l’étude d’impact
5. Définition des principales caractéristiques du projet
“Está comprovado que o uso correto da vegetação urbana representa valores significativos de redução não somente de temperatura [...], mas também da poluição ambiental urbana”. (CUNHA et al., 2006 apud PRESERVAÇÃO, 2001). Este tipo de afirmação também advém de vários outros estudos:
Efetivamente, tem-se demonstrado, através de estudos quantificados, que na paisagem urbana os espaços arborizados podem minimizar muito os impactos ambientais decorrentes do crescimento urbano, melhorando o ambiente químico e físico, moderando o microclima e a temperatura do ar; melhorando a hidrologia urbana e a qualidade do ar; reduzindo o ruído; controlando a erosão; aumentando a biodiversidade, bem como reduzindo as necessidades energéticas de uma cidade. Para além destes efeitos, a arborização urbana pode proporcionar numerosos outros benefícios, como os estéticos, os psicológicos e os socioeconômicos, com reflexos positivos no bem-estar dos cidadãos e no valor do patrimônio imobiliário. (ALMEIDA, 2006, p. 1).
Hofle (2010) mostra estudos que revelam que a presença das árvores nas cidades interfere no lado emocional do homem, podendo promover o sentimento de bem-estar.
Mascaró (2010, p. 194) afirma que “a arborização deve ser feita, sempre que possível, para amenizar os aspectos negativos do entorno urbano, transformando os lugares hostis em bastante hospitaleiros para os usuários”.
Segundo Almeida (2006):
As árvores afetam o clima urbano e controlam a energia utilizada no condicionamento ambiental dos edifícios de forma direta e indireta. De forma direta, sombreando e reduzindo a velocidade do vento, modificando assim a interação entre o edifício e a sua envolvente, ou seja, proporcionando uma redução de temperatura do ar envolvente. De forma indireta, através do arrefecimento derivado da evapotranspiração.
Durante o inverno, a sombra não é desejada em climas temperados e frios, porque irá aumentar as necessidades de aquecimento. No entanto, controlar a velocidade e a direção do vento constitui um benefício no Inverno. Durante o verão, registra-se o contrário, ou seja, o sombreamento contribui para o arrefecimento do ar e, consequentemente, reduz o dispêndio energético do ar condicionado nos edifícios. Através de um planejamento estratégico, será possível maximizar os efeitos positivos para ambas as estações e minimizar os negativos. (ALMEIDA, 2006, p. 55)
Tratando-se de planejamento urbano, deve-se recorrer ao estudo da climatologia, podendo a vegetação, através de uma boa seleção de espécies e da
sua localização, contribuir de modo relevante para o conforto urbano. (ALMEIDA, 2006).
As árvores, bem como outras vegetações junto aos locais edificados, podem baixar a temperatura do ar em torno de 3°C, comparativamente à mesma situação sem tais elementos. (ALMEIDA, 2006).
Observando os benefícios proporcionados pela vegetação, Almeida (2006) destaca que as árvores e os arbustos podem ser utilizados para controlar o movimento do ar, por obstrução, encaminhamento de direção ou desvio, e ainda a qualidade do ar, por filtragem.
Almeida (2006) ainda salienta que as árvores apresentam mais eficiência na redução da velocidade do vento do que as barreiras sólidas, tais como muros e vedações. Também podem ser utilizadas como estratégias para o controle dos efeitos da radiação solar, através do consumo de energia em seus processos fisiológicos, nos quais a energia radiante é utilizada na síntese dos constituintes da planta. Parte da radiação absorvida pela copa das árvores causa um aumento de evapotranspiração pelas folhas.
Freitas (2005) aponta para as possibilidades do uso da vegetação para a resolução de problemas acústicos no espaço urbano. Considera que a vegetação não constitui em si um material isolante, exceto sob a forma de grandes barreiras arborizadas, mas pode contribuir para a amenização do ruído urbano. Enquanto os muros e as paredes das edificações contribuem para a amplificação do som, por reflexão das ondas sonoras, a vegetação contribui para a perda de energia, ao favorecer sucessivas mudanças de trajeto dessas ondas, no interior das copas das árvores. Segundo Almeida (2006), referindo-se também à contribuição das árvores ao desempenho acústico, através das folhas, ramos e troncos, conseguem absorver parte do som, em particular o de elevada frequência ─ o mais incômodo para o homem.
