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Chapitre 3 Mise en œuvre : Partie I (Informel-structur´ e) 51

3.3 Analyse de l’exp´ erience

3.3.1 Cultures diff´ erentes

O projeto de investigação tem como problemática a ausência, por parte do Ministério da Educação, de um perfil do docente de Formação Musical no curso de Iniciação Musical. O objeto de estudo centra-se na formação do docente de Formação Musical no contexto do 1º ciclo do ensino básico do ensino especializado da música. O problema de investigação foi diagnosticado através da experiência profissional da investigadora, enquanto docente de expressão musical nas escolas do 1º do ensino genérico, enquanto docente de Formação Musical no curso de Iniciação Musical no Conservatório de Música de Barcelos e enquanto mestranda no Mestrado de Ensino da Música. No decorrer da prática profissional, nomeadamente nos concursos às instituições para lecionar nos ensinos supramencionados, claramente se constatou que no ensino genérico é exigida uma formação base na área do 1º CEB com variante em Educação Musical, enquanto que no EAE é exigida a formação base na Formação Musical, não sendo exigida qualquer formação de acordo com o ciclo de ensino para o qual se candidata, que no caso seria o 1º CEB do ensino especializado.

O Perfil do Docente de Formação Musical na Iniciação Musical

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Formação Musical no curso de Iniciação Musical, de acordo com os docentes que lecionam a disciplina da Formação Musical no curso de Iniciação Musical, os diretores das instituições do ensino especializado da música e a análise documental referente ao plano de estudo existente na Formação de Professores de Formação Musical e Educação Musical.

Os benefícios que podem resultar deste trabalho são: (i) sensibilizar os diretores das instituições para a urgência de um perfil docente adequado a cada ciclo de ensino, (ii) reconhecer a importância da formação de docentes de Formação Musical para o curso de Iniciação Musical, (iii) ter conhecimento dos planos de estudo existentes nas universidades, para que os futuros professores possam selecionar, de forma informada e consciente, o mais adequado à sua futura prática.

2.2.1. Questões e objetivos da investigação

Para o estudo do problema diagnosticado, colocaram-se as seguintes questões de investigação:

i) Qual o perfil adequado do professor de Formação Musical para o curso de Iniciação Musical, de acordo com os dos docentes que trabalham neste contexto e os diretores das escolas, atendendo à sua formação base adquirida nas duas áreas (Formação Musical e Educação Musical)?

ii) Quais os planos curriculares existentes nas instituições de ensino superior para o curso de Professores de Formação Musical do 1º ciclo do Ensino Básico?

iii) Quais as áreas de formação que, segundo a literatura e estes profissionais, deverão constar do plano curricular de estudos de um professor de Formação Musical para o curso de Iniciação Musical?

Como refere Kemp (1995) é “importante ter claros os objectivos de investigação” (pág.18). Neste contexto, foram delineados para este estudo os seguintes objetivos:

i) Conhecer os planos de estudo existentes para o curso de Formação de Professores de Formação Musical e Educação Musical;

ii) Identificar o perfil adequado do professor de Formação Musical para o curso de Iniciação Musical de acordo com os docentes que trabalham neste contexto e os diretores das escolas;

iii) Indagar sobre as áreas de formação que deverão constar do plano curricular de estudos de um professor de Formação Musical para o curso de Iniciação Musical.

2.2.2. Seleção da metodologia

Apesar de não existirem fórmulas para saber qual é o método de investigação mais apropriado, sabe-se que a sua seleção deve assentar em três aspetos fundamentais: (i) o tipo de questões de investigação formuladas; (ii) o grau de controlo que o investigador exerce sobre os acontecimentos; (iii) o grau de enfoque na contemporaneidade em contraposição aos acontecimentos históricos (Yin, 2009). De acordo com o problema de investigação diagnosticado e as questões de investigação delineadas, a metodologia que se considerou mais adequada foi o estudo de caso. Optou-se por esta metodologia porque se pretende compreender a natureza do objeto de estudo eleito, ou seja, o perfil do docente de Formação Musical no curso de Iniciação Musical, interpretá-lo e descrevê-lo.

