Em 2003, BIM foi introduzido na University of Minnesota (UMN) (AUTODESK, 2007b [7A]), no Madison Area Technical College (MATC) (MADISON AREA
TECHNICAL COLLEGE, 2003 [79A]) e no Worcester Polytechnic Institute (WPI)
(SALAZAR; MOKBEL; ABOULEZZ, 2006 [98A]).
Em 2004, a Califórnia State University (CSU1) em Chico, California (EUA),
começou a ensinar BIM para alunos do curso de Gerenciamento da Construção, em disciplinas específicas (KYMMELL, 2008 [75A]).
Em 2005, a Tongji University (TJU) introduziu BIM no curso de Engenharia Civil ao ensinar a colaboração interdisciplinar em disciplina de Gerenciamento da Construção (HU, 2007 [64A]). No mesmo ano, a University of Utah (The U) iniciou
um processo de reestruturação do currículo de arquitetura (SCHEER, 2006 [99A]), a
Montana State University (MSU2) passou a ensinar BIM, em disciplinas isoladas, para arquitetura (BERWALD, 2008[19A]; LIVINSGSTON, 2006[77A]) e a
Pennsylvania State University (Penn State) já utilizava ferramentas BIM na modelagem de protótipos virtuais de edifícios para melhorar o ensino de Engenharia Arquitetônica e Arquitetura (MESSNER; RILEY; HORMAN, 2005 [81A]).
Em 2006, a Penn State introduziu, pela primeira vez, um Ateliê de Projeto Integrado em que BIM foi utilizado (ÖNÜR, 2009 [87A]).Outras escolas, como a
New Jersey Institute of Technology (NJIT) (HOON, 2006 [63A])e a Brigham Young University (BYU) (BRIGHAM YOUNG UNIVERSITY, 2010 [20A]), também passaram a ofertar disciplinas específicas BIM.
Em 2007, a NJIT recebeu da Autodesk Inc. o prêmio Revit BIM Experience, mas, informalmente, o software já era utilizado em Ateliê de Projeto Avançado (ZDEPSKI; GOLDMAN; HOON, 2007 [3F]). A Auburn University começou a exigir
BIM em projeto de conclusão de curso (TAYLOR; LIU; HEIN, 2008 [107A])e, na
University of Wyoming (UW3), os estudantes já aprendiam conceitos de colaboração no desenvolvimento de um projeto com BIM (HEDGES, 2008 [56A]).
Desde então, muitas outras escolas começaram a integrar disciplinas com o suporte de BIM. Um exemplo é a Texas Tech University (TTU), que passou a integrar disciplinas de Tecnologia da Construção e Representação/Mídia, que eram pré-requisitos para o ateliê de projeto dos semestres seguintes (REX; PARK, 2008 [90A]). Em 2007, uma experiência única, até então, aconteceu na
University of New South Wales (UNSW): estudantes de vários cursos desenvolveram um modelo de construção compartilhado, utilizando o padrão IFC (PLUME; MITCHELL, 2007 [125A]).
Em 2008, algumas escolas começaram a introduzir BIM como suporte ao ensino da colaboração interdisciplinar e da colaboração à distância. A School of Architecture and Urban Planning da University of Wisconsin-Milwaukee (UWM – SARUP), por exemplo, passou a ensinar BIM em diversas disciplinas do currículo (STAGG, 2009 [102A], JORDAN; TRAN, 2008 [68A]; TALBOTT, 2009 [104A]; DICKER;
SNYDER, 2008 [39A]). A California Polytechnic State University (Cal Poly) começou
a ensinar BIM em uma disciplina que reunia estudantes de Arquitetura, Engenharia e Gerenciamento da Construção (DONG, 2008 [41A], DONG;
DOERFLER; MONTOYA, 2009 [43A], ESTES; NUTTALL; Mc DANIEL, 2008 [47A]).
