Les Teko et les Wayãpi de Guyane face aux musiques contemporaines : attraits et limites de la mondialisation
II. Le rouleau compresseur de la globalisation
2. Démodernisation et réenchantement
Neste subcapítulo pretendemos traçar o mapa das práticas, os gostos e algumas possíveis quimeras que possam existir no (sub)campo da Canção de Coimbra com base
nos pressupostos de Pierre Bourdieu (2004).
Em capítulos anteriores vimos que Pierre Bourdieu (1996, 1999, 2004, 2006) considera o gosto como um esquema de perceção e apreciação das práticas socias, que está diretamente ligado ao conceito de habitus que nos apresentou Bourdieu em capítulos anteriores. Por sua vez, o habitus consiste em disposições que duram ao longo do tempo e que são transponíveis e que concentram experiências passadas e que passam a atuar como mecanismos de perceção, apreciações e ações que permitem superar situações ocorridas dentro do campo (Vargas, 2010).
Neste ponto vamos incidir no conjunto de práticas de consumo efetuadas pelos nossos inquiridos para perceber o que está por trás dos habitus de quem frui da Canção de Coimbra.
No que diz respeito às preferências musicais41, o género mais selecionado para a primeira preferência é o Rock com 24 inquiridos (19% do total da amostra). Seguem-se o Pop e Blues com a mesma percentagem (10,3).
O cultor 3 diz que, por vezes, os membros dos grupos têm projetos musicais para além do grupo de fados, ao caso era “… um miúdo que tem uma banda de Rock, aquele
Rock mais popular.”
O segundo género mais escolhido42 pelos inquiridos foi o Rock, mas, desta vez com uma percentagem mais relevante (25,4% do total da amostra). De seguida temos a música clássica com 12,7% das preferências dos inquiridos. A Canção de Coimbra e a Dance Eletrónica ocupam o terceiro lugar com 10,3% cada do total da amostra.
Por fim, as terceiras preferências43 dos inquiridos recaem sobre o Pop (13,5% do total da amostra). De seguida aparece o Rock (11,9% do total da amostra). Os géneros musicais Alternativa, Heavy Metal, Rap/Hip hop e Canção de Coimbra estão no terceiro lugar com 9,5% do total da amostra.
Relativamente à formação do gosto podemos relacionar com instâncias primárias de socialização como a família que, por regime de fixação habitacional em Coimbra ou de frequência universitária nessa mesma cidade, fomentou a presença de Cd’s e vinil de Canção de Coimbra, em concreto Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira e como nos diz o cultor 1“… já no 12º, 11º e comecei a ouvir a guitarra portuguesa por essa altura,
41 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 42 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 43 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2.
Carlos Paredes.” Facto importante atribuído a Zeca Afonso é que o próprio consumo de
obras de Zeca Afonso modificou o comportamento do entrevistado revelando o grande impacto que música tem sobre o mesmo.
Ainda sobre o gosto, perceções e estilos de vida temos a consideração do cultor 2 que refere que:
“…às vezes, que quem gosta de fado de Coimbra são pessoas muito tristes, muito monótonas e isso não corresponde nada à realidade até pela nossa experiência. Indo mesmo em termos de gosto musical há coisas completamente surpreendentes, por exemplo, o nosso violinista principal, guitarra clássica, neste momento entrou para o grupo de fados a gostar muito de música eletrónica e é algo que é bastante curioso porque não há propriamente uma regra. Eu, por exemplo, se for aos meus gostos pessoais gosto muito de rock dos anos 80 e não me impede de gostar bastante do fado… uma pessoa aprende a gostar na faculdade e, às vezes, fica completamente apaixonado.”
Retiramos daqui a heterogeneidade de gostos musicais e de modos de vida que se desviam de representações erróneas.
O gosto evidenciado pelo entrevistado vai de encontro ao alcançado por evidencia estatística.
Relativamente à influência da música na vida dos inquiridos44 vemos que grande parte dos inquiridos assumem que a musica contribui para o combate ao stress (38,1% do total da amostra). Outro ponto interessante é considerar a música enquanto atividade lúdica. 36 inquiridos (28,6% do total da amostra) responderam que a música atua enquanto componente lúdica na vida dos agentes. A este propósito lembro a entrevista ao cultor 1 que refere alguns consumos ligados ou influenciados pelo género da Canção de Coimbra como leituras sobre o género, visualização de vídeo- entrevistas na plataforma Youtube ou aulas de guitarra. O cultor 4 também que nos disse: “Tive 1 ano de aulas…”. Há um consumo direcionado dos músicos para os bens da Canção de Coimbra.
