LES PRINCIPAUX DÉBATS
U. E.O. On se demande sur quoi se fonde la première partie du
A presente seção traça um breve levantamento histórico de como se deu a formação do campo dos economistas no Brasil a partir dos modelos e movimentos econômicos. Utiliza-se, para tal discussão, estudos de autores como Loureiro (1997; 2006), que trabalha as trajetórias sociais dos economistas dando ênfase às principais escolas; além de Dezalay e Garth (2000); Lebaron (2012); Kluger (2017); dentre outros.
A história dos economistas está atrelada a de outros campos. Dezalay e Garth (2000) lembram que, após a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), os economistas de maior destaque, das primeiras gerações na América Latina, eram formados em Direito e controlavam o ensino de contabilidade. Pode-se dizer que a formação desses profissionais também estava intimamente ligada à política externa entre Brasil e Estados Unidos. Isso porque estes primeiros especialistas tiveram contato com as teorias de gestão, economia e do sistema jurídico dos Estados Unidos (DEZALAY, GARTH, 2000; KLUGER, 2017).
De acordo com Loureiro (2006), o campo dos economistas se formou ao longo da Era Vargas (1930 - 1945) perpassando pela construção do Estado Nacional desenvolvimentista (1930 - 1960). Em outro estudo de Loureiro (1997) acerca do campo dos economistas, pode- se ver uma divisão entre o antes e depois dos anos de 1960. A autora (1997) explica, por exemplo, que o golpe militar de 1964 ocasionou, não somente alterações no sistema político, como também possibilitou a elevação do prestígio e a expansão do mercado de trabalho para os profissionais do campo dos economistas. Estes eram, portanto, as principais elites dirigentes ao lado dos militares. Sobre esse período, Lene (2010) afirma que os economistas passaram a ter espaços que antes eram dedicados aos agentes do campo político e, com isso, foram determinantes nas decisões do governo e, consequentemente, nas discussões midiáticas.
Para explicar a gênese que constitui a formação dos economistas no Brasil, Kluger (2017) a divide em quatros movimentos e um Intermezzo. O primeiro movimento inicia em 1940 e vai até o primeiro governo militar, período no qual se deu a criação de escolas de economia e órgãos públicos com enfoque na gestão econômica. O Intermezzo, no Brasil, se iniciou com a ditadura e se estendeu até 1973. Momento no qual se deu o deslocamento dos economistas, políticos e cientistas sociais contrários ao governo do Chile, país esse que, por meio das suas teorias econômicas, teceria novos laços nos espaços econômicos no Brasil nos anos subsequentes. A autora destaca, por exemplo, nomes que fizeram parte da “primeira onda de brasileiros no Chile” (grifo nosso), como o de Fernando Henrique Cardoso; Ruth Cardoso e José Serra (KLUGER, 2017). O segundo grupo foi formado por Cesar Maia; Darcy Ribeiro; dentre outros.
Kluger (2017) lembra que um dos sinalizadores do processo de consolidação do espaço dos economistas se deu em 1966, com a criação dos primeiros Mestrados e Doutorados no Brasil. Formação essa que, anterior a esse momento, só poderia ser feita em outros países. Com isso, se deu o surgimento do Segundo Movimento. Ele vai do ano supracitado até 1980 e é caracterizado pelo encontro dos economistas que dominavam a gestão econômica no governo militar. Nesse momento, segundo a mesma autora, surge a tendência à matematização da ciência econômica, contrapondo as teorias neoclássicas.
De acordo com Loureiro (1997; 2006), os anos de 1970 foram marcados por uma fase em que os jovens detentores de um poder aquisitivo mais elevado, passaram a cursar graduação em economia. Nesse período, as pós-graduações nessa área também se tornaram espaços privilegiados de gestão em economia para profissionais dos campos da diplomacia, do direito, das engenharias e da própria economia. Os cursos de economia foram
modernizados e os profissionais formados por eles ascenderam a posições de elite no Estado. Nos anos de 1970, esses profissionais se projetaram no governo como dirigentes e assessores (LOUREIRO, 1997).
Sobre o Terceiro Movimento (1979 -1990), Kluger (2017) o caracteriza como um período marcado pelo grupo opositor ao primeiro governo da Nova República e também pela Redemocratização do Brasil, ao unir os que foram exilados aos que permaneceram no país. A autora destaca como principais personagens desse Movimento no campo dos economistas e/ou político nomes como o de Luiz Carlos Bresser Pereira, Eduardo Suplicy, João Sayad, Luís Inácio Lula da Silva, Marta Suplicy e Guido Mantega.
Dos anos de 1980, Loureiro (1997) explica que, no Brasil, houve uma regularidade entre os economistas e muitos tiveram passagens por consultorias de grandes empresas como forma de escalar a gestão política. Loureiro (1997; 2006) afirma que os economistas que formularam os planos de estabilização monetária nos anos de 1980 e 1990 foram formados em universidades como a PUC do Rio de Janeiro; a Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas; no Instituto de economia da Unicamp; e na FEA (Faculdade de Economia e Administração) da Universidade de São Paulo.
O Quarto Movimento, de acordo com Kluger (2017), surge na primeira eleição direta para Presidente, em 1989. Ele perpassa os governos de Fernando Henrique Cardoso (1995- 2002) e de Lula (2003-2010). Durante esse Movimento, FHC atraiu para o seu governo colaboradores da PUC do Rio de Janeiro como Pedro Malan, Gustavo Franco (também trabalhou junto ao governo de Itamar Franco), Armínio Fraga, dentre outros. Estes se juntaram ao núcleo paulista, formado por nomes como o de José Serra e Sérgio Motta (LOUREIRO, 2006; KLUGER, 2017). Esses economistas foram escolhidos porque possuíam, de acordo com Loureiro (1997; 2006), prestigio nas universidades brasileiras e no exterior.
Puliti (2013) afirma que a financiarização dos relatórios econômicos no Brasil nos anos de 1990 tornou os agentes financeiros, consultores, economistas, bancários e operadores de mercado nos principais informantes da mídia.
Durante a formulação e, posteriormente, na implantação, em julho de 1994, do Plano Real (vigente até os dias de hoje), os economistas tiveram total autonomia, já que os políticos não detinham de capacidade técnica e, até mesmo, paradigmas teóricos próprios, para elaborarem e reformarem programas econômicos como esse. Participaram desse processo, economistas da PUC do Rio de Janeiro como Gustavo Franco e Edmar Bacha, e
posteriormente, Pedro Malan. Esses profissionais detinham certo prestígio nas universidades brasileiras e também no exterior (LOUREIRO, 1997).