Robert Yin (2005) aponta dois tipos de projetos de estudo de caso: projeto de estudo singular de caso e projeto de casos múltiplos. No projeto de estudo de caso único descreve duas variantes: os projetos holísticos e os que utilizam unidades incorporadas de análise. De uma forma geral, a primeira variante verifica-se quando existe apenas uma única unidade de análise, enquanto a segunda incorpora unidades múltiplas de análise. O projeto de casos múltiplos também se divide nas duas variantes anteriores; no entanto, ambas as vertentes apresentam múltiplos casos.

Robert Stake (2007, 2009) qualifica o estudo de caso em três categorias: (i) intrínseco - quando o caso é dominante, o investigador tem interesse não só por estudar e aprender sobre outros casos, como também por compreender as particularidades de um caso específico; (ii) instrumental - quando o tema é preponderante, o caso é secundário para a compreensão da particularidade do fenómeno, o enfoque do estudo baseia-se na teoria estabelecida; o estudo de caso pode também ser tanto intrínseco como instrumental de acordo com a sua natureza, o que, por vezes, pode dificultar a sua categorização; (iii) coletivo - quando o investigador se dedica à exploração de múltiplos estudos de caso não se trata de um estudo coletivo, mas sim de um estudo intensivo de vários casos.

Partindo desta classificação, o presente trabalho enquadra-se na tipologia de estudo de caso intrínseco, segundo Robert Stake (2007, 2009), ou o estudo singular de caso, como menciona Yin (2009), porque se trata de uma temática em que é o caso que domina e o objetivo

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é ter conhecimento aprofundado de uma situação concreta e única. Deste modo, considerou-se que a metodologia mais adequada seria o estudo de caso de natureza qualitativa.

Na conceção deste trabalho teve-se em conta as cinco características-chave emergentes da revisão da literatura no âmbito do estudo de caso: (i) existência de fronteiras (o investigador deve delimitar o caso de investigação de forma objetiva); (ii) o objeto de estudo deve ser referente a algo com o qual o investigador se identifica, para que a investigação possa ter enfoque; (iii) o investigador deve procurar preservar o carácter único, distinto e complexo do caso; (iv) a investigação deve ocorrer num cenário natural; (v) o investigador deve recorrer a múltiplas fontes de dados e a métodos variados (Coutinho, 2011).

2.2.3. Vantagens e limitações

De acordo com Nisbet e Watt (citado por Cohen, Manion e Morrison, 2007) a opção pelo método de estudo de caso implica vantagens e limitações. No que se refere às vantagens, destacam-se as seguintes: (i) os resultados são facilmente reconhecidos para uma audiência ampliada, uma vez que estão escritos numa linguagem do quotidiano; (ii) são imediatamente inteligíveis, pois falam por si; (iii) captam características únicas que, de outra forma, poderiam perder-se em dados de grande escala; (iv) são fortes no que diz respeito à realidade; (v) possibilita o discernimento noutros casos e situações similares; (vi) pode ser efetuado por um único investigador, sem necessidade de dispor uma equipa completa de investigação; e (vii) pode incluir e construir eventos imprevistos e variáveis não controladas.

Relativamente às limitações destacam-se três: (i) os resultados não podem ser generalizados, salvo quando outros leitores/investigadores conseguem ver a sua aplicação; (ii) não se prestam facilmente à verificação cruzada, podendo ser seletivos, tendenciosos, pessoais e subjetivos; (iii) são propensos a problemas de parcialidade por parte do observador.

Neste projeto, as vantagens centram-se na compressão acessível dos resultados por parte de todos os interlocutores e na observação de uma realidade muito específica que poderá permitir aos seus intervenientes reconhecer os pontos fortes e débeis para futuras intervenções. Relativamente às suas limitações, estas centram-se na impossibilidade de fazer a sua generalização a outras realidades com a mesma temática.