flexíveis, criativos, sendo capazes de tomar iniciativas, estabelecer boas relações e revelar “(…) espírito (…), de negociação e de organização, querendo aprender sempre” (Oliveira, 2001, p. 81).
No que diz respeito às atividades de ensino das ciências, segundo os autores Minguéns & Serra (2000) citados por Lopes (2010, p. 48), afirmam que “apresentação e exposição das matérias a ensinar, passando inclusive pela descrição ilustrada de experiências práticas que os alunos nunca fizeram”, as atividades experimentais no ensino das ciências permitem aos alunos vivências de situações de aprendizagem no contexto escolar, no qual serão desenvolvidas competências de observar, questionar, investigar, experimentar, comunicar e comparar entre eles os resultados obtidos. As atividades experimentais trazem a oportunidade aos alunos de experimentar/explorar atividades práticas desenvolvendo nos mesmos atitudes de curiosidade, cooperação, espirito de esquipa, responsabilidade, levando-os a futuros cidadãos ativos.
Segundo Hodson & Hodson (1998) citado em Valongo (2012, p. 37) “a forma mais efetiva de aprender ciência é através da investigação sobre a orientação de um profissional qualificado, podendo ser conduzida de acordo com valores e normas da
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comunidade científica. Através da linguagem, o professor pode coordenar a realização das atividades dos vários grupos e debater os conteúdos conceptuais e processuais da investigação”.
Assim, no que diz respeito ao conhecimento científico dos alunos, este podem aprofundar mais as suas aprendizagens através do desenvolvimento de estratégias pedagógicas diferenciadas, para a modificação das atitudes, valores, de saberes e de experiências. Surgem assim, experiências educativas no domínio do conhecimento substantivo, processual e epistemológico, ou seja, o domínio do raciocínio, da comunicação e das atitudes.
Os autores Minguéns & Sara (2000), citados por Lopes (2010, pp. 48 – 49), afirmam que através do trabalho experimental se “exige uma gestão de competências cognitivas de elevado grau aos alunos e uma sólida preparação científica e pedagógica aos professores para que manipulem conceitos e processos científicos” levando os alunos a uma progressão. Pode então dizer-se que é de grande importância implementar este tipo de ensino baseado em atividades de natureza investigativa, uma vez que a participação de alunos com diferentes níveis etários leva a que o professor tenha a capacidade de controlar “os diversos contextos de ensino-aprendizagem” (Lopes, 2010, p. 49).
Pode-se então concluir, que um professor não pode exigir aos alunos determinadas caraterísticas como: pensamento crítico, criatividade e capacidades de resolver problemas, se o próprio professor não as possuir. (Benze &Hodson, 1999, apud Valongo, 2012).
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