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Convolution et transformation de Fourier

Também no que tange à nomenclatura existe uma amplitude considerável quanto aos termos aplicados para nomear as coleções e os Museus Universitários.

Com efeito, os autores consultados apontaram problemas advindos das questões ou aplicações terminológicas. Por exemplo, Lourenço (2005) necessitou aplicar questionários

para identificar “categorias” ou nomes em comum que servissem para designar, classificar e agrupar as coleções e os museus dentro do âmbito acadêmico ou universitário.

Um problema pouco discutido é a consistência terminológica e o rigor conceitual no setor em questão. Depois de um levantamento exaustivo em 94 artigos, Loureiro (2005) conseguiu isolar três problemas terminológicos:8

1) A terminologia específica em cada país;

2) Conflitos ou problemas terminológicos em relação ao vocabulário usado nos Museus Universitários e nas outras instituições museais;

3) Problemas terminológicos específicos.

Consideramos que a temática acima mencionada é bastante interessante e controversa. Dada a heterogeneidade verificada no setor das coleções e dos Museus Universitários, uma consequência bastante provável seria, exatamente, a dificuldade em estabelecer uma terminologia unificada. Conforme Lourenço (2005), os Museus Universitários desenvolveram um corpo terminológico, ou mesmo jargões específicos, distante do usado pelos outros museus. Para a autora, isso decorre do fato de os museus e coleções universitárias partilharem de dois mundos relativamente distintos: o da academia e o dos museus. Tal fato gerou um “híbrido” interessante e é consequência direta da posição das coleções universitárias, ou seja, de sua “localização” entre o mundo dos profissionais de museus e o universo do ensino superior. Essa circunstância peculiar cria, também, um profissional que, em geral, é “híbrido”: o “professor-pesquisador-curador-museólogo.9

Entretanto, embora muitas instituições, associações, redes e grupos voltados para a investigação e a prática museológica busquem, há muito tempo, uma terminologia mais uniforme e homogênea, torna-se forçosa uma reflexão que leve à resolução de tão intrincado problema. Trata-se, muito provavelmente, de uma tarefa árida e de difícil realização, aplicação e aceitação pelos membros do setor dos museus − e mais difícil ainda de ser aceita nos Museus Universitários. Um exemplo dessa dificuldade reside nos próprios vocabulários técnicos e classificações, como em Thesaurus que precisam ser construídos em vários idiomas

8 O levantamento foi realizado em relação ao contexto britânico. Ainda carecemos, no que se se refere à situação

luso-brasileira, de um levantamento de envergadura e rigor equivalentes.

9 Esse sujeito “híbrido” será analisado minuciosamente nos Capítulos 3, 4 e 5 da tese e, para isso, será tomada como base a categoria “Teoria Ator-rede” de “engenheiros-sociólogos” ou “engenharias heterogêneas” da metodologia empregada nesta investigação.

e para cada tipo de acervo.10 As organizações internacionais buscam a unificação de terminologias classificatórias,11 mas consideramos essa questão complexa e não esgotada, pelo fato de que cada museu é um museu. Além disso, quando se trata de um Museu Universitário, mais diverso e complexo o contexto se apresenta.

1. 2. 5 Classificação de Coleções e Museus Universitários

A nomenclatura relativa à classificação das coleções e dos Museus Universitários é igualmente variada e apresenta “sobreposições” de aspectos ou características que diferem de autor para autor. Por exemplo, Lord e Lord (1991) classificaram as coleções em apenas quatro tipos: exibição; estudo; reserva e coleções de bibliotecas; arquivos (Kozak, 2007, p. 67).

Por sua vez, Hamilton (1995, p. 73) elaborou uma classificação com quatro categorias amplas. As coleções cerimoniais, segundo ele, são aquelas que englobam itens sobre a história da universidade (como bastões, flâmulas, medalhas, mobília cerimonial etc). Em segundo lugar, vêm as coleções comemorativas, as quais abrangem retratos de figura importantes ligadas ao passado da universidade, obras de arte a ela doadas e medalhas. Há também as coleções decorativas, que reúnem trabalhos artísticos adquiridos para decorar espaços públicos ou privados dentro da universidade. E, por fim, existem as coleções didáticas, compostas por trabalhos artísticos, espécimes de história natural ou artefatos adquiridos para pesquisa, ensino e exibição/demonstração.

Em 1998, Handley (p.9) desenvolveu uma classificação sumária das coleções universitárias e defendeu a ideia de que, se uma escola universitária, departamento ou divisão de pesquisa mantiver, no mínimo, dois itens de valor cultural, estes poderão ser considerados pertencentes a coleções universitárias.

Em 2002, o Northern Ireland Museums Council definiu sete categorias que englobam coleções de naturezas diversas: 1) coleções adquiridas para suporte de ensino e pesquisa; 2)

10 É o exemplo do Thesaurus de acervos científicos em língua portuguesa, em desenvolvimento conjunto por

Brasil e Portugal. Seu coordenador é o Prof. Marcus Granato, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Rio de Janeiro, Brasil). A designação desse professor para o encargo deveu-se às dificuldades enfrentadas pelos países da comunidade lusófona para conseguir catalogar devidamente os objetos de ciência e tecnologia em suas coleções e museus.

11 Conforme a publicação do ICOM/ICOFOM, que contém o mais básico vocabulário relativo à área de

Museologia. Seria interessante a apresentação de uma proposta para um grupo de trabalho internacional dentro do Comitê Internacional de Coleções e Museus Universitários (UMAC) que instituísse uma nomenclatura elementar para as coleções e os Museus Universitários.

coleções acumuladas por departamento como produto de pesquisa; 3) coleções significativas para o desenvolvimento de um assunto de interesse do departamento; 4) coleções adquiridas por meio de doação, porque seus proprietários anteriores consideraram a universidade um repositório seguro; 5) coleções de retratos de comissões e trabalhos considerados memoriais; 6) coleções adquiridas pela universidade para cerimonial (prataria, louças etc.); 7) coleções de trabalhos adquiridos para serem exibidos em espaços públicos (Lourenço, 2006, p. 33). Essa é uma classificação bastante abrangente, e aqui caberia aplicar o conceito de “patrimônio universitário” (Kozak, 2007).

Em 2003, Roodhouse elaborou um relatório encomendado pelas Universidades de Cambrigde e Oxford no qual realizava a diferenciação entre “museu departamental” e “Museu Universitário”. No relatório, ele fez as seguintes distinções: o museu departamental seria formado por um componente ou departamento da escola ou faculdade. Já o Museu Universitário receberia a classificação de departamento universitário ou órgão com estatuto departamental. (Kozak, 2007, p. 69)

Provavelmente, a tipologia mais eficaz e pragmática, até o início do século XXI, foi a desenvolvida por Lourenço (2005) com base na classificação de Hamilton (1995). A partir da citada classificação de categorias amplas é possível compreender uma variedade de coleções universitárias, embora as coleções de artes estejam empregadas separadamente. A tipologia é ordenada de uma maneira concisa e lógica, sem grande quantidade de sobreposições, como veremos a seguir.

Para Lourenço (2005), as coleções universitárias devem ser classificadas em: 1) coleções de pesquisa, que resultaram de uma pesquisa ou foram organizadas para suportá-las; 2) coleções de ensino, as quais foram organizadas para apoiar o ensino baseado em coleções; 3) coleções históricas, que reúnem objetos de ensino e pesquisa, coleções de instrumentos históricos, de espécimes e instrumentos que antes eram usados para ensino e pesquisa e depois se tornaram obsoletos; 4) coleções da história da universidade; 5) memorabilia universitária; 6) coleções sobre a vida dos estudantes; 7) coleções biográficas de personalidades ligadas à universidade, como reitores reformados, ex-alunos e ex-professores.

Neste ponto, cabe fazer algumas observações quanto às classificações apresentadas. Seria interessante pensar todas as categorizações acima descritas a partir de sua origem, ou seja, levar em conta como os objetos das coleções foram coletados e reunidos, bem como a finalidade para a qual foram recolhidos inicialmente. Considerando esses dois aspectos, a ocorrência de sobreposições de categorias nas distinções tipológicas de coleções pode ser, em parte, limitada, tendo em vista que o uso posterior da coleção pode trazer mudanças ou exigir

sobreposição das tipologias. Por exemplo, uma coleção de ensino que passa a ser objeto de pesquisa ou que passe a assumir um caráter ou tipologia “relativa”, com base no papel predominante por ela desempenhado durante a maior parte do tempo de sua existência em um museu ou instituição. É importante chamar a atenção para o dinamismo presente nos dias atuais, que abre possibilidade para a chamada “sobreposição” de tipologias, por conta de apropriações como as vistas no exemplo dado. Uma possibilidade seria pensar-se sempre na motivação e objetivo da coleção na sua origem e na própria “biografia” da coleção, o que facilitaria a tipificação e buscaria minimizar o efeito de sobreposição12.

Por melhor que seja a classificação apresentada por Lourenço (2005), é interessante ressaltar que, classificada como “histórica” no âmbito universitário, uma coleção nunca perde sua característica de suporte de pesquisa acadêmica. Mesmo que os instrumentos científicos sejam considerados “obsoletos” para suas áreas de produção de conhecimento, o fato de estarem abrigadas em um museu, seja ele universitário ou não, pressupõe que elas sempre serão suporte para a pesquisa.

Gostaríamos de ressaltar que, embora tenha sido mostrado aqui que as questões da classificação, terminologia e definição no que se refere às coleções e Museus Universitários sejam intrincadas, entendemos que, para a discussão da problemática foi importante um modelo específico de Museu Universitário. Esse modelo caracteriza-se pela existência de uma edificação destinada abrigar as coleções a serem conservadas, investigadas e expostas à visitação das comunidades acadêmica e extramuros. Tal protótipo de museu também se distingue por contar com um staff exclusivo e encarregado de exercer determinadas atividades, além de estar sob a tutela, se não total, pelo menos parcial, de uma instituição de ensino superior, seja por meio de acordos, seja mediante protocolos, intercâmbios ou outras modalidades que responsabilizam a IES por atribuições como guarda, conservação, pesquisa e exibição para as comunidades universitária e externa.

Tal edificação pode, ou não, situar-se no território do campus universitário em questão. Sua localização, no entanto, é determinada: deve estar em um território físico e social definido e historicamente constituído, um “entorno” que é fundamental para sua identidade e missão.

Vale igualmente ressaltar que o modelo de Museu Universitário adotado não se restringirá a uma disciplina específica (como ciências ou história natural). Esta tese opta pelo conceito segundo o qual os Museus Universitários, também, guardam coleções relacionadas a

sua região ou localização e estão voltados para a guarda da história, da memória e do patrimônio local e regional.

Portanto, adotaremos, no presente trabalho, uma definição de Museu Universitário elaborada com base nas reflexões sobre o assunto feitas por Black (1984), pois ela atende à problemática da pesquisa em questão e permitiu a delimitação do campo de pesquisa. Do mesmo modo, consideramos que a definição de Museu Universitário é antes uma questão institucional e estrutural. Acima de tudo, porém, pressupõe um compromisso permanente da universidade com a pesquisa, a preservação e a interpretação das coleções no que se refere a todas as comunidades, em graus variados, bem como em relação às comunidades universitárias e ao público em geral. Além disso, a definição adotada reforça a importância das coleções.