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Computer Setup (BIOS) et System Diagnostics (Diagnostics système)

Visando a responder a pergunta Como trabalhar com projetos em Geometria

Analítica, usando software de geometria dinâmica, visando a favorecer a formação de futuros professores de Matemática?, foram adotadas várias técnicas de coleta de dados no intuito de

apreender a realidade dos sujeitos e para melhor analisar a intervenção sugerida neste estudo. Inicialmente, no encontro em que foi realizada a reunião de apresentação, os licenciandos responderam a um questionário, o qual tinha o propósito de investigar a relação destes com a disciplina de Geometria Analítica, suas experiências com tecnologias informáticas e o porquê de cada um deles participar da investigação. Foi combinado, ainda, que as duplas deveriam apresentar, na sessão subseqüente, um roteiro prévio do projeto que desenvolveriam, acompanhado de notas (comentários), dúvidas e procedimentos que seriam empregados.

No encontro seguinte foi aplicado um segundo questionário, visando a saber quais eram as perspectivas deles com relação ao trabalho que estava sendo iniciado, a forma como relacionavam a representação algébrica e geométrica dos conceitos de Geometria Analítica e os aspectos intrínsecos à abordagem desta que poderiam ser modificados. E um terceiro questionário foi aplicado após o encerramento da coleta de dados.

Neste período também foram produzidos registros, por meio de fotografias, dos momentos considerados relevantes nos encontros. Para esta modalidade de coleta de dados foi usada uma estratégia distinta, na qual os próprios alunos selecionavam e fotografavam os momentos que achavam interessantes. Esta forma de coletar dados, segundo Bogdan e Biklen (1994), permite que pesquisadores percebam como os sujeitos vêem o seu mundo.

Pelo que se pode constatar, os registros fotográficos produzidos pelos alunos permitiram a pesquisadora compreender como eles estavam avaliando a estratégia de trabalho adotada e contribuíram para gerar dados para a pesquisa que não haviam sido previstos. Ademais, durante os encontros em que os projetos foram desenvolvidos, algumas conversas dos sujeitos foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas e analisadas.

Em algumas sessões foram realizadas entrevistas com os participantes visando a identificar suas concepções de ensino e aprendizagem de Matemática e saber como estavam avaliando a estratégia de trabalho adotada (contribuições e implicações à sua formação docente). Esta técnica de coleta de dados, definida por Turato (2003), Alves-Mazzotti (2002) e Goldenberg (2003) como entrevista semi-estruturada, caracteriza-se como um roteiro que tem o propósito de orientar a conversa entre pesquisador e pesquisado.

As entrevistas semi-estruturadas evitam que o pesquisador induza o pesquisado a fornecer determinadas respostas, assim como permitem ao entrevistado expressar suas idéias e experiências de modo informal e natural. Não obstante, de acordo com Alves-Mazzotti (2002, p. 168), são muito adequadas a estudos qualitativos, pois,

são muito pouco estruturadas, sem um fraseamento e uma ordem rigidamente estabelecidos para as perguntas, assemelhando-se muito a uma conversa. Tipicamente, o investigador está interessado em compreender o significado atribuído pelos sujeitos a eventos, situações, processos ou personagens que fazem parte de sua vida cotidiana.

Após a elaboração dos projetos, os licenciandos foram convidados a responder um terceiro questionário, o qual versava sobre as contribuições deste trabalho à sua formação pessoal e profissional e como concebiam o uso das mídias informáticas na prática docente nesta área específica do conhecimento.

Outra fonte de dados de considerável valor foi a gravação em vídeo que se deu durante a realização de algumas sessões, entre elas, aquela em que ocorreu a socialização dos projetos. Este procedimento teve como propósito registrar as considerações e reflexões dos licenciandos acerca do conteúdo de Geometria Analítica focado nas atividades e revelar a postura destes frente ao cenário sugerido para esta etapa do trabalho.

A estratégia de combinar múltiplas formas de coletar dados, definida por Denzin e Lincoln (2000) como triangulação, é um método muito adequado à pesquisa qualitativa em função da necessidade de se analisar com profundidade o tema em estudo, bem como descrevê-lo a partir das diversas fontes de dados coletados.

Sob este ponto de vista, Goldenberg (2003, p. 63) define triangulação como a “combinação de metodologias diversas no estudo do mesmo fenômeno”, na qual os métodos qualitativos podem observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou instituição experimenta a realidade pesquisada. Por outro lado, Borba e Araújo (2004, p. 35) ponderam que “a triangulação em uma pesquisa qualitativa consiste na utilização de vários e distintos procedimentos para a obtenção dos dados”.

Teorizando sobre este procedimento em estudos qualitativos, Flick23 (1998) apud Denzin e Lincoln (2000, p. 5) argumenta que

triangulação não é uma ferramenta ou uma estratégia de validação, mas uma alternativa para a validação (Flick, 1998, p. 230). A combinação de múltiplas práticas metodológicas, materiais empíricos, perspectivas de observadores em um único estudo é melhor entendida, então, como uma estratégia que adiciona rigor, abrangência, complexidade, riqueza e profundidade a qualquer pesquisa.

Adotaremos nesta investigação as definições de triangulação propostas por Borba e Araújo (2004) e por Flick (1998), pois estas contemplam de forma mais adequada o processo de investigação que foi realizado.

Todas estas formas de coletar dados têm se mostrado adequadas à pesquisa qualitativa, entretanto, as gravações em vídeo, segundo Borba e Araújo (2004), Bogdan e Biklen (1994), Detoni e Paulo (2000), Benedetti (2003) e Powel et al. (2004), têm se constituído em um método riquíssimo de coleta de dados, pois permitem ao pesquisador acompanhar o comportamento dos sujeitos da pesquisa de forma mais atenta e detalhada, dependendo do clima de confiança e colaboração que se estabelece no diálogo entre ambos.

Para estes autores, os dados armazenados em vídeo revelam aspectos concernentes às colocações dos sujeitos que, a partir de dados escritos ou gravações de áudio, seriam impossíveis de serem observados, os quais foram expressos por gestos, pausas, gaguejos etc. Também podem revelar o aprofundamento das reflexões acerca dos temas que estavam sendo discutidos e o amadurecimento de conceitos por parte dos sujeitos.

Tratando da análise de vídeo em pesquisas qualitativas, Steffe e Thompson (2000, p. 292) sustentam que “a análise cuidadosa de fitas de vídeo oferece aos pesquisadores a oportunidade de ativar os registros de suas experiências passadas com os estudantes e trazê- los à consciência24”.

Após a realização de cada encontro, foi feita uma descrição cuidadosa dos mesmos em um caderno de campo, visando a traçar um mapa dos projetos que estavam sendo desenvolvidos, avaliar como o trabalho de cada dupla estava transcorrendo, além de evitarmos que episódios importantes naquele encontro pudessem ser esquecidos se tais descrições fossem realizadas somente após o encerramento de todas as atividades de coleta de dados.

23 Triangulation is not a tool or a strategy of validation, but an alternative to validation (Flick, 1998, p. 230). The combination of multiple methodological practices, empirical materials, perspectives, and observers in a single study is best understood, then, as a strategy that adds rigor, breadth, complexity, richness, and depth to any inquiry (see (Flick, 1998, p. 231)).

24 Careful analyses of the videotapes offers the researchers the opportunity to activate the records of their past experiences with the students and bring them into conscious awareness.

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