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O estudo realizou-se, como já referimos, numa empresa industrial do sector da Metalurgia Ligeira, mais especificamente dedicada à produção de ferragens para a construção civil, situada em S. Mamede Infesta.

3.2.1. Dimensão económica e comercial

A Empresa iniciou a sua actividade em 1989, constituindo-se enquanto Sociedade Anónima composta por accionistas belgas e portugueses. A sua criação teve origem na ruptura, na SONAFI (Sociedade Nacional de Fundição Injectada), de alguns sectores de produção. Tendo em conta a conjuntura da época, nomeadamente a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, verificou-se de facto nesta época uma tendência para a fragmentação de algumas empresas industriais, muito em resposta à abertura do país à concorrência internacional. No caso da SONAFI, a necessidade de acompanhar esta relação levou à cisão da empresa, visto ser difícil a compatibilização da produção de peças industriais (para automóveis) com a produção de ferragens. Decide-se então separar estes dois ramos de produção, surgindo a Empresa 1, com mão-de-obra experimentada e com uma marca já implementada no mercado.

Em termos nacionais era à altura líder de mercado, dispondo de uma rede de distribuição própria abrangendo todo o país. Esta produção para “consumo interno” representava cerca de 60% da facturação total, sendo os restantes 40% oriundos da exportação para países da Europa (Bélgica e Inglaterra) e do Médio Oriente.

No que respeita à sua estrutura orgânica, a empresa estava dividida em 5 departamentos, acima das quais se encontra o Administrador Delegado e a Direcção (cujos membros acumulam funções com a direcção de 3 departamentos específicos). Os 5 departamentos eram, então, a Direcção Industrial e de Produção, a Direcção Administrativo-Financeira, a Direcção Comercial, a Direcção da Qualidade e a Direcção de Investigação e Desenvolvimento.

A secção de fundição, onde se acabou por desenvolver a intervenção, encontrava-se sob a alçada da Direcção Industrial e laborava 5 dias por semana, das 7:30h às 24h, apoiada num esquema composto por três tipos de horário: das 8h às 17h; das 7:30h às 16:30h; e das 16h às 24h. Os diferentes turnos eram fixos. Durante a noite e o fim-de-semana realizavam-se apenas tarefas de manutenção.

3.2.2. Dimensão social

A Empresa era composta por 195 trabalhadores, na sua maioria do sexo masculino (119). A idade média dos trabalhadores era de 44 anos, sendo que 70% deles tinham mais de 15 anos de antiguidade na empresa. O nível de escolaridade médio corresponde ao 2º ciclo do ensino básico, mas a maioria dos trabalhadores (68%) tinha apenas completado o 1º ciclo do ensino básico. A maioria dos trabalhadores (85%) está vinculada à empresa por um contrato permanente, sendo que os 15% restantes, contratados a termo certo, correspondem aos trabalhadores mais recentemente admitidos.

No que respeita à formação inicial, ao nível do centro operacional, ela era assegurada de um modo informal pelos chefes de secção e pelos trabalhadores mais experientes. Em termos de formação contínua, a direcção da empresa, em função dos seus objectivos estratégicos e das ofertas de formação recebidas de diferentes consultoras, definia um plano bianual de formação, sendo a selecção dos formandos feita com a colaboração dos diferentes chefes de secção. Era no entanto patente, ao nível dos trabalhadores de base, um sentimento de descrédito em relação à formação,

aliado ao desconhecimento dos critérios orientadores da escolha dos formandos para os diferentes cursos.

3.2.3. Dimensão técnica e produtiva

O processo produtivo consistia na transformação de diferentes ligas metálicas, através de diferentes processos em ferragens para a construção civil.

O processo produtivo englobava seis sectores: fundição, fabrico de componentes, polimento, anodização, pintura e lacagem e, finalmente acabamentos. Do sector da Fundição faziam parte a secção de fusão de ligas, onde o Zamak, o alumínio e o alumínio em coquilha (alumínio reaproveitado) eram derretidos em fornos de 450ºC, 700ºC, 750ºC e 850ºC respectivamente. As máquinas de fundir injectam (ou o operador no caso da coquilha) o Zamak, o alumínio ou o alumínio coquilhado num molde, que, após arrefecimento, se abre, libertando a peça produzida. Depois tem a secção de corte do gito, onde as peças são separadas do suporte.

Ao lado da fundição estava o sector de Fabrico de Componentes, destinado ao fabrico de peças acessórias para o produto final, como chapas para trincos, parafusos, cilindros, canhões para fechaduras, entre outros.

Em seguida, as peças passavam para o sector de polimento, onde existia a secção de esmerilagem, de polimento e de lustragem.

No sector da anodização começava-se por fazer uma detecção de defeitos. Depois de as peças terem sido seleccionadas, procedia-se à preparação das raques, ou seja, as peças são penduradas em suportes metálicos (raques) para posteriormente serem submetidas à anodização. As peças eram assim submetidas a diversos banhos, consoante a cor pretendida. Terminado este processo, seguia-se a pintura/lacagem, onde as peças eram pintadas automaticamente.

Finalmente, no sector de acabamento, os parafusos eram postos nas peças, sendo estas montadas e embaladas, ficando prontas para serem armazenadas e expedidas.

Todos estes dados relativos à caracterização genérica da empresa, proporcionaram um primeiro contacto com a realidade da empresa, com a sua dimensão, as suas opções estratégicas, os seus problemas, aspectos que foram de grande utilidade não só para a escolha da situação a analisar, como para uma melhor compreensão do que se veio posteriormente a constatar ao nível do trabalho concreto. Foi ainda importante enquanto “pretexto” para chegar ao “terreno” e para contactar uma diversidade de interlocutores, com diferentes pontos de vista sobre as mesmas questões, ao mesmo tempo que se tinha oportunidade de trabalhar a relação com os diferentes actores e se clarificava estatutos e interesses. Constituiu desde logo um primeiro e importante passo para a fase seguinte da intervenção.

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