Ainda na componente lúdica, o cultor 1, corrobora essa ideia enunciando elementos de grupos que estão vinculados a outros tipos de órgãos como sendo académicos, praxísticos ou até mesmo projetos extra faculdade como coral ou outro tipo de vinculações grupais relacionadas com a musica. Neste caso podemos perceber que música está presente em outros domínios da vida para além dos consumos banais de discos. É importante dizer que estas práticas musicais estão ligadas ao contexto de tradições
académicas:
“(em contexto de grupo de fados) …lembro-me de uma noite em que... nessa noite fizemos uma noite praxistica e marcamos que uma música devia ser tocada às horas dos sinais do 25 de Abril. Tivemos esta ideia e eles tinham de estar atentos e correu um bocado mal, mas depois quando essa noite acabou na Carlos Alberto, na praça, em que nós fizemos questão de explicar qual é o significado daquele sítio…”
Relativamente aos meios de divulgação45 percebemos o peso das práticas tradicionais académicas é enorme face aos outros meios. Concentra em si 61,9% do total da amostra. De seguida vem o peso dos amigos, conhecidos ou familiares com 28,6% do total da amostra. Por aqui se percebe que as práticas tradicionais académicas e as relações que concentra indicam o caminho para as manifestações da Canção de Coimbra. Sobre esta intrínseca relação elencamos o cultor quando refere que “…nós para nos juntarmos ao grupo de fados da faculdade de farmácia tem de se fazer parte da praxe.” Para fazer parte do grupo têm de estar vinculados à praxe e participar dos rituais tradicionais académicos.
Sobre os motivos que levaram os inquiridos a assistir46 ao espetáculo deparamos com um reforço das práticas tradicionais académicas (45,2% do total da amostra) como móbil das ações dos agentes. Agrega em si metade da amostra. Aliado ao convívio, que corresponde a 18,3% do total da amostra, compreendem as principais motivações da ida dos inquiridos ao espetáculo.
Com base no quadro 2247 é fácil constatar com as Noites da Canção de Coimbra mais frequentadas. Sendo que o valor modal 1 corresponde a “sim”, percebemos que as principais Noites são as Monumentais Serenatas e as Serenatas de Receção ao Caloiro. Faz sentido alcançarmos estes valores porque a envolvência de instituições como a Camara Municipal do Porto, a Federação Académica do Porto, os órgãos de tradição académica entre outros, faz com que estes eventos paralisem a cidade do Porto e, em termos de divulgação, são utilizadas várias fontes tais como a televisão (a promover o cartaz da queima das fitas), os jornais, as redes sociais, a rádio, entre outros dispositivos.
O quadro 2348 dá-nos informação relevante sobre a importância dos consumos. Neste caso a música e os livros são o principal bem cultural consumido, contudo os outros
45 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 46 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 47 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 48 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2.
tipos de consumo não ficam muito abaixo na escala de importância. Os menos relevantes serão o teatro e museus.
O quadro 2449 apresenta a regularidade dos consumos efetuados pelos inquiridos. Sendo que 1 significa um consumo diário e 4 anual, a música é consumida diariamente, seguindo-lhe os livros e os jornais (semanalmente). Por isto, a música faz parte da vida desta amostra representativa do (sub)campo da Canção de Coimbra.
O quadro 2550 remete para a vontade em assistir a concertos, sendo que 65,9% da amostra procura, realmente, assistir a concertos. A restante percentagem vai no sentido oposto.
No que confere às avaliações do público51 em relação à experiência conseguimos notar dois aspetos que os públicos não ficaram muito satisfeitos que tem que ver com o comportamento do publico e com a divulgação. Tirando estes dois aspetos a avaliação geral é positiva, principalmente se olharmos para o grupo. Como tal a performance é influenciada por fatores externos aos artistas. O próprio público é um fator relevante para a dinâmica que se pretende criar com uma performance Coimbrã.
A distribuição dos inquiridos por tipos de acompanhamento52 revela que a maioria dos inquiridos (81,0% do total da amostra) frequenta os espetáculos acompanhado por amigos. Outro dado curioso é que, logo a seguir, temos o acompanhamento de namorada ou cônjuge com 8,7% do total da amostra o que revela uma faceta romântica nas manifestações da Canção de Coimbra para além da faceta tradicional académica.
Relativamente à distribuição dos inquiridos por preferência temática53 os inquiridos mostraram que preferem a temática existencial e amorosa (47,6% do total da amostra). A segunda grande preferência prende-se com a temática Académica (38,9% do total da amostra).
A distribuição dos inquiridos por preferência de subgénero54 apresenta-nos a supremacia da Serenata com 56,3% do total da amostra. Talvez se explique pela herança ativada ao ouvir a palavra serenata. De menos expressividade estão os subgéneros da Balada (12,7%) e instrumentais (11,1%) com valores pouco acima dos 10% do total da
49 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 50 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 51 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 52 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 53 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2. 54 Consultar os quadros analíticos, no anexo 2.
amostra.