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Décomposition de Dantzig-Wolfe

Chapitre 3 SYNTHÈSE DU TRAVAIL

3.3 Premier article : aectation d'activités

3.3.2 Décomposition de Dantzig-Wolfe

Com o objetivo de melhor compreender a formação do SEPE em Ca mpo Grande, foi utilizada como metodologia de pesquisa a história oral, de grande valia no sentido de analisar o processo de formação do SEPE, na medida que permite perceber os diferentes olhares das personas com relação ao tema em foco; é, portanto, uma forma de recuperar fatos do passado, conforme a concepção daqueles que o vivenciaram, o que é fundamental para a pesquisa ora realizada.

De acordo com Alberti (2004a, p. 41), a singularidade da história oral liga- se ao fato de ser terreno propício para o estudo da subjetividade e das representações do passado, tomados como dados objetivos, capazes de agir sobre a realidade transformando o presente, com vistas ao fut uro.

particular para recuperar fatos pretéritos conforme a concepção dos que os vivenciaram; sobretudo a entrevista, instrumento específico onde são elaboradas questões de acordo com o assunto em pauta, cujas respostas posteriormente submetidas à análise de modo a permitir ao pesquisador chegar a dadas conclusões, permite recuperar dados jamais registrados em documentos, como ocorrências pouco esclarecidas, experiências e impressões particulares etc. A história oral exerce um grande fascínio tanto sobre o entrevistado, que tem a oportunidade de reviver experiências pretéritas, quanto sobre o entrevistador, ante a possibilidade de encontrar a factual “vivacidade” do passado; o fundamental, nesse contexto, segundoAlberti (2004a, p. 15), é que a abordagem seja efetivamente releva nte para a pretendida investigação.

No caso desse trabalho, as entrevistas assumiram um papel fundamental, porquanto as fontes escritas in/disponíveis sobre a história dessa entidade, em Campo Grande, ora são difusas e/ou fragmentadas.

As entrevistas pautaram-se no particular objetivo de entender como se deu a formação desse sindicato em Campo Grande e, de forma mais geral, a conjuntura da formação do SEPE/Central, em termos das dificuldades encontradas pelo sindicato face a política governamental da época (1979 -contexto da Ditadura Militar), a cassação do sindicato durante o governo de Chagas Freitas, a atuação do sindicato mesmo na ilegalidade, os diversos empecilhos encontrados pelos militantes para que o sindicato fosse regulamentado e pudessem reivindicar realmente os direitos da classe, já que até então existiam apenas três entidades de professores que tinha um cunho mais associativo e recreativo1.

As entrevistas também reforçam e complementam o escrito em livros sobre a “máquina chaguista” e a política na Zona Oeste, como a primeira greve dos profissionais de

1 Na época ( no contexto da ditadura), o funcionalismo público não tinha condição para se organizar em sindicato; logo, tais entidades serem meramente recreativas, sem nenhuma função reivindicatória. Das três entidades existetentes , duas se fundiram ao SEPE e uma não quis se fundir, que é atualmente a UPE.

57 educação; as dificuldades encontradas pelo SEPE, em Campo Grande, para encontrar um espaço para sua sede; o período em que utilizou uma sala, cedida pelo Padre da Igreja Nossa Senhora do Desterro, em Campo Grande; a organização do sindicato para a formação das regionais.

Tais aspectos, considerados relevantes nas entrevistas, serviram de apoio para a elaboração de novas entrevistas com políticos locais e o representante da Igreja Católica na época da formação do SEPE/Regional V (roteiro das entrevistas em anexo).

Respectivamente ao tipo de entrevista, foi utilizada a temática, por versar, especificamente, sobre a participação dos entrevistados na questão da formação do SEPE/Regional V, bem como coletar elementos da história de vida, isto é, da trajetória de vida dos entrevistados, como domicílio, grau instrucional, formação profissional, participação política etc. (roteiro geral da entrevista em anexo).

Nessa conjuntura, a historia oral trará maior compreensão acerca das características de identidade e memória do grupo social e/ou dos elementos entrevistados, na medida que a construção da identidade, segundo Woodward (2000), é tanto simbólica quanto social.

A afirmação das diferentes identidades acarreta causas e conseqüências materiais e de valores2, visíveis no reconhecimento dos direitos conquistados; no caso do sindicato, a identidade é a principal causa da luta e busca por resultados, aqui entendidos como conseqüências.

As identidades são construídas no tempo, ou seja, são produzidas em momentos particulares da história; tal construção depende, também, de certos diferenciais. Por exemplo: a conservação da identidade de um grupo na interação com outros grupos, implica em critérios que determinam o pertencimento; a forma com que um dado grupo age

para dominar e/ou representar um outro grupo é organizada por mecanismo de reconhecimento, como por exemplo, o voto dos filiados de um sindicato delega poderes a chapa vencedora no qual eles votaram e ela será o seu representante, ou seja a palavra da direção do sindicato representa aquele que nele votou.(BARTH,1998).

De acordo com Barth (1998), as identidades são construídas socialmente, na medida que o indivíduo não é absoluto no mundo, assim como as determinações também não são absolutas; no caso do SEPE, a identidade é produto de mecanismos como movimentos sociais, greves, reivindicações, negociações e manifestações .

A respeito da construção do sentido de identidade, Pollak (1992) reitera que identidade é compartilhamento de idéias, valores e sentimentos experimentados individual e/ou grupalmente, cujos elementos constitutivos e respectivas formas de resistência configuram a memória de dado contexto coletivo; quanto à memória, salienta:

A memória é um elemento constituinte de sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si. (op. cit., p. 5)

Logo, a construção da identidade é um fenômeno produzido com relação ao outro, segundo critérios de aceitabilidade, admissibilidade e credibilidade, a partir de negociações e pactos sociais; um confronto entre memória individual e memória coletiva demonstra que memória e identidade são valores surgidos dos conflitos inter/subjetivos, mais particularmente daqueles emanados da oposição entre a diversidade de grupos políticos e /ou culturais.

Portanto, é fundamental a utilização do método de história oral para o estudo ora em foco, visto os dados coletados nas entrevistas permitirem visualizar de forma mais abrangente e real como pessoas e/ou grupos realizaram suas experiências, o que inclui situações de aprendizado e decisões estratégicas.

59 Em linhas mais gerais, de acordo com Alberti (2004b), tais noções remetem ao entendimento de como pessoas e/ou grupos teceram seus experimentos no passado, tornando possível questionar interpretações de determinados acontecimentos e contextos; com efeito, o recurso de história oral com relação à formação do SEPE em Campo Grande, permite que sejam percebidas certas particularidades e demais elementos significativos que ocorreram nessa região.