CAPÍTULO DOS
2.3 El desarrollo de las emociones en la infancia
2.3.1 Corrientes en el estudio del desarrollo emocional en la infancia
DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA.
Introdução
O propósito aqui é caracterizar e descrever aos extratos de textos das Estratégias, como discursos que tem o efeito de estabelecerem a Educação
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Financeira, tal como se manifesta, como tarefa do professor de Matemática. Ao menos é esta a perspectiva que a análise documental permititu captar, por exemplo, no imaginário do legislador brasileiro. E que também esteve presente em iniciativas sobre o tema, em alguns países.
As asserções que definimos como “legais” tem como dissemos o propósito de constituírem o marco legal para introdução da Educação Financeira nos Sistemas escolares, mas nos documentos aqui em exame, serviram também para constituir o imaginário referido anteriormente.
Antes de prosseguirmos achamos apropriado tentar descrevermos ainda que preliminarmente, o que estamos pensando quando falamos em imaginário. Não se trata de defesa de uma ou outra posição acerca do tema e sim de retratar uma perspectiva que nos coloque, e também ao leitor, em movimento reflexivo. Destacamos assim algumas considerações extraídas do texto: O Imaginário na relação pedagógica114 , que se seguem:
“Imaginar é evocar seres, colocá-los em determinada situação, fazê-los viver como se quer. É criar um mundo a seu bel-prazer, libertando-se. Tudo é possível. Tudo acontece.”
“Na vida cotidiana, imaginar é uma atividade paralela à ação que exercemos, ligada à realidade. A imaginação é um processo . O imaginário é seu produto.”
“o imaginário está povoado de representações simbólicas do real. Eis porque cada um de nós se encontra perto dos mitos, onde é encontrado o drama do homem, de sua condição de homem, envolvido pelo que o assedia no mundo, presa de suas pulsões e de suas angústias.”
“imaginar é uma atividade de reconstrução, até de transformação do real, em função dos significados que damos aos acontecimentos ou das representações interiores que eles tem em nós. Não é afastar-se em relação ao mundo real; é seguir ao mesmo tempo uma via paralela.”
Para Postic (1993) ainda,
“o imaginário age como exorcismo dos efeitos maléficos do real sobre a pessoa, e como valorização dos efeitos benéficos, a fim de garantir-lhe a coerência interna. Eu não me desligo do real. Ele caminha em mim por vias secretas. Tal acontecimento, tal pessoa encontrada, suscita ressonâncias;
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Postic, Marcel. O imaginário na relação pedagógica; tradução, Estela dos Santos Abreu. _Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993.
por associação, desperta em mim imagens. O desencadeamento da atividade imaginária é provocado por encontros emocionais entre o real e mim mesmo.” (POSTIC, 1993, p.13-14).
A considerar apenas que talvez seja difícil estabelecer real e imaginário como que a compor mundos paralelos dado que a relação que se estabelece entre eles é por demais intrincada e complexa. Porque, o que é o real se não também uma construção social que por sua vez recorre a um imaginário?
Ou seja, a representação da verdade e a verdade têm ambas o mesmo estatuto, referen-se a uma posição perspectiva particular.
A partir dessas considerações podemos dizer que o imaginário é para nós um “lugar” que se compõe a partir de valores sócio-culturais produzidos por um dado grupo social, comunidade ou indivíduo que serve de referência para condutas e comportamentos. Não representa, no entanto, uma forma racionalizada de produzir condutas, práticas ou discursivas, embora essa seja uma força constante dentro de cada grupo sócio-cultural. Ele (imaginário) é acessado de forma ininterrupta e por uma indexação entre, de um lado a imagem e/ou enunciado e de outro a representação discursiva que fazemos do enunciado ou da imagem.
O mundo real se constitui dialeticamente a partir também das representações que dele fazemos a partir do imaginário.
Não quero conceber, no entanto, o imaginário como algo distante do real. Ele pode ser considerado como uma dimensão do real nos mesmos termos em que o discurso é uma dimensão da prática social.
Quando da análise de algumas115 Estratégias de Educação Financeira vemos que a forma estabelecida para o trato desta temática nos sistemas escolares variou bastante. Entretanto, percebe-se que a perspectiva de apresentá-la como
responsabilidade do professor de matemática, não foi prática isolada.
Identificamos esta tendência a partir de SAITO (2011), que a descreve como iniciativa: na Inglaterra, em que “a Educação em Finanças Pessoais não possui status de disciplina regular, mas tem os seus conceitos transmitidos em cursos de
Matemática”; na Nova Zelândia “a Educação em finanças pessoais não é
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Neste trabalho de pesquisa documental olhamos apenas pra as Estratégias do Brasil, Portugal e Espanha.
obrigatória nos currículos escolares, mas, em algumas unidades de ensino, é inserida como tema de disciplinas como Matemática, Estudos Sociais, Saúde e Bem-estar.”Feslier(apud SAITO,2011).
No caso brasileiro o trajeto que conduz da proposição inicial da Educação Financeira até sua concretização curricular como tema transversal indica a presença de sua vinculação ao professor de matemática.
Discorremos sobre o que chamamos de PLEF afirmando constituir-se de um conjunto de asserções que pretendiam legitimar a Educação Financeira. Assim podemos dizer que as asserções consistem-se num conjunto de afirmações, não des-intencionadas, sobre a necessidade que os indivíduos dominem, na modernidade líquida, competências que lhes permitam dentre outras coisas, utilizar “melhor” produtos financeiros, transformando-se, em melhores consumidores.
