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Configuration du webservice dans Bonita

Dans le document GESTION DE PROCESSUS AVEC SOA ET BPM (Page 65-0)

2 L’entreprise et le SI

5.3 BPM Phase 3 : Implementation

5.3.3 Configuration du webservice dans Bonita

Entre as 10 horas da manhã e meio dia, numerosos ambulantes chegam na feira com grandes bolsas carregadas nas costas e permanecem por um tempo conversando entre eles ou com vendedores já instalados, para depois estender tecidos no chão e dispor suas mercadorias. Posicionados no recorte “vernacular” (ZUKIN, 2000) de Via Mameli, na esquina dessa última com Via Lanino159, ou na quadra inicial que faz esquina com Piazza della Repubblica, os

158Essa situação de cordialidade aconteceu também comigo em diversas ocasiões durante a pesquisa, com os colaboradores com os quais mais trabalhei.

159Área privilegiada por recolher o tríplice fluxo de passeantes que circulam por Canale Carpanini, Via Mameli e Via Lanino.

vendedores que atuam informalmente e ilegalmente expõem suas mercadorias chinesas e contrafeitas de maneira ordenada. A disposição dos ambulantes é variável nesses espaços: depende da disponibilidade dos lugares, que podem ser ocupados por outros vendedores; das modalidades de fiscalização dos guardas e também da posição do sol. A alocação dos comerciantes “abusivi”, nesse sentido, pode mudar não somente de um sábado para o outro, mas também durante o mesmo dia: em relação à trajetória solar, por exemplo, no inverno os deslocamentos acompanham os lugares ensolarados de um lado para outro de Via Mameli, e, no verão, acontece o contrário, já que são preferidas as áreas de sombra. Em relação à fiscalização, quando, por exemplo, está sendo realizada em uma área, os ambulantes se movem para outra, podendo, inclusive, ser solicitados pelos mesmos guardas a se reinstalarem em outros pontos da feira. Sobre as modalidades de atuação discricionárias dos Órgãos de Segurança Pública e as dinâmicas de interação com os ambulantes “abusivi”, aprofundaremos em seguida. Por enquanto, sinalizamos como a escolha dos lugares de atuação por parte dos vendedores é o resultado de dinâmicas conjuntas entre “abusivi” e guardas, que constroem, juntos, parte da “fisionomia” do mercado. Essa construção conjunta é típica do Balôn e não se verifica em nenhuma outra feira da cidade160.

A intermitência da presença dos ambulantes se percebe não somente no espaço, mas também no tempo. Em uma perspectiva temporal mais extensa, anualmente, se percebe que aqui, como em Largo Borgo Dora, os meses de agosto, janeiro, fevereiro e março registram o menor número de presenças, enquanto, diariamente, existem horários específicos de atuação. Como se disse acima, esses vendedores começam a trabalhar mais tarde do que os ambulantes que atuam formalmente (após às 10h) para driblar a fiscalização matinal, que representa uma atividade rotineira da Vigilância Pública. Começar a vender nesse horário pode também representar uma escolha para aqueles vendedores que comercializam seus produtos na sexta- feira à noite no centro da cidade, próximo de cinemas, bares e restaurantes do centro, os quais optam por descansar na primeira parte da manhã. Uma vez instalados, os vendedores costumam trabalhar até o começo da tarde e, entre às 14 e 15h, recolhem as suas mercadorias e, em sua maioria, se deslocam até Sandaga, para aproveitar o fluxo de pessoas que circulam pelo centro, quando, sendo que as lojas estão abertas, há um grande número de passeantes

160 A situação de tolerância ao “abusivismo” que se verifica em Porta Palazzo é oposta àquela relatada, por exemplo, por Riccio (2007) em Rimini, cidade litorânea e turística do centro da Itália, onde é perseguido por meio de campanhas de informação ao turista. Aqui, esse último é convidado a não realizar compras com ambulantes que trabalham informalmente por meio de placas expostas em bares e restaurantes, que ilustram uma mão que segura um isqueiro do qual sai uma chama em forma de diabo com a escrita “atenção” em quatro idiomas: “Não compre com venditori abusivi: você faria um péssimo negócio” (2007: 123).

pelas ruas161. O fim de semana, de fato, especialmente o sábado, é o dia que viabiliza o maior ganho para os ambulantes. Dividir as presenças entre a feira Balôn e o centro da cidade pode também acontecer em outros horários dependendo da fiscalização: há caso em que se inverte a ordem de presenças ou pode haver mais deslocamentos e reposicionamentos entre as duas áreas no mesmo dia.

