O curso técnico em edificações é um curso que possui tradição no campus Colatina, sendo ofertado desde sua inauguração do campus. Na configuração atual do IFES, o curso possui oferta na forma concomitante/subsequente e integrada, essa última o foco deste estudo. Em sua constituição histórica, o curso de edificações passou por mudanças e reformulações, desde a sua primeira oferta, em 1993, uma das primeiras do campus, quando era denominado Curso Técnico de Edificações. Nesse momento, ainda sob regulamentação da Lei 5.692/71, a matriz curricular, datada de 1993, era composta por disciplinas do ensino médio propedêutico e pelas disciplinas técnicas, com carga horária total de 4.260 horas (DALLA, 2009).
Em 1996, houve a primeira reformulação na matriz curricular, com redução da carga horária total para 1.960 horas (DALLA, 2009). Nessa reformulação, houve redistribuição das cargas horárias entre as disciplinas do ensino médio propedêutico e do técnico e acréscimo de uma disciplina.
Com a reforma da educação profissional implementada no ano de 1997 pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, o Curso Técnico de Edificações passa por uma nova reformulação, dessa vez mais profunda, com o fito de atender aos parâmetros e diretrizes para a educação profissional no período. A matriz curricular foi reorganizada em semestres e, nessa nova matriz, do ano 1999, retiraram-se as
disciplinas do ensino médio, permanecendo apenas as disciplinas técnicas, esse um dos direcionamentos para a Educação Profissional no período: os cursos técnicos não poderiam ter a formação básica e profissional em um mesmo curso, devendo ambas ser cursadas separadas e independentes.
Seguindo esse direcionamento, a carga horária total foi reduzida de 3.960 horas para 1.642 horas, passando a conferir apenas o certificado de técnico. Houve também mudança na nomenclatura, passando a ser denominado de Curso Pós- Médio Técnico de Edificações (DALLA, 2009).
No ano de 2007, após a revogação do Decreto 2.208/97 e aprovação do Decreto 5.154/2004, a qual reorganizava a política de educação profissional possibilitando novamente a oferta de cursos técnicos na forma integrada, ocorreu uma nova reformulação do curso. A matriz curricular passou a ser organizada em 4.320 horas, distribuídas entre as disciplinas do núcleo básico (ensino médio propedêutico), diversificado e profissional. A denominação do curso também foi alterada para Curso Técnico Integrado em Construção Civil (CEFETES, 2007).
Em 2014, uma nova alteração é feita no curso, readequando a matriz curricular, que está vigente até os dias atuais. O curso passou a ter nova nomenclatura, passando a ser denominado Técnico em Edificações Integrado ao Ensino Médio, com carga horária total de 3.790 horas, distribuídas em quatro anos, cursados no período matutino (IFES, 2014b).
7.1.1 Fluxo Escolar do curso técnico em edificações
Possuindo oferta regular no processo seletivo do Instituto Federal do Espírito Santo, o ingresso é realizado anualmente com a disponibilidade de 36 vagas para a forma integrada e 32 vagas para a forma concomitante/subsequente (Tabela 4A). Com esse quantitativo de alunos ingressantes por ano, o curso apresentou, de acordo com os dados da Tabela 4A (em apêndice), no ano de 2015, 254 alunos matriculados. Já no ano de 2010, o curso possuía 288 alunos, evidenciando a constância no quantitativo de alunos ao longo do período de 2010 a 2015, com pequena variação nos anos de 2011 e 2012, quando alcançou 317 e 308 matrículas, respectivamente.
No tocante às transferências e à evasão, o quantitativo para o curso de edificações é pequeno, sendo que o ano em que se teve maior número de transferências foi em 2011, com 13 transferências (Tabela 4A em apêndice). Nos demais anos, o curso registrou quatro transferências em 2010 e em 2013, duas em 2014 e nenhum registro nos anos de 2012 e 2015.
Em relação à evasão, o ano com maior registro foi em 2012, com 19 alunos, e quatro evasões no ano de 2013. Nos anos de 2010, 2011, 2014 e 2015 não houve alunos evadidos (Tabela 4A). No tocante às matrículas canceladas, maior quantitativo foi registrado no ano de 2011, com 22 cancelamentos. Nos demais anos, o curso registrou, de acordo com os dados da Tabela 4A (em apêndice), sete matrículas canceladas em 2010, 18 em 2012, 11 em 2013, oito em 2014 e 18 cancelamentos em 2015.
Em relação à conclusão o curso, possui bom índice de aproveitamento, possuindo 61 alunos concluintes em 2010, 56 concludentes em 2011, 70 em 2012, 67 no ano de 2013, e 44 e 45 alunos finalistas nos anos de 2014 e 2015, respectivamente (Tabela 4A).
No curso técnico integrado em edificações do campus Colatina, o quantitativo de matriculas trancado é pequeno, chegando a oito matrículas em 2011, uma em 2015, duas em 2014, quatro em 2012 e nos demais anos sendo nula. No entanto, conforme já evidenciado anteriormente, um dos aspectos que é preocupante no curso é a reprovação: em 2010 foi de 39 alunos; e, em 2013, 2014 e 2015, registraram-se 32, 33 e 34 reprovações, respectivamente (Tabela 4A).
Em que pese às contradições que norteiam a política de educação profissional e os próprios desafios na materialização do currículo integrado, dentre os quais o número de reprovações apresentado no fluxo escolar do curso técnico em edificações do IFES campus Colatina, o EMI constitui-se como possibilidade de formação que vá de encontro aos anseios da população de Colatina, de uma educação pública de qualidade referenciada, haja vista os dados do fluxo escolar do curso, de baixa evasão e matrículas canceladas, e o alto índice de alunos concluintes, demonstrando que há o interesse por parte do aluno em realizar e concluir o curso.
O Curso Técnico em Edificações do campus Colatina apresenta fluxo escolar que possibilita ao aluno na maioria das vezes o sucesso no ingresso, na permanência e na conclusão do curso. A permanência no curso é indicada pelos baixos percentuais de evasão e desistência, os quais chegam a 3% em 2014 e 7% em 2015. Pode-se inferir, portanto, que a baixa desistência está relacionada com a alta concorrência que os estudantes enfrentam em busca de uma vaga na instituição, que gira em torno de 5 candidatos por vaga nos processos seletivos dos anos de 2010 a 2017 (Tabela 3A).
Os índices de aproveitamento para o ano de 2014 foi de 73%, ou seja, dos alunos que ingressaram em 2011, 73% desses concluíram o curso, tendo em vista que o mesmo é de quatro anos (Tabelas 3A e 4A). Esse índice corrobora o que se afirmou anteriormente acerca do interesse da população e, principalmente, dos jovens em cursar o ensino médio no IFES.
Essa questão vai de encontro com a função social da instituição, pois a mesma representa educação pública e de qualidade na cidade de Colatina e microrregião, aja vista o reduzido número de escolas públicas que possa abarcar a população em idade de cursar o ensino médio na região, o que pode ser evidenciado pelo grande número de candidatos nos processos seletivos para os cursos técnicos integrados, e, nesse caso especificamente, para o curso técnico em edificações (Tabela 3A em apêndice). Nesse direcionamento, a função social da instituição é a de ofertar a última etapa da educação básica a essa população em idade de concluir a educação básica.
7.2 O CURSO TÉCNICO EM EDIFICAÇÕES: MATRIZ CURRICULAR E