As análises das medições realizadas no presente trabalho permitem concluir que a distribuição dos níveis de iluminância nas salas de aula medidas, quando iluminadas apenas naturalmente, variam de acordo com as condições de céu, a orientação solar, a presença ou não de obstrução externa e de proteção solar, porém, com exceção da sala 251 e da 252 do anexo A do CT, onde a película fumê sobre vidros interfere na disponibilidade e na distribuição da iluminação natural, os níveis de iluminação natural interna, para os dias medidos, são maiores nos pontos mais próximos das aberturas do que nos mais afastados, resultado esperado.
Nas salas 251 e 252 do anexo A do CT a iluminação natural para os dois dias medidos apresentam insuficiência, levando ao uso obrigatório de iluminação artificial em boa parte do dia, independente do ponto medido (afastamento da janela) devido ao uso de películas fumê. O uso de película fumê sobre os vidros prejudica, por falta, a iluminação da sala 252, voltada a sul e não contribui para o controle dos altos níveis de iluminância, durante a tarde nos pontos mais próximos das aberturas, da sala 251, voltada a norte.
No CCSH, para os três dias medidos, os níveis de iluminância, quando avaliada apenas a iluminação natural da sala 2265 (voltada a norte), com exceção do início da manhã, são superiores ou se encontram de acordo com as médias mínimas recomendadas pela NBR 5413 ao longo do dia, não havendo a necessidade do uso da iluminação artificial. Na sala 2264 (voltada a sul), para os dias em que foi medida apenas a iluminação natural, os níveis de iluminância são insuficientes provocando o acionamento da iluminação artificial em boa parte do dia nos pontos mais afastados das aberturas. Nos pontos mais próximos os níveis se apresentam de acordo com as médias mínimas recomendadas, nas medições sob condição de céu claro e são superiores a esses valores na medição sob condição de céu parcialmente encoberto.
Na sala 3208 do CE (voltada a norte), os níveis de iluminância dos dias em que foi medida apenas a iluminação natural, sob condição de céu claro, se apresentam de acordo com os valores médios mínimos recomendados pela norma nos pontos mais próximos das aberturas e alternam entre insuficientes e, de acordo com a NBR 5413, nos mais afastados, sendo necessário o uso da iluminação artificial em alguns períodos do dia. Sob condição de céu encoberto e parcialmente encoberto, os níveis em todos os pontos são inferiores a 200 lux, levando ao uso obrigatório de iluminação artificial durante todo dia, independente do ponto medido (afastamento da janela).
Na sala 3209 do CE (voltada a sul), a iluminação natural, nos dias medidos, é superior ao mínimo recomendado pela NBR 5413 para condições críticas, nos pontos mais próximos das aberturas e se apresenta de acordo com os valores médios mínimos recomendados nos pontos mais afastados.
Na sala 3269 do CE (voltada a norte) os níveis de iluminância dos dias em que foi medida apenas a iluminação natural, sob condição de céu encoberto e parcialmente encoberto, devido boa parte ao uso equivocado da proteção solar externa, são insuficientes nos pontos mais afastados das aberturas, sendo necessário o uso da iluminação artificial em grande parte do dia e se encontram de acordo com os valores médios mínimos recomendados até aproximadamente o início da tarde, quando se tornam superior ao mínimo recomendado para condições críticas nos pontos mais próximos. Sob condição de céu claro, o comportamento dos níveis de iluminância é semelhante ao da sala 3209, de acordo com o que recomenda a NBR 5413 nos pontos mais afastados das aberturas e superior a 500 lux nos mais próximos.
Na sala 3270 (voltada a sul) os níveis de iluminância dos dias em que foi realizada apenas a medição da iluminação natural, sob condição de céu claro, devido à ausência de um elemento de proteção solar adequado, são superiores ao mínimo recomendado para condições críticas em todos os pontos. Sob condição de céu nublado, são insuficientes, necessitando do uso da iluminação artificial, nos pontos mais afastados das aberturas e se alternam entre superior e de acordo com as médias mínimas recomendadas pela NBR 5413, nos pontos mais próximos.
Os níveis de iluminância dos dias em que foram realizadas as medições com iluminação natural mais artificial, com exceção das salas de aula do anexo A do CT onde as películas fumê sobre os vidros contribuem com a redução dos níveis, são
superiores a 500 lux (mínimo recomendado para condições críticas) durante todo dia em todos os pontos medidos, indicando que os sistemas de iluminação artificial destas salas de aulas estão superdimensionados para serem utilizados durante o dia (iluminação natural mais artificial).
Em todas as salas de aula avaliadas o sistema de iluminação artificial não contribui para uma melhor distribuição da iluminação, uma vez que os circuitos não podem ser acionados paralelamente à parede que contém as janelas, obrigando ao acionamento da iluminação artificial de todo ambiente mesmo quando ela só é necessária nos pontos mais afastados das aberturas, levando desta forma a altos níveis de iluminância, além do mínimo indicado pela norma para condições críticas, promovendo o desperdício de energia.
Nas salas de aula do CCSH e do anexo A do CT, a distribuição dos níveis de iluminância das medições com iluminação natural mais artificial, devido ao bom funcionamento do sistema de iluminação artificial (lâmpadas e luminárias funcionando corretamente) foi semelhante à distribuição das medições com iluminação natural apenas. Nas salas do CE, em função das lâmpadas queimadas e piscando, mesmo quando a distribuição dos níveis foi uniforme na medição com iluminação natural apenas, a distribuição se mostrou bastante diferente e não uniforme na medição com a iluminação artificial acionada.
5.2 Quanto às orientações solares norte e sul e à presença de obstrução