No panorama desse fluxo de presenças intermitentes, o elemento que é mais relevante para a configuração dos ambulantes na feira é a ação dos guardas municipais. Se esses últimos conhecem lugares, modalidades e tempos de atuação dos vendedores “abusivi”, o contrário também é verdadeiro, já que os ambulantes senegaleses não somente sabem os horários de fiscalização e os percursos que costumam trilhar os fiscais, mas também as áreas urbanas de competência de cada um deles162 e seus horários de pausa. Esses conhecimentos, determinantes para viabilizar as vendas sem serem prejudicados, são observados nas interações cotidianas com os Órgãos de Segurança, mas são também adquiridos e compartilhados entre os próprios ambulantes. A modalidade coletiva de construção e preservação desses saberes se reflete também nas práticas utilizadas para se esquivar dos policiamentos. De fato, quando se verificam as fiscalizações, ou há possibilidade de isso acontecer, os “abusivi” operam em grupo.

Certa vez, estava junto com Pape Kâ e outros vendedores no trecho “vernacular” (ZUKIN, 2000) de Via Mameli. Ele estava oferecendo uma dezena de bolsas contrafeitas, dispostas sobre um tecido no chão. Durante uma conversa, me virei em direção a um senegalês, dando-lhe as costas, para responder a uma pergunta e, logo que voltei para a posição inicial, a banca dele tinha desaparecido, assim como as dos ambulantes senegaleses próximos. Pape estava terminando de fechar a sua grande bolsa que continha suas mercadorias: “o que acontece?”, perguntei, “estão vindo os guardas”, disse ele; “onde? Não estou vendo”, respondi, “me ligaram os vendedores que estão no começo da rua”. Pape e os outros ambulantes permaneceram um tempo parados conversando, depois tocou o telefone e a mesma pessoa que o tinha advertido antes lhe disse que os guardas tinham voltado atrás e ido em direção à praça. Pape e os outros, então, voltaram a dispor seus telões no chão e suas peças, da mesma forma como estavam colocadas anteriormente.

A solidariedade nesses contextos, prescrição moral primária pelos senegaleses, funciona como um dispositivo de defesa que o grupo aciona com a finalidade de proteger os

161 Na Itália, as lojas estão abertas aos sábados, o dia inteiro, e fecham na segunda-feira. 162 Pois a cada grupo de vigilantes é designada uma região específica.

sujeitos que o compõem163. Pertencer à rede que constitui o grupo é, então, uma prerrogativa fundamental para minimizar os riscos dessa prática comercial, que pode prejudicar os senegaleses recém-chegados, os quais não somente precisam se engajar nessas redes, processo que demora tempo, mas também adquirir habilidades específicas. Velocidade, atenção, agilidade - qualidades que Layle Sall também individua nos ambulantes senegaleses que atuam informalmente em Paris e as define como “capital físico” (2010: 72) - são prerrogativas indispensáveis que nem todos os vendedores têm ou são dispostos a adquirir, e contribuem também a determinar a faixa etária desses comerciantes, quase todos jovens (entre os 20 e os 35 anos)164.

O “tira e põe” das mercadorias nos dias mais “difíceis”, como costumam dizer os vendedores, pode se verificar 5, 6, 7 vezes ao longo da estadia na feira, que dura, em média, de 4 a 5 horas. Serem caçados e buscar estratégias para vender sem ter as próprias mercadorias apreendidas representa parte fundamental do trabalho desses vendedores. Mas se as fiscalizações são mais rigorosas em outras áreas da cidade, no Balôn são mais flexíveis ou, como se disse, discricionárias.

