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3 Construction of Boolean quasigroups of various degrees and orders

Desde os anos 90 a produção cinematográfica no Pará caracteriza-se por uma crescente profissionalização, tanto no sentido do domínio da técnica, quanto no que diz respeito a uma racionalização dos procedimentos com vistas a se adequarem aos altos custos da sétima arte.

Se até a década de 80 a figura do diretor canalizava quase todos os olhares dos que se envolviam com o cinema77 no Pará, o mesmo não se pode dizer do fim dos anos 90. Desde então, o que se observa é um crescente interesse por uma função que é símbolo da presença capitalista dentro do ambiente cinematográfico: a produção.

Os altos custos das filmagens em película e a exigência de prestações de contas detalhadas sobre os gastos com os filmes financiados com dinheiro público (através da política de editais, leis de incentivo fiscal, etc) fez com que o meio cinematográfico encarasse a atividade de forma menos romântica e cada vez mais pragmática. As complicações resultantes de posturas amadoras (no sentido comercial) como as de Líbero Luxardo, desaconselhavam filmagens sem planejamento. Os problemas dos filmes do pioneiro do cinema paraense só reforçaram a tese de que a falta de pré-produção poderia inviabilizar qualquer roteiro, por melhor que ele fosse, e, conseqüentemente, desencorajar investidores.

Assim, os cineastas do fim dos anos 90 produzem um cinema que além de perseguir qualidade estética, pretende apresentar-se como um “bom produto” a ser financiado, ou seja, os profissionais de cinema tentam mostrar às empresas que o investimento num filme configura-se como uma estratégia publicitária, já que a marca do patrocinador se associa ao projeto cultural. Desde então, os produtores tentam dar garantias de retorno aos investidores, argumentando sobre a visibilidade do filme na imprensa especializada local, além dos efeitos do contato com o público, por ocasião da projeção78.

77 Em parte ainda pela influência do chamado “cinema de autor” praticado principalmente pelas vanguardas

européias como resposta ao cinema narrativo e mercadológico de Hollywood.

78 Prova disso é que além de uma equipe de produção cuidando dos custos, muitos produzem material de

Seguindo uma tendência nacional79, para os novos realizadores, a atividade cinematográfica deve atingir um maior grau de complexificação na divisão das tarefas para que gere empregos e se torne um setor da economia local. Em outras palavras, lidam com a atividade de forma mais comercial.

Sobre esse contexto, destaca-se a figura da produtora executiva Márcia Macêdo, personagem importante na cena da retomada da produção cinematográfica paraense. Márcia trabalhou como produtora no curta-metragem "Antônio Carlos Gomes"; foi coordenadora de Produção da série "Lendas Amazônicas"80 e em 1998, esteve à frente da criação da Central de Produção - Cinema e Vídeo na Amazônia.

O nome da produtora está associado a vários projetos cinematográficos locais da virada dos anos 90 para os 2000. Ela fez a produção executiva de filmes locais como: “Dias” (2001), “Chama Verequete” (2002), “Severa Romana” e “Alice?”81. Márcia também foi idealizadora do projeto “Caravana da Imagem”, que percorreu os municípios paraenses de Bragança, Vigia e Santarém, de agosto de 2005 a março de 2006. Durante esse período foram exibidos filmes em praças, realizaram-se seminários, oficinas de produção, roteiro e direção, além da produção de três vídeos documentários feitos pelos moradores. Vale ressaltar que todos esses projetos tiveram patrocínio de grandes empresas locais e nacionais.

No início dos anos 2000, além da produção de filmes ter aumentado, houve a criação de festivais dedicados ao audiovisual, em Belém. Dentre eles as edições do Festvídeo Belém (2000 e 2001), organizadas por Afonso Gallindo, Eliana Pires e Laurenir Peniche. Esse evento teve como característica a apresentação de trabalhos mais experimentais, com direito a vídeos universitários de vários lugares do Brasil.

Atualmente, Belém possui dois eventos na área: o Festival de Belém do Cinema Brasileiro,82 que desde 2004 configurou-se como um dos projetos mais ambiciosos do país na divulgação de filmes brasileiros; e a Mostra Curta Pará Cine Brasil, também realizada desde 2004, pela empresa Central de Produção - Cinema e Vídeo na Amazônia. Além de possibilitarem a exibição da produção local e a troca de experiências com outros cineastas

79 Cidades como Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre além de pertencerem a regiões mais ricas,

estão entre as que mais produzem filmes, justamente por disporem de profissionais mais qualificados para lidar com custos.

80 “Lendas Amazônicas” (1998), de Ronaldo Passarinho Filho e Moisés Magalhães. Projeto que inicialmente

seria uma séria de curtas metragens, mas que foram transformados em um longa. Foi ampliado de 16mm para 35mm

81 Estes dois últimos filmados em 2003, mas ainda sem estréia confirmada. Informação atualizada até janeiro de

2007.

brasileiros, os eventos citados também foram importantes no processo de qualificação da mão-de-obra local, pois reservam parte de suas programações à oferta de oficinas de prática e produção cinematográfica.

Experiência singular no tocante à qualificação dos profissionais locais foram as oficinas de preparação para o filme “Araguaia – a Conspiração do Silêncio”, de Ronaldo Duque. Naquela oportunidade, março de 2002, foram realizados cursos nas áreas de: produção; fotografia; som direto; figurino e adereços; maquiagem; direção de arte; e preparação de atores, no Instituto de Artes do Pará (IAP). Ao todo, 200 alunos participaram desta qualificação. Alguns, inclusive, trabalharam no filme.