flexion trois points cyclique
Chapitre 6 Conclusions et perspectives
Pensar em diversidade requer pensar no plural, isto é, fazer das mais diversas formas de pensar um espaço de interação de abertura, de estímulo e de resposta e de capacidade em viver e conviver com diferentes opiniões e ideologias e fazer uma mediação igualitária à sociedade onde se insere. Daí a importância da diversidade conseguir conviver com ela.
O processo de globalização neoliberal18, facilitado pela rápida evolução das novas tecnologias da informação e da comunicação - NTIC, gera condições de um diálogo renovado entre as culturas e constitui um desafio à diversidade cultural (ver NC 14, p. 8 do anexo).
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Tomamos os dizeres de Santos e Canclini para domonstrar a ambivalencia do fenómeno. Santos (2006) admite-o como como uma fábula que defende um mercado avassalador global, supostamente capaz de homogeneizar o planeta, quando na verdade acentua as desigualdades locais. Enquanto o culto ao consumo neste mercado global é incentivado, o mundo se torna mais distante de uma verdadeira cidadania universal; já para Canclini (2004), defende que o fenómeno também pode ser considerado como uma complexa rede de projetos de sociedade e de diversidade de interesses traduzidos nas disputas das representações ideológicas, políticas e culturais que estão em curso atualmente.
71 Contudo, a diversidade cultural cabo-verdiana remonta à época do descobrimento e povoamento, aliada a sua condição de arquipélago, ao impacto como sociedade voltada para a emigração, as sucessivas modernidades, as constantes redefinições do mundo e o contato e necessidade de estabelecer parcerias com o mundo exterior.
Porém, Ramos (2009) faz um apelo:
O mais importante no processo de comunicação é assegurar o conhecimento do património cabo- verdiano para que crie entre a comunidade local o que de facto serve para salvaguarda: a conscientização. Sua eficiência faz-se por estabelecer uma cultura de respeito à multiplicidade entre os sujeitos, povos e nações, cujas condições se constituam na mutualidade e reconhecimento da lógica do outro, com suas diferenças nos campos económico, político, ideológico que configuram premissas de grande impacto nas gestões públicas culturais. (p. 32)
A Declaração Universal dos Direitos Humanos defende os direitos culturais como parte integrante dos direitos humanos, que são universais, indissociáveis e interdependentes, marco propício da diversidade cultural (art. 5º); o desenvolvimento de uma diversidade criativa exige a plena realização dos direitos culturais (art. 27º).
Assim parte-se do princípio que cada cultura se expressa de uma forma diferente, logo, cada ato, cada ação deve ser interpretado nos termos da sua própria cultura. A isso damos o nome de relativismo cultural. E, para que baseia sobre o princípio da coerência de todas as culturas “les cultures humaines se valent, qu'elles ne sont pas hiérarchisées, qu'elles doivent être appréhendées dans leur propre contexte historique et social” (Akkari, UNIGE, 2012, curso 6, diap. 19) e a nós cabe respeitar a diferença. Pois, como afirma UNESCO “Diversidade Cultural e Direitos Humanos”, (2006):
Toda pessoa deve, assim, poder expressar-se, criar e difundir suas obras na língua que deseje e, em particular, na sua língua materna; toda pessoa tem direito a uma educação e uma formação de qualidade que respeite plenamente sua identidade cultural; toda pessoa deve poder participar na vida cultural que escolha e exercer suas próprias práticas culturais, dentro dos limites que impõe o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais. (art. 5)
Esta descrição não só serve para destingir o país como um todo, bem como para vincar as particularidades das ilhas. A tentativa dos povos das ilhas em manifestar diferenças culturais veio desde cedo e já na era colonial se manifestava através das produções literárias, de língua crioula cabo-verdiana, das músicas (morna, coladeira, funaná, batuque, tabanca, finason) da culinária, etc. Todavia, é preciso acrescentar que as diferenciações regionais também se manifestem em outros campos. Tal com salienta o investigador e pesquisador cabo-verdiano João Lopes filho (citado em Andrade, 1997), são um tanto diferentes, ou relativamente diferenciáveis as sensibilidades dos vários ilhéus, visto que (sem descer aos pormenores), é sabido, por exemplo, na generalidade, não reagem da mesma maneira o santantonense e o
72 santiaguense, o saniculaense e o foguense, ou ainda o santiaguense e o bravense (para se referir a ilhas do mesmo grupo - Barlavento, Sotavento), etc. Tornam-se portanto evidentes as diferenças de comportamentos, hábitos, estilos de vida, tradições, crioulo local, enfim, a personificação social das diversas ilhas cabo-verdianas, advindas, por certo, dos vários processos utilizados nos respetivos povoamentos e suas consequências na evolução sociocultural de cada uma.
Assim, presume-se necessário respeitar e valorizar as diferenças culturais, ao abrir-se à tolerância e a capacidade de gerir a igualdade na diversidade e a pluralidade oferecida pela sociedade multicultural. Esta diferença deve ser vista como oportunidade para aprender a viver junto com o outro, isto é, usada como recurso à educação.
A educação enquanto memória de um povo e simultaneamente espaço de libertação do ser humano deve criar mecanismos na promoção do convívio harmonioso prevalecendo o interesse da escola e da comunidade, surgindo como instrumento que garanta a conservação e o desenvolvimento da consciência social legitimando as características e particularidades específicas no tempo e no espaço. A escola, mais que qualquer uma outra instituição, é o meio onde através do sistema de valores, representações e interpretações da realidade, expectativas e hábitos diferentes, maneiras diversas de se relacionar, reflete a diversidade cultural. Uma forma de ver como a escola se comporta face à diversidade cultural é ver a sua visão sobre a língua.
É preciso conhecer e valorizar a diversidade e especificidade de cada ilha em cada ilha a fim de tornar o processo ensino/aprendizagem mais rico, baseada na relação humana com o outro, pelos outros e para os outros. A educação não é, nem pode ser, asséptica, neutral. Ela manifesta-se no quadro de uma cultura social, de uma identidade cultural específica, possuidora de uma estrutura axiológica própria (Stoer, 1986; Patrício, 1993, 1995; Esteve, 1995; Hargreaves, 1998).
Ao longo destas décadas de existência a exaustiva preocupação com a massificação e obrigatoriedade do ensino básico em Cabo Verde não restou espaço para um olhar sobre a existência das diferenças reais entre as ilhas, os alunos e ao valor dessas diferenças, como se a sua aceitação levasse à desigualdade. A valorização consentânea com a realidade nacional e regional constitui tarefa de urgente necessidade. De alguma forma ou em algum momento ter- se-á de aceitar e valorizar tal diversidade. Esta precisa de ser entendida, conhecida, aprofundada, a fim de facilitar o processo ensino/aprendizagem isto é a relação professor/aluno. Diz UNESCO (2006) promover, por meio da educação, uma tomada de consciência do valor
73 positivo da diversidade cultural e aperfeiçoar, com esse fim, tanto a formulação dos programas escolares como a formação dos docentes.