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Démonstration du TVI*

Dans le document UNE INVITATION AUX MATHEMATIQUES (Page 188-200)

Para que as salas de aula sejam de facto inclusivas é indispensável, também, que os professores desenvolvam aí ambientes de interajuda entre os alunos. Interajuda que se operacionaliza através de aprendizagem cooperativa. Segundo Lopes e Silva (2009) trata-se de uma metodologia que permite aos alunos ajudarem-se no processo de aprendizagem, como parceiros entre si (e com o professor) com o objetivo de adquirir conhecimentos. Na ótica de Leitão (2006) é uma metodologia que permite desenvolver relações de colaboração e partilha entre alunos. Parte da premissa que todos os alunos são capazes de se apoiarem mutuamente no processo de aprendizagem. Correia (2003b) afirma que, felizmente, o tipo de abordagens prescrito por esta metodologia tem aumentado bastante nos últimos anos.

A aprendizagem cooperativa não é uma ideia nova em educação, data dos anos trinta do século passado e é um modelo centrado no aluno. No entanto, ainda são poucos os professores que a utilizam regularmente como estratégia na sala de aula (Arends, 1995; Freitas & Freitas, 2003).

Os modelos de ensino centrados nos alunos têm por base as teorias cognitivas e construtivistas da aprendizagem que advogam que o conhecimento é pessoal, social e cultural e que se constrói através da experiência, por isso, incentivam a interação professor/aluno e aluno/aluno na sala de aula. As investigações de Vygotsky deram um grande contributo para estes modelos ao revelaram que a interação/cooperação dos alunos com colegas mais competentes promove o seu desenvolvimento e permiti-lhes fazer novas aprendizagens (Arends, 1995; Lopes & Silva, 2009).

Segundo Arends (1995) neste modelo os alunos são “encorajados e/ou obrigados a trabalhar em conjunto numa tarefa comum e têm de coordenar os seus esforços para concluírem a tarefa” (1995, p. 345). Este método de trabalho é uma estratégia centrada no aluno, na partilha e no trabalho colaborativo em pequenos grupos e que lhe permite desenvolver estratégias de reflexão e de raciocínio (Leitão, 2006; Sanches, 2005).

Booth e Ainscow (2002) advertem que a utilização do potencial de cada aluno como recurso mútuo na sala de aula é uma estratégia poderosa na aprendizagem de todos os alunos. No mesmo sentido, Sanches (2005) afirma que só teremos salas de aula

verdadeiramente inclusivas se nesse espaço físico houver recurso a diferenciação pedagógica inclusiva e explica que:

A diferenciação que inclui será a que parte da diversidade, programando e atuando em função de um grupo heterogéneo com ritmos e estilos de aprendizagem diferente. É aprender no grupo e com o grupo, em situações de verdadeira aprendizagem cooperativa, responsável e responsabilizante. É organizar o espaço e o tempo em função das atividades para as aprendizagens a realizar. É implicar os alunos na construção dos saberes a realizar. É abrir a escola a uma socialização do saber entre professores e alunos (2005, p.133).

Bessa e Fontaine (2002) definem a aprendizagem cooperativa como uma aprendizagem que recorre ao trabalho de pares como recurso crucial do trabalho pedagógico. Pode apresentar três formas: a aprendizagem cooperativa, no sentido restrito, ou seja, pequenos grupos de trabalho com diferentes níveis de competência; a explicação de pares, cabendo a um dos dois elementos a função de tutor, neste caso ao mais competente, e a colaboração entre pares, isto é, dois alunos como mesmo nível de competência que se entreajudam.

Os objetivos da aprendizagem cooperativa são: ajudar a melhorar o potencial de todos os alunos, aceitar a diversidade, respeitar o outro e desenvolver competências sociais (Arend, 1995; Lopes & Silva, 2009; Niza, 2009).

Sanches (2005) considera que a organização do trabalho em pequenos grupos, implicando a co-responsabilização de todos os seus elementos, diversidade de tarefas e de materiais, permite que cada um saiba o que tem de fazer e o que espera que os outros façam. Além disso desenvolve dentro do grupo um clima favorável à aceitação da diversidade e à criação de igualdade de oportunidades para todos. Esta autora afirma que se os vários elementos do grupo assumirem que dependem uns dos outros para o sucesso final, todos se esforçarão para ter um bom desempenho e, consequentemente, isso implicará aprendizagens mais significativas para todos os alunos.

No mesmo sentido, Lopes e Silva (2009) argumentam que a aprendizagem cooperativa se caracteriza pela interdependência positiva entre todos os elementos do grupo porque todos têm de trabalhar em conjunto para atingir os objetivos a que o grupo se propôs. Ou seja, os objetivos só são possíveis com o esforço de todos; pela responsabilidade individual dentro de grupo e dentro do grupo; pelo desenvolvimento das competências sociais consequência da interação aluno/aluno. Além disso, segundo estes autores, desenvolve a aptidão cognitiva e a capacidade de trabalho de todos os envolvidos.

Bessa e Fontaine (2002) e Leitão (2006) entendem que é um trabalho centrado em pequenos grupos, organizados segundo a heterogeneidades de competências dos seus

elementos, apelando à diversidade de atividades, formas e contextos sociais de aprendizagem, tendo como grande objetivo ajudar todos os alunos, de forma ativa, solidária e crítica, a construir/ aprofundar o seu conhecimento e a desenvolver as suas capacidades.

Segundo Correia (2003b) e Sanches (2005) este tipo de aprendizagem tem muitas vantagens, tais como: estimular a cooperação entre alunos, promover a sua autonomia, a sua responsabilidade, modificar as atitudes académicas, melhorar o desempenho escolar, a interação e as competências sociais e permitir ao professor ficar com mais tempo para dar respostas aos alunos que delas têm necessidade e para monitorizar a eficácia da aprendizagem cooperativa.

Freitas e Freitas (2003) advertem que ainda existe grande resistência, por parte das escolas e dos professores, à utilização da aprendizagem cooperativa e que esta metodologia implica uma grande mudança no papel do professor que deverá aprender a gerir a diferença dentro da sala de aula e, como diz Sanches (2005), “ajudar a aprender os mais e os menos capazes” (2005, p.136).

Se a escola quiser ser verdadeiramente inclusiva e ajudar a criar uma sociedade mais justa e democrática tem de recorrer a metodologias ativas que concedam a todos os alunos, com e sem NEE, a oportunidade de fazer, de pensar, de agir coletivamente, de partilhar diferentes perspetivas, de adquirir valores sociais e de ter sucesso educativo e social. Só assim a sociedade terá adultos capazes de exercer a sua cidadania na sua plenitude (Bessa & Fontaine, 2002; Sim-Sim, 2005).

Dans le document UNE INVITATION AUX MATHEMATIQUES (Page 188-200)