Na feira, além das fiscalizações matinais, que são rotineiras em qualquer mercado da cidade, os Órgãos de Segurança Pública atuam pontualmente quando há algum evento político, como manifestações, que requerem um maior patrulhamento da região165, a partir das denúncias de outros comerciantes ou residentes, que podem eventualmente chamar os guardas municipais para pedir a “remoção” de alguns vendedores; e, ainda, em situações de patrulhamento periódicas, durante as quais, como se comentou anteriormente, a atuação da Segurança Pública é realizada de forma performática (com a presença ingente da Policia Civil, noticiada pela mídia local) para responder publicamente ao pedido de “segurança” avançado pelas associações de comerciantes e de moradores, os quais pressionam constantemente as instituições para que sejam tutelados da “criminalidade” que caracterizaria o bairro166. Como dissemos acima, porém, a fiscalização corriqueira no mercado é realizada de forma discricionária, pela concepção que a prefeitura tem do bairro como “amortecedor

163Essa modalidade caracteriza a prática de venda informal e ilegal dos senegaleses e padroniza a relação desses com as fiscalizações conduzidas pelo Órgãos de Segurança, assim como mostram etnografias realizadas em outros contextos (STOLLER, 2002; SALL, 2010; BAVA, 2002; TEDESCO e KLEIDERMACHER, 2017). 164Nesse sentido, lembramos a narrativa do senhor Demba que, não tendo mais condições de exercer essas qualidades, pela idade mais avançada, escolheu modificar a sua prática de venda.

165 É preciso destacar que Porta Palazzo, sendo percebido pela opinião pública como espaço popular e multiétnico no qual o controle do Estado seria mais frouxo, é lugar de atuação privilegiado dos grupos anárquicos torinenses e, por isso, área de intensas e frequentes mobilizações políticas por parte dos grupos de extrema esquerda da cidade.

social”, que viabiliza uma postura institucional excepcional, com a implantação de políticas públicas específicas, como a criação de mercados had hoc, antes institucionalizados na área de Porta Palazzo e, sucessivamente, transferidos para outras áreas urbanas da cidade167. Considerando esse contexto, então, as atuações performáticas dos Órgãos de Segurança Pública funcionam, aos olhos da opinião pública, como medidas compensadoras da postura “tolerante” e concessiva normalmente adotada168.

A “tolerância” dos guardas, na dimensão cotidiana do trabalho na feira, varia dependendo das situações: tende a diminuir nos contextos de atuação pontual acima citados e a aumentar nas situações de patrulhamento corriqueiro. Outras variáveis que regulam a discricionariedade são: por um lado, a tipologia de produtos comercializados - sendo que há uma maior tolerância em relação aos produtos usados e artesanais, e uma restrição em relação aos objetos novos, principalmente contrafeitos -, por outro lado, a modalidade de interação individual também incide na prática discricionária, sendo que alguns guardas atuam de forma mais rigorosa e outros menos. Essa variável define também as relações que se estabelecem entre guardas e vendedores, as quais podem resultar em arranjos extraformais como, por exemplo, quando os fiscais sugerem aos ambulantes de mudar o lugar de venda ou não atuar em determinados horários e circunstâncias169. Nesse sentido, por exemplo, em uma ocasião, de manhã, no Balôn, a Segurança Pública estava se dispondo no espaço para fazer o

167 O surgimento periódico de mercados informais, os conflitos entre vendedores “abusivi”, guardas e

comerciantes/moradores locais organizados em associações junto às divulgações alarmistas (e frequentemente xenófobas) da mídia local padronizam as dinâmicas sociais de Porta Palazzo. Esse bairro, nesse sentido, “gesta” ciclicamente novas feiras de mercadorias usadas que passam, depois, a serem institucionalizadas e transferidas para outros bairros. O ciclo de criação de novos mercados é mais intenso nas fases de crise econômica. Durante o trabalho de campo, por exemplo, acompanhando meus colaboradores de pesquisa, observei o processo de formalização de um novo grupo de vendedores, que começaram a trabalhar informalmente aos domingos no Balôn e em Piazza della Repubblica e depois foram deslocados pela prefeitura para outra área urbana, onde passaram a integrar uma feira formal chamada “Bazar Project”, que tinha se constituído através do mesmo processo. Em 2009, de fato, esse mercado tinha surgido informalmente em Piazza della Repubblica, foi institucionalizado e sucessivamente transferido. Uma etnografia da feira “Bazar Project”, quando sediada em Porta Palazzo, foi realizada por Francesca Carbone e resultou na dissertação de mestrado “Le “marché de

dimanche” à Porta Palazzo: um espace d´émersion des exclus du Marché” (2013).

168Como Vera Telles (2009) afirma a partir das próprias observações e de outros autores (Ruggiero e South, 1997; Peraldi, 2007; Tarrius, 2002), a cidade contemporânea é lugar de “transitividade” entre o legal, ilegal e o formal e informal (2009: 153) e, nesse sentido, o bairro de Porta Palazzo representa um lugar privilegiado para observar essas dinâmicas.

169 Uma situação parecida foi observada por Sall (2010) em Paris, especificamente no contexto da venda ambulante na região do Palácio de Versailles, onde o comércio senegalês se articula de maneira informal por meio do que ele define como uma “ordem social negociada” entre guardas e segurança pública. Com essa noção, o autor entende: “une série d’accords tacites ou explicites entre différentes catégories d’acteurs pour gérer au mieux, selon leurs intérêts réciproques, l’occupation d’un espace qui acquiert souvent le statut de territoire, puisqu’il est réordonné, requalifié et même redéfini, ne serait-ce qu’au niveau symbolique, par ceux qui se l’approprient et l’occupe”(2010:68). No caso etnografado por Sall, o acordo consiste no fato de que os comerciantes senegaleses não devem ultrapassar a porta de entrada ao castelo e devem agir expulsando comerciantes de outras nacionalidades, prática que reforça o processo de etnicização desse espaço.

patrulhamento durante uma manifestação. Assim, telefonei a Pape para alertá-lo e ele me respondeu que já sabia da situação, porque tinha sido informado por um guarda na semana anterior. A construção desse tipo de relação com os guardas municipais representa um aspecto facilitador do trabalho comercial que não são todos os vendedores que conseguem viabilizar: falar fluentemente a língua italiana, acumular presenças na rua que proporcionem um contato sistemático com os vigilantes, adquirir um certo savoir-fair na comunicação com eles são aspectos imprescindíveis, que se constroem com a experiência e com o tempo de trabalho. Consequentemente, também nesse contexto, a “ancianidade” na praça dos comerciantes se torna um elemento que atua em termos hierarquizantes. A importância desse diacrítico nas dinâmicas de ocupação do espaço e na organização social dos vendedores é apontada também por Sall (2010) no contexto parisiense.

Se a relação com os Órgãos de Segurança Pública é pautada por uma postura discricionária desses últimos, não significa que não seja percebida, pelos vendedores, como invasiva e, eventualmente, violenta e ofensiva. Certa vez, no Balôn, Pape estava com sua mercadoria recolhida na sua grande bolsa e, sentado ao lado de um outro senegalês atrás de sua banca, estava ajeitando-a para conseguir fechar o zíper. Uma dupla de vigilantes estava passando, parou na frente dele e um disse: “mas vai embora! Te falamos isso cinco vezes hoje, e ainda você está aqui?”. A afirmação criou uma situação de constrangimento coletivo, já que foi feita em voz alta, e todas as pessoas em volta silenciaram. Pape respondeu que estava somente arrumando as suas coisas e os vigilantes rebateram: “já fomos bonzinhos porque não te confiscamos as mercadorias, e você continua aqui?”. Pape se encolheu, visivelmente nervoso. Um vendedor senegalês lhe disse, em wolof, para se acalmar e deixar pra lá. Após isso, os guardas se afastaram e Pape foi embora. Acompanhei-o até a praça próxima e ele, enfurecido, me disse: “São uns filhos da puta, não estava fazendo nada, só estava ali sentado!”.

