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Conducteurs en ´equilibre ´electrostatique

A observação, é um processo que se encontra inerente à aprendizagem humana. A partir do momento em que o nosso cérebro começa a processar a informação visual e a refletir o mundo real, começamos a observar e a reter a informação que nos rodeia.

Para Damas e Ketele (1985, p. 11) a observação é “um processo cuja

função imediata, consiste em recolher informações sobre o objecto tomado em consideração.” Aragão e Silva (2012, p.50) entendem que a “observação se constitui de uma ação fundamental para análise e compreensão das relações que os sujeitos sociais estabelecem entre si e com o meio em que vivem”.

De acordo com o regulamento do EP, Matos (2016b, p.6) afirma que faz parte das atribuições do estagiário “Observar aulas que podem ser regidas pelo

professor cooperante, pelos colegas estagiários ou outros professores de Educação Física da Escola/Agrupamento de Escolas onde realiza a PES.”.

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Na nossa área, seja esta no campo do ensino ou do treino desportivo, a observação pode ser considerada como mais uma ferramenta para a formação do professor / treinador, tal como Raymundo (2013) refere:

A possibilidade de construir conhecimentos a partir da observação da prática do outro é uma aprendizagem, descrita pelos alunos não como modelo do que se deve e do que não se deve fazer, mas como um saber construído no processo de formação que certamente se tornará uma referência à sua própria prática futura. (p.366)

Desta forma, logo no início no EP, ficou marcado em reunião de NE, quais as datas em que iríamos realizar as observações, quer aos professores estagiários quer ao PC e colegas de disciplina. Paralelamente a estas, o PC sugeriu que, numa fase inicial, onde iríamos efetuar as diferentes avaliações diagnósticas, marcássemos presença nas aulas uns dos outros. Desta feita, como estávamos numa fase muito precoce do nosso percurso como professores, a presença dos colegas, para além de permitir que estes colaborassem no processo avaliativo, também fazia com que nos sentíssemos mais seguros e confiantes, pois, caso fosse necessário, poderíamos recorrer a estes.

“Todavia, pelo facto de os colegas do núcleo de estágio e o professor

cooperante estarem presentes, facilitou este processo, pois desta forma cada um ficou com um grupo restrito, reduzindo o risco de confundir os alunos.”

Excerto da reflexão do 1º período As observações, sejam estas formais ou informais, são momentos de aprendizagem, quer para o professor observado, quer para o professor observador.

“A observação desempenha um papel basilar na melhoria da qualidade do processo ensino-aprendizagem e no desenvolvimento do professor, pois é através desta que o professor tem conhecimento dos aspetos positivos e negativos da sua prestação no decorrer da aula, podendo desta forma, melhorar os aspetos que não estão tão bem.”

Excerto da reflexão nº 16 (20/10/2016) – Ginástica Acrobática Quando nos encontramos do lado de fora do processo de ensino- aprendizagem, conseguimos ter outra visão de como tudo se processa e de diferentes ações que temos ao longo da nossa prática. Assim sendo, as

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observações foram responsáveis por uma mudança na minha prática pedagógica, devido ao que observava nas aulas dos meus colegas e também do que os mesmos observavam das minhas aulas.

O mesmo conteúdo, observado por duas pessoas diferentes, irá ter resultados e perspetivas também diferentes, pois, como refere Ludke e André (1986) “O que cada pessoa seleciona para “ver” depende muito de sua história

pessoal e principalmente de sua bagagem cultural.” (p.25). Os mesmos autores

afirmam também que é necessário planear a observação, tendo em conta o quê e como vamos observar. Desta forma, no início do ano letivo, o PC disponibilizou- nos as fichas de registo de observações (anexo 4), que serviriam para essa mesma tarefa.

Cada ficha continha um objetivo específico a ter em conta no momento da observação, sendo que em cada período, observámos conteúdos diferentes, nomeadamente: 1) Ganhar a confiança e estabelecer o controlo; 2) Rentabilizar

maximamente o tempo de aula – Gestão; e, 3) Melhorar a qualidade da

informação – Instrução. Todavia, o primeiro momento que tivemos contacto com este processo, foi através da observação aberta, onde tentei absorver o máximo de informação das aulas.

Após a observação, existia sempre um momento de reflexão e discussão do que tinha sido observado, em reunião de NE. De referir que estas não tinham caráter pejorativo, sendo as mesmas mais um momento de aprendizagem para a nossa evolução enquanto profissionais. A troca de experiências e de opiniões entre todos os intervenientes: professores estagiários, PC e PO, tornaram-se uma mais valia para mim, permitindo ter conhecimento de erros que cometíamos sem nos darmos de conta, novos métodos de intervir com os alunos e, consequentemente, melhorar a minha prestação no processo de ensino- aprendizagem, pois, como refere o autor Sarmento (2004), “observar formula

dúvidas e proporciona respostas” (p. 163).

O facto de nos encontrarmos todos a lecionar o mesmo ano de escolaridade, no qual as matérias de ensino eram as mesmas, fez com que olhasse para a observação com outros olhos. Deste modo, tinha sempre o cuidado de refletir sobre o que tinha observado, reforçando o que, a meu ver, tinha sido positivo e tentando encontrar soluções para o que tinha achado menos

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positivo, com o intuito de ajudar os meus colegas e, caso acontecesse durante a minha prática pedagógica, já estar minimamente preparado para a solucionar.

“Para dar início ao primeiro exercício, o professor dependia dos

equipamentos informáticos que a sala possui, mais especificamente, o projetor. Contudo, o mesmo encontrava-se com algum problema técnico e não estava a funcionar no momento oportuno (…) Na minha opinião, o professor poderia ter selecionado quatro alunos, e, demonstrava a figura. Desta forma, os alunos teriam uma figura modelo, sendo proferidas pelo professor as informações relevantes para o monte/desmonte e êxito da mesma.”

