III. THEORETICAL ROADMAP
3.1. The roots of institutional work concept
3.1.2. Criticism of institutional theory and further developments
Relativamente à reflexão na e sobre a acção, o formador/supervisor A referiu ser habitual reflectir com o formando/supervisando em dois momentos: no final da aula e nas sessões conjuntas /sessões de formação em grupo. Explicou que, no final da aula, trocava apenas algumas impressões muito breves, por questões que se prendiam com a disponibilidade, em termos de tempo, de ambos. Referiu ainda ser o formador/supervisor a iniciar esse processo, dando um feedback positivo ao formando sobre o ocorrido em sala de aula. Declarou que, num segundo momento, ou seja, nas sessões conjuntas, iniciava o processo reflexivo colocando questões ao formando/supervisando relacionadas com a sua própria actuação, no sentido de aprofundar a reflexão. O enfoque da mesma recaía, então, sobre o desempenho dos alunos, por considerar que este espelha o sucesso ou insucesso da aula. Acrescentou valorizar igualmente o seu contributo, enquanto formador, neste
Capitulo IV – Resultados
Mestrado em Supervisão 45
processo decorrente de uma visão de observador. O formador/supervisor A sublinhou a importância da reflexão em grupo para a elaboração do portefólio, explicitando ser esta a perspectiva assumida.
Normalmente no final da aula … tento sempre dar de alguma forma um feedback positivo … depois posteriormente faz-se sempre uma interacção … digo então que vamos reflectir um bocadinho sobre a aula …. o que é que acha que correu bem o que é que acha que não correu tão bem [2ªEF/A] [centrando-a nas] intervenções dos alunos que pareçam pertinentes ou impertinentes … [1ªEF/A] quais foram as dificuldades dos meninos se os alunos estão a ter interacções que não são esperadas … [pois] aquilo que o aluno faz quer seja pela positiva quer seja pela negativa é que nos dá a real medida do sucesso ou insucesso da aula não é naquilo que faz o professor [2ªEF/A] e o formador até porque como estando na perspectiva de fora tem mais facilidade em ver … situações que normalmente se apercebe que o professor não se apercebeu ou que não deu tanto realce … [a reflexão] é importante para fazer o portefólio porque isso é visto sempre na perspectiva do portefólio [1ªEF/A]
Referiu ainda, que durante a fase pós-activa tinha em conta os contextos em que as práticas estavam inseridas, por considerar que tal são factores condicionantes do processo de ensino e de aprendizagem. Neste seguimento, pedia ao formando que caracterizasse brevemente a sua turma, no sentido de contextualizar as suas práticas e eventuais condicionalismos.
Sim … o contexto é importante … qual é o ano de escolaridade que estamos a falar se tem vários anos na sala de aula se tem alunos com necessidades educativas especiais todos esses factores condicionam … o resultado da aula [1ªEF/A]
O formador/supervisor B afirmou promover a reflexão com o formando/supervisando em dois momentos: no final da aula e na sessão conjunta. De acordo com as suas declarações, em ambos os casos, era o formador que iniciava a reflexão, com base na estratégia de questionamento. No final da aula, as questões que colocava prendiam-se com o levar o formando a confrontar as suas expectativas com o ocorrido no decurso da aula e a explicitar o porquê de decisões tomadas. Posteriormente, na sessão conjunta, a reflexão tinha como enfoque questionar o formando acerca das suas práticas de sala de aula, enfatizando aspectos didáctico-pedagógicos, de modo a levar o formando a explicitar e a confrontar o que fazia com o que fez e a perspectivar possíveis mudanças a fazer. Neste contexto, disse solicitar a colaboração de todos os formandos do grupo de formação. Acrescentou ainda, que nas reflexões sobre as práticas dos formandos/supervisandos, teve em conta o contexto em que cada turma está inserida, sublinhando que, na sua opinião, a reflexão é um contributo para a elaboração do portefólio.
Capitulo IV – Resultados
No final da aula pergunto se correu como estava à espera se houve coisas que ele gostava de ter feito de forma diferente [e por vezes] porque é que ele seguiu por aquele caminho e não seguiu por outro porque deu mais importância ao que um aluno disse e não deu ao que o outro disse … depois na sessão seguinte … aquilo que eu pergunto … é sobre a parte didáctica a parte pedagógica [1ªEF/B] …o facto de eu trabalhar com professores do 2.º Ciclo em vilas ou com professores do 1.ºCiclo em aldeias muito isoladas tenho isso mais presente essa preocupação [2ªEF/B] … fazer isso até ajuda na elaboração do portefólio … e depois peço a colaboração de outros colegas [1ªEF/B]
Em suma, relativamente à fase pós-activa, o formador/supervisor A declarou instilar à reflexão sobre a acção, sobretudo, num momento, concretamente, a primeira sessão de formação em grupo realizada após o acompanhamento de sala de aula. Tal reflexão incidia nas práticas do formando. Por sua vez, o formador/supervisor B afirmou promover a reflexão em momentos distintos, ocorrendo um deles no final da aula, o qual incidia sobre expectativas e resultados obtidos; o outro acontecia na sessão conjunta e recaía sobre aspectos de natureza didáctico-pedagógica. Ambos os formadores afirmaram serem eles a iniciar a reflexão, sendo que o formador/supervisor A solicitava ao formando/supervisando que falasse da aula, enquanto o formador/supervisor B, recorreu ao questionamento, formulando questões tendentes a levar ao confronto entre o esperado e o ocorrido, bem como, a identificar aspectos a mudar em termos de actuação futura, em sala de aula. Para além dos aspectos enunciados, torna-se pertinente evidenciar que, neste processo, o formador B referiu e sublinhou o contributo dos outros formandos/supervisandos do grupo de formação, no aprofundamento da reflexão, perspectivando-a como um momento de partilha.
Ambos os formadores afirmaram encarar o portefólio como um documento reflexivo, no entanto, atribuíram-lhe significados dissemelhantes. O formador A enunciou que a reflexão faz parte integrante de um documento avaliativo, sendo, por isso, importante e necessária. Por sua vez, o formador/supervisor B, não obstante considerar a reflexão como um elemento do portefólio, perspectivou-a como um momento em que o formando/supervisando estabelece alguns elos de ligação entre práticas passadas e as presentes tomando consciência da necessidade de mudanças a fazer, funcionando, deste modo, como um mote para modificações futuras nas práticas.