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: autres conditions d’emploi

Dans le document Services de l exploitation (SV) (Page 79-82)

O El Niño de 1939 a 1941, no conjunto dos dados da Estação Santa Cruz do Sul, do Serviço de Meteorologia do Ministério da Agricultura (1914 a 1968), destaca-se tanto em termos de totais mensais e anuais, como em termos de precipitação máxima em 24 horas. O ano de 1941 registrou o total máximo do período, com 2.325,4 mm, a precipitação máxima mensal, nos meses de abril (464,2 mm), maio (403,8 mm) e novembro (293,8 mm) e, também, o trimestre mais chuvoso, com 984,4 mm (de abril a junho), e os cinco meses mais chuvosos do conjunto – de abril a agosto de 1941 a precipitação foi de 1.386,5 mm. Além disso, a precipitação máxima diária registrada para o mês de janeiro, de 113,2 mm, ocorreu em 15/01/1940; a máxima de maio, de 111,5mm, ocorreu em 4/04/1941; e, ainda, o total diário máximo de novembro, de 164,0mm, ocorreu em 16/11/1941. Esta é, até hoje, a maior precipitação em 24h de que se tem registro perto da área de estudo. Como já se observou na seção anterior, a precipitação continuada nos meses de abril e maio, aliada à precipitação intensa do dia 4 de maio de 1941, produziu a maior enchente de que se tem registro em toda a bacia do rio Jacuí.

Alguns eventos de precipitação muito intensa em pouco tempo, como o de 23 de março de 1974 ou o de 8 julho de 2003, não estão relacionados a eventos El

Niño.

Em março de 1974, ocorreram fenômenos de precipitação excepcional e inundações bruscas em diferentes localidades do Rio Grande do Sul e do sul de Santa Catarina. A precipitação intensa e contínua culminou em inundações históricas e catastróficas nas bacias dos rios Tubarão e Mampituba no dia 24 de março daquele ano (MACHADO, 2005). No Rio Grande do Sul, a área que foi fortemente afetada no dia 23 foi a bacia do arroio Castelhano, abrangendo parte do município de Venâncio Aires e parte do município de Santa Cruz do Sul.

O desencadeamento do evento pluviométrico excepcional no sul de Santa Catarina foi assim descrito, com base nas fontes de registro que existiam à época: um anticiclone marítimo (massa polar atlântica) deslocou-se desde as altas latitudes do hemisfério sul, seguindo uma trajetória incomum, permanecendo estacionário junto à costa sudeste do Brasil, provavelmente bloqueado pela escarpa da Serra

Geral. A circulação em torno do anticiclone fez-se no sentido geral leste-oeste (do oceano para o continente), com ventos de até 80 km/h. O ar úmido proveniente do oceano Atlântico Sul foi lançado sobre o continente e forçado a se elevar pela escarpa da Serra Geral. Esta subida forçada e rápida provocou a expansão e o resfriamento da massa de ar, a condensação do vapor d’água, a formação de nuvens cúmulo e cúmulos-nimbos e uma precipitação orográfica violenta, em curto prazo e localizada (THOFEHRN e ROCHA, 1979, p. 13-14). Atualmente, com a capacidade que se tem para sondar a atmosfera, a atuação de jatos em altos níveis e a formação de complexos convectivos de mesoescala seriam, certamente, considerados fatores essenciais na compreensão da circulação atmosférica regional capaz de originar eventos pluviométricos excepcionais em áreas onde fatores locais contribuíssem para a intensificação da convecção.

Um leigo no assunto, no entanto, só consegue perceber a excepcionalidade do evento como um cronista do Jornal Folha do Mate, que assim descreveu o fenômeno:

Uma nuvem gigantesca veio do sul e se virou em direção noroeste, e ainda não conseguiu ultrapassar a serra de Vila Deodoro, fazendo chover na encosta da serra, onde só parou quando totalmente desgastada, causando aquele flagelo. Neste acontecimento o homem não pode influir. Por sorte o fenômeno acontece raras vezes e, quando acontece não é sempre no mesmo lugar (Folha do Mate, 05/04/1974, p.5).