Excerto da reflexão da observação nº 1 – Aula nº 14 (19/10/2016) Ao longo do ano letivo foi visível que o comportamento e prestação motora dos alunos das nossas três turmas, eram completamente distintas. Ao longo das observações, formais e informais, fui-me deparando com a evolução e ganho de controlo e confiança da turma, por parte de um dos meus colegas de estágio, dado que essa mesma turma era muito inconstante.

“Durante toda a aula, foi visível a falta de motivação e empenho por parte dos mesmos, em alguns exercícios. De referir ainda que durante os momentos de instruções, os alunos encontravam-se eufóricos, perturbando a prestação do professor.

Excerto da reflexão da observação nº 3 – Aula nº 24 e 25 (17/11/2016)

“Ao longo de toda a aula também foi visível que a maior parte dos alunos, estava a realizar a tarefa com empenho e motivação, não existindo nenhum comportamento desviante a registar.”

Excerto da reflexão da observação nº 8 – Aula 63 (07/03/2017) Também com as observações, foi possível detetar que até para dar início às aulas, tínhamos comportamentos distintos. Várias foram as trocas de opiniões sobre este assunto, durante as reuniões e fora delas, porém, existia sempre um fator denominado “alunos” que dificultava essa tarefa por diversas vezes, pois na maior parte das aulas estes compareciam no espaço de aula após o início da mesma.

“A aula iniciou-se com um pouco de atraso, visto que os alunos não compareceram no espaço de aulas na hora da aula.”

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“De salientar, que o professor não esperou por todos os alunos para dar o início à aula, aumentando desta os tempos de exercitação dos exercícios da mesma.”

Excerto da reflexão da observação nº 3 – Aula 26 e 27 (25/11/2016)

“Para dar início a aula optei por não esperar que todos os alunos chegassem ao espaço de aula, começando com aqueles que se encontravam no mesmo.”

Excerto da reflexão nº 26 (17/11/2016) - Andebol Como já referi anteriormente, sempre que possível, retirava ilações das aulas dos meus colegas, de forma a melhorar a minha prestação no decorrer das minhas aulas.

Foi notório durante todo os jogos, que poucos alunos participavam de forma ativa neste, pois o jogo acabava por acontecer por intermedio de 2/3 alunos. Este fator poderá ser contrariado, introduzindo algumas regras, como por exemplo, só vale golo se a bola circular por todos os jogadores que participa no ataque.

Excerto da reflexão da observação nº 3 – Aula 26 e 27 (25/11/2016)

“Ainda devido a esta deslocação, fui visível alguns problemas na equipa do X/Y/Z, onde o jogo era praticado maioritariamente pelo aluno X. Esta opção, estava a fazer com que as restantes colegas se encontrassem desmotivadas, sendo que rapidamente intervim, ao colocar algumas regras nesta equipa.”

Excerto da reflexão nº 68 e 69 (21/03/2017) – Basquetebol Todavia, nem sempre fui capaz de me adaptar às adversidades constatadas através das observações, ou seja, deparei-me com uma situação, que a meu ver, teve algumas repercussões negativas na aula de um colega mas, quando me defrontei mais tarde com o mesmo problema na minha aula, acabei por tomar a mesma decisão que ele, embora eu já tivesse tomado conhecimento prévio.

“Após o término deste, o professor permitiu que os alunos saíssem do espaço da aula para irem beber água. O único aspeto negativo a apontar desta decisão, é por ter atrasado o início do exercício seguinte.”

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“No momento de transição para a parte fundamental da aula, e tendo em conta que praticamente todos os alunos deram o seu máximo na parte inicial, mostrando algum cansaço, permiti que estes pudessem ir sair do espaço de aula para se irem hidratar.

Excerto da reflexão nº 62 e 63 (07/03/2017) – Dança Paralelamente às observações dos meus colegas de PES, tive o privilégio de assistir a diversas aulas do PC, bem como dos restantes colegas de EF. Sim, para mim foi um privilégio ter podido observar as aulas de professores com vários anos de experiência na docência, que já passaram por uma diversidade de situações, impensáveis para nós, em início de carreira. Assim sendo, foi possível assistir a diferentes formas de atuação entre todos eles, pois, como seria normal, cada professor tem a sua forma individual de atuar e interagir com os alunos, tendo em conta a turma, o ano de escolaridade e a matéria de ensino. Nestas, tentei sempre absorver o máximo de informação que conseguia e consequentemente, adaptar às minhas condições de práticas o que era possível. Neste sentido, posso afirmar que todos os momentos de observações realizados foram fundamentais para a minha evolução enquanto professor, quer no papel de observador, quer no papel de observado. Através destas, foi possível verificar que, por mais atento que o professor seja, numa fase inicial da carreira de docente, não somos capazes de estar atentos a todos os pormenores no decorrer da aula, existindo sempre algo que nos escapa. Desta forma, através das observações realizadas pelos meus colegas, PC e PO, tive conhecimento sobre as minhas falhas e, a partir desse momento, tentei corrigir e melhorar esses mesmos erros. Posso dizer que, ao contrário, também acontecia, ou seja, sempre que ia para uma observação tinha como objetivo apurar o que cada professor estagiário fazia de bem e menos bem, para que, posteriormente tentasse propor soluções e, em discussão, ajudasse os meus colegas a refletir sobre as suas práticas, e assim, apoiarmo-nos reciprocamente.

4.1.3.4 A reflexão como promotora da evolução no processo ensino-