3.3 Méthodes analytiques
3.3.1 Détermination des activités 223 Ra et 224 Ra via le RaDeCC
O método de orfandade, seja utilizando a fórmula apresentada em Brass e Hill (1973), seja a de Hill e Trussell (1977), permite estimar de forma simples as probabilidades de morte na idade adulta. A principal vantagem reside na facilidade de obter a informação necessária para aplicar o método, já que basta conhecermos o status de sobrevivência dos pais, a idade do entrevistado (filhos) e a idade média à maternidade.
Não obstante, o método se baseia em uma série de fortes pressupostos que, caso não se confirmem, podem adicionar viés aos resultados, devendo ser analisados com detalhe. Considerando unicamente as estimativas de mortalidade das mães, existem, principalmente, três pressupostos do método que, ao serem violados, gerariam uma diferença entre a mortalidade estimada e a mortalidade real. O primeiro pressuposto é que não existe seletividade como conseqüência da possível relação entre a mortalidade das mães e a dos filhos, e entre a fecundidade e a mortalidade (tanto das mães como a dos filhos). O segundo pressuposto é que os filhos adotivos respondam sobre a sobrevivência das mães naturais e não das mães adotivas. Por último, assume-se que a mortalidade é constante no tempo. Se a mortalidade estivesse caindo, por exemplo, as estimativas de mortalidade não corresponderiam ao nível de mortalidade no momento da entrevista, já que as mães dos indivíduos mais velhos teriam morrido em períodos mais distantes do passado, onde a mortalidade era mais elevada.
Passamos, então, a analisar os possíveis vieses derivados da quebra de cada um desses pressupostos. Em relação ao pressuposto de inexistência de seletividade, há duas relações a
mortalidade adulta estão fortemente correlacionadas com as condições de vida. Sendo que mães e filhos expostos a piores condições de vida, experimentam também maiores taxas de mortalidade. Além disso, uma das causas importantes de mortalidade das mulheres está relacionada com complicações no parto, que também aumentam a probabilidade de morte do recém-nascido. Portanto, há uma maior chance de filhos de mães mortas estarem sub- representados na amostra de entrevistados, o que poderia produzir um erro por falta nas estimativas de mortalidade. Em segundo lugar, deve-se considerar que existe uma relação entre fecundidade e mortalidade das mães que pode provocar vieses nas estimativas de mortalidade em dois sentidos (Palloni et al., 1984). Por um lado, há uma correlação positiva entre fecundidade e mortalidade das mães, o que geraria uma sobre-representação de entrevistados cujas mães estariam mortas na data da pesquisa. Por outro lado, as mulheres que vivem mais estão mais expostas aos riscos de terem filhos e esta correlação negativa entre fecundidade e mortalidade levaria a um viés no sentido contrário. Segundo Palloni et al. (1984), o primeiro efeito de seletividade, isto é entre a mortalidade infantil e a adulta, costuma produzir erros mais significativos. Contudo, a existência desse viés é o que permite que os outros dois vieses derivados da relação entre fecundidade e mortalidade, se mantenham pequenos.
Outro pressuposto do método é a inexistência de adoção. Se essa prática fosse usual no Brasil, a quebra do pressuposto deve afetar principalmente à resposta sobre a sobrevivência das mães dos indivíduos mais jovens, já que seguramente sejam as mães adotivas as que respondem diretamente a pergunta do censo ou pesquisas domiciliares, em vez dos filhos. Entre os filhos adultos, se espera que estes, mesmo e ter sido adotados, respondam a informação de sobrevivência da mãe natural. A substituição de mães adotivas sobreviventes pelas mães naturais que seguramente estão mortas provoca uma subestimação do nível de mortalidade adulta. Porém, esse efeito depende da cultura prevalente em cada população (Palloni et al., 1984). No caso do Brasil, a adoção ainda não é uma prática muito comum e, além disso, é possível reduzir o viés gerado pela quebra deste pressuposto retirando da amostra aqueles indivíduos mais jovens, como por exemplo, os menores de 15 anos de idade (United Nations, 1983; Preston et al., 2001).
O último pressuposto a ser analisado é o de mortalidade constante. Espera-se que este seja o que traga maiores problemas, já que a maioria de populações está experimentando uma persistente diminuição da mortalidade. A queda na mortalidade impede que as probabilidades
de sobrevivência, estimadas a partir do método, possam ser usadas como estimativas da mortalidade corrente. No entanto, já houve avanços no método proposto inicialmente que permitem referenciar no tempo as estimativas de mortalidade a partir da informação sobre a idade do filho. Em outro ponto deste capítulo, se discutirá como essa alocação pode ser realizada.
Por último, há de ser considerado ainda o erro de declaração na idade do entrevistado na pesquisa. Este é um erro que não decorre do método e é incorporado em todas as metodologias que estimam a mortalidade, mesmo que diretamente. Normalmente, no caso de populações da América Latina ou da Ásia, as mulheres tendem a reportar uma idade inferior à real, superestimando a mortalidade (Preston et al., 2001).
O principal problema dos vieses mencionados acima é que dificilmente podem ser estimados. Palloni et al. (1984) fizeram uma estimativa das implicações da quebra dos pressupostos e mostraram que a maioria dos vieses acaba se anulando, à exceção do pressuposto de mortalidade constante, que pode ser solucionado alocando-se as estimativas no tempo. Apesar dos inconvenientes citados, essa técnica continua sendo amplamente utilizada para estimar a mortalidade adulta em países sem disponibilidade de registros civis de boa qualidade. Diversos autores continuam melhorando sua aplicação; e seu uso aparece em novas aplicações, como o cálculo da mortalidade adulta em países com alta proporção de mortes por HIV/AIDS (Timaeus e Nunn, 1997) ou para estimar diferenciais de mortalidade por nível de escolaridade ou categoria de ocupação (Luy, 2009).