Outra vantagem de uso da vegetação, segundo Almeida (2006), é que desempenha o papel de termorregulador da temperatura do ar, contribuindo também para o aumento do teor de umidade do ar. Em zonas onde os valores de temperatura são elevados no verão, a sombra das árvores é muito importante no espaço exterior. Podem também diminuir a energia consumida nos edifícios, baixando a temperatura dos materiais no verão devido ao sombreamento dos edifícios. A presença de árvores reduz indiretamente a emissão de poluentes
libertados pelos geradores da energia utilizada pelos equipamentos de condicionamento ambiental das habitações e escritórios.
Almeida (2006) ainda destaca que a poluição do ar é frequentemente mais elevada nas cidades, observando que as árvores urbanas desempenham um papel importante na eliminação ou atenuação desta poluição. Refere-se à capacidade das árvores em neutralizar, através de processos químicos, os poluentes instáveis (ozônio, óxidos de azoto e de enxofre) e também capturar poeiras. Comenta que as espécies de folha perene, e em particular as coníferas (uma vez que estas apresentam uma maior área foliar), filtram melhor as poeiras do que as árvores de folha caduca.
Outra característica da vegetação, que contribui positivamente no contexto urbano, valorizando as paisagens, “é oferecer possibilidades compositivas em suas flores, folhas e raízes, e seus frutos, galhos e caules, sejam pelas cores, texturas e formas ou pelos sabores, aromas, sons e movimentos”. A vegetação pode atuar também “como elemento visual para marcar a paisagem e como fator psicológico de segurança e estimulador do encontro social nas áreas urbanas”. (GOUVÊA, 2002, p. 84).
No período mais quente, também se deve considerar o calor intenso. Segundo CUNHA et al. (2005), na região sul do país, em torno de 25% das horas do ano, as pessoas encontram-se em desconforto térmico causado pelo calor. Nesse período, em mais de 90% dessas horas, um bom sistema de ventilação resolveria o problema do calor minimizando os seus efeitos. Cunha et al. (2005) afirma que se tratando principalmente de tipologias de um pavimento, um dos aspectos extremamente importantes no que tange à ventilação, é o tratamento das áreas exteriores. O tratamento objetiva minimizar os efeitos do calor exterior. Diz respeito ao resfriamento do ar exterior a partir da utilização de revestimentos vegetais como também sombreamento da envolvente da edificação em períodos quentes.
De acordo com Cunha et al. (2005), nas orientações leste e oeste, em decorrência dos ângulos de incidência solar serem mais perpendiculares às fachadas, a utilização da vegetação caducifólia passa a ser um excelente sistema de controle da radiação solar. No período de verão, proporciona um sombreamento das esquadrias exteriores como também nos fechamentos verticais e fachadas.
Cunha et al. (2005) ainda ressalta que, em períodos quentes, as áreas abertas podem proporcionar um aquecimento indesejável do ar exterior antes
mesmo deste fluxo penetrar na edificação. Nesse sentido, de acordo com os autores referidos, não é interessante para o morador maximizar a entrada de ar aquecido no exterior pelas superfícies radiantes.
Buscando-se referenciais dirigidos ao contexto de estudo, identificou-se a existência de ações públicas dirigidas ao tema de arborização. O Departamento de Políticas Ambientais (DPA) da Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), pertencente à Prefeitura Municipal de Pelotas, é o órgão responsável para atuar na arborização da cidade. O referido órgão disponibilizou um Guia de Arborização Urbana e uma Cartilha de Conscientização sobre o tema da arborização (http://www.pdmi.com.br/documentos/docs/plano/anexo12.pdf).
Com caráter informativo, a cartilha em questão busca difundir conteúdos referentes à escolha das espécies adequadas ao meio urbano e sua forma de manutenção e conservação. Destaca a importância da escolha dos tipos de árvores a serem plantadas, a fim de evitar problemas de conflitos com a rede elétrica, de água e de esgoto, calçamentos, circulação de pedestres e veículos, muros e construções em geral. Segundo o DPA, deve-se observar o porte da árvore, tipo de copa e raiz, ausência de princípios tóxicos ou alérgicos. Ressalta também a importância de dar preferência às espécies nativas, adaptadas ao habitat regional e adequadas ao local onde serão plantadas.
Em síntese, de acordo com a revisão da literatura, a arborização é analisada como um elemento primordial para a qualidade de vida, oferecendo diferentes benefícios à população.
Entretanto, mesmo tendo-se a comprovação da importância desse elemento na paisagem urbana, a partir de diferentes estudos, deve-se considerar o que Freitas (2005) observa:
“A vegetação é a primeira a ceder espaço à presença humana, através de sua substituição por espaços edificados [...] A substituição da cobertura vegetal pela impermeabilização do solo diminui a qualidade ambiental [...] as transformações no ambiente tornam-se evidentes não apenas para pesquisadores, mas passa também a ser percebida pela população.” (FREITAS, 2005, p. 16).