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A partir dos anos 1980 o campo do empreendedorismo expandiu-se por quase todas as ciências gerenciais e humanas, como demonstra a pesquisa realizada por Paiva Jr e Cordeiro (2002) e Guimarães (2004). Eles identificaram a diversificação de temas dominantes no campo do empreendedorismo, no Brasil, no intervalo de 1998 e 2003, nos artigos publicados no ENANPAD.

Este grande crescimento demonstra o interesse do empreendedorismo no Brasil. No Quadro 3 são destacados os temas mais pesquisados sobre empreendedorismo, com base nos estudos de Paiva Jr e Cordeiro (2002) e Guimarães (2004).

Para Echeveste et al. (1998), o construto empreendedor está contido em outros conceitos de estudo organizacionais a exemplo da mudança organizacional, liderança e característica do executivo para o mercado globalizado, assim, o tema fica ofuscado pelos conceitos mais clássicos dos estudos organizacionais.

Temáticas de pesquisa sobre empreendedorismo

A concepção de sistemas de redes organizacionais A criação e desenvolvimento de novos empreendimentos

Alianças estratégicas, incubadoras e sistema de apoio ao empreendedorismo As características comportamentais de empreendedores

As características gerenciais dos empreendedores As empresas de alta tecnologia

As empresas familiares

As políticas governamentais e criação de novos empreendimentos As práticas empreendedoras das empresas brasileiras

As redes de cooperação Auto-emprego

Capital de risco e financiamento de pequenos negócios Educação empreendedora

Estratégia e crescimento da empresa empreendedora Estudos culturais comparativos

Inovação

Os valores e questões éticas ligadas ao empreendedorismo Perfil ou comportamento do empreendedor

Potencial empreendedor

Questões de gênero, minorias, grupos étnicos e o empreendedorismo

Quadro 3 Temas de Pesquisa em Empreendedorismo

Fonte: elaborado pelo autor.

Filion (1999) afirma que grande número dos pesquisadores, “usando cultura, lógica e metodologias estabelecidas em graus variados em seu próprio campo de estudo”, passou a se interessar e pesquisar sobre o tema. Os primeiros cursos de doutorado no assunto surgiram em 1980.

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Béchard (1996), buscando compreender o campo do empreendedorismo, classificou as contribuições mais citadas pelos pesquisadores do campo, nas revistas Journal of Business Venturing, Entrepreneurship Theory and Practice, e Journal of Small Business Management durante 10 anos, em três níveis de conhecimento. No nível praxeológico, o autor identificou os temas relacionados às práticas de gestão e de desenvolvimento do empreendedorismo. No nível disciplinar, fez a ligação entre as diferentes contribuições trazidas pelas teorias econômicas, psicológicas, sócio-culturais e das teorias de organização do campo do empreendedorismo. E, no nível epistemológico, pelos esforços de definição, de modelização, de classificação e de avaliação do empreendedorismo por outros autores relacionados. Esse trabalho de Béchard (1996) caracteriza-se como um trabalho de cunho epistemológico, procurando retratar a racionalidade instrumental do campo dos conhecimentos do empreendedorismo

Cunningham e Lischeron (1991) sugeriram que o campo do empreendedorismo está sendo estruturado em torno de seis pontos: (1) a escola do “grande homem”, (2) a escola de características psicológicas, (3) a escola clássica (da inovação); (4) a escola do gerenciamento; (5) a escola da liderança; e (6) a escola do intra-empreendedorismo.

Para Morris et al (2001), o empreendedorismo é o resultado da interação entre inúmeras variáveis que se influenciam mutuamente. Abaixo estão descritas seis principais variáveis:

1. O processo: está no centro e implica na criação e nos recursos para explorar uma oportunidade.

2. O empreendedor: o empreendedor é a peça fundamental, ou seja, a pessoa que origina a idéia e que se obstina em adaptar, implementar e realizar com sucesso. 3. O ambiente: são as forças que estão além do controle do empreendedor, que podem facilitar (ex. disponibilidade de capital de risco, etc.) ou dificultar (ex. alta inflação, monopólios, etc.) a expressão do empreendedor em geral.

4. O conceito de negócio: é a combinação de recursos que resultam num novo produto ou serviço e no acesso ao mercado do novo negócio.

5. Os recursos: geralmente os recursos financeiros recebem maior atenção, mas existem também os recursos humanos, a tecnologia, dentre outros.

6. O contexto organizacional: refere-se ao tipo e ao tempo da atividade empreendedora, relacionado com o ambiente organizacional.

Cunningham e Lischeron (1991) descrevem seis escolas no empreendedorismo, que são divididas de acordo com o foco dos estudiosos do campo do empreendedorismo: as características individuais, o reconhecimento de oportunidades, e a administração ou a adaptação organizacional. Cada categoria enfoca uma determinada visão do empreendedorismo, conforme detalhado no Quadro 4.

CATEGORIA “ESCOLA” ÊNFASE

Avaliação de Características Pessoais

“Pessoa Especial”: discute se as características empreendedoras são ou não inatas.

Biografias; Histórias de Sucesso; Características e Atributos Individuais “Características Psicológicas”: faz

uma reflexão acerca do que determina o comportamento do empreendedor, foca a personalidade do indivíduo e o estilo comportamental. Necessidades, Valores e Comportamentos Reconhecimento de Oportunidades

“Clássica”: trata da distinção entre “gerentes” e “empreendedores”, sendo que os primeiros tendem à adaptação diante das mudanças, enquanto os outros são mais inovadores.

Criatividade; Tomada de Decisão; Identificação de Oportunidades; Fundação do Negócio

Ação e Gerência “Gerenciamento”: a preocupação está

centrada na gestão dos processos. Conhecimento e Formação Técnica “Liderança”: o interesse é na gestão

de pessoas, no perfil e características que fazem do empreendedor um líder de sucesso.

Liderança; Visão; Motivação

Reavaliação e Adaptação

“Intrapreneurship”: refere-se ao indivíduo que inova e que empreende dentro da organização, trazendo benefícios para a empresa.

Criatividade; Inovação; Trabalho em Equipe

Quadro 4 As “Escolas” do Empreendedorismo

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Para Bygrave (1993), empreendedor é uma pessoa que implementa combinações novas, enquanto causa descontinuidade. Pode ser um empregado dentro de uma organização existente ou pode começar um negócio novo. No entanto, um gerente que gere um negócio existente, talvez até mesmo com ajuste contínuo em passos pequenos, não causa descontinuidade e assim, por definição, não é um empreendedor.

Bygrave (1993) aponta a influência da teoria do caos e do paradigma da complexidade na ação empreendedora, afirmando que uma sociedade estritamente determinista, seria apenas ordem, um universo sem devir, sem inovação e sem criação. Mas, um universo que fosse apenas desordem não conseguiria constituir organização, portanto seria incapaz de conservar a novidade e, por conseguinte, a evolução e o desenvolvimento.

De acordo com Déry e Toulouse (1998), está sendo criado um paradigma que ainda não atingiu consenso no referente à construção teórica do empreendedorismo, tendo em vista que é proveniente de praticamente todas as ciências humanas e gerenciais. O que se percebe é a necessidade da criação de uma teoria que não se limite apenas a uma abordagem unidimensional em função da complexidade do campo.

O empreendedorismo compreende, antes de tudo, o fato de que indivíduos realizam ações concretas (DANJOU, 2002). Dessa forma, separar a pessoa do processo empreendedor é tornar abstrato aquele que sustenta a aventura pessoal e coletiva, ou seja, focar o homem fora de sua ação significa reduzi-lo às suas potencialidades. Assim, pode-se cometer o risco de reduzir o processo aos modelos explicativos determinantes, estabelecendo ligações de causalidade muito estreitas entre as características psicológicas de um indivíduo e sua ação empreendedora.

Danjou (2002) assume uma perspectiva em que a interpretação dos fatos históricos, sociais, políticos e econômicos ocorra de forma complexa, dialógica, negando a existência de uma única verdade, opondo-se a qualquer forma de simplificação ou reducionismo. O autor busca-se integrar e superar qualquer visão unilateral presente no campo do empreendedorismo, retratando a lógica do paradigma da complexidade.

De acordo com o trabalho de Verstraete (1999), o empreendedorismo é um fenômeno psico-sócio-econômico-cultural complexo. Não se pode, desta forma, ignorar os fatores que influenciam o empreendedorismo, sejam eles econômicos, sociais, culturais, ou mesmo psicológicos.

Para Birley e Muzika (2004), a capacidade empreendedora significa o processo e as atividades realizadas pelos empreendedores. Compreende o processo empreendedor como ação dirigida para a realização do valor associado com as oportunidades de negócio. Enfatizam ainda que a capacidade empreendedora:

Possui forte ligação com a percepção e promoção de empreendimentos de alta tecnologia, resultando na criação de novas riquezas mediante a introdução de conceitos atuais.

Trata-se de qualquer inovação que implique em mudanças organizacionais, gerando valor econômico.

Envolve a aquisição de empreendimentos já existentes com o intuito de obter mais valor econômico.

Está presente também nas grandes organizações, tanto no setor privado como na área pública.

Fortalecendo tais argumentos, Stevenson (2004) define capacidade empreendedora como o aproveitamento de oportunidades independentemente das condições e recursos disponíveis, seja em situações de criação de um negócio ou na condução de uma empresa já estabelecida.

Percebe-se, no campo de estudos sobre empreendedorismo, uma ausência de consenso a respeito do empreendedor e das fronteiras do paradigma. Os economistas tendem a concordar que os empreendedores estão associados à inovação e são vistos como forças direcionadoras de desenvolvimento. Os comportamentalistas atribuem aos empreendedores características de criatividade, persistência, internalidade e liderança.

Com a diversificação do campo de empreendedorismo, nota-se que não há um modelo único e simplificado que retrate a sua lógica. Conseqüentemente, o

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campo do empreendedorismo deve ser abordado como fenômeno psico-sócio- econômico-cultural, em função da sua complexidade.

3.2 O EMPREENDEDORISMO DE NEGÓCIOS NO BRASIL

No Brasil existem 5 milhões de pequenos negócios que são responsáveis por 20% de todos os bens e serviços produzidos no país. De cada 100 brasileiros, 13 desenvolvem alguma atividade empreendedora, o que configura o Brasil como um dos países mais empreendedores do mundo.

Desde o ano de 2000, a pesquisa GEM BRASIL, é um importante referencial nacional para as iniciativas relacionadas ao tema empreendedorismo e questões correlatas à criação, dinamização e sobrevivência de negócios. Os 42 países participantes, do ciclo 2006 da Pesquisa GEM BRASIL, somam 4,6 bilhões de pessoas, ou seja, pouco mais de 2/3 população mundial. Neles, a população com 18 a 64 anos totaliza 2,7 bilhões de pessoas e aproximadamente 9,5% da população nessa faixa etária estão envolvidas na criação ou à frente de alguma atividade empreendedora. (GEM BRASIL, 2007)

A pesquisa GEM classifica os empreendedores conforme o estágio do negócio, a motivação para empreender e as características demográficas.

Quanto ao estágio, os empreendedores podem ser iniciais ou estabelecidos. Os empreendedores iniciais estão à frente de negócios com até 42 meses de vida, três anos e meio, e compõem uma taxa denominada TEA. Esses empreendedores subdividem-se em dois tipos: {1. empreendedores} nascentes: à frente de negócios em implantação – busca de espaço, escolha de setor, estudo de mercado etc.; {2. empreendedores} novos: seus negócios já estão em funcionamento e geraram remuneração por pelo menos três meses. Os empreendedores estabelecidos, por sua vez, são aqueles à frente de empreendimentos com mais de 42 meses.

Quanto à motivação para empreender, os empreendedores podem ser orientados por: oportunidade, quando motivados pela percepção de um nicho de mercado em potencial; ou orientados por necessidade, quando motivados pela falta de alternativa satisfatória de trabalho e renda.

Finalmente, quanto às características demográficas dos empreendedores, as variáveis consideradas são gênero, idade, renda familiar e escolaridade. (GEM BRASIL, 2007, p. 36, grifo nosso)

O percentual da população que está envolvida ativamente na criação de novos empreendimentos ou à frente de empreendimentos com até 42 meses (Taxa de Empreendedores Iniciais - TEA), no Brasil em 2006 foi de 11,7% e manteve-se praticamente inalterada em relação ao ano anterior, que foi de 11,3% (Figura 1).

Figura 1 Evolução da Taxa de Empreendedores Estabelecidos – Brasil: 2002/2006

FONTE: GEM BRASIL, 2007, p. 47.

Quanto ao estágio do empreendimento, também não foram registradas alterações significativas nas taxas de empreendedores nascentes e novos com relação ao ano anterior. A taxa de empreendedores estabelecidos passou de 10,1% em 2005 para 12,1% em 2006. Embora não seja uma diferença estatisticamente significativa o número de empreendedores estabelecidos é maior que o de empreendedores em estágio inicial.

As taxas de empreendedorismo relacionadas às motivações para empreender também não sofreram variações importantes (Figura 2). O empreendedorismo por oportunidade manteve-se com taxa de 6%, porém no ranking o Brasil foi da 15ª posição para a 20ª. No empreendedorismo por necessidade houve uma pequena variação numérica, em 2005 a taxa era de 5,3% e passou em 2006 para 5,6%, no

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ranking o Brasil passou de 4º colocado para 6º. Proporcionalmente, é possível dizer que, para cada indivíduo que empreende por oportunidade, existe outro que o faz por necessidade.

Figura 2 Evolução da Taxa de Empreendedores por Motivação – Brasil: 2002/2006

FONTE: GEM BRASIL, 2007, p. 49.

No período de 2001 a 2006, os homens empreendedores ainda são maioria, sendo que, dentre os empreendedores iniciais, as mulheres sinalizam com 42,5% de participação (Figura 3). Em relação ao TEA de empreendedores iniciais, a mulher ocupa a 10ª posição do ranking, com índice de 9,61%, enquanto que os homens ocupam a 12ª posição com TEA de 13,74%.

De acordo com os dados da pesquisa GEM BRASIL, os homens têm menos medo que as mulheres (68,5% versus 63,4%) de iniciar um negócio.

A participação da mulher foi considerada um fator favorável ao empreendedorismo brasileiro pelos conhecimentos e habilidades que possui para empreender, semelhante ao do homem no Brasil, bem como ter um negócio é uma opção de carreira socialmente aceitável para as mulheres.

Figura 3 Características dos Empreendedores – Brasil: 2002/2006

FONTE: GEM BRASIL, 2007, p. 211.

Em relação às condições limitantes ao empreendedorismo no Brasil foram apontados na pesquisa GEM BRASIL as Políticas Governamentais, o Apoio Financeiro e a Educação e Capacitação. Como fatores favoráveis para as atividades empreendedoras no Brasil foram citados: o Clima Econômico, os Programas Governamentais, as Normas Culturais e Sociais e a Capacidade Empreendedora.

O empreendedor brasileiro, de forma geral, reconhece boas oportunidades para empreender e considera como principais estímulos à abertura de negócios a busca por uma maior independência profissional e o aumento da renda pessoal (GEM BRASIL, 2007).

Aproximadamente 75% da população (tanto empreendedores como não empreendedores, homens e mulheres, independentemente de faixa etária, escolaridade e renda) valorizam socialmente o empreendedor.

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3.3 TIPOS DE EMPREENDEDORES

Os estudos sugerem que não é possível estabelecer uma ligação de causalidade entre um ou outro traço de personalidade, pois existe uma multiplicidade de fatores que transforma ilusória toda tentativa de se desenhar um único perfil do empreendedor (GUIMARÃES, 2004).

No passado uma carreira empreendedora significaria normalmente trabalhar num pequeno negócio. Agora, no entanto, há muitas novas formas de empreendedorismo incluindo negócios de família, micro-empresas, auto- emprego, empreendedorismo ecológico, empreendedorismo tecnológico, cooperativa, empreendedorismo de grupo, empreendedorismo social, assim como outros tipos de empreendedorismo no setor dos grandes negócios, como os que estão se tornando cada vez mais comuns. (FILION, 2001a, p. 9)

Mesmo assim o empreendedor ainda é visto como a pessoa que abre um novo negócio, uma empresa própria, ou seja, que deixa de ser empregados para ser “dono de sua própria vida”. É evidente, pelas pesquisas que as pessoas podem ser empreendedoras como proprietários de novas empresas; funcionários de grandes empresas e de órgãos públicos; professores; chefes de família; estudantes; enfim, existem vários tipos de empreendedores.

Apesar dessa diversidade, algumas tentativas foram feitas para classificar os empreendedores a partir de certas características. Dornelas (2007), por exemplo, propôs uma classificação em oito tipos de empreendedores:

1. Empreendedor Nato geralmente iniciam do nada, ainda muito jovens e criam verdadeiros impérios. Na visão de Dornelas (2007, p. 12) são “visionários, otimistas, estão à frente de seu tempo e comprometem-se 100% para realizar seus sonhos”.

2. Empreendedor que Aprende é o que geralmente acontece com uma pessoa que nunca pensou em ser empreendedor e uma oportunidade de dedicar-se ao negócio próprio aparece como alternativa extremamente viável. Geralmente demoram um pouco para tomar a decisão de mudar de carreira, a nao ser que

estejam em situação de perder o emprego ou já tenham sido demitido ou aposentado.

3. Empreendedor Serial é aquele apaixonado pelo ato de empreender e não apenas nas empresas que cria. Prefere a adrenalina envolvida na criação de algo novo a assumir uma postura de executivo que lidera equipes. Às vezes se envolve em vários negócios ao mesmo tempo e não é incomum ter várias histórias de fracasso.

4. Empreendedor Corporativo é geralmente um executivo muito competente, com capacidade gerencial e conhecimentos de ferramentas administrativas. Assumem riscos e possuem como desafio lidar com a falta de autonomia total para agir. Sabem convencer as pessoas para fazerem parte de sua equipe e reconhecem o empenho e talento das pessoas. Para Filion (2001a) existem duas categorias de empregados empreendedores. Os facilitadores, que “incorporam a visão de alguém e trabalham ativamente para realizá-la – por exemplo, eles podem projetar e implementar visões que complementem a visão central do dono do negócio”. E os visionários, que são “pessoas que projetam e implementam visões emergentes que modificam a visão central do proprietário do negócio” (FILION, 2001a, p. 9)

5. Empreendedor Social possui um sentimento profundo de ação como defensor da causa coletiva, combina a paixão e o entusiasmo em prol de uma missão social. Buscam melhorias duradouras para manter e gerar valor social. Realizam- se criando negócios voltados para o bem estar das pessoas e das comunidades. Não busca a formação de um patrimônio financeiro, prefere compartilhar seus recursos e contribuir para o desenvolvimento das pessoas.

6. Empreendedor por Necessidade cria o seu próprio negócio porque não tem alternativa, seja porque não tem acesso ao mercado de trabalho ou porque foi demitido. Envolve-se de forma geral em empreendimentos informais, prestando serviços com pouco retorno financeiro. De fato, são vítimas do modelo capitalista atual, pois não possuem acesso a recursos, educação e às mínimas condições para empreender de forma estruturada.

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7. Empreendedor Herdeiro possui a missão de levar a frente o legado da família. Geralmente o seu desafio é manter e ainda multiplicar o patrimônio recebido. Tem sido freqüente nas empresas familiares profissionalizar estas pessoas em gestão ou contratar apoio externo para a sucessão. Existem variações relevantes no perfil destes empreendedores, pois alguns podem-se revelar mais conservadores e outros mais independentes e inovadores.

8. O Empreendedor “Normal” ou Planejado é o empreendedor que busca a minimização dos riscos; preocupa-se com o futuro do negócio; possui uma visão de futuro clara; e, estipula metas e formas de contole para gestão do seu negócio.

Morris et al (2001) descreve quatro tipos de personalidade empreendedora de sucesso: (1) os Realizadores, que enfatizam a ousadia e são motivados pela realização; (2) os „Super’ Vendedores, que assumem riscos em torno da arte de vender e de relacionamentos; (3) os Geradores de idéias, representados pelos inovadores e inventores; e (4) os Gerentes, auto-motivados e com capacidade de liderança (Quadro 5).

TIPOS CARACTERÍSTICAS

Pessoas Realizadoras - Necessidade de feedback. - Necessidade de realização. - Forte compromisso.

- Controle interno. Pessoas “Super” Vendedoras - Empatia.

- Crença que os processos sociais são importantes. - Bom relacionamento interpessoal.

- Crença na força das vendas.

Gerador de Idéias - Tolerância em torno de novos produtos.

- Envolvimento com empresas de alta tecnologia. - Desejo em inovar.

- Inteligência como fonte de vantagem competitiva. Gerentes - Desejo de mudança, de competição, de decisão e de

crescimento.

- Desejo de liderança e poder. - Atitude positiva de autoridade. Quadro 5 Características dos Tipos de Empreendedores

Isachsen (1996) baseou-se em características pessoais para classificar os empreendedores em quatro categorias de temperamentos:

Administrador. Possui como principais características a capacidade de adequar um conjunto de situações para que as atividades sejam desempenhadas de forma ordenada, previsível, exata e no prazo. Possui um profundo senso de comprometimento, corre riscos, e gosta de trabalhar com planos detalhados. Trabalha focado em metas de curto prazo, mas tem dificuldade de trabalhar em ambientes sujeitos a mudanças rápidas e, portanto, não costuma ser um estrategista “brilhante”.

Tático. Caracteriza-se por ser motivado pela necessidade de realização, com forte foco nas oportunidades. Possui capacidade de dar respostas rápidas em situações de dificuldade e é hábil na arte da negociação. Por outro lado, pode não elaborar planejamento de longo prazo e não estar disposto a correr riscos. Geralmente atua na base do “tudo ou nada”.

Estrategista. Possui “visão de longo prazo”, é persistente, com alta necessidade de realização pessoal, mas com dificuldade no trato de detalhes da rotina diária, monitoramento e estabelecimento de metas de curto prazo. Sua independência e autoconfiança podem ser extremamente exageradas.

Idealista. É devotado a uma causa, idéia ou pessoas. Bom líder, enérgico com sua equipe quando é necessário para que os prazos sejam cumpridos. Por outro lado, possui dificuldade de lidar com procedimentos e estruturas hierárquicas formais.