3.3 Traduction automatique
3.3.5 Corpus parallèles anglais-arabe
A análise das variáveis que estiveram na base da selecção dos entrevistados permitiu tomar contacto com a diversidade de percursos familiares (parentais e conjugais) dos entrevistados. No que respeita ao percurso parental dos entrevistados (Quadro 5.3), predominam as situações em que o número de enteados é de apenas um (20 casos). Nos casos em que o padrasto tem mais do que um enteado, em regra, não excede os dois (8 dos 10 casos em que o padrasto tem mais de um enteado). Estes dados acompanham a polarização das descendências no filho único e nos dois filhos, traço típico da fecundidade portuguesa, conforme demonstra o trabalho desenvolvido por Cunha (2010). De facto, também em relação ao número de filhos, assiste-se a uma bi-polarização entre as situações em que o padrasto tem apenas um filho (10 casos) e aquelas em que tem dois (10 casos). Quanto ao número de filhos em comum, em 21 casos os padrastos não foram pais no âmbito da actual conjugalidade (estão incluídos os 2 casos em que os padrastos ainda não foram pais mas cuja mulher se encontra grávida), em 7 casos existe um filho em comum ao casal recomposto e 2 casos há mais do que um filho em comum. Assim, se em termos de fecundidade, conforme já aqui foi referido, os casais portugueses oscilam entre terem um ou dois filhos, em situação de recomposição familiar predominam as situações em que a nova união dá origem a apenas 1 filho em comum, sendo residuais os casos em que há 2 filhos. O facto de a situação de recomposição familiar pressupor a existência de, pelo menos, um filho não comum ao casal, parece limitar o projecto de fecundidade do casal. Se a isto se associar o facto de a vinda de um filho em comum ocorrer, maioritariamente, nos casos em que o padrasto não tem experiência parental prévia, é caso para dizer que a recomposição familiar impõe limites claros à existência de uma descendência que vá além do filho único. Não é, por isso, de estranhar que entre os entrevistados não exista nenhum caso de 3 ou mais filhos em comum.
Em relação à idade do enteado mais velho, verifica-se que dois terços têm menos de 18 anos e os restantes têm idade igual ou superior a 18 anos. Quanto à idade do enteado co-residente
mais velho, a única alteração prende-se com o facto de existirem 3 enteados com idade igual
ou superior a 18 anos que já não residem com a família recomposta, ou seja, apenas 7 dos 10 enteados nesta condição residem com o casal. Isto prende-se com o tempo de duração da recomposição familiar que, conforme se verá adiante (Quadro 5.4 – Percurso Conjugal - variável duração da actual conjugalidade), tem uma amplitude muito variável, coexistindo
situações em que o padrasto tem enteados pequenos e vive há dois anos ou menos com o enteado e outras em que tem enteados maiores de idade, com quem (con)vive há mais de 18 anos.
Relativamente à idade dos filhos, a prevalência de situações em que o filho tem idade igual ou superior a 18 anos de idade parece estar associada, sobretudo, à existência de uma parentalidade prévia do padrasto. Para 11 dos padrastos com filhos, a transição para a
paternidade ocorreu há 20 anos ou mais, ou seja, foram pais até meados dos anos 80, o que
contrasta com os 3 padrastos que foram pais pela primeira vez há 6 anos ou menos. Tal facto aponta para a longevidade do percurso parental dos padrastos entrevistados, cujos filhos são, na actualidade, jovens adultos, muitos deles autónomos face aos pais. Para além disso, em regra, os padrastos com experiência conjugal e parental prévia entram em situação de recomposição familiar com mulheres ligeiramente mais novas. Nos casos em que o padrasto foi pai apenas no âmbito da actual conjugalidade, a idade dos filhos reflecte o percurso parental do pai. Em termos etários, importa ainda reter a idade dos filhos no momento da
ruptura conjugal. Em onze dos quinze casos em que os padrastos foram pais no âmbito de
uma conjugalidade anterior, pelo menos, um dos filhos anteriores tinha menos de 10 anos de idade no momento do divórcio/separação.
A maioria dos entrevistados teve o primeiro filho entre os 20 e os 35 anos de idade. A moda situa-se no intervalo etário entre os 25 e os 29 anos de idade do padrasto ao nascimento do
primeiro filho, onde se situam 13 dos 22 casos em análise. Em relação ao local de residência dos filhos anteriores, a larga maioria vive/viveu com a mãe, num regime de guarda única
materna. Porém, e independentemente do tipo de guarda parental acordado, há 4 casos em que os filhos vivem com o pai. Em dois destes casos, os filhos alternam entre a casa do pai e a da mãe, e nos outros dois, os filhos vivem efectivamente com o pai. No que diz respeito à
experiência enquanto padrastos co-residentes, apenas 3 dos 30 entrevistados mencionaram
ter passado por uma experiência semelhante no passado. Porém, em regra, a recomposição familiar corresponde à segunda união conjugal dos entrevistados, pelo que não ocorreu qualquer experiência prévia enquanto padrasto co-residente.
