2 MATERIEL ET METHODE 2.1 Participants
3. ANALYSE DES RESULTATS
3.6 Les désirs éducatifs de l’interne
A estimativa mundial é que quatro milhões de recém- nascidos morram a cada ano e 250 a cada hora, em sua maioria, devido às causas passíveis de prevenção. Dentre as principais causas desses óbitos, no período neonatal, apontam-se: parto prematuro (28%), infecções graves (26%) e asfixia perinatal (23%). O baixo peso continua sendo uma causa indireta importante (Lawn, Cousens, Zupan, 2005).
A mortalidade neonatal se tornou mais evidente em vários países em desenvolvimento, a partir da década de 90, em grande parte
decorrente da redução das mortes no período pós-neonatal (Simões, 2002) e, também, devido à melhora da notificação em bancos de dados (Mello Jorge et al., 1993; Mello Jorge, Gawryszewski, Latorre, 1997; Almeida et al., 2006; Mello Jorge, Laurenti, Gotlieb, 2007). Mas, há que destacar que grande parte das mortes neonatais está associada às condições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde (Victora, Barros, 2001; Simões, 2002; Barros et al., 2005; Lawn, Cousens, Zupan, 2005; WHO, 2007).
Em 2004, as estimativas de redução da mortalidade neonatal dos países desenvolvidos, identificaram as menores TMN no Japão (3/1.000 NV), seguido da Alemanha (4 a 6/1.000 NV) e dos países nórdicos da Europa (5/1.000 NV) e Estados Unidos (6 a 7/1.000 NV). Ao contrário, nos países africanos encontraram-se as maiores taxas, entre 40 e 60/1.000 NV. Na América Latina foi de 13 a 15/1.000 NV e, especificamente, no Brasil de 15/1.000 NV (WHO, 2007).
A partir da década de 90, também no Brasil, a mortalidade neonatal tornou-se o componente com as maiores taxas, correspondendo à 65% dos óbitos de crianças com menos de um ano de idade (Simões, 2002; Carvalho, Gomes, 2005; WHO, 2007; Ripsa, 2008a; Datasus, 2011).
De acordo com o Ministério da Saúde, em 2004, o número de nascidos vivos, no território nacional, foi de 3.026.548 e os coeficientes de mortalidade neonatal precoce (até sete dias de vida) e tardio (de sete a 27 dias) foram, respectivamente, de 11,5/1.000 NV e 3,5/1.000 NV (Ripsa, 2008a; Datasus, 2011). A manutenção dessas taxas, ao longo dos anos, manteve o Brasil, em 2004, com taxa de mortalidade cinco vezes maior do que a do Japão, que exibe os menores índices de óbitos neonatais do mundo.
Em 2007, ainda que tenha havido redução dos nascimentos para 2.891.328, se comparados com os de 2004, a mortalidade neonatal continuou alta, representando 68% (13,6/1.000 NV) do total de óbitos dos
menores de um ano de idade, sendo 10,4/1.000 NV relacionados ao componente neonatal precoce e, ao neonatal tardio, 3,3/1.000 NV (Ripsa, 2008a; Datasus, 2011). Há que se refletir que o fato da mortalidade neonatal ter-se tornado o principal componente dos óbitos infantis, aproxima o País dos índices dos países desenvolvidos, onde esse componente é também um dos mais expressivos.
Entre 2004 e 2007, os estados brasileiros também apresentaram redução da natalidade, com exceção da região Norte, onde aumentou de 309.136 para 311.813. Quanto à mortalidade neonatal, a região Nordeste apresentou os maiores coeficientes, não obstante tê-los reduzido de 21,2/1.000 NV para 19,8/1.000 NV; seguida da região Norte, de 15,6/1.000 NV para 14,6/1.000 NV; e Centro-Oeste, de 12,4/1.000 NV para 11,1/1.000 NV (Berquó, Cavenaghi, 2006; Santos-Neto et al., 2008; Ripsa, 2008a; Datasus, 2011).
A região Sul apresentou os menores índices de mortalidade desse componente, passando de 10,0/1.000 NV, em 2004, para 8,7/1.000 NV, em 2007, seguida da região Sudeste, que passou de 11,2 para 10,0/1.000 NV. Ambas as regiões também reduziram o número de nascimentos, no mesmo período (Fischer et al., 2007; Ripsa, 2008a; Silveira et al., 2008; Datasus, 2011).
No que se refere aos estados da região Sul, o Rio Grande do Sul, em relação ao Paraná e Santa Catarina, tem apresentado a maior redução tanto do componente neonatal precoce, de 7,2 para 6,0/1.000 NV, como do neonatal tardio, de 2,9 para 2,3/1.000 NV (Santa-Helena, Sousa, Silva, 2005; Barros, Victora, 2008; Jobim, Aerts, 2008; Ripsa, 2008a; Matijasevich et al., 2009; Zanini et al., 2009; Datasus, 2011; Zanini et al., 2011).
Especificamente, o Estado do Paraná também apresentou redução da natalidade de 192.757, em 1997, para 159.636, em 2004
(17,2%); e para 147.554 (23,5%), em 2007, o equivalente à 23,5%, de 1997 a 2007 (Ripsa, 2008a; Datasus, 2011).
