3. CONDUCTING THE LEVEL 1 REVIEW
3.7. Data required for the PSA
No plano cultural, podemos tratar da capacidade local de dinamizar uma matriz geradora da identidade territorial. O que passaria pela recuperação da cultura local e de sua reconstrução a partir do projeto coletivo de desenvolvimento (BOISIER, 2005). Afinal, o desenvolvimento endógeno leva em conta as características locais, seja fortalecendo, descobrindo ou fomentando.
Nos planos anteriormente descritos, observamos que o Território da Cidadania do Agreste apresenta algumas limitações. No geral, existem as capacidades, as organizações, os atores, mas falta a associação articulada entre esses elementos. Falta a sinergia necessária para a construção de um projeto coletivo de desenvolvimento condizente com as demandas locais. Neste sentido, buscar uma matriz geradora dessa identidade coletiva, neste plano, pode ampliar as possibilidades de dinamizar o plano político e alinhar a sua dinamização ao plano econômico e ao científico e tecnológico.
Para compreender a dinâmica do desenvolvimento territorial é necessária a compreensão do Território. A delimitação deste local não deve focalizar os limites geográficos, mas as características e densidade relacional, nos aspectos da atividade econômica, cultural, política e outras. É certo que cada município apresenta uma história, cultura e modos de vida diferentes. No entanto, quando da constituição do Território da Cidadania do Agreste, os municípios foram agrupados neste conjunto por possuírem características similares. Deste modo, apesar da diversidade cultural presente em cada município constituinte, importa aqui a capacidade da cultura do lugar para produzir autorreferência, ou seja, identificação da sociedade com seu próprio território (BOISIER, 1996).
Portanto, partimos da compreensão de que os 16 municípios que compõem o Território da Cidadania do Agreste mantêm atividades e/ou interesses comuns a todos eles, que garantem a unidade necessária para a atuação conjunta em busca dos interesses do território. O
compartilhamento destas atividades e/ou interesses faz do território uma realidade particular, devendo os atores cooperar para o fortalecimento das potencialidades do lugar e para a promoção do desenvolvimento a partir de uma perspectiva endógena.
A partir das descrições dos planos anteriores, em que observamos constantemente a presença de organizações, empreendimentos e iniciativas ligados à produção agrícola, e conforme estabelecido no documento do PTDRS,a matriz da identidade cultural do Território da Cidadania do Agreste está fundamentada, principalmente, na agricultura familiar.
Desde o surgimento dos primeiros povoados, as atividades ligadas à agricultura e à pecuária estiveram presentes e impulsionaram o desenvolvimento dessas localidades. Por isso, a identidade territorial está caracterizada por sua história; pela mesma região fisiográfica; pela estrutura minifundiária predominante nos municípios; pela economia baseada na agricultura de subsistência e de mercado e também na pecuária (PTDRS, 2011). Conforme indicado no plano econômico, há uma ampla variedade de atividades agropecuárias na região, indo desde a produção da mandioca até um significativo rebanho de aves e bovinos, distribuídos entre as pequenas propriedades existentes em toda a região.
No que tange à cultura do fumo, é preciso ressaltar que esta foi a grande mola propulsora do desenvolvimento de todo o Agreste, embora a sua produção tenha se concentrado no município de Arapiraca. Foi devido à notoriedade que ganhou a partir dessa cultura que Arapiraca ficou conhecida como a capital alagoana do fumo, quando esta era uma das maiores produtoras de tabaco do país.
A história da cultura do fumo é bastante significativa para a formação da identidade do Território da Cidadania do Agreste, pois esta produção movimentou a economia de todo o entorno do município de Arapiraca e foi o que contribuiu para a consagração deste município enquanto cidade-polo. Apesar da redução significativa da produtividade desta cultura, nos
últimos anos, é preciso ressaltar o seu papel enquanto articuladora entre os municípios da região agreste de Alagoas, e consequentemente para a unidade do Território da Cidadania do Agreste. O que observamos hoje, com a nova conjuntura pós-decadência do fumo, é a expansão de outras atividades agrícolas com as quais o Território se identifica. Assim, nos últimos anos foi notória a expansão da horticultura que originou o chamado “Cinturão Verde” (como ficou conhecida a área de plantio das hortaliças na região do Agreste), que é responsável por mais de 90% do abastecimento de hortaliças em todo o estado de Alagoas. Neste novo cenário, Arapiraca continua sendo representativa, uma vez que responde por mais de 80% dessa produção.
Conforme indicado pelos técnicos do EMATER, não é possível falar em uma substituição da cultura do fumo pela horticultura tendo em vista que o primeiro continua a ser produzido e que o segundo não apresenta rentabilidade semelhante. Ainda assim, essa foi uma das alternativas encontradas pelos próprios agricultores para superar o problema da decadência do fumo e continuar produzindo na região.
Neste sentido, também observamos uma vasta diversidade de produtos agrícolas representativos para a economia local. De modo que não temos hoje uma identidade fundamentada em uma monocultura, como na época em que prevaleceu a cultura do fumo, mas observamos a manutenção do aspecto relativo à própria produção, que é fundamentalmente baseada na agricultura familiar, esta característica é o que se mantém até os dias de hoje. Outro fator que reafirma a identidade territorial é a presença de cadeias produtivas bem delimitadas, que articulam e movimentam um elevado número de agricultores em toda a região em atividades produtivas específicas.
A questão fundamental é que, embora tenhamos verificado em Arapiraca e Palmeira dos Índios uma considerável variedade de atividades de comércio, indústria e serviços, está na agricultura familiar a base de todos os municípios. Essa é a matriz que os envolve para agir
segundo um projeto de desenvolvimento coletivo. Afinal, o desenvolvimento do Território deve estar associado ao perfil e à estrutura do sistema produtivo local (AMARAL, 2001).
Por tudo isso, as articulações entre território, identidade, cultura e mercado permitem a interpretação de um espaço permeado por uma identidade construída socialmente, formando laços de proximidade e interdependência (ANDRADE, 2010). A conexão entre os produtos locais e a cultura local, agregando valores intangíveis, tais como tipicidade, singularidade e identidade territorial, é algo extremamente relevante.
Neste sentido, a matriz da identidade territorial deve fundamentar um projeto coletivo de desenvolvimento, que se articula dentro de um território, por isso denomina-se endógeno, através da organização da sociedade local para o desenvolvimento das potencialidades do território. Afinal, na medida em que se reconhece a identidade territorial, torna-se possível estabelecer parâmetros mais precisos para a atuação nos demais planos da endogeneidade e se reconhecer as verdadeiras demandas que emanam do Território.