Em 2008 e 2009, algumas instituições, como a University of Wyoming (UW3), a
Montana State University (MSU2), a University of Nebraska-Lincoln (UNL), a UWM-SARUP, a University of Southern California (USC), a Pennsylvania State University (Penn State), a University of Illinois (UI), a Stanford University (SU), a Cal Poly, South China University of Technology (SCUT) e a Aachen University (RWTH), foram premiadas pela AIA – TAP e Association of Collegiate Schools of Architecture (ACSA) e pela Autodesk Inc. Desde então, essas instituições passaram a ser identificadas como líderes nessa tecnologia (HEDGES et al., 2009
[4A], HEDGES et al., 2008 [57A], AUTODESK INC, 2008 [7B], 2009 [15A]).
Em 2010 e 2011, as instituições Stanford University (SU), Colorado State University (CSU2), Milwaukee School of Engineering (MSE) e Brigham Young University (BYU) foram premiadas pelas associações profissionais United States Distance Learning Association (USDLA) e Associated Schools of Construction (ASC) por sua experiência no ensino de BIM multidisciplinar/internacional e em
competições estudantis (ASSOCIATED SCHOOLS OF CONSTRUCTION, 2011
[5B], BECKER; JASELSKIS; Mc DERMOTT, 2011 [12B]).
Nesse período, algumas universidades passaram também a oferecer cursos de pós-graduação que apresentavam o termo BIM no grau a ser obtido. São exemplos: University of Salford, University of Glamorgan, Northumbria University (KEMPER, 2012 [18F]), University of Wolverhampton, International Academy of
Design and Technology35, University of Liverpool (MANDHAR; MANDHAR, 2013
[38F] ROONEY, 2014[57F]), Universidad Europea (LIÉBANA, 2013 [41F]), University of
Sheffield, Birmingham City University, University of South Wales, University College London and Middlesex University (ROONEY, 2014 [57F]).
De acordo com a análise textual do grupo A, as escolas de arquitetura foram as que primeiro começaram a ensinar BIM e são as que, hoje, ministram a maior quantidade de disciplinas que ensinam BIM, dados que podem ser observados no Quadro 12 e na Figura 9. Esses resultados foram confirmados por pesquisa de Becerik-Gerber, Gerber e Ku (2011) [11B] eJoannides, Olbina e Issa (2012) [22F].
Quadro 12 – Cursos que introduziram BIM no período 1990-2009 Ano Instituição de ensino
1990 Georgia Tech (arq e eng), TAMU (arq e eng) 2000 PHS (arq)
2003 UMN (arq), MATC (arq), WPI (eng)
2004 CSU1 (const), UN (arq), Penn State (arq e eng), Mackenzie (arq) USJT (arq) 2005 TJU (eng), SCAD (arq), UW3 (eng), MSU2 (arq), UN (arq), THU (arq)
2006 The U (arq), NJIT (arq), UK (eng), TSU (eng), UC (eng), LTU (eng), BYU (arq e eng)
2007 AU (arq e eng), BAC (arq), USMA (eng), WIU (eng), U.Va (eng), Cal Poly (arq, eng, const), BGSU (arq e const), SHARJAH (arq)
2008 CSM (arq), NCSU (arq), UNC (arq), TTU (arq), USC (arq), WSU2 (eng), UW1 (const), Purdue (IT, CG e const), QUT (arq)
2009 LCC (arq), CUA (arq), TC (arq), Virginia Tech (arq e const), GMU (eng), ASU (eng), METU (arq), Salford (arq), EPUSP (eng), Unicamp (arq e eng)
Fonte: A Autora, 2014
Figura 9 – Cursos que introduziram BIM no período 1990 - 2009
Fonte: A autora, 2011
Em síntese, foi a partir de 2005 que algumas escolas começaram a introduzir BIM e a ensinar colaboração em disciplinas de Gerenciamento da Construção e Ateliê de Projeto Integrado, mas foi em 2008 que BIM passou a ser utilizado em Ateliê de Projeto Interdisciplinar, chegando a reunir alunos de até seis cursos diferentes, experiência ocorrida na Penn State (HOLLAND et al. 2010 [47B]).
