Chapitre 2. La correspondance dans le Courrier (1840-1848)
2.1 Les correspondants du Courrier
A moral da história a que nos referimos não é o conceito de moral que atinge ampla pesquisa tanto nos campos da sociologia quanto da filosofia, mas os valores e costumes10 que como um conjunto de regras adquiridas através da cultura, do cotidiano, das tradições e da educação formal e informal, orientam o comportamento humano em sociedade e que chegam até as crianças e jovens através das ações, falas e pensamentos embutidos nos personagens dos filmes que assistem.
Ao adentrar ao mundo da imaginação criado pelo cinema, principalmente as crianças acabam por interagirem diretamente com os personagens dos filmes passando, então a seguirem as regras que consideram importantes e que regulam o modo de agir dos personagens, desta forma os filmes acabam por influenciarem na formação da moral relativa aos espectadores.
A simples prática de assistir a um filme com forte carga sentimental pode representar bem mais do que algumas horas de entretenimento. Um estudo recente realizado por cientistas da Universidade de Notre Dame, em Indiana, Estados
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Prática comum aos membros de um grupo social; hábitos, forma de pensar ou de se comportar própria de uma pessoa, de uma geração ou sociedade.
Unidos, apontou que esse tipo de produção pode exercer influência direta na formação das convicções políticas de uma pessoa, mais até do que que peças publicitárias ou reportagens jornalísticas. A pesquisa foi divulgada pelo jornal
britânico “The Independent”.
Uma equipe de cientistas explorou o poder de mensagens políticas em filmes populares e descobriu que eles têm a capacidade de mudar atitudes, especialmente em questões que não são muito abordadas pela mídia e pelos meios de comunicação. (O GLOBO, 2013, p.1)
Podemos então presumir que a moral implícita em cada história contada oral ou visualmente a nossas crianças baseia-se em uma percepção intelectual ou no pensamento coletivo sobre determinados assuntos que estão associados a valores e convenções estabelecidos coletivamente por uma determinada cultura ou sociedade a partir do que considerem valores universais para regerem a conduta humana para o bem ou mal.
Ou seja, a história contada de forma oral ou visual é mais uma forma de se perpetuar determinados costumes, atitudes ou pensamentos que as gerações, a família ou a sociedade consideram corretas, mas chegaremos à conclusão de que este pensamento é muito simplista, sendo a perpetuação de tais conhecimentos algo mais complexo.
Os irmãos Grimm em seu trabalho como filólogos ao coletar as inúmeras histórias do povo alemão publicaram no ano de 1812, os primeiros contos que levavam o nome de "Histórias das Crianças e do Lar", totalizando 51 histórias, fizeram este trabalho com a intenção de preservar a cultural alemã que estava sendo invadida pela França e que trazia consigo suas próprias atitudes, valores e costumes, e a compilação das lendas dos povos germânicos como os contos, fábulas e outros tipos de escritas foi a forma pela qual os irmãos firmaram resistência a essa invasão francesa.
Um evento de natureza política ainda concorreu para moldar a trajetória dos irmãos. Com o avanço do exército francês pelos territórios alemães adentro, em 1807 a idade de Kassel passou a ser governada pelo irmão de Napoleão, Jérôme Bonaparte, que a designou capital do recém-instaurado Reino da Vestfália. Essa situação criou as condições para que os Grimm voltassem o olhar para a Idade Média de maneira muito distinta do fascínio manifestado até então pelo Romantismo. Ao contrário dos românticos, que tendiam a idealizar a Idade Média, os Grimm focalizaram o passado em busca de explicação para as condições vividas no presente pelas terras alemãs (que culturalmente se submetiam aos modelos vigentes na França e que viriam a se unificar política e economicamente como país, formando a Alemanha de hoje, apenas em 1871, muitos anos após a morte de ambos os irmãos).
O medievalismo dos Grimm tingiu-se, assim, da conotação de resistência à ocupação estrangeira e pautou-se pela tentativa de recuperação da identidade nacional por meio da busca de suas raízes culturais. Tais raízes estariam, justamente, no reservatório linguístico e no material folclórico de origem popular. Como resultado, os Grimm dedicaram suas vidas à criação de um dicionário filológico da língua alemã, à elaboração de livros sobre gramática e história da língua alemã, à reunião de mitos, lendas, baladas e, é claro, contos de fadas. Os contos foram sendo coletados, revisados e divulgados ao longo de décadas, desde 1812 até a edição definitiva, em 1857, última em vida dos irmãos. (VOLOBUEF, 2013, p.2)
Como os irmãos Grimm, a sociedade também tende a fazer prevalecer determinadas atitudes e pensamentos que define qual deveria ser o papel de homens e mulheres em uma sociedade.
Os contos passados de geração em geração e que com o tempo ganharam temáticas mais lúdicas e mágicas, mas não perderam seu fundo moral.
Ainda hoje nos identificamos com determinada história infantil, pois esta se relaciona intrinsicamente com o que acreditamos ser o correto a transmitir, isto é um processo simbólico enraizado através das gerações.
[...] pode ser exemplificada por duas situações: de um lado mães adeptas do consumo de filmes da Disney, que parecem acreditar na inocência desses filmes politicamente corretos. De outro, educadoras incomodadas com esses filmes, e, em não poucos casos, com o modo como são trabalhados passivamente em sala de aula. Isto porque não é incomum encontrarmos professores de diversas disciplinas, inclusive professores de arte, utilizando como recurso para estimular a imaginação e a fantasia das crianças produções do "maravilhoso mundo encantado" da Disney. (BRAGA, 2004, p.1)
Não importa livro ou o filme nunca vão nos dizer que a moral da história é que “a jovem fique dormindo linda, fresca e sonhadora enquanto o príncipe luta com o dragão para estar com ela”, ou que o menino tem que ser “alto, forte, lutador, destemido e guerreiro para receber a máxima recompensa que é a moça mais bonita de todas.” Tudo isto é transmitido através dos símbolos próprios e consequentemente os filmes baseados neles transmitirão essas mesmas ideias.