São as asserções legais que pretendem constituir o marco legal que possibilitaria a inserção curricular da Educação Financeira no sistema escolar brasileiro. São exemplos dessas asserções os projetos de leis decretos pareceres e resoluções como: Projeto de Lei nº 3401 de 2004116;
Asserção Legal - extrato de documento (1)
De autoria do então deputado Lobe Neto (PSDB) tem formato inicial que optava pela introdução desta temática como disciplina específica. No percurso
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A fonte para este e todos os documentos, numerados de (1) à (6) é http://www.senado.gov.br/, consultado em 28 de maio de 2012.
legislativo, dá entrada no Senado Federal sob o nº 171 como indica documento abaixo.
Asserção Legal – extrato de documento (2)
Constitui-se no Senado como mais uma asserção, agora modificada para sua aceitação. Como indica, a orientação passa a ser a instituição da Educação
Financeira como parte do currículo de Matemática. Contribui dessa forma a
constituição de um imaginário, composto pelas asserções legais, que tem o efeito de vincular a Educação financeira à figura do professor de Matemática.
Passo seguinte essa asserção passa a comportar o formato final, de tema transversal como indicaram os documentos abaixo:
Trata-se de parecer da Comissão de Educação do Senado. Nas justificativas destacamos o trecho, que também se constitui em asserção legal, que se segue, dividida em três quadros:
Asserção Legal – Documento (5)
Nota-se que o legislador em seu parecer reforça o imaginário a que nos referimos, ao enfatizar a necessidade de “atenção especial” do tema da
educação Financeira pela “tradicional disciplina Matemática” (deve ser tarefa
especial delegada a professores de matemática).
A aprovação com apresentação de emendas, junto à indicação de trato da Educação Financeira como tema transversal dá ao projeto inicial o formato indicado abaixo:
Em movimento seguinte o projeto, então com indicação pela abordagem do tema da Educação financeira como transversal, vai à Comissão de Direitos Humanos (CDH) e, por conta de requerimento que sugeria a tramitação deste, em conjunto a outros projetos que, igualmente versavam sobre “a inclusão de temas diversos nos currículos escolares.”, obriga a manifestação desta Comissão nos termos em que expõe o documento seguinte.
Até o momento de nossa pesquisa documental esse era o último movimento do projeto que ao que sugere aguarda parecer da Comissão de Educação. Chamamos a atenção para a indicação final dessa asserção que acena para a necessidade de que os temas, que se inclui a Educação Financeira, “sejam
Essas asserções, aqui analisadas, ocorrem dentro do que estamos chamando de Processo de Legitimação de Educação Financeira e podem ser percebidas como eventos discursivos constituintes da prática social, escolar, da Educação Financeira.
Comportam, portanto, uma orientação ideológica que já identificamos com o neoliberalismo que se constitui numa “superestrutura ideológica que acompanha uma transformação histórica do capitalismo moderno.”, Therborn (1995). Essa superestrutura ideológica sustenta visões e práticas políticas que dentre outras coisas possibilitam, no tema em exame, a emergência da necessidade de que os indivíduos precisem se educar financeiramente.
Diante do exposto as prescrições curriculares das propostas de Educação Financeiras analisadas nesta pesquisa, revestem-se de ares de estratégias.
Para Josgrilberg (2005, p.110) estratégias no sentido posto por De Certeau são “operações ligadas diretamente a um poder e que tem por objetivo a organização do espaço social”. As asserções legais se constituem como estratégias dado que: se vinculam a um poder, o do Estado, mas não só a ele, e tem como tarefa instituir (organizar) o marco legal para a prática social da Educação Financeira.
Na Educação Financeira, perspectiva que discutimos anteriormente, em que pese a comodificação das próprias pessoas (constituição de consumidores financeiros, também mercadorias), está em curso uma orientação estratégica do capital, através ou em parceria com o Estado de potencializar a capacidade de consumo de produtos financeiros (e a acumulação de capital pelo sistema e operadores financeiros) dos indivíduos.
Além disso, esta perspectiva de estar a compor um imaginário como tarefa de professores de Matemática pode ser também uma estratégia de empowering à Educação Financeira pela Matemática, promovida por seus interlocutores, mas não só por eles. Quando voltamos nosso olhar ao PLEF, especificamente, quando da análise das asserções que pretendem constituí-la como bem a ser consumido, é possível identificar essa tendência, no documento brasileiro, no conjunto de asserções legais.
Nas Estratégias de vários países também se observam estratégias, com esta vinculação, em países como Nova Zelândia e Inglaterra, por exemplo, informação que encontramos em Saito (2011).
Chamamos a atenção aqui para diferenciar as utilizações do termo estratégia. Estamos grafando Estratégia para descrever os documentos oficiais do Brasil, Portugal e Espanha, sobre o tema e estratégias para denotar tanto uma orientação ideológica como também ao significado empregado por Certeau.
A tese que defendemos é de que há, em seu Processo de legitimação, a perspectiva de empoderar a Educação Financeira pela sua introdução via Matemática. Essa estratégia, no sentido decerteauniano, deve-se ao seu poder formatador.
4.4. ANÁLISE DOCUMENTAL (2): A ESTRATÉGIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO