• Aucun résultat trouvé

Conclusion and policy implications

Dans le document TRANSNATIONAL CORPORATIONS (Page 66-75)

Uros Delevic *

5. Conclusion and policy implications

Se saltam de cérebro em cérebro com o desenvolvimento das tecnologias digitais, os memes pulam também de tela em tela a partir de irradiações imitativas de extensões globais, tendo sua complexidade repercutida a partir de formas cômicas, movidas e alimentadas por ânimos e temperamentos. Nesse sentido, Luís Martino (2015) frisa que memes e virais costumam ser confundidos, pois ambos podem se espalhar nos espaços virtuais e apresentam- se de formas semelhantes por meio de vídeos, textos ou imagens que são reproduzidos e podem ser relacionados a contextos diferentes do original. Porém, enquanto os virais tendem a ser reproduzidos milhares de vezes em sua forma original, os memes se afirmam não apenas pela repetição, mas, sobretudo, pelas modificações, apesar de que nada impede um viral de se tornar um meme (MARTINO, 2015).

Portanto, diferentemente dos memes descritos por Dawkins (2007), a cópia não representa o aspecto essencial nos memes da internet, mas, sim, sua capacidade diferenciada de acionar e criar sentidos, o que nos permite adentrar, através da produção de novos sentidos, na segunda categoria de análise tardiana: a oposição. Tal categoria diz respeito a uma relação entre duas forças ou tendências, exemplificadas por Tarde (2011) ao afirmar que, ao escrever, ele se depara com duas locuções que são sinônimas e ambas se tornam preferíveis de acordo com a circunstância. Em síntese, o que ocorre é que dois raios imitativos o atingiram. Isso significa que, a partir do primeiro inventor de cada uma dessas palavras, um indivíduo aprendeu de outro, que aprendeu de outro até chegar nele.

A propagação de um inventor ou iniciador é denominada de irradiação imitativa, a qual alicerça a vida social por meio do denso entrecruzamento de tais irradiações, que sofrem várias interferências (TARDE, 2011). O fluxo circunstancial das redes sociais digitais realça tal entrecruzamento, haja vista que a disputa pela narrativa dos acontecimentos exige fugacidade e antecipação, como é demonstrado na postagem do Twitter ilustrada na Figura 2.

Figura 2 – Postagem, no Twitter, relativa às expectativas acerca da votação do impeachment na Câmara dos Deputados.

Fonte: Twitter.

A Figura 2 demonstra, também, que os memes e política são tratados como assuntos íntimos, o que remete a uma condição paradoxal: os memes falam sério acerca de um tema encharcado pelo escárnio, depreciação e chacota, ou brincam com um tema sério? São potências inventivas, caracterizadas por uma narrativa particular, cujos sentidos são construídos a partir de uma estrutura rejeitada pelo pensamento rígido, que será tratado no terceiro capítulo.

2.2.1 Memes de direita e memes de esquerda

Gabriel Tarde (2011) explica que existe uma concorrência de desejos e crenças que abarcam todas as formas linguísticas (religiosa, política, artística e moral), evidenciando-se sempre que hesitamos entre adotar ou rejeitar um novo modelo proposto, seja uma nova conduta ou nova ideia. De maneira geral, a oposição referente ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff é político-partidária, mas, Tarde (2011) ressalta que a oposição, comumente e equivocadamente, é concebida como o máximo de diferença. Os opostos, na verdade, sempre formam um par e não são oponíveis em si (enquanto grupo ou partido político), pois correspondem a um tipo particular de repetição: a de duas coisas semelhantes que tendem a se destruir, justamente por causa de sua semelhança. A real contrariedade em questão existe como forças que se opõem enquanto tendências, ou seja, não existe oposição entre dois partidos, por exemplo, mas, sim, na condição que eles representam.

Portanto, as oposições verdadeiras residem na relação entre duas forças, duas tendências ou duas direções, às quais só podem se converter em luta, quando o indivíduo tem consciência de que outros indivíduos fizeram uma escolha contrária. Nesse sentido, Tarde (2011) salienta que a oposição social elementar deve ser buscada, não na relação entre dois indivíduos que se contradizem, mas nos embates singulares de teses, nos quereres e não quereres que, pelas consciências sociais, são teatralizados. Nessa perspectiva, são nos debates meméticos, presentes na internet, sobre o impeachment da primeira presidenta do nosso país que buscaremos a oposição social que sustentou, de um lado, o "tchau querida" e de outro, o "não vai ter golpe". Dito isto, nossa investigação se direciona, agora, em busca de pistas sobre o "tornar-se" um meme na internet.

2.2.2 Memes e política

Assim como qualquer assunto trivial pode se tornar um meme na internet, acontecimentos ou assuntos de importância e interesses coletivos também podem, como ocorreu com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Tal acontecimento se trata de um processo político-criminal instaurado com o objetivo de impedir a continuidade do seu mandato, perante a acusação de crime de responsabilidade fiscal. À primeira vista, um assunto que deve ser abordado com seriedade em virtude de seus eventuais reflexos no tocante à democracia brasileira. Por outro lado, na ótica dos memes, um assunto que não merece ser levado a sério?

Nas relações estabelecidas na sociedade digital, a competição entre os memes é potencializada e assume modalidades que saltam aos nossos olhos de forma mais profusa no ciberespaço, pois eles se apresentam como uma imitação irônica da realidade ou da própria arte, e, por sua vez, ganham crescente evidência e destaque, dentro da lógica descrita por Lipovetsky e Serroy (2015), de uma cultura demasiadamente sedutora, assentada no espetáculo e no “entertainment sem fronteiras”, apropriada pelo capitalismo artista. Nesse sentido, o meme ironiza, parodia e satiriza as ideias, opiniões ou situações que lhe deram origem. Dentro de sua lógica, seja qual for o assunto, é despido de solenidade, seriedade ou hierarquia, como é notório nas Figuras 3 e 4.

Figura 3 – Exemplo de meme, no qual Eduardo Cunha e Dilma Rousseff são apresentados em imagem que sugere enfrentamento.

Fonte: Facebook.

O post apresentado na Figura 3 reflete o que Renan Quinalha (2016) denominou de “epicentro desse enorme imbróglio”, a saber: o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Conforme explica Quinalha (2016), o pedido foi instaurado por Eduardo Cunha, então presidente da Câmara, em resposta retaliativa ao fato de o governo não ter lhe dado apoio no processo administrativo que corria contra ele na Comissão de Ética. O exemplo da Figura 3 apresenta, dessa forma, um apelo a efeitos emocionais relativos à disputa de interesses em jogo, assim como faz uma relação com outro meme8.

Figura 4 – Tweet que faz referência à agitação nas redes sociais em virtude da votação.

Fonte: Twitter.

No exemplo de meme mostrado na Figura 4, o usuário de uma conta no Twitter utiliza a imagem de Nestor Cerveró9 para se referir à agitação nas redes sociais causada pelo acontecimento que, de acordo com um mapeamento feito pelo O Globo (2016), foram contabilizados mais de 225 mil tweets sobre o processo de impeachment entre às 14h do dia 17 de abril de 2016 e às 17h30, feitos por 59 mil autores. Dessa maneira, a hashtag

#impeachmentday foi a mais comentada no mundo durante a votação. De forma geral, o

assunto referente ao impedimento do governo da presidenta Dilma Rousseff repercutiu de diversas maneiras no ciberespaço, mas a votação referida forneceu a base de um tipo de conexão de ideias e opiniões possibilitada pela internet, a que chamamos popularmente de memes.

Dans le document TRANSNATIONAL CORPORATIONS (Page 66-75)