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Participantes

Os participantes deste estudo foram, na primeira fase, 287 estudantes de cinco escolas duma IESP do Norte de Portugal que, no ano letivo de 2011/12, frequentavam o 1º ano do 1º ciclo de estudos.

Instrumentos e procedimentos de recolha de dados

Para a recolha de dados da primeira fase do estudo foi necessário construir uma ficha sociodemográfica que incluísse questões das quais pretendíamos respostas sobre os estudantes, nosso objeto de estudo. A construção desta ficha de caraterização dos estudantes obedeceu aos procedimentos usuais para a construção de um questionário, embora fosse uma ficha simples com a qual se pretendia principalmente obter informação factual. A ficha sociodemográfica é constituída por cinco grupos de questões. Destas, quatro grupos de questões são questões fechadas, e um grupo com quatro questões abertas. Com as questões fechadas pretende-se avaliar dimensões tais como: género, idade, estado civil, responsabilidades parentais, escolaridade dos pais, regime de ingresso no ES, morada (deslocado, não deslocado) e condição face ao trabalho. As questões abertas pretendem avaliar os motivos e expectativas dos estudantes relativamente à frequência do ensino superior, nomeadamente, as razões que os levaram a frequentar o ES, os motivos de escolha do curso, as expectativas de aprendizagem, as expectativas do impacto do curso nas suas vidas. Esta ficha encontra-se disponível em anexo. Apresenta-se na tabela 4.1 a matriz da ficha sociodemográfica, com as dimensões em avaliação e respetivos objetivos.

Tabela 4.1 Matriz da ficha sociodemográfica

Designação Itens 0bjetivos

Identificação

1.1a 1.5 Pretende-se obter dados de identificação e caracterização tais como: idade, estado civil, género, existência de filhos e escolaridade e profissão dos pais.

Morada 2.1 e 2.2 Tem como objetivo verificar se o estudante reside habitualmente na localidade onde estuda ou se tem que deslocar mais de 50 km para frequentar as aulas.

Atividade laboral 3.1 e 3.2 Pretende-se saber se o estudante apenas estuda, ou se tem um esforço acrescido pelo exercício de uma atividade laboral. Procura-se ainda obter informação relacionada com o exercício dos seus direitos de estudante trabalhador, se for esse o caso.

Regime de ingresso no ensino superior

4.1 a 4.3 Pretende-se saber o tipo de ingresso pois é diferente ter ingressado pelos mais de 23 ou pelo contingente geral. O tipo de ingresso fornece-nos alguma informação sobre o percurso académico do estudante.

Por outro lado um reingresso também pode ser uma fonte de informação importante conforme os motivos que levaram o estudante a interromper os estudos.

Motivos e expetativas 5.1 a 5.3 Pretende saber não só as razões que levaram o estudante a frequentar o ensino superior como também quais as expectativas que tem em relação ao mesmo, bem como sobre o impacto que a frequência do ensino superior pode ter no seu futuro.

Depois de construída a ficha, procedeu-se a uma aplicação piloto a dez estudantes que não participaram no estudo, no sentido de verificar se a mesma era compreensível e se não havia ambiguidades na formulação das questões de resposta aberta.

Procedimentos de recolha de dados

Nesta fase do estudo utilizou-se como instrumentos de recolha de dados, a Ficha sociodemográfica e a Análise Documental das pautas de realização académica.

Uma vez construída e testada a ficha sociodemográfica, desenvolveram-se diligências no sentido de obter autorização das direções das diferentes escolas para contactar os estudantes e proceder à administração da mesma. Conseguida a autorização, contactaram-se os estudantes, solicitando-se a sua colaboração e salientando o carácter voluntário da mesma. Assim, procedeu-se à administração da ficha sociodemográfica no ano letivo de 2011/2012, nas respetivas escolas dos estudantes, tendo participado apenas aqueles se voluntariaram.

Antes da administração da ficha fez-se uma breve explicação dos seus objetivos, informaram-se os estudantes sobre a confidencialidade da mesma, e obteve-se o consentimento informado dos estudantes.

Relativamente à análise documental, foi necessário um pedido prévio de autorização para acesso e análise das pautas de todos os estudantes que ingressaram na referida instituição de ES no ano letivo de 2011/2012.

A análise documental permitiu selecionar os participantes para a segunda fase do estudo, tendo também permitido seguir o percurso académico dos estudantes que ingressaram na instituição em 2011/12.

A partir da análise da ficha sociodemográfica e da análise das pautas, escolheram-se os participantes do segundo estudo. Os participantes selecionados foram casos extremos relativamente ao sucesso académico, de estudantes que ingressaram no ES por diferentes vias de acesso. Assim, escolheram-se estudantes com resultados académicos acima de 17 valores e estudantes com resultados académicos abaixo dos 8 valores.

Procedimentos de Análise de dados

Para análise da ficha sociodemográfica, uma vez que era constituída por questões abertas e por questões fechadas, facilmente quantificáveis, utilizaram-se métodos de análise quantitativa e qualitativa. Assim, recorreu-se ao programa IBM® SPSS® para a análise quantitativa das questões fechadas e ao programa QSR NVivo 10 para a análise de conteúdo qualitativa, das questões abertas.

Na análise de conteúdo das questões abertas começou-se, numa primeira fase, por ler e analisar todos os protocolos, fazendo-se uma leitura “flutuante”

(Bardin, 1997); tentando encontrar os temas emergentes mais comuns, a partir das quais se constituíram categorias. Partindo da organização das questões formuladas definiram-se e analisaram-se as respostas/dimensões. Dentro de cada dimensão em análise organizaram-se categorias que emergiram das respostas dos estudantes.

Na apresentação e análise dos resultados das questões abertas optou-se por apresentar quadros com os números de referências de codificação para cada domínio, as questões abertas da ficha, juntamente com citações de exemplos de respostas dos participantes. Calculou-se também a intensidade de cada categoria seguindo o procedimento adotado por Wao, Dedrick e Ferron (2011). Estes autores calculam a intensidade dum tema ou categoria através da seguinte fórmula:

Theme Intensity = [Number of statements referring to a particular theme/ Total number of statements cited for all themes ] x 100.29

A utilização do cálculo da intensidade das categorias foi utilizada para triangulação da análise, mais do que com um intuito de quantificação, já que o nosso objetivo, para além de uma descrição, é procura de uma melhor compreensão da experiência dos de ES vivenciada pelos participantes.

4.3.2 Fase 2: Um estudo de aprofundamento