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Além da apresentação e desta introdução, esta pesquisa possui 5 capítulos.

O capítulo 3 foi elaborado com o propósito de abordar e caracterizar o conflito por meio da teoria sociológica. E o faz por meio da teoria sociológica de Georg Simmel.

Uma leitura mais aprofundada de desse autor me fez perceber que sua teoria é a que mais se adequa ao estudo do conflito no interior das organizações, por entender que o conflito é, sobretudo, uma forma de relacionamento social. Em outras palavras, as pessoas constroem seu mundo social de várias formas, e o conflito é uma dessas formas. Ao me deparar com formas de gerenciamento de pessoas que eram orientadas ao conflito a fim de se aumentar a produtividade, percebi que esse era um caminho seguro a ser seguido.

A partir disso procuro abordar o conflito por meio de sociólogos mais contemporâneos, como Dahrendorf, o qual traz a noção de que é necessário o entendimento da estrutura para se

compreender o conflito. Seguindo essa trajetória me deparo com Coser, que na sua genealogia da tradição sociológica do conflito, aponta que o estudo do conflito permanecia estacionado na mesma situação em que havia sido deixado Simmel, havendo portanto, possibilidade de ser revisto.

Como salienta Coser, a teoria de Simmel não estava completa, e também merecia alguma crítica. Usei o próprio Coser para, digamos, complementá-la, e assim, construir não apenas uma definição de conflito, mas uma analítica do conflito ampla o suficiente para compreender a situação observada. A utilização do termo “analítica do conflito” é, no fundo, uma forma de reconhecer a influência de Michel Foucault em minha forma de pensar as ciências humanas, pois da mesma maneira que Foucault não define poder como uma coisa, mas o analisa de forma muito extensa, tento abordar o conflito organizacional inspirado em sua forma de analisar o poder, de uma maneira ampla, o que torna inadequado defini-lo por meio de uma simples sentença.

No capítulo 0, procuro analisar o ambiente da TI, tanto o local, posto que há trânsito entre profissionais entre as empresas, quanto o global, que afeta a estrutura local das organizações da região de Campinas a partir de eventos que acontecem à distância, em outros países. O objetivo deste capítulo é, como no capítulo anterior, localizar elementos estruturais que possam servir de estímulo a um nível de conflito maior que o por mim experimentado em empresas de outros setores.

Parto de uma sociologia comparada a partir da apresentação da teoria de Gary Herrigel, que tem analisado relações interorganizacionais de forma ampla, mas com ênfase à indústria metal-mecânica. Uso esse autor para entender de maneira genérica como operam as relações entre empresas, para poder comparar com o que observei na indústria da TI.

Feito isso, apresento as indústrias da TI da região de Campinas em que trabalham ou já trabalharam os pesquisados. Conceituo a região e a apresento como um local propício de fluxo de profissionais das áreas de Engenharia, Qualidade e Produção entre várias empresas diferentes. Após isso, procuro demonstrar como eventos que acontecem no exterior afetam o ambiente de trabalho local, incluindo o fechamento de fábricas. Todos esses conjuntos de relações e acontecimentos são capazes de influenciar o nível de estresse no interior das organizações e, também, o conflito.

O capítulo 5 apresenta a etapa de observação da pesquisa. Nele são descritos quatro casos em que foram observados ou relatados conflitos na organização observada. O primeiro caso relata um evento pontual, fora da, digamos, rotina da organização. Um problema em um componente utilizado na fabricação de um bem de consumo da TI apresentou problemas de

fabricação, o que exigiu mudanças no processo de produção, sendo que se observou muito atrito na relação entre as diversas áreas envolvidas. A bem da verdade, se estabeleceu um processo generalizado de conflito.

Os três relatos seguintes tratam de eventos rotineiros e que ocorrem conforme um calendário de reuniões definido, nos quais são observadas situações conflituosas com regularidade. O primeiro deles trata de descrever uma reunião diária da produção. Essa reunião tem por finalidade analisar os resultados do dia anterior da produção e, quando a produção planejada não foi atingida, abre-se uma discussão para apontar as causas e os responsáveis. É o tipo de reunião em que o conflito é rotineiro, pois há situações em que nem sempre é fácil de se identificar o(s) responsável(eis), o que gera discussões e conflito.

O outro relato trata de um evento de periodicidade maior, que é a reunião de aceitação de novo produto. Toda vez em que é lançado um novo produto, após as etapas de piloto e testes iniciais, o produto é formalmente entregue à Produção. Isto significa que, a partir desse momento, este departamento poderá ser responsabilizado por perdas de produtividade que estejam associados a problemas que não foram originados por ele mesmo, mas que foram herdados por não terem sido totalmente resolvidos ou percebidos durante a etapa piloto.

Nessa reunião, as informações do produto são apresentadas, e o grupo tenta decidir se ele pode ou não ser recebido pela Produção. A Produção, por temer ter de lidar com problemas de projeto, procura expor os problemas e tende a não aceitar recebê-lo sob certas circunstâncias. Por outro lado, a Engenharia pode argumentar que o produto já está bom e o problema é operacional e, portanto, de responsabilidade da Produção. Conflito estabelecido.

Por fim, é apresentada uma reunião de validação da avaliação de desempenho anual dos funcionários. Como há limites definidos pela organização que exigem que apenas parte da população seja avaliada como os melhores, e que como recompensa terão direito a receber uma premiação maior ou uma fatia maior na participação dos resultados, cada supervisor ou gerente luta por fazer com que seus subordinados sejam considerados os melhores, mas como todos fazem isso, é uma reunião propícia para o desenvolvimento de situações conflituosas.

O importante dessa etapa é que ela contribui, junto com a pesquisa bibliográfica, na elaboração das perguntas do questionário e que estão relacionadas no Anexo 1.

O capítulo 6 apresenta o resultado das respostas do questionário, e o capítulo a seguir apresenta as conclusões da pesquisa.

Optei por usar nesta introdução e na conclusão a primeira pessoa para apresentar o trabalho. Isso se deve a uma necessidade de me situar na pesquisa, e expor os motivos que a estimularam, além de sintetizar meus esforços na conclusão. Nos demais capítulos procuro me

distanciar, e tento apresentar as informações na forma mais impessoal possível. Por esse motivo, optei por não usar a primeira pessoa do singular nestes capítulos, em um esforço de estar axiologicamente neutro, tanto diante da teoria, quanto da prática. Eventualmente surgirão alguns comentários meus, mas me esforço para torná-los facilmente identificáveis.

— Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em

nutrir-se suficientemente e mo

conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou

— Mas a opinião do exterminado?

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água? Hás de lembrar-te que as bolhas fazem-se e desfazem-se de contínuo, e tudo fica na mesma água. Os indivíduos são essas bolhas transitórias.

— #

— Bolha não tem opinião. Aparentemente, há nada mais contristador que uma dessas terríveis pestes que devastam um ponto do globo? E, todavia, esse suposto mal é um benefício, não só porque elimina os organismos fracos, incapazes de resistência, como porque dá lugar à

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la a milhões de corrompidos e infectos. Nada se perde, tudo é ganho. Repito, as bolhas ficam na água. Vês este livro? É Dom Quixote. Se eu destruir o meu exemplar, não elimino a obra que continua eterna nos exemplares subsistentes e nas edições posteriores. Eterna e bela, belamente eterna, como este mundo divino e supradivino2.

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