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Step 3: Compute Outcome Probabilities
A necessidade de informação contabilística auditada é outro aspecto crucial da
corporate governance
, pois funciona como elo de ligação da informação assimétrica entre os directores e os outros utilizadores externos e fornece informações aos directores subalternos.Com o objectivo de melhorar a função da auditoria, o relatório de
Cadbury
47recomendou que as organizações deviam nomear comités de auditoria que incluíssem DNEs, os quais, na sua maioria, deveriam ser independentes. Embora as grandes organizações geralmente seguissem esta recomendação, uma percentagem significativa de casos mostrava que os directores executivos estavam presentes nestes comités, e que o seu funcionamento era problemático em organizações de menor dimensão.
Vários estudos realizados nos EUA investigaram a relação entre a qualidade da informação contabilística e a existência de DNEs.
Wild
(1994, 1996)48 averiguou existir um47 O relatório de Cadbury que será referido de forma alargada mais à frente, foi, talvez, a referência mais
importante no âmbito da corporate governance, fundamentalmente na Europa, tendo sido considerado um verdadeiro marco conceptual nesta matéria.
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aumento significativo na reacção do mercado à divulgação de dividendos, no período subsequente à constituição de um comité de auditoria, tendo verificado que tais comités aumentaram a qualidade da informação sobre dividendos.
Dechow
e outros (1996)49, por seu lado, concluíram que o universo das organizações que violaram osUnited States Generally Accepted Accounting Principles
(US GAAP)50 evidenciavam maior probabilidade de terem directores dependentes do Conselho de Administração.Beasley
(1996)51 refere que a proporção de DNEs no Conselho é menor em organizações consideradas culpadas de terem cometido fraudes nas demonstrações financeiras divulgadas quando comparadas com outras que as não cometeram, e conclui que a inclusão de DNEs aumenta o controlo efectivo do Conselho na prevenção de fraudes nas demonstrações financeiras.Dechow
e outros (1996) eBeasley
(1996) obtiveram resultados diferentes relativamente ao impacto dos comités de auditoria. Os primeiros verificaram que nas organizações que violaram os US GAAP era menos provável a existência de comités de auditoria, enquanto o segundo referiu que a existência de um comité de auditoria não tinha nenhum efeito significativo na probabilidade da existência de fraudes nas demonstrações financeiras. Porém, a qualidade da informação contabilística é difícil de quantificar, e os estudos acima referem que os seus resultados partiram do princípio que os DNEs tiveram êxito no controlo efectuado à administração. Evidentemente que, noutras condições, podem ser consideradas outras hipóteses alternativas52. Além disso, se os DNEs tiverem efeitos adversos na organização, os accionistas podem ficar satisfeitos com a qualidade dotrade-off
entre informação contabilística e as melhorias deperformance
.
49 Como refere (SHORT, 1999: p. 344).
50 Princípios contabilísticos geralmente aceites nos EUA. 51 Citado por (SHORT, 1999: p. 344).
52 Por exemplo, a amostra de empresas não culpadas de fraude nas demonstrações financeiras considerada por Beasley (1996) pode conter dois tipos de organizações: aquelas que não estão de facto comprometidas pela fraude e as que estando comprometidas com a fraude não foram descobertas. Se for este o caso, as conclusões do estudo sobre a relação entre os DNEs e a ocorrência de fraudes nas demonstrações financeiras pode necessitar de ser tratada com algumas cautelas. Aquelas conclusões podem ser consistentes com a hipótese de que os directores executivos podem mais facilmente identificar e divulgar as fraudes nas demonstrações financeiras.
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Uma das questões mais candentes em quase todas as tentativas de harmonização é a que se refere à inclusão de um relatório sobre a efectividade dos sistemas de controlo interno nos relatórios anuais. Ora, em alguns casos, a implementação de tal prática revela-se problemática atendendo à dificuldade em definir o âmbito da noção de controlo interno.
Nos EUA, os sistemas de controlo interno são integrados numa estrutura que engloba o controlo financeiro e operacional conjuntamente (
Mills
, 1997)53, enquanto que noutros países, designadamente no Reino Unido, os sistemas de controlo interno devem englobar questões relativas à materialidade e à probabilidade de ocorrência de riscos financeiros.Jones
e outros (1993)54 sugerem que as organizações que utilizam somente uma aproximação formal e mecânica do controlo interno podem ter carências na informação, colocando em dúvida se acorporate governance
alcança efectivamente os seus objectivos em termos de responsabilidade e da organização.De igual modo,
Mills
(1997) eLipworth
(1996)55 referem ser importante para os sistemas de controlo interno considerarem a avaliação do risco e da gestão, não só por questões de responsabilidade mas também como uma base sustentada de identificação de oportunidades para a criação de valor.O
trade
-off
entre a responsabilidade e a organização em conformidade com o controlo interno, levanta algumas questões relativas à natureza do próprio processo de auditoria. Uma vez ultrapassada a conformidade formal com odue
process
56 oficialmente aceite, tudo o resto se centra em noções de intuição e juízo pessoal. Estetrade-off
levanta igualmente questões sobre a independência dos auditores e o seu comportamento ético num contexto degovernance
. A independência pode estar comprometida pelos crescentes desafios éticos colocados aos auditores no seu trabalho.
53 Referido por (SHORT, 1999: p. 344). 54 Referido por (SHORT, 1999: p. 344). 55 Citados por (SHORT, 1999: p. 344). 56 Procedimento; Prática
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Cook
e outros (1997)57 analisaram este assunto utilizando uma aproximação teórica, tendo concluído que a obtenção de resultados socialmente desejáveis resultantes de um elevado e honesto esforço de auditoria, podem necessitar de um alto grau de cooperação entre o auditor e o cliente que pode pôr em causa a independência do auditor.Visto num contexto mais amplo, as questões da responsabilidade do auditor e da sua independência são temas fulcrais da ética empresarial e do debate em sede de
corporate
governance
sobre o papel e concepção da organização e da sua responsabilidade social.Até que se clarifique de forma mais notória a natureza das organizações, o papel da auditoria permanece um pouco ambíguo e as questões sobre as responsabilidades dos auditores não têm uma solução pacífica.
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