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LE CULTE ET LE REPAS DU SEIGNEUR

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Como já apresentado na revisão teórica desta tese, as chamadas ‘capacidades dinâmicas’ são consideradas distintas das ‘capacidades ordinárias’. As capacidades ordinárias são também denominadas de ‘capacidades operacionais’. É nesse nível que a empresa realiza seus ciclos operacionais, desenvolve as atividades de rotina de modo a existir e se manter (WINTER, 2003).

Teece (2014) diz que o exercício das capacidades ordinárias decorre da combinação de pessoal qualificado; disponibilidade de instalações e equipamentos; processos e rotinas e coordenação administrativa e, podem relacionar-se às tarefas de fácil controle ou de melhores práticas.

As ‘capacidades dinâmicas’ podem ser entendidas como sendo resultado de uma combinação de capacidades, ou que o construto capacidades dinâmicas seria definido a partir de uma hierarquia de capacidades mais simples e suas rotinas (ANDREEVA; CHAIKA, 2006; COLLIS, 1994; WANG; AHMED, 2007; WINTER, 2003).

Collis (1994) define capacidades dinâmicas como sendo desdobramento ou taxa de mudança das capacidades ordinárias. Para Teece (2014), em ambientes que exigem mudanças rápidas e altamente competitivos, é necessário que as empresas habilitem suas capacidades dinâmicas.

Para o desenvolvimento dessa seção, será adotada a hierarquia em que as capacidades ordinárias ocupam nível zero, e as capacidades que promovem mudança no produto, processo de produção, escala ou de mercados, não estão no nível zero, ou seja, já

estariam em níveis superiores, e podem ser consideradas capacidades dinâmicas (TEECE, 2018; WINTER, 2003).

Durante o desenvolvimento da pesquisa de campo, percebeu-se entre os adotantes de sistemas de integração, uma grande heterogeneidade de capacidades dos produtores rurais pesquisados. Muitos produtores adotaram algum tipo de sistema de integração somente no momento em que se sentiram mais seguros e após constatarem o sucesso dos adotantes pioneiros. E, em muitos casos, a adoção somente se deu a partir de forte acompanhamento dos primeiros adotantes, por meio de consultorias externas ou de apoio de extensionistas

Nas anotações do caderno de campo utilizado para complementar as informações obtidas pelos questionários, pôde-se observar que, em muitas propriedades, a implantação do sistema de integração ainda se restringe a uma parte da propriedade e os produtores ainda apresentam muitas dúvidas com relação aos componentes dos sistemas de integração. Muitas vezes a adoção se dá em áreas pouco utilizadas ou até em áreas marginais (que não são adequadas para a lavoura), como em alguns casos de implantação do componente arbóreo.

Como o foco dos estudos desta tese partiu da análise do pecuarista de bovinos, percebeu-se muitos aspectos relacionados com as capacidades operacionais dos mesmos, ou seja, aspectos ligados às atividades de rotina no que tange à preocupação de como a propriedade irá se sustentar. Seguindo as abordagens sobre as hierarquias proposta por Teece (2018) e Winter (2003), pode-se dizer que os produtores rurais tradicionais que trabalham com a pecuária de bovinos, característica de muitos dos não adotantes e, os adotantes de sistemas de integração que estão apenas em estágios iniciais de adoção, em especial alguns adotantes de IPF, podem ser considerados munidos de capacidade de nível zero (Quadro 12), também chamadas de capacidades ordinárias ou capacidades operacionais.

Quadro 12 - Hierarquia de capacidades dos produtores – capacidade ordinária e dinâmica Níveis de

capacidades Tipo Produtor

Capacidade de

nível – 0

Capacidade ordinária ou operacional

(são as que se sustentam por meio de atividades rotineiras em nível operacional)

A maioria dos adotantes IPF e dos não adotantes Capacidade de

nível – 1

Capacidade de primeira ordem

(são as que promoveram melhoramento dinâmico dos processos de negócio)

Poucos adotantes de IPF e a maioria dos adotantes ILP Capacidade de

nível – 2

Capacidade dinâmica

(são as que promovem mudança no produto, processo de produção, escala ou de mercados)

Adotantes pioneiros e influenciadores (adotantes ILP

e IPF)

As semelhanças das características de capacidades entre os não adotantes e os adotantes de IPF vão além das respostas dos questionários, da percepção recolhida durantes as entrevistas, elas também podem ser verificadas na análise de correspondência múltipla (item 5.6), representada na Figura 8, no mapa de correspondência múltipla, no qual os não adotantes e os adotantes de IPF estão do mesmo lado, ficando os adotantes de ILP separados no lado direito.

Outros produtores adotantes de sistemas de integração, principalmente os ILP, que já estão com percentual mais alto de implantação de sistemas de integração, com experiência com lavoura, com adequação em relação a máquinas e equipamentos e com suporte e assessoria externa e, portanto, estão um nível acima dos citados anteriormente, podem ser considerados de capacidade de nível 1. São os que fizeram melhoramento dinâmico no seu processo de negócio, e podem ser considerados munidos de capacidade de primeira ordem.

E por último, os produtores que conseguiram superar as preocupações relacionadas com as atividades de rotinas de manutenção, operação, viabilidade de seus negócios, que estão além apenas dos melhoramentos dinâmicos, são os que podem ser considerados possuidores de capacidades dinâmicas (capacidade de ordem superior). O grupo que mais se aproxima dessas características são o dos adotantes pioneiros, por serem considerados inovadores, ousados, dispostos a arriscar mais, com grande desejo de tentar novas ideias, São os líderes de seus grupos, respeitados por seus pares e representam um modelo a ser seguido. Portanto, os produtores possuidores de capacidades dinâmica (adotantes pioneiros) são capazes de conviver e superar os ambientes que exigem rápidas mudanças, altamente competitivos, de modo que as capacidades possam ser geridas não apenas para assegurar a estratégia organizacional alinhada, antecipar mudanças mercadológicas ou tecnológicas, mas também para ‘garantir transformações nas capacidades ordinárias’.

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