Já chovia desde sexta-feira, dia 22/03; no entanto, no sábado à tarde começou a chover torrencialmente em toda a bacia do Castelhano. Nos vales encaixados dos arroios Castelhano, Isabela, São João e Grande, em pouco tempo, começaram a ocorrer deslizamentos, enxurradas com blocos e pedras, fluxos de lama, barramentos, desvios de cursos de água e inundações bruscas.

As águas descidas dos morros se juntavam, se somavam nos pequenos arroios que cresceram em proporções fora do comum começando uma destruição. [...] As águas rapidamente ganharam uma fúria incontida e começaram a arrastar desde casas com todos os seus móveis, carros, galpões, chiqueiros de porcos e gado, até pontes árvores e lavouras. (Folha do Mate, 23/03/1974)

Na localidade de Linha Isabel, um adolescente foi carregado pelas águas e, no alto Vale do Castelhano, duas pessoas morreram soterradas. Em termos agrícolas, os prejuízos foram significativos, tanto em termos de produção como de infraestrutura.

A safra agrícola que prometia ser boa até aquele sábado 23/03/1974. Aproximadamente 36.000 sacos de soja foram perdidos, 90.000 sacos de milho, 13.000 sacos de arroz, além do desaparecimento de aproximadamente 100 suínos e 50 bovinos. Em termos de estruturas para fins agrícolas várias casas galpões, pocilgas e cercas foram destruídos pela enxurrada (Folha do Mate, 29/03/1974, p.11).

Às 22 horas, a chuva parou completamente, e a população urbana de Venâncio Aires foi dormir tranqüila. No entanto, a partir das 23 horas, as águas violentamente invadiram a cidade. A inundação atingiu rapidamente as casas em quarteirões mais próximos ao arroio com uma forte correnteza, o que impediu o resgate de qualquer bem. Muitas pessoas foram recolhidas dos telhados ou de árvores. Às duas horas da manhã, a água começou a baixar e, na manhã seguinte, a inundação já não atingia mais a cidade (Folha do Mate, 29/03/1974).

Cursos d’água como o Castelhano, que têm suas bacias de captação junto à escarpa e que têm um curso inferior sinuoso e com pouco declive, em situações como esta, saem rapidamente de seu leito, desenvolvendo uma lâmina de água que se move mais rapidamente e com maior gradiente sobre a planície de inundação e que causa grande impacto por onde passa. Em 1974, a erosão acentuada e o escoamento superficial nas bacias de captação foram acelerados pela falta de arborização das encostas e pela relativa impermeabilidade dos solos argilosos locais (tornados ainda menos permeáveis pela ausência de vegetação). A enorme carga de sedimentos resultantes, carregada pelas torrentes e rios, também foi responsável por danos consideráveis nas áreas ocupadas pelo homem junto aos arroios.

Na bacia do Castelhano, os prejuízos foram enormes, tanto no município de Santa Cruz do Sul como em Venâncio Aires. Em Santa Cruz do Sul, a área urbana de Monte Alverne, sede do distrito de mesmo nome, foi a mais atingida, pois a água aí chegou com maior velocidade e mais detritos. Em Venâncio Aires, foi decretada calamidade pública. Em 26/03/1974, o jornal Folha do Mate noticiou como manchete “A maior enchente da história de Venâncio Aires”. Constava nas páginas centrais desse jornal que esta enchente teria sido a maior enchente da história de Venâncio Aires, superando em mais de um metro a enchente de 1941 em alguns locais da cidade. A diferença entre as duas inundações foi sua duração. A enchente de 1941 foi gradual e perdurou por mais tempo, já a de 1974 registrou um aumento súbito e violento das águas, causando inundação com duração de somente algumas horas.

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