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A escolha de um M.E. pressupõe a sua análise segundo critérios mais ou menos objectivos e de preferência tendo por base um instrumento de análise eficaz e de fácil aplicação. Contudo, na literatura não existem muitas referências de instrumentos de análise que permitam dar uma resposta eficaz a tal tomada de decisão.

A concepção do instrumento de análise de M.E.´s que se utiliza neste estudo (cf. Anexo C, p. 255) teve como base os estudos realizados por Cachapuz et al. (1987) e por Melo e Silva (2003). Atendendo às propostas de instrumentos de análise de M.E.´s dos estudos referidos, elaborou-se um procedendo a algumas alterações que se consideram pertinentes. A lógica da construção centrou-se no aluno como seu utilizador (ainda que possa também ser utilizado pelo professor). Os fundamentos que estiveram na base da construção do instrumento de análise relacionam-se com a perspectiva de ensino das ciências ensino por pesquisa (cf. 2.3.4, p. 23), na inter-relação CTSA-I e sua importância para a Ciência (cf. 2.4., p. 24), e em literatura sobre avaliação de M.E.´s (cf. 2.6, p. 38). Salienta-se que no texto do instrumento de análise23 o termo «experiências» se refere à noção de trabalho prático (cf. 2.5., p. 34).

3.2.2.1.1. Metodologia de concepção

A metodologia utilizada para a elaboração do instrumento de análise (cf. Anexo C, p. 255) teve por base três categorias de análise (conteúdo, estrutura e características materiais dos M.E.´s), sendo cada uma delas diferenciadas em dimensões, parâmetros e itens, e que se apresentam nas tabelas 3.5, 3.6 e 3.7.24

23

Pensa-se que relativamente à aplicabilidade do instrumento de análise de M.E.´s, este pode ser utilizado pelos professores da área das ciências no processo de escolha do M.E. a adoptar.

24

Apresenta-se cada categoria de análise em estudo em três tabelas independentes apenas para facilitar a leitura.

Tabela 3.5- Níveis de análise da categoria conteúdo.

CATEGORIA DIMENSÃO PARÂMETRO ITEM

I - CON T EÚ DO Ia – Científica Ia1 – Correcção 1 2 Ia2 – Natureza da Ciência 3 4 5 6 7 8 Ib – Pedagógico-Didáctica Ib1 – Relação Conteúdo-Programa 9 10 11 12 Ib2 – Relação Ilustração-Texto 13 14

De seguida transcrevem-se as categorias de análise, as suas dimensões e respectivos parâmetros, tal como se encontram definidos em Cachapuz et al. (1987), à excepção dos parâmetros IId5 e IIIa3, que se introduzem no instrumento de análise.

Categorias de análise

• I – Conteúdo: a informação de índole científica e pedagógico-didáctica existente no M.E.;

• II – Estrutura: os aspectos metodológicos da transmissão do conteúdo;

• III – Características materiais: os aspectos relativos à apresentação e ao custo do M.E..

Cada uma destas categorias engloba diferentes dimensões de análise, supostas com idênticos níveis de generalidade. Assim, a categoria conteúdo pode ser analisada segundo duas dimensões: a científica e a pedagógico-didáctica, definidas como:

• Ia – Científica: aspectos relacionados com a informação científica: factos, leis,

teorias, convenções;

• Ib – Pedagógico-Didáctica: toda a informação que visa integrar o conteúdo

Tabela 3.6- Níveis de análise da categoria estrutura.

CATEGORIA DIMENSÃO PARÂMETRO ITEM

II – ESTR

UT

URA

IIa – Adequabilidade da Comuni-

cação

IIa1 – Apresentação da Proposta Meto-

dológica 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

IIa2 – Objectivos a Atingir pelo Aluno

26 27 28

IIa3 – Experiências e sua Exequibilida-

de 29 30 31 32 33 34 IIb – Contexto de Comunicação IIb1 – Contexto Histórico 35 IIb2 – Contexto Sociocultural 36 37 IIb3 – Contexto Tecnológico 38 39 IIc – Clareza da Comunicação IIc1 – Aspectos Terminológicos 40 41 42 IIc2 – Aspectos Sintáticos 43 IId – Utilização IId1 – Índice 44 IId2 – Resumos 45 IId3 – Questões 46 47 48 49 50 51 IId4 – Textos Complementares e Biblio-

grafia

52 53 54

IId5 – Novas Tecnologias da Comunica-

ção 55 56 56a 56b 56c 56d 56e

Na categoria estrutura consideraram-se quatro dimensões de análise:

• IIa – Adequabilidade da Comunicação: a articulação da comunicação com o fim a que se destina;

• IIb – Contexto da Comunicação: o contexto (histórico, sociocultural e tecnológico) utilizado para a apresentação do conteúdo;

• IIc – Clareza da Comunicação: os aspectos terminológicos e sintáticos utilizados na comunicação;

• IId – Utilização: os aspectos relativos à existência de questões, de índices, de resumos ou sínteses, por unidade, de textos complementares e bibliografia e das novas tecnologias da comunicação.