A partir de 2010, surgiram outras modalidades de Ateliê de Projeto que focavam BIM e o conceito de colaboração. Um deles foi o Integrated Construction Leadership Studio (ILS), oferecido pela Virginia Polytechnic Institute and State University (Virginia Tech) (que denominamos Ateliê de Projeto Interníveis), que reuniu alunos de três cursos, de vários níveis: desde o segundo ano até a pós- graduação (TAIEBAT; KU; McCOY, 2010 [84B]).
Outra modalidade de Ateliê de Projeto que está sendo implantada pela Virginia Tech é o Integrated Real Estate Program (IREP) (que denominamos Ateliê de
Projeto Transdisciplinar), cujo objetivo é oferecer várias disciplinas ao longo do currículo e reunir alunos de outras disciplinas, além das pertinentes ao setor de AEC (PISHDAD; BOSORGI; BELLIVEAU, 2010 [68B]).
No entanto, essas duas novas modalidades de Ateliê de Projeto também têm seus problemas. A desvantagem do Ateliê de Projeto Interníveis é a falta de
conhecimento dos alunos do segundo ano, que ainda não têm experiência na utilização da ferramenta BIM e ainda não dominam os conceitos de BIM. Os modelos por eles desenvolvidos são, às vezes, incompatíveis em termos de precisão, nível de detalhe e posicionamento, o que dificulta o trabalho de coordenação, que é desenvolvido por alunos de níveis mais avançados. Além disso, apesar de haver interação entre alunos iniciantes e alunos mais experientes, o tempo de duração do ateliê é insuficiente para o aprendizado das inúmeras ferramentas BIM (TAIEBAT; KU; Mc COY, 2010 [84B]).
O maior problema do Ateliê de Projeto Transdisciplinar é o envolvimento de professores de diferentes departamentos, cujos valores e escopos, geralmente, são diferentes dos de seus alunos. Além disso, eles não possuem experiência em colaboração e adotam diferentes formas de avaliação (DEDERICHS; KARLSHOJ; HERTZ, 2011 [28B]). Nesse ambiente, os alunos podem ter culturas diferenciadas
e, por consequência, diferentes expectativas, tipos e níveis de conhecimento, percepções e vontade de se envolver com a tecnologia (DOSSICK; PEÑA, 2010
[32B]).
Conforme pode ser visualizado na Figura 10, a introdução de BIM nos currículos se deu, inicialmente, por meio de disciplinas especializadas, durante o segundo nível das práticas colaborativas, momento em que predominavam a criação e o uso de modelos BIM parciais. As abordagens colaboração intracurso, interdisciplinar e à distância surgiram na terceira fase das práticas colaborativas, quando a indústria passou a utilizar o modelo BIM integrado. Mais tarde, em 2010, surgiram os modelos de colaboração transdisciplinar, interníveis, bi/multinacional à distância e semipresencial, época do lançamento de servidores BIM (livres e proprietários) baseados em tecnologia de computação em nuvem e no uso de BIM para gerenciamento do ciclo de vida da edificação.
Contudo, apesar dessas propostas inovadoras para o ensino de BIM, estudos de Thomas, Grahan e Wall (2007) [131A], Guidera (2007) [129A], Sabongi (2009) [95A],
Johnson e Gunderson (2009) [67A] e Floyd e Seidler (2010) [38B] constataram que
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Fischer (2011) [37B] confirma esta realidade ao dizer que o estágio das
universidades norte-americanas, quanto ao ensino de BIM, ainda é muito variado. Além disso, Woo (2007, p.1) [123A] sustenta que: “there is no accepted instruction
strategy for teaching BIM in AEC-related curriculum36” e esta realidade indica, conforme Casey (2008a) [18B], que, nos Estados Unidos, o ensino de BIM ainda
não está consolidado. Por outro lado, no Reino Unido, as escolas priorizaram o ensino de BIM para estudantes de pós-graduação (MANDHAR; MANDHAR, 2013
[38F]). Em um estudo sobre o estado atual do ensino de BIM ao redor do mundo,
Rooney (2014) [57F] constatou que o Reino Unido parece liderar a oferta de cursos
de pós-graduação em BIM.