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define what constitutes a significant change in project scope 6. evaluate transparency and accountability of P3s

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5. define what constitutes a significant change in project scope 6. evaluate transparency and accountability of P3s

Como é comum nas grandes cidades, a distribuição geográfica das atividades urbanas através do tempo, faz que no centro das cidades permaneçam apenas os serviços públicos, comerciais e financeiros. Logo, ao redor do centro, surgem as residências das famílias com melhor renda e, nas periferias, surgem bairros populosos geralmente próximos às indústrias, quando este tipo de atividade tem presença na área.

Os bairros operários surgem como resposta à expansão industrial, formando- se normalmente próximos às indústrias. Esta formação geográfica não é estabelecida por nenhuma lei ou ordem, embora o zoneamento do espaço urbano, efetivado pelo Estado, represente alguma influência. Ela se estabelece pela valorização específica de cada área, e também por outros motivos outros, como a prostituição e até mesmo a violência que se instaura em determinados locais.

Em Criciúma, as pessoas que chegaram em busca de emprego não tinham onde morar, chegando a se abrigar em casas de barro. Mas na década de 40 algumas vilas já se faziam presentes, como a Vila Operária Próspera, construída próxima à boca da mina.

Ainda no início da exploração de carvão em Criciúma, o grupo Lage e Irmãos criou uma vila operária, conforme Ostetto, Costa e Bernardo (2004, p. 105)

O grupo Lage e Irmãos eram mineradores que exploravam carvão em Lauro Muller e Criciúma, então, podemos perceber que em Lauro Muller, em 1917, já havia uma vila operária no modelo capitalista vivenciado na Europa. Modelo que mostra como tudo na “vila operária” pertencia à Companhia Mineradora: casas, farmácia, açougue, armazém.

Portanto, o modelo de vilas operárias introduzido na região carbonífera foi trazido da Europa, com a mineradora concentrando a propriedade sobre as casas e estabelecimentos instalados. Atualmente existem relatos de que todas as compras nos açougues e armazéns eram descontadas do salário do trabalhador, e que no futuro, as famílias tiveram de comprar as casas junto às mineradoras.

As vilas ou bairros operários eram compostos por ruas escuras de pó de carvão, cobrando dos seus moradores uma adaptação ao novo modo de vida. Uma vida de esforço em torno do próprio trabalho, que acabava envolvendo também o local de moradia.

Hoje, existem em Criciúma vários bairros que tiveram a sua origem ligada à mão-de-obra mineira em conjunto com outras atividades, como a construção civil e a cerâmica. Existe uma divisão na formação geográfica das cidades e na localização de determinadas classes, existe também, uma divisão intraclasse, ou seja, mesmo dentro de bairros operários é possível verificar divisões.

O melhor exemplo em Criciúma trata-se do Bairro Pinheirinho, onde se localiza a Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, que é um bairro de origem operária, mas se divide internamente. Este bairro tem diferentes espaços. Um é formado por terreno alagadiço, que sofre com os resquícios piritosos e com a falta de tratamento de água e esgoto. Este espaço se denomina Vila Manaus, onde residem essencialmente operários da indústria cerâmica e da construção civil, que

obtém remuneração baixa e apresentam pouca qualificação profissional.

Logo, no mesmo bairro, se localiza a cidade mineira, espaço que desfruta de local mais elevado e protegido de alagamentos. Os moradores deste espaço são eminentemente mineradores, uma categoria com rendimentos salariais mais elevados, provando que o rendimento salarial define diretamente a qualidade de vida, como conseqüência da localização onde a família reside.

A formação dos bairros operários foi mais intensa nas décadas em que se concentrou o forte crescimento da atividade carbonífera, com a conseqüente migração de força de trabalho para a cidade de Criciúma.

O aspecto habitacional foi um problema para uma indústria que utilizava força de trabalho de diversas regiões. No início do século, estes trabalhadores procuravam morar junto às minas. Era comum que as mineradoras construíssem casas para seus trabalhadores, com exceção dos trabalhadores envolvidos na construção dos ramais ferroviários, que moravam em barracas móveis, devido ao avanço dos trabalhos.

Segundo observam Belolli, Quadros e Guidi (2002, p. 274):

Em 1920, em terras da Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá, foi construída uma vila operária, com 80 casas para os trabalhadores dessa empresa, sobre as minas da Companhia Carbonífera de Urussanga, o jornal “A Imprensa” de Tubarão, de 11 de novembro de 1923, se reportou: “para conforto aos seus operários, tem-se construído uma vila operária, onde se procura cercar o trabalhador do maior conforto possível, instalando-se luz elétrica, água encanada e esgoto. Conta atualmente com 50 habitações, todas de madeira, sendo que a construção de novas casas vai continuando ativamente, estando muito em breve duplicado o número de edifícios. A vila operária apresenta, logo a primeira vista, um aspecto surpreendente”.

Em 1938, no bairro Próspera, havia aproximadamente 100 casas, ocupadas por trabalhadores de mina e da administração, casas bem feitas e pintadas com tinta vermelha obtida do próprio carvão. Na Vila Operária, em terrenos que pertenciam a Companhia Carbonífera Araranguá, havia 49 casas distintas, onde trabalhadores

gozavam de relativo conforto, incluindo luz elétrica.

A construção de vilas operárias foi bastante comum, embora tenha sido um processo temporário. Com o crescimento da cidade, e o surgimento do transporte coletivo, houve um gradativo abandono por parte das mineradoras na questão de buscar habitação aos seus trabalhadores, cabendo aos próprios trabalhadores prover tal espaço.

Logo, no período que compreende o auge da atividade mineradora, é possível verificar, através de pesquisa realizada na década de 80, que a qualidade de vida nos bairros operários era muito ruim.

Nestes bairros operários, formados por trabalhadores da atividade mineira, observa-se na década de 80, a falta de estrutura, como: a) a distribuição de água, não era realizada em 8% das residências e 26% da população considerava regular ou péssima, b) o serviço de esgoto não era oferecido a 65% da população, c) com relação às ruas, 65% destas não tinham qualquer tipo de calçamento, d) a iluminação pública atingia apenas 59% das residências, e) 74% dos moradores reclamavam da inexistência de policiamento nos bairros operários.

O crescimento dos bairros operários ou vilas operárias foi grande, sempre acompanhando a passos largos o crescimento da atividade mineradora, como observa Campos (2001, p. 31):

A população das cidades e das vilas operárias crescia. O comércio crescia, o dinheiro corria, os negócios prosperavam. Era um agito, uma convulsão coletiva. Minas eram abertas em qualquer afloramento, em cada encosta, em cada plano inclinado. Junto às minas, casinhas de madeira de 4mx5m, 5mx5m, 6mx5m, com fileiras de latrinas ao fundo dos lotes. Campos de futebol, clubes, igrejas, canchas de bocha, era um progresso desordenado que acabou por criar e deixar seqüelas que perduram até hoje. Falta de água, nenhum plano de urbanização, falta de energia. Luz, a de lampião de carbureto, usado no fundo das minas com o seu cheiro forte e característico.

O abandono do Estado à indústria carbonífera, fato que tem maior peso pela desaceleração da atividade mineradora, favoreceu o esfriamento da formação de

bairros eminentemente operários em Criciúma. Nos dias atuais constata-se que a formação dos bairros difere gradativamente, tendo um caráter mais genérico e deixando de ser eminentemente operário para abrigar trabalhadores do comércio e prestadores de serviço.

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