Se a “tolerância” dos vigilantes e os arranjos extraformais podem, em algumas circunstâncias, facilitar o trabalho de venda, abrem espaço para uma qualificação de ordem pessoal para com o outro. Nessa dimensão, a assimetria da relação de poder institucional é deslocada para outro campo de significação que pode resultar em práticas de humilhação e ataque pessoal, como no caso acima citado, onde os guardas intimam Pape a abandonar o espaço público se autodefinindo como “bonzinhos” em oposição a ele, tido como “caradura”. Considerando que o orgulho (jom) e a discrição (souture) são valores centrais para os senegaleses, um episódio como esse, corriqueiro na dinâmica das interações cotidianas com a Segurança Pública, marca significativamente a autoestima dos vendedores. Nesse sentido, a

venda “abusiva”, principalmente de produtos contrafeitos, além de ser considerada por eles uma prática comercial perigosa, pois, quando sancionada, pode prejudicar a renovação do visto de permanência, é tida, por muitos, como “dura” e “humilhante”. A “dureza” desse trabalho é reforçada pela experiência de apreensão das mercadorias e por todo o contexto que define a atividade de fiscalização. De fato, quando essa é realizada, não implica somente no confisco dos produtos, mas pode comportar perseguição e, eventualmente, ameaças e agressão física dos vendedores, com a possibilidade, a segunda de suas reações, de desembocar em denúncias e processos por “resistência a público oficial”. Esses contextos se verificam com frequência e a perda sistemática das mercadorias representa um fator central na construção dessa prática comercial: os ambulantes, de fato, como veremos, precisam ciclicamente reorganizar o próprio trabalho, com consequências na tipologia de produtos tratados e na maneira de expô-los.

O comércio informal e ilegal de mercadorias, nas narrativas dos que a praticam, é tendencialmente apresentado como uma prática econômica “residual”, única opção de renda moralmente aceitável em situações de desemprego. O aspecto residual desse trabalho é acionado por meio de uma expressão padrão em relação às práticas coercitivas dos guardas: “eles (os Órgãos de Segurança Pública) querem que a gente roube ou venda droga”, costumam comentar os ambulantes quando sofrem ou presenciam uma fiscalização. Essa afirmação é mobilizada para legitimar um trabalho considerado informal e/ou ilícito pela legislação italiana, usando, como termo de comparação, práticas tidas como mais graves e reprováveis tanto do ponto de vista legislativo quanto pela perspectiva moral que eles compartilham. Dessa forma, a narrativa promove um deslocamento da noção de “informal”/“ilícito” associada à venda “abusiva” para a dimensão residual de atividades que, segundo os meus interlocutores, corresponderiam ao “mal menor”. Ao mesmo tempo, a afirmação inverte o sentido da coerção articulando uma ameaça indireta, porque formulada na terceira pessoa (“eles querem”), pautada pela ideia segundo a qual coibir a atividade informal/ilegal de venda por parte dos guardas os impele a atuar “roubando” ou “vendendo droga”. Se, do ponto de vista moral, para os senegaleses, essas duas últimas práticas são incorretas, a venda “abusiva” não fere as prescrições. O que pode ser alegado, ocasionalmente, é que desrespeitar a ordem jurídica não representa uma atitude correta, pois pode ofender as prescrições do outro170. Por outro lado, porém, o consumo de tais produtos

170 Onde o “outro” tem um sentido individual e não institucional: esse tipo de transgressão à lei pode ser

considerado negativamente por ferir as regras às quais algumas pessoas se identificam (passeantes, donos de lojas, comerciantes que trabalham formalmente), mais do que o Estado. Essa razão e a sua consequência prática,

pelos clientes funciona como elemento legitimador que balanceia a ideia de estar cometendo uma infração. Apesar dos impasses que o trabalho comporta, a venda ambulante informal e ilegal, como se comentou anteriormente, pode ser exercida como atividade econômica privilegiada por tempos determinados ou ao longo da inteira estadia do migrante na Itália171.

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