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No contexto do acompanhamento de sala de aula o formador/supervisor A afirmou centrar mais a sua atenção na interacção que o professor estabelecia com os alunos, nomeadamente a nível de

Capitulo IV – Resultados

estratégias e da formulação de questões, bem como no modo como eram desenvolvidos os conteúdos da aula. Isto, por considerar tais aspectos como os mais importantes no processo de ensino e de aprendizagem.

A interacção entre o professor e os alunos isto é … qual é a atitude que ele toma se é uma atitude mais de … fazer a pergunta e dar a resposta de imediato se é mais de despertar questões se é orientador … mais nesse sentido na acção que o professor tem na interacção entre o aluno e também … se os conteúdos estão ou não estão a ser desenvolvidos correctamente. ... O mais importante no processo de ensino aprendizagem é a interacção do professor e o aluno as questões que o professor levanta … e as estratégias também que usam … é o fundamental para o ensino aprendizagem [1ªEF/A]

Neste contexto, o formador/supervisor B disse ter centrado mais a sua atenção no desempenho dos alunos e menos no trabalho do professor, por considerar ser esse o objectivo do Programa de Formação.

Nunca no trabalho do professor sempre no desempenho dos alunos … porque eu considero que o meu trabalho é fazer com que os alunos aprendam melhor …. Porque é [este] o objectivo deste Programa [2ªEF/B]

Relativamente ao papel assumido pelo formando/supervisando A nas sessões de acompanhamento de sala de aula, este afirmou tratar-se, sobretudo, de um papel de observador não participante, pois normalmente só intervinha junto do professor ou dos alunos, quando solicitado. O formador/supervisor A acrescentou que por vezes intervinha directamente com o professor, de um modo discreto, quando constatava alguma incorrecção, por parte deste. Admitiu igualmente intervir quando reconhecia a existência de uma tarefa com um potencial de aprendizagem rico, mas que não estava a ser devidamente explorada, por parte do formando/supervisando.

Se a aula for com um carácter mais expositivo sou um mero espectador se a aula for mais de acção … muitas vezes ajudo ou o professor solicita a minha participação ou os alunos se solicitam a minha ajuda … se eu vir uma coisa que esteja mal vou ter uma intervenção com o professor vou ter de chamá-lo à parte e intervir directamente com ele … se eu vir por exemplo que um trabalho tem uma potencialidade extraordinária e que não está a ser aproveitada … peço para dar uma sugestão ou vou ter com o professor e dou uma sugestão [1ªEF/A]

Os resultados obtidos evidenciam ainda que o formador/supervisor A nem sempre recorreu às mesmas estratégias com os formandos/supervisandos nas sessões de acompanhamento, pois a sua

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Mestrado em Supervisão 43

presença em sala de aula, nem sempre fazia despoletar as mesmas reacções por parte dos formandos. A este respeito, explicitou que para alguns formandos, o propósito daquele acompanhamento era o de apoiar, de colaborar, e, para outros, o de avaliar. Assim sendo, afirmou interagir com o formando recorrendo a estratégias que se ajustassem à individualidade de cada um, de modo a estabelecer um ambiente de confiança e de partilha.

Não de maneira nenhuma porque as pessoas todas têm maneiras de ser diferentes têm reacções diferentes … há pessoas … que estão mais intimidadas e estão muito nervosas até pelo facto de terem alguém em sala de aula e eu tento pelo menos deixá-las mais à vontade [1ªEF/A] … tento interagir ... tento mostrar que estou disponível para ajudar [e sobretudo] não assumir uma postura de ficar ali no fim da sala a olhar para eles … com um bloco de notas na mão [2ªEF/A]

O formador/supervisor B, no acompanhamento em sala de aula, afirmou assumir, frequentemente, o papel de observador participante, sendo um parceiro do formando, acompanhando-o, apoiando-o e colaborando no desenvolvimento das actividades da aula. Apenas assumiu um papel de observador não participante aquando da apresentação dos trabalhos, por parte dos alunos. Disse ainda que não assumiu um papel de supervisor, por considerar que tal inibia o formando. A este respeito, declarou que, na sua perspectiva, o papel que assumiu nas sessões de acompanhamento em sala de aula era de acompanhante e não de supervisor.

É precisamente igual ao do professor … sento-me ao pé de um grupo ou circulo entre os grupos vejo quem está mais atrapalhado tal como o professor eu acompanho os grupos eu estimulo os alunos no trabalho portanto eu nessa altura sou um parceiro [1ªEF/B] … eu não faço supervisão porque eles sentem-se muito mais à vontade e o meu papel apaga-se quando depois se passa para a reflexão sobre o trabalho dos alunos [2ªEF/B]

As intervenções do formador/supervisor B, em sala de aula, ocorreram sempre no grupo de alunos, e, pontualmente, no grande grupo, neste caso, no sentido de complementar alguma ideia do professor ou quando constatava que este tinha cometido um erro científico grave.

Se [o professor] tem mais dificuldades eu ajudo intervenho … mas nunca são digamos intervenções para substituir o professor é só para eventualmente complementar uma ideia” [2ªEF/B], … se for assim uma coisa gritante terei que de alguma forma colmatar aquilo mas de uma forma muito discreta [1ªEF/B]

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Em suma, no âmbito da fase interactiva do processo de supervisão, os resultados obtidos evidenciam que o formador/supervisor A centrava a sua atenção no formando/supervisando, mais concretamente na interacção que este estabelecia com os alunos, nas estratégias que usava, em particular na estratégia de questionamento, e no modo como desenvolvia os conteúdos da aula. O formador/supervisor B centrava mais a sua atenção no desempenho dos alunos.

O formador/supervisor A afirmou assumir, sobretudo, um papel de observador não participante; apenas tendendo a ser observador participante quando o formando e/ou os alunos solicitavam a sua colaboração ou ajuda. Ainda neste contexto, declarou que as suas intervenções, eram pontuais, ocorrendo, predominantemente quando o formando cometia algum erro científico, ou quando uma tarefa não estava a ser explorada de acordo com o seu potencial. O formador/supervisor B afirmou assumir, por norma, um papel de observador participante, colaborando com o professor, numa perspectiva de parceria, no desenvolvimento das actividades da aula. Nesta óptica, expôs que as suas intervenções aconteciam, predominantemente, junto dos grupos de alunos, nomeadamente, para os incentivar, questionar e ajudar. Segundo as suas afirmações, apenas tendeu a ser um observador não participante quando os alunos apresentavam os trabalhos desenvolvidos à turma. Ambos referiram que a sua presença em sala de aula tinha um efeito inibidor em alguns formandos, isto por sentirem que estavam a ser avaliados. Mencionaram também usar estratégias diferenciadas, em função da personalidade de cada formando, mas sempre orientadas para o estabelecer de uma relação de trabalho colaborativo, pautada pela abertura e à vontade dos envolvidos.