Nesses mesmos anos, 1997, 2004 e 2007, o número de óbitos neonatais foi de 2.312 (62,7/1.000 NV), 1.683 (67,9/1.000 NV) e 1.342 (68,8/1.000 NV), respectivamente. Entre os óbitos neonatais, de 68 a 76%, estiveram relacionados ao período neonatal precoce (Ripsa, 2008a; Datasus, 2011).
A mortalidade neonatal no Estado foi de 10,5/1.000 NV, em 2004, mas ainda três vezes maior, se comparada à do Japão (3/1.000 NV) no mesmo ano (WHO, 2007; Ripsa, 2008a). Em 2007, reduziu-se para 9,1/1.000 NV (Datasus, 2011). Cabe referir que, em relação ao ano de 2007, o número de óbitos aumentou ainda mais em 2008, tendo passado para 1.390 (70,3%), predominantemente no componente neonatal precoce (71,3%) (Ripsa, 2008a; Datasus, 2011).
O Paraná é constituído por 399 municípios e 22 Regionais de Saúde. O Município de Londrina está localizado na 17ª Regional de Saúde e, também, tem apresentado índices de óbitos neonatais equivalentes aos do Estado: o número de óbitos foi de 60 (7,3/1.000 NV), 43 (6,0/1.000 NV) e 63 (9,6/1.000 NV), respectivamente nos anos de 1997, 2004 e 2007. As mortes também, predominantemente, ocorreram até o 6º dia de vida, 6,1/1.000 NV (50), 4,8 (34) e 7,5 (49) por mil nascidos vivos, nos mesmos anos. Cabe ressaltar que, em 2008, houve redução dos óbitos neonatais para 53 (8,0/1.000 NV), e neonatais precoces para 37 (5,6/1.000 NV) (Datasus, 2011; Londrina, 2011).
Esses achados não diferem daqueles do Estado do Paraná e dos municípios que, especificamente o compõem, apesar de ser considerada uma das regiões em que os índices são menores aos de outras cidades do País (Mansano et al., 2004; Andrade et al., 2006; Ferrari et al., 2006; Maran, Uchimura, 2008; Nabhan, Oliveira, 2009; Brasil, 2009; Vianna et al., 2010).
Tais dados reforçam a necessidade da presente investigação para conhecer se algumas condições maternas, de nascimento e de uso do serviço municipal de saúde possivelmente levaram essas crianças ao óbito no Município de Londrina, o que pode contribuir para a reorganização do cuidado ao grupo materno-infantil.
No que se refere às condições de vida e saúde materno- infantil, vários estudos tem evidenciado que a mortalidade neonatal está fortemente relacionada às disparidades socioeconômicas, de acesso aos serviços de saúde, além das condições biológicas, como: peso ao nascer, Apgar, idade gestacional, etc. (Simões, 2002; Santa-Helena, Sousa, Silva, 2005; Macinko, Guanais, Souza, 2006; Andrade et al., 2006; Brasil, 2006; Fischer et al., 2007; Pedrosa, Sarinho, Ordonha, 2007; Gastaud, Honer, Cunha, 2008; Ventura et al., 2008; Brasil, 2009; Zanini et al., 2009; Gonçalves, 2010; Kassar, 2010; Lima et al., 2010; Vanderlei et al., 2010; WHO, 2010; Zanini et al., 2011).
Assim, é importante avaliar as políticas de saúde municipais e regionais, no intuito de qualificar a assistência e as respectivas intervenções que são potencializadoras da redução do óbito neonatal como: planejamento familiar, assistência pré-natal, acompanhamento do trabalho de parto e parto humanizado, assistência ao recém-nascido na sala de parto e na unidade neonatal, além do acompanhamento puerperal e rede de apoio dos serviços de referência e contrarreferência materno-infantil (Victora, Barros, 2001; Carvalho, Gomes, 2005; Behrman, Butler, 2007; Barros, Victora, 2008; Carniel et al., 2008; Vidal, 2008).
Para tanto, é necessário que os gestores administrem competentemente os investimentos na área da saúde, com ênfase nos programas antenatais e perinatais e, sem dúvida, na educação permanente dos profissionais que atuam nesses serviços. Muitos dos agravos relacionados à morte neonatal poderiam ser passíveis de prevenção (Victora, Barros, 2001). Estudos mostram que, pouco mais da metade das
mortes neonatais ocorrem no período neonatal precoce, em decorrência de infecções (urinárias e sexualmente transmitidas), diabetes e hipertensão arterial materna não diagnosticadas e não tratadas no momento oportuno, provocando o nascimento de bebês de muito baixo peso e prematuros. Considera-se que o cuidado apropriado apresenta custo-efetivos durante o pré-natal, ao invés de investimentos na tentativa de sobrevivência dessas crianças (WHO, 2007; Vidal, 2008; WHO, 2010).
Portanto, o presente estudo tem a finalidade de identificar os possíveis fatores associados ao óbito neonatal ocorridos no período de 2000 a 2009, no Município de Londrina e, assim, oferecer aos gestores, subsídios para implementar ações de saúde que possam reduzir óbitos advindos de causas que poderiam ser evitadas mediante assistência integral e de qualidade, com ações de prevenção e promoção da saúde materna e infantil, nos diferentes níveis de atenção.