Tabela 3.7- Níveis de análise da categoria características materiais.

CATEGORIA DIMENSÃO PARÂMETRO ITEM

III – CARACTERÍSTICAS MATERIAIS

IIIa – Apresentação

IIIa1 – Aspectos Físicos 57

IIIa2 – Aspectos Gráficos

58 59 IIIa3 – Aspecto Ambiental 60

IIIb – Custo IIIb1 – Preço do Manual 61

Na categoria características materiais consideram-se duas dimensões:

• IIIa – Apresentação: os aspectos relacionados com as características físicas, gráficas e ambientais;

• IIIb – Custo: o preço de capa.

Cada uma destas dimensões de análise pode englobar, por sua vez, diversos parâmetros de análise de seguida definidos.

Parâmetros de análise para a dimensão científica

• Ia1 – Correcção: concordância do conteúdo científico com o conhecimento

divulgado pela comunidade científica segundo o modelo explicativo adoptado;

• Ia2 – Natureza da Ciência: processo de construção do conhecimento científico.

Parâmetros de análise para a dimensão pedagógico-didáctica

• Ib1 – Relação Conteúdo-Programa: concordância entre o conteúdo científico

do M.E. e o programa em vigor;

• Ib2 – Relação Ilustração-Texto: características da ilustração usada de modo a

Parâmetros de análise para a dimensão adequabilidade da comunicação

• IIa1 – Apresentação da Proposta Metodológica: natureza da abordagem do programa oficial da disciplina;

• IIa2 – Objectivos a Atingir pelo Aluno: explicitação dos objectivos a atingir pelo aluno;

• IIa3 – Experiências e sua Exequibilidade: adequação entre as experiências propostas e as condições materiais existentes (materiais de uso corrente, equipamentos alternativos e segurança).

Parâmetros de análise para a dimensão contexto da comunicação

• IIb1 – Contexto Histórico: informação relativa à história da Ciência e da Tecnologia;

• IIb2 – Contexto Sociocultural: informação relativa ao impacto sociocultural da Ciência e Tecnologia incluindo aspectos éticos das suas aplicações;

• IIb3 – Contexto Tecnológico: informação sobre processos e produtos da Tecnologia com destaque para o contexto nacional.

Parâmetros de análise para a dimensão clareza da comunicação

• IIc1 – Aspectos Terminológicos: existência de palavras com diversos significados, termos e símbolos novos;

• IIc2 – Aspectos Sintáticos: tipo de construção gramatical, nomeadamente uso de frases pouco extensas e não utilização de dupla negativa.

Parâmetros de análise para a dimensão utilização

• IId1 – Índices: existência de índice geral e índice de assuntos;

• IId2 – Resumos: existência de resumos sintetizando as ideias principais;

• IId3 – Questões: existência de questões de diferentes tipos e graus de dificuldade;

• IId4 – Textos Complementares e Bibliografia: existência de textos e/ou de referências para leituras complementares;

• IId5 – Novas Tecnologias da Comunicação: Existência de material de apoio como disquetes, CDs, DVDs e/ou de referências a sítios da Internet.

Parâmetros de análise para a dimensão apresentação

• IIIa1 – Aspectos Físicos: apresentação de resistência, maneabilidade e dimensões adequadas ao uso frequente;

• IIIa2 – Aspectos Gráficos: qualidade da reprodução, da ilustração e texto; • IIIa3 – Aspecto Ambiental: permite a reutilização.

Parâmetros de análise para a dimensão custo

• IIIb1 – Preço do Manual: preço de capa.

3.2.2.1.2. Escala de avaliação

Tal como proposto pelos estudos de Cachapuz et al. (1987) e de Melo e Silva (2003), adoptou-se uma escala de avaliação de frequência de seis graus. Esta escala permite uma avaliação qualitativa dos M.E.´s, onde os três primeiros graus, “nunca, quase nunca e algumas vezes”, reflectem uma apreciação negativa do M.E. relativamente ao item em análise, enquanto os últimos três, “bastantes vezes, quase sempre e sempre”, reflectem uma apreciação positiva. Qualquer um dos graus adoptados não traduz necessariamente a mesma medição, ou seja, o mesmo número de vezes para cada um dos itens.

Optou-se por uma escala de avaliação par para eliminar uma possível resposta conservadora que se situaria no grau médio da escala.

No instrumento de análise existem alguns itens cuja resposta é do tipo “sim ou não”, tais como os itens 57, 60 e 61. Para tais itens utiliza-se o grau “nunca” para o tipo “não” e o grau “sempre” para o item “sim”.