Em relação ao género, verifica-se que entre os entrevistados é mais frequente terem uma enteada que um enteado. De facto, as situações em que o padrasto tem uma enteada são um pouco mais de o dobro das situações em que o padrasto tem um enteado, havendo ainda cinco casos em que existem enteados de ambos os géneros. Olhando para o género do enteado co-
residente mais velho, esta diferença mantém-se. Torna-se assim óbvio que, nos casos em
análise, é sobretudo com as enteadas que os padrastos entrevistados partilham o seu dia-a-dia. Pelo contrário, no caso dos filhos, esta relação inverte-se, há mais filhos rapazes que raparigas, assistindo-se também a um ligeiro aumento dos casos em que há filhos de ambos os géneros. O mesmo acontece com o género do filho mais velho, predominando as situações em que o filho é do género masculino. O género constitui uma variável importante do ponto de vista da dinâmica parental, dado ser apontado como um factor potenciador da cumplicidade em termos de partilha de momentos lúdicos e de actividades de lazer, nomeadamente por parte dos padrastos com filhos rapazes, devido à identidade de género. Em síntese, no que concerne ao percurso parental, os padrastos entrevistados têm, em geral, apenas um enteado, e são pais de um ou dois filhos. Nos casos em que a actual conjugalidade é fecunda, há lugar a apenas um filho comum. Em termos etários, assiste-se a uma distribuição relativamente homogénea entre os vários escalões etários do enteado co-residente mais velho. No entanto, quando analisados no seu conjunto, ou seja, todos os enteados (residentes e não residentes) a moda situa-se no escalão etário dos 18 anos ou mais. Em relação à idade do filho mais velho, acentua-se a tendência verificada no caso dos enteados, ou seja, a moda situa-se no último escalão etário (18 anos ou mais). Nos casos em que o padrasto é pai de filhos anteriores, a ruptura conjugal ocorreu, quase sempre, numa fase em que os filhos (mais novos) tinham menos de 10 anos de idade. Em termos de género, predominam as situações em que os enteados são do género feminino e os filhos do género masculino. Estes homens foram pais pela primeira vez entre os 25 e os 29 anos de idade. Para a maioria, a transição para a paternidade ocorreu há mais de 20 anos (em linha com a idade dos filhos). Após o divórcio/separação os filhos ficaram a residir com a mãe. Poucos têm experiência prévia como padrastos co-residentes; 3 casos.
Quadro 5.3 - Percurso Parental
Percurso parental Amostra
Número de enteados (total = 42 enteados) 1 enteado 2 enteados 3 enteados 20 8 2 Número de enteados co-residentes
nenhum 1 enteado 2 enteados 3 enteados 3 22 4 1 Número de filhos (total = 44 filhos)
nenhum* 1 filho 2 filhos 3 ou mais filhos 8 10 10 2 Número de filhos em comum (total = 11 filhos em comum)
nenhum* 1 filho 2 filhos 3 ou mais filhos 21 7 2 0 Idade do enteado mais velho
< a 2 anos (creche) 3 - 5 anos (pré-escolar) 6 – 9 anos (1ºciclo) 10 - 14 anos (2º e 3º ciclo) 15 - 17 anos (secundário) > 18 anos 0 4 7 4 5 10 Idade do enteado mais velho co-residente
< a 2 anos (creche) 3 - 5 anos (pré-escolar) 6 – 9 anos (1ºciclo) 10 - 14 anos (2º e 3º ciclo) 15 - 17 anos (secundário) > 18 anos
Sem enteado co-residente
0 4 7 4 5 7 3
Idade do filho mais velho < a 2 anos (creche) 3 - 5 anos (pré-escolar) 6 – 9 anos (1ºciclo) 10 - 14 anos (2º e 3º ciclo) 15 - 17 anos (secundário) > 18 anos
Não são pais
1 2 4 2 0 13 8 Idade do filho no momento da ruptura conjugal**
< a 2 anos (creche) 3 - 5 anos (pré-escolar) 6 – 9 anos (1ºciclo) 10 - 14 anos (2º e 3º ciclo) 15 - 17 anos (secundário) > 18 anos (superior) Sem filhos anteriores Não são pais
0 6 5 2 1 1 7 8 Género dos enteados (todos)
Feminino Masculino Ambos 17 8 5 Género do enteado mais velho co-residente
Feminino Masculino
Sem enteado co-residente
18 9 3 Género dos filhos (todos)
Feminino Masculino Ambos Não são pais
5 10
7 8 Género do filho mais velho
Feminino Masculino Não são pais
9 13
8 Idade do entrevistado ao nascimento do primeiro filho
20-24 anos 25-29 anos 30-34 anos 35-39 anos 3 13 4 1
40-44 anos 45-50 anos Não são pais
1 0 8 Transição para a paternidade
< a 2 anos 3 - 6 anos 7 - 10 anos 11 - 14 anos 15 - 19 anos > 20 anos Não são pais
1 2 5 1 2 11 8 Residência dos filhos anteriores
Residência principal materna
Residência alternada (formal ou informal) Residência principal paterna***
Sem filhos anteriores Não são pais
11 2 2
7 8 Experiência anterior como padrasto co-residente
Sim Não
3 27
*Em dois casos, os padrastos encontravam-se à espera do primeiro filho no momento da entrevista.
**Em nove casos, trata-se da idade do filho anterior mais novo, uma vez que a existência de filhos pequenos foi apontada pelos entrevistados como uma das razões para o adiamento da separação/divórcio.
***Num dos casos, a filha vive há 3 anos em casa do pai por frequentar a universidade na cidade onde este reside.