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1.3.1.2 Avec la création d’un macro lot « organisme HLM »

Para a análise de dados obtidos, as estratégias a serem adotadas devem ser baseadas em proposições teóricas que abordem um conjunto de questões a serem elaboradas de acordo com a revisão de literatura sobre o tema pesquisado (YIN, 2005). Segundo este mesmo autor, a análise das evidências encontradas nos estudos de caso representa o aspecto mais desafiador desse método, uma vez que é necessário que o pesquisador tenha uma estratégia de análise claramente definida que irá conduzi-lo durante esta etapa do trabalho. Para isso, os dados originados das entrevistas individuais foram examinados com base na análise de conteúdo, que consiste em:

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, através de procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens. (BARDIN, 2010, p. 44).

A análise de conteúdo pode ser utilizada para analisar tanto dados escritos quanto na forma de áudio e/ou vídeo, bem como dados oriundos de experimentos, observações, surveys ou de estudos de dados secundários. Richardson (2009) aponta que tal técnica apresenta três características metodológicas: objetividade, sistematização e inferência. A objetividade diz respeito à definição clara das regras e procedimentos utilizados para cada etapa da análise de conteúdo. A sistematização, por sua vez, envolve a análise e categorização de todo o material disponível sobre o que está sendo pesquisado, tanto congruente quanto incongruente com as proposições que o pesquisador está avaliando. Já a inferência decorre da aceitação de uma proposição em virtude de sua relação com outras proposições anteriormente analisadas e tidas como verdadeiras. Em suma, partindo-se da questão “quem diz o que, a quem, como e com

que efeito?” (RICHARDSON, 2009, p. 225), procura-se analisar as características do texto de

maneira isenta, apartada da influência de julgamento do emissor, verificando as causas e antecedentes que preconizaram as condições de sua produção a fim de obter os efeitos da comunicação para estabelecer a influência social da mensagem.

Segundo BARDIN (2010), a análise de conteúdo se organiza em três fases:

1) Pré-análise: consiste na organização do material propriamente dita, sistematizando ideias iniciais que balizarão sua análise. Envolve a escolha das fontes que servirão para a constituição de um corpus a ser analisado, considerando os critérios de exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência com relação ao que está sendo estudado;

2) Exploração do material: envolve a aplicação sistemática do que foi estabelecido na fase anterior, com vistas à classificação do conteúdo reunido;

3) Tratamento, síntese dos resultados obtidos e sua posterior interpretação, com base nos objetivos anteriormente formulados para a pesquisa.

Para o presente estudo, foi empregada a técnica de análise de conteúdo por categorização temática. Fazer uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo visado. Ela se baseia em um processo criterioso que visa desmembrar o texto em unidades (categorias) de forma a classificar elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação, reagrupando-os analogicamente (BARDIN, 2010). Segundo a autora, as categorias reúnem grupos de elementos que são denominados de unidade de registro, dando- lhes um título genérico que representa a ideia classificatória, ou seja, uma categoria semântica (significado temático).

Assim, embora nos estudos de caso não exista um esquema rígido de análise e interpretação (GIL, 2007), a análise dos dados coletados através das respostas provindas dos instrumentos de coleta empregados (vide APÊNDICE E - Roteiro de Entrevista e APÊNDICE F - Roteiro de Entrevista – Demais Participantes) observou diferentes fases. Primeiro, os dados foram triados e organizados por cada caso. Após, todas as entrevistas gravadas foram transcritas de forma a propiciar a análise e identificação das particularidades de cada caso, bem como de seu conteúdo. A seguir, procedeu-se à análise categorial de acordo com os temas estabelecidos, de modo a gerar a codificação do material coletado. Segundo Yin (2005), nessa etapa é possível examinar, categorizar, classificar os dados ou, se necessário, recombinar as evidências obtidas visando às proposições iniciais do estudo. Inicialmente, analisou-se o conteúdo proveniente das entrevistas realizadas com os principais executivos das empresas adquiridas estudadas. Na sequência, fez-se o mesmo com o que foi obtido nas entrevistas secundárias com outros informantes envolvidos em cada processo decisório estudado, além dos dados oriundos de documentos fornecidos pelas empresas pesquisadas, quando possível. Tal procedimento visava propiciar as condições para a triangulação dos dados angariados a fim de obter a validade interna da pesquisa. Por fim, foi realizada a inferência e a interpretação dos dados analisados para se estabelecer as conclusões do estudo.

Como forma de se obter a validade de construto, foi estabelecido um encadeamento lógico das evidências obtidas com as coletas de dados, como propõe Yin (2005). A finalidade de tal cuidado visou aumentar a confiabilidade dos estudos de casos, além de permitir que uma pessoa possa seguir as origens de cada evidência, desde a questão inicial da pesquisa até as últimas conclusões do estudo de caso (DUBÉ e PARE, apud OLIVEIRA et al, 2006). Neste sentido, as informações provenientes de cada sumário de estudo de caso, anteriormente referenciados no item 3.5.1 deste trabalho, permitiram apresentar citações que evidenciassem aspectos relevantes de cada situação.

Depois de realizada a análise individual dos casos, foi feita sua análise comparativa para identificar evidências comuns e padrões (EISENHARDT, 1989b). Assim, os dados foram compilados e consolidados, estabelecendo uma análise comparativa dos pontos comuns e complementares encontrados em cada estudo de caso. Para possibilitar uma interpretação mais apurada, todos os resultados foram relacionados com o que foi apresentado pelos autores no referencial teórico. Desta feita, tais análises permitiram estabelecer um panorama comparativo que possibilitou avaliar a forma como ocorreram tais processos decisórios

estratégicos no âmbito de empresas de Serviços e Tecnologia da Informação gaúchas, quando envolvidas em operações de combinação empresarial.