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Convergence entre les intergiciels pour grilles et les environnements pair-à-pair 21

Esta obra, de uma riqueza impressionante, mas difícil e complexa, provoca uma grande admiração e uma certa perplexidade. A capacidade do autor de dominar uma informação exegética tão vasta e em a fazer entrar na perspectiva duma proposição cristológica credível para o homem da sociedade crítica contemporânea merece um respeito admirativo. Este livro tem uma exigência científica elevada e uma preocupação autenticamente pastoral, pois quer dar ao seu leitor a possibilidade concreta de enxertar a orientação da sua existência no choque do encontro de Jesus e dos seus discípulos e de caminhar com eles rumo ao acontecimento de conversão que reconhece nele o ressuscitado, o Filho de Deus, a salvação que vem do próprio Deus. Esta apologética está estreitamente integrada na proposição doutrinal do mistério de Cristo.

É um livro dirigido ao grande público mais amplo que os especialistas, afim de lhe dar a possibilidade de encontrar ou de reencontrar a fé; a uma proposição cristológica que se inscreve numa perspectiva ascendente (que Schillebeeckx nos permita aqui o emprego, para ser breve, de uma expressão que ele recusa) e que dá uma parte prioritária à busca histórica guardando uma distância metodológica diante do dogma eclesial; a um traçado que vai da vida pré-pascal de Jesus à sua ressurreição e às interpretações pós-pascais da sua identidade. A obra de Schillebeeckx é árdua pela sua extensão, pelo seu sentido do detalhe, pela sua construção. A imagem de Jesus proposta é discreta e fundada. Desde este volume, os passos cristológicos vão na direcção dos dados da cristologia descendente, e o segundo volume completa a leitura de todo o N. T. colocando-se desde o ponto de vista da ressurreição; por fim, a quarta parte representa um esforço de dicção moderna da identidade de Jesus. A suspeita de “liberalismo”, por vezes expressa a propósito desta obra, parece-nos verdadeiramente injustificada.

No entanto, a perplexidade permanece sobre um certo número de pontos que nós não estamos seguros de interpretar segundo o pensamento do autor. Não temos a intenção de desenvolver um debate exegético sobre opções discutíveis: outros fizeram-no em nome da

111 sua competência294. Dizemos somente que fomos tocados pelo número de dados sugestivos e preciosos para a construção de uma cristologia que respeita em verdade o movimento da manifestação de Jesus; mas ficámos também muitas vezes hesitantes diante da subtileza de certas hipóteses e da prolixidade dos modelos cristológicos distinguidos e sub-distinguidos. Tomemos um exemplo: a análise da conversão interior à experiência pascal. Mas porquê pôr uma experiência da graça de conversão anterior às aparições, visto que Schillebeeckx lhe confere as características essenciais das narrações de aparições: a iniciativa do ressuscitado, conversão na fé, relação não já ao Jesus pré-pascal, mas ao Juiz vivo, envio em missão? O processo de conversão não é exprimido na linguagem das aparições? Uma opção sobre a cronologia literária destes textos basta para os desqualificar como expressão do reconhecimento original do ressuscitado? A multiplicidade das narrações mostra, por outro lado, uma inter-acção entre as experiências de visão e a reunião dos discípulos (para a qual Pedro sem dúvida jogou um papel importante). No entanto, este ponto é importante para o autor, e está ligado à sua preocupação um pouco ambígua de esbater o limiar pascal.

A prioridade dada ao método histórico representa um caso extremo no interior duma cristologia propriamente cristã. O risco voluntariamente corrido pelo autor é um testemunho de honestidade cujo valor “apologético” é incontestável. É também um testemunho de fé e de esperança. Por outro lado, como Schillebeeckx anuncia no início, a obra é o objecto duma constante “regulação” pela opção de fé do seu autor, isto é, a fé eclesial tradicional, diante da qual Schillebeeckx guarda uma relação bastante sã e não conflitiva. Uma fraqueza vem, no entanto, do facto de que a fé da comunidade primitiva é sobretudo tratada como um fenómeno histórico, da qual tentamos atingir o devir, e que falta à obra uma tematização suficientemente firme da teologia da fé, em particular na sua relação ao dom do Espírito. O vocabulário da “disclosure-Erfahrung” é flúido. É sem dúvida aí que suspeitas de “horizontalismo” ou de “liberalismo” poderiam encontrar pretexto.

Por outro lado, o estudo da cristologia conciliar é reduzido ao mínimo: não teria sido fecundo para o próprio projecto de Schillebeeckx integrar na sua busca, num espírito

112 análogo, um estudo histórico da experiência de fé subjacente ao desenvolvimento da teologia tradicional? Ele teria assim posto uma mediação, ao mesmo tempo histórica e eclesial, capaz de fazer passar do testemunho do N.T. à interrogação actual. Isto está implicitamente respeitado nas reflexões da quarta parte, mas só implicitamente. Enfim, a distinção proposta entre afirmações de fé do primeiro e do segundo grau tem fundamentos evidentes, mas ela é de um manejamento delicado. Pois ela não deve distender a solidariedade objectiva entre umas e outras, não sendo as segundas, nem secundárias nem facultativas, para uma adesão autêntica às primeiras. Deveríamos sonhar com um outro desenvolvimento das segundas (quanto ao sentido e quanto ao alcance, entenda-se). Igualmente a atenção privilegiada dada à experiência da relação salvífica (a fórmula preferida de Schillebeeckx é “a salvação-que-vem-de-Deus-em-Jesus”) não deveria conduzir a relativizar a questão da identidade da própria pessoa de Jesus que esteve sempre no centro da fé e da espiritualidade cristãs.

Última questão: o esforço de Schillebeeckx para dar uma determinação conceptual da identidade de Jesus é muito interessante. O ponto de partida procurado na relação de Jesus a seu Pai atinge uma caminhada seguida hoje por muitas cristologias. A analogia tirada da consideração de toda a criatura, de toda a pessoa humana como gozando da união hipostática, parece-nos, no entanto, ambígua. Não vemos suficientemente como Schillebeeckx compreende a diferença radical entre o conjunto das pessoas humanas chamadas à divinização e o caso único da pessoa do Filho. Tudo repousa, parece, sobre a prioridade de orientação única do Pai em direcção a Jesus. Não haveria aí matéria para um aprofundamento e para uma clarificação que seriam de pôr em ligação